Trabalho Completo Características, Classificação e Sistemas Do Rn

Características, Classificação e Sistemas Do Rn

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Categoria: Ciências

Enviado por: Gabriel 30 novembro 2011

Palavras: 3720 | Páginas: 15

...

de dias da semana), e o valor final indica a IG em semanas e dias. Com o resultado, pode-se classificar o recém-nascido em pré-termo, a termo, e pós-termo (OLIBEIRA et al, 2007).

Idade Gestacional = 204 + contagem de pontos  7

(em semanas) (Constante K)

Método de Capurro (avaliação somática)

Textura da pele Forma da orelha Glândula mamaria Pregas plantares Formação do mamilo 0 0 0 0 0 5 8 5 5 5 10 16 10 10 10 15 24 15 15 15 20

20

Textura da Pele

0 muito fina, gelatinosa

5 fina e lisa

Forma da Orelha

0 chata, disforme, pavilhão não encurvado

8 pavilhão parcialmente encurvado na borda 5 palpável, menos de 5 mm 5 marcas mal definidas sobre a parte anterior da planta 5 aréola pigmentada, diâmetro inferior a 7,5 mm

Glândula Mamária

0 não palpável 0 sem pregas

10 algo mais grossa, discreta descamação superficial 16 pavilhão parcialmente encurvado em toda parte superior 10 entre 5 e 10 mm 10 marcas bem definidas sobre a metade anterior e sulcos no terço anterior 10 aréola pigmentada, pontiaguda, diâmetro inferior a 7,5 mm, bordo não levantado

15 grossa, rugas superficiais, descamação nas mãos e nos pés 24 pavilhão totalmente encurvado.

20 grossa, apergaminhada

15 maior que 10 mm 15 sulcos na metade anterior da planta

Pregas Plantares

20 sulcos em mais da metade anterior da planta

0 apenas visível; Formação do Mamilo

15 bordo levantado, diâmetro superior a 7,5 mm.

LUBCHENCO Lubchenco et al. (apud OLIVEIRA et al, 2007) propõe a classificação do RN pela IG através do número de semanas da seguinte forma:  Pré-termo: crianças nascidas com menos de 37 semanas, isto é, até 36 semanas e seis dias.  A termo: crianças nascidas entre 37 e 42 semanas de gestação.  Pós-termo: crianças nascidas após 42 semanas de gestação.

MÉTODO DE BALLARD MODIFICADO

No caso do RN pré-termo com menos de 1.500 g, utiliza-se o Método de Ballard modificado, já que o de Capurro é considerado inadequado. Ballard (apud OLIVEIRA et al, 2007) leva em consideração as seguintes variáveis: pele, lanugem (no dorso), seio, orelha, sulcos plantares e genitais masculinos ou femininos. A pontuação para cada um destes itens varia de zero a cinco. Após a análise de cada uma das variáveis acima, o avaliador deverá proceder à contagem total dos pontos e então deverá recorrer à tabela de escores para, finalmente, obter o resultado da idade gestacional do RN pré-termo. Método de Ballard Modificado

Pele 0 Gelatinosa, vermelha, transparente Nenhum Apenas perceptível 1 Lisa, rosa; veias visíveis Abundante Aréola chata, sem botão 2 Descamação superficial, poucas veias Delgado Aréola puntiforme borda não elevada, glândula mamaria. 1-2 mm Pavilhão encurvado desdobra facilmente. Sulcos somente no 1/3 anterior Testículos descendo, poucas rugas. Pequenos e grandes lábios igualmente proeminentes 3 Fendas superficiais, raras veias Pequena quantidade Aréola puntiforme, borda levantada, glândula mamaria. 3-4 mm pavilhão Bem formado e firme, desdobra imediatamente. 4 Apergaminhada, fenda profunda Praticamente sem lanugo Aréola bem formada, glândula mamaria 5 Fenda profunda, enrugada

Lanugo (no dorso) Seio

Orelha

Pavilhão liso permanece dobrado.

Sulcos plantares Genital masculino

Sem sulcos

Pavilhão levemente encurvado desdobra levemente Marcas

Cartilagem grossa, orelha rígida.

Sulcos nos 2/3 anteriores Testículos na bolsa, rugas

Sulcos em toda a sola Testículos na bolsa, rugas

Genital feminino

Bolsa escrotal vazia, sem rugas Pequenos lábios, clitóris proeminente

Grandes lábios quase cobrindo os pequenos

Clitóris e pequenos lábios completamente cobertos

Fonte: Júnior; Miura (apud OLIVEIRA et al, 2007)

Após análise de cada uma das variáveis acima, o avaliador deverá proceder a contagem total dos pontos e então deverá recorrer à tabela de escores para, finalmente, obter o resultado da idade gestacional do RN pré-termo (OLIVEIRA et al, 2007), de acordo com a tabela a seguir:

Escore Semanas

5 26

10 28

15 30

20 32

25 34

30 36

35 38

40 40

45 42

50 44

 CLASSIFICAÇÃO

PELA RELAÇÃO PESO X IDADE GESTACIONAL

A tabela proposta por Battaglia e Lubchenco é utilizada permite compreender o crescimento intra-uterino em função do peso e da idade gestacional, classificando-se o RN como PIG (pequeno para a idade gestacional), AIG (adequado para a idade gestacional) ou GIG (grande para a idade gestacional). Esta avaliação é feita através de um gráfico, onde o ponto de intersecção das retas correspondentes aos eixos x (idade gestacional) e y (peso) indicam a classificação do recém nascido (OLIVEIRA et al, 2007):  Entre o percentil 10 e 90 = AIG: RN com peso adequado para a idade gestacional.  Acima do percentil 90 = GIG: RN grande para a idade gestacional.  Abaixo do percentil 10 = PIG: RN pequeno para a idade gestacional.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E FISIOLÓGICAS DO RECÉM NASCIDO  RECÉM NASCIDO PRÉ-TERMO

Características Físicas (REZENDE; MONTENEGRO, 1999; OLIVEIRA et al, 2007)

Considera-se recém-nascido pré-termo toda criança nascida viva, antes de completar a 37ª semana de gestação. A prematuridade e baixo peso são muitas vezes concomitantes, principalmente nas crianças com menos de 1.500g. O recém-nascido pré-termo, por não ter ainda desenvolvido seu tecido adiposo suficientemente, apresenta fácies senil, mantendo esse aspecto durante um período tanto mais prolongado quanto mais baixo houver sido seu peso ao nascer. Os olhos são de dimensões exageradas em relação à face, com um certo grau de exoftalmia. O pescoço é curto e o queixo normalmente apoia-se diretamente na caixa torácica. É importante destacar que quanto menor o peso do bebê prematuro, maior a taxa de mortalidade, estando a sobrevivência diretamentee relacionada com o peso ao nascimento. A taxonomia prognóstica classifica o RN com peso entre 1.000 a 2.500 gramas em pré-termo viável, e o com peso de 500 a 1.000 gramas em prétermo pré-viável. A perda fisiológica é mais acentuada do que no RN a termo e, enquanto é capaz de recuperá-lo em um período de oito dias, o pré-termo só consegue esta recuperação após 15 ou 20 dias, se as condições forem satisfatórias. A estatura do RN pré-termo viável ou do pré-viável oscila entre 35 a 47 cm. A medida mais fidedigna para estimar a maturidade é a do vértice do calcanhar, porque mantém uma relação acentuadamente constante com a vida intra-uterina e é pouco afetada por outros fatores. O crânio do pré-termo tem forma arredondada ou oval. As fontanelas e suturas estão quase fechadas, sendo que se ampliam na segunda semana de vida. O perímetro cefálico é em torno de 25 a 32,3cm. O tórax mede em torno de 28,8 a 29,5cm de circunferência (perímetro torácico). O abdome do RN pré-termo é volumoso e quase sempre muito distendido por gases, e deixa perceber, pela transparência da pele local, a arborização venosa superficial. O umbigo ,em relação á sínfise púbica, encontra-se em posição mais baixa do que no recém-nascido a termo. Notam-se com grande freqüência hérnias umbilicais. Os membros são curtos, débeis e enfraquecidos, inteiramente hipotônicos. As unhas não atingem o rebordo digital. A pele do RN pré-termo é delicada, de coloração pálida ou avermelhada, ao contrario da pele rósea própria do recém-nascido a termo. Apresenta grande fragilidade capilar, observando-se manchas de aspecto purpúreo, principalmente na face constituindo a máscara equimótica. Observa-se lanugem abundante nas extremidades. Devido á maturidade renal, observa-se presença de edemas, sem grave significação prognóstica.

Os órgãos genitais dos RN do sexo masculino apresentam testículos na cavidade abdominal e a bolsa escrotal incompletamente formada, notando-se apenas o esboço da pele escrotal com pouco relevo, aderida á região períneo. Alguns dias após o nascimento, com a descida testicular, a bolsa se forma e torna-se pendente. Nos RN do sexo feminino o aspecto da genitália é grotesco e rudimentar, mostrando-se tumefeita e inchada. Os grandes lábios estão muito afastados e os pequenos lábios quase ausentes. Os fênomenos pubertários, assim como a tumefação mamária ou a hidrocele fisiológica não são observados em nenhum dos sexos. Nas meninas não se observa perda sanguínea vaginal na primeira semana, uma vez que os hormônios placentários responsáveis por essa manifestação somente são liberados nos últimos dias da gestação a termo (OLIVEIRA et al, 2007). Os reflexos também apresentam alterações em relação ao RN a termo. O reflexo de Moro está incompleto na 24ª semana de gestação, atingindo sua maturidade somente na 28ª semana. O reflexo da sucção surge na 24ª de gestação, amadurecendo no decorrer do desenvolvimento, sendo ainda imaturo na 32ª semana (não é sincrônico com a deglutição), permitindo efetivamente a alimentação da criança no seio a partir da 34ª semana (deglutição e reflexo de sucção sincrônicos). Quanto ao reflexo dos pontos cardeais, observa-se que o RN dirige sua cabeça na direção do estimulo de forma débil entre a 24ª e 28ª semanas. Porém, por volta da 32ª semana, este reflexo já se apresenta de forma energética. O reflexo da marcha é observado já na 34ª semana, mas somente a partir da 37ª semana é que se manifesta o reflexo sobre as pontas dos pés e, na 40ª semana, o RN apóia as plantas dos pés completamente no solo.

Características Fisiológicas (REZENDE; MONTENEGRO, 1999; OLIVEIRA et al, 2007)

Quanto mais pré-termo o recém-nascido, mais deficientes serão suas funções nos diversos sistemas. O aparelho respiratório apresenta reduzido número de capilares em contato com os alvéolos imaturos (deficiência de surfactante). Além disso, a fragilidade dos músculos intercostais levam a uma expansão pulmonar deficiente e a dificuldade respiratória. Em consequência, o recém-nascido pré-termo pode apresentar frequentes crises de cianose nas suas primeiras semanas de vida, com apnéia, respiração periódica, tiragem subcostal, e movimentos respiratórios superficiais e irregulares, do tipo abdominal. A frequência respiratória é em média de 58 mpm e podem ser auscultados finos estertores.

Quanto ao sistema cardiovascular, o coração apresenta-se relativamente grande, havendo uma frequência cardíaca em torno de 130 bpm. A taquicardia pode ocorrer por conta do desenvolvimento insuficiente do centro inibidor cardíaco. Existe uma tendência a hemorragias cutâneas e mucosas, devido à pequena resistência dos vasos sanguíneos e anormalidades do mecanismo de coagulação do sangue. A imaturidade também é observada no sistema gastrointestinal. Os reflexos de sucção e deglutição estão normalmente ausentes ou débeis. Há tendência a vômitos e distensão abdominal devido à flacidez da cárdia e à hipotonia do piloro. Os RN podem apresentar facilmente diarréia causada por infecção enteral ou parenteral, baixa tolerância aos alimentos e deficiência de enzimas (amilase e lipase pancreática). O fígado é relativamente grande e palpável, havendo imaturidade hepática, levando a hipoglicemias, hipoproteinemias, hipoprotrombinemias e hiperbilirrubinemias. Os recém-nascidos prematuros necessitam de uma atenção especial quanto ao tipo, à quantidade e à via de alimentação, uma vez que seu sistema digestório encontra-se imaturo. No sistema urinário, o rim apresenta-se pobre em capilares – os glomérulos e néfrons estão em desenvolvimento, e a função renal ainda é deficiente. Em consequência disto, há baixa filtração glomerular e precária função tubular, diminuindo a capacidade de eliminação de sódio, ureia, fósforo, potássio e cloretos, tendendo ao edema e em parte à acidose. A urina é escassa em volume, rica em uratos e fortemente ácida. O sistema termoregulador apresenta-se imatur. O baixo metabolismo basal, a pequena atividade muscular e a pouca ingestão de alimentos nos primeiros dias de vida também influenciam na produção insuficiente de calor. A perda calórica aumenta devido à maior superfície corporal em relação à massa muscular e escassez do tecido adiposo. E o superaquecimento leva rapidamente á hipertermia e desidratação. No sistema nervoso os reflexos estão abolidos ou diminuídos devido à mielinização incompleta das sinapses nervosas. Funcionam precariamente os reflexos de sucção, deglutição e tosse, bem como os da vida vegetativa (termorregulação, con-trações cardíacas e respiração). O equilíbrio ácido-básico é ineficiente, com tendência à acidose. O sistema imunológico apresenta uma deficiência tanto na resposta humoral quanto celular, o que aumenta a vulnerabilidade de infecções em prematuros. E a anemia e a apresentação da hiperbilirrubimemia são problemas hematológicos freqüentes em prematuros.

 RECÉM NASCIDO A TERMO

Características Físicas (REZENDE; MONTENEGRO, 1999; OLIVEIRA et al, 2007)

O RN a termo permanece em repouso na posição fetal (recurvado com os membros superiores fletidos e os membros inferiores semi-fletidos), de encontro ao corpo. Sua estatura varia de em média de 48 a 50 cm, e o peso oscila entre 3.000 a 3.500 gramas. O perímetro cefálico é em torno de 35cm, enquanto o torácico é 2cm menor que o cefálico, geralmente. O perímetro abdominal é em torno de 34cm. Os valores de normalidade para os sinais vitais são freqüência respiratória entre 40 e 60mrpm, pulso apical entre 120 e 160bpm e temperatura de 36,5 a 36,8ºC. O tórax é cilíndrico e simétrico, e as mamas podem estar ingurgitadas por ação dos hormônios placentários. O abdomens é saliente e globoso, o coto umbilical tem aspecto gelatinoso e esbranquiçado com presença de duas artérias e uma veia. Os genitais dos RN do sexo masculino podem apresentar edema por compressão intra-uterina ou ação hormonal, podendo ocorrer hidrocele, enquanto os genitais dos RN do sexo feminino podem apresentar edema nos grandes e pequenos lábios, o hímen pode estar proeminente, e pode ainda haver a presença de secreção esbranquiçada ou sanguinolenta causado por ação dos hormônios placentários.

Características Fisiológicas (REZENDE; MONTENEGRO, 1999; OLIVEIRA et al, 2007)

Nos RN a termo, o primeiro movimento respiratório acontece nos primeiros oito segundos de vida. Dois mecanismos iniciam a respiração pulmonar: o estímulo sensorial (exposição ao ar frio e a diferença de pressão desencadeiam uma resposta do centro respiratório) e o estímulo químico (ativado pela diminuição do pH e aumento dos metabólitos). O aumento do CO2 leva os quimiorreceptores a iniciar a respiração pulmonar. Outros fatores importantes são a reabsorção dos líquidos que banhavam a árvore respiratória pelos vasos linfáticos e capilares pulmonares durante o trabalho de parto e a presença de surfactante nos alvéolos que impede a atelectasia. No aparelho digestivo, a deglutição acontece ao nascimento, sendo que a digestão bucal é praticamente nula e no esôfago a ocorrência de ondas peristálticas juntamente coma imaturidade da cárdia (válvula do estômago) provocam a regurgitação. O intestino nas primeiras horas é considerado estéril, as primeiras fezes são chamadas de mecônio, de aspecto gelatinoso, esverdeado, sem cheiro e pegajoso. Em torno do terceiro dia de vida, quando a

amamentação já está estabelecida, começam as fezes de transição de aspecto marromesverdeado e ao quinto dia as fezes lácteas com aspecto amarelo-escuro, fétidas e semilíquidas. O fígado é imaturo, com baixa produção de glicorunil transferase, o que aumenta a icterícia fisiológica, e tem baixa capacidade de armazenamento do glicogênio, o que predispõe a hipoglicemia. No sistema termorregulador, a superfície corporal e a escassez de gordura subcutânea levam a perda de calor rapidamente. A posição fetal que o RN mantém nos primeiros dias ajuda no aquecimento. Por outro lado, a baixa ação das glândulas sudoríparas podem aumentar a temperatura rapidamente quando associado ao RN super agasalhado que, na tentativa de perder calor, aumenta a freqüência respiratória, ocorrendo perda de peso concomitante. A maturidade do sistema nervoso pode ser observada através da presença dos reflexos arcaicos instintivos, choro, movimentação, tônus e postura. Os reflexos de sucção, de busca (perioral), de deglutição (coordenado com a sucção), preensão palmar e plantar, deambulação ou marcha, de Babinski e de Moro são observados normalmente no RN a termo. A ausência destes reflexos merece investigação, uma vez que podem indicar danos neurológicos ou até mesmo ósteo-articulares. No sistema hematopoiético ocorre redução da quantidade de glóbulos vermelhos, produzidos em grande quantidade na vida intra-uterina para satisfazer a necessidade respiratória. Após o nascimento o RN não precisa de uma quantidade tão elevada de hemácias, devido ao inicio da respiração pulmonar e a função hematopoiética assumida quase que inteiramente pela medula óssea. Os glóbulos brancos apresentam alterações semelhantes, e os fatores de coagulação do plasma estão diminuídos no nascimento, aumentando à medida que o bebê cresce. No sistema cardiovascular as adaptações anatômicas não ocorrem imediatamente, sendo necessários cerca de três meses até que a circulação se processe adequadamente. Isto explica a presença de arritmias e sopros no período neonatal. A circulação periférica se processa lentamente, e o plasma passa para o interstício, causando o edema característico do neonato e a cianose das extremidades comum nos primeiros dias. O sistema sensorial do RN a termo apresenta particularidades. A pele é bastante sensível ao toque, com sensibilidade aumentada do tato na face e nos lábios. O olfato é apurado, estimulando o reconhecimento do cheiro do leite materno, e reação contra cheiros fortes. O paladar é primitivo, e distingue somente sabores doces e amargos. A audição é sensível, sendo que sons suaves acalmam enquanto sons fortes colocam em alerta; também

diferenciam com clareza a voz materna com menos de três dias de vida. Quanto a visão as pupilas são fotorreagentes – o RN segue objetos com os olhos preferindo os objetos grandes, simples e de cores chamativas, respondendo ao reflexo ciliar. Importante lembrar que as glândulas lacrimais não funcionam até 4 semanas de vida. O sistema imune do RN a termo é parcialmente desenvolvido ao nascimento. Possui imunidade passiva contra a maioria das doenças até o segundo mês de vida, adquirindo muitos anticorpos através do leite materno. O sistema tegumentar do RN possui características próprias. É coberta por vérnix caseosa, que é uma substância branca “cremosa” que recobre todo o RN com função protetora, localizando-se principalmente nas dobres da pele, sendo reabsorvido totalmente. A acrocianose é a cianose dos pés e mãos devido à deficiência da circulação periférica no RN durante as primeiras horas de vida, sendo fisiológica. A eritodermia refere-se à coloração avermelhada da pele devido ao número elevado de glóbulos vermelhos do sangue na período neonatal imediato. A pele do RN comumente apresente eritema tóxico, que são lesões eritemato-papulosas com vesículas superpostas devido o contato da pele do RN com o ar atmosférico, roupas e até mesmo água. O edema periocular, facial, em MMSSII, genitais (escroto e pequenos lábios) é comum. A mancha mongólica é uma área irregular de pigmentação cor azul-escuro irregular, localizada principalmente na região sacro-glútea, referente à miscigenação. Os nevos telangienctásicos podem ser observados na região posterior do pescoço e na face, e são decorrentes de capilares que não foram completamente absorvidos, caracterizados como áreas planas avermelhadas. O lanugo (penugem fina e longa) está presente principalmente em face, orelhas e dorso. O RN pode também apresentar millium sebáceo, que são pontos esbranquiçados sobre o nariz, queixo e bochcchas, que ocorrem devido à obstrução dos poros e hipersecreção das glândulas sebáceas. A pele do RN a termo pode apresentar uma descamação fisiológica, observada principalmente em mãos, pés e abdome. No RN, podem ser observadas deformidades transitórias, que desaparecem nos primeiros dias após o nascimento. O cefalohematoma é um hematoma localizado no periósteo (crânio), decorrente do rompimento dos vasos com extravasamento de sangue, ocasionado pela compressão durante a passagem do bebê pelo canal do parto (pelve materna), ocorrendo nas regiões parietais e/ou ocipital. A bossa serosanguinolenta ocorre devido à diferença de pressão atemosféria, que ocasiona extravasamento de soro, sendo oberservada no couro cabeludo. O acavalgamento ósseo ocorre devido a superposição do periósteo que acontece no momento do parto para facilitar a passagem da cabeça do bebê pelo canal de parto.

 RECÉM NASCIDO PÓS-TERMO

Características Físicas

O recém-nascido pós-termo, embora apresente características variáveis, normalmente se assemelha a um recém-nascido a termo, embora apresente algumas diferenças significativas. Dado que o seu desenvolvimento no interior do útero materno continua de forma incessante até ao momento do parto, o comportamento do recém-nascido pós-termo é muito mais ativo devido ao mais prolongado amadurecimento do sistema nervoso, enquanto que as suas dimensões costumam ser, em média, maiores do que as de um recém-nascido de termo, com uma altura que pode superar os 55 cm. Todavia, o peso não aumenta de forma paralela à altura, já que o envelhecimento da placenta faz com que o feto tenha de recorrer, muitas vezes, às suas próprias reservas energéticas, de modo a cobrir as suas necessidades e, por isso, o recém-nascido pós-termo tem, em média, um peso dentro dos limites normais dos valores correspondentes a um recém-nascido de termo, podendo até ter um aspecto um pouco desnutrido devido à utilização dos depósitos de gordura subcutânea (MEDIPEDIA, 2011). Tratando-se de pós-maturidade, o diagnóstico neonatal fica mais fácil, visto que o recém-nascido apresenta características típicas classificadas da seguinte forma:  Grau I: pele seca, apergaminhada, com descamação, dobras cutâneas excessivas, principalmente nas nádegas e coxas, conferindo ao recém-nascido aspecto de perda de peso recente. Unhas longas, cabelo abundante, escassez ou ausência de lanugo, ossos cranianos mais duros que o habitual no recém-nascido de termo. Aspecto de vivacidade e feição de alerta.  Grau II: além dos sinais clínicos acima descritos, encontram-se o líquido âmnio, pele, vérnix caseosa, cordão umbilical e membranas amniocoriais coradas de mecônio.  Grau III: além das alterações referidas para os graus I e II, apresentam a pele e as unhas intensamente coradas de amarelo, e o cordão umbilical amarelo esverdeado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MEDIPEDIA. Pós termo: freqüência e causas. Disponível em: http://www.medipedia.pt /home /home.php?module=artigoEnc&id=817. Acesso em: 20 de jun. 2011.

OLIVEIRA, M. E. de et al. Enfermagem Obstétrica e neonatológica: textos fundamentais. 2. ed. Florianópolis: Cidade Futura, 2007.

REZENDE, J. e MONTENEGRO, C.A.B. Obstetrícia Fundamental. 8. ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.