Trabalho Completo A Cultura Dentro Da Sociedade Individual

A Cultura Dentro Da Sociedade Individual

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Categoria: Ciências Sociais

Enviado por: izabelalopes 14 abril 2013

Palavras: 2249 | Páginas: 9

Introdução

Quando se fala em Sociologia, logo percebemos que se trata do estudo das relações sociais e da sociedade como um todo. Este trabalho apresentará algumas discussões acerca da sociedade em que vivemos.

Apresentará a maneira obscura de agir da sociedade que prega que todos são iguais, mas há sempre aqueles mais iguais que outros. Para a realização deste foi preciso assistir alguns filmes que deram embasamento para as discussões, são eles: A classe operária vai ao paraíso, Bumbando, Ilha das Flores e Pajerama. Cada um aponta para uma discussão diferente dos aspectos sociais.

Sociedade, cultura e indivíduo: não necessariamente nesta ordem.

Para entender a relação entre, Indivíduo, Sociedade e Cultura é imperativo buscar informações de suas áreas de origem que buscam explicar e compreender como se processam as relações humanas.

O ser humano é individual, então o indivíduo é a unidade do ser e da sociedade. Cada um tem sua característica própria que o diferencia dos demais. E a soma de todos os indivíduos é a sociedade. Então não somos considerados dentro da individualidade de cada um, mas em relação ao todo social. São as características sociais que nos definem como indivíduos.

E a partir desses comportamentos individuais e sociais, existe a cultura, que não é apenas reprodução, pois se assim o fosse seria reduzida à tradição. Em nível geral pode-se afirmar que cultura é toda produção humana que, por sua vez, produz o próprio homem, pois o torna participante de uma determinada comunidade ou grupo social. A construção de significados e a natureza simbólica da linguagem só são possíveis graças ao acesso à cultura, haja vista que tais capacidades não são inatas nos indivíduos. “Por mais que o indivíduo pareça operar por conta própria ao realizar sua busca de significados, ninguém pode fazê-lo sem o auxílio dos sistemas simbólicos da cultura” (BRUNER, p.16).

A maneira de como se dará o aprendizado, a exigência de uma instância formal de educação, bem como, as escolhas em relação aos usos da mente depende em última instância de decisões culturais. Ademais, o pressuposto do culturalismo é que a mente só é possível num contexto cultural. Mesmo dentro da concepção de que é o individuo que cria significados, eles só são possíveis pela localização cultural dos significados.

De maneira que não podemos considerar indivíduo e sociedade como elementos separados da cultura, um não tem definição ou utilidade sem o outro. Como visto anteriormente a cultura pode ser definida com a identidade de uma sociedade que é formada por indivíduos.

Considerando o significado dos termos anteriormente citados, podemos considera-los objetos de estudo das Ciências Sociais, dentre elas a Sociologia, que estuda os comportamentos da sociedade, que busca além de tudo, entender o ser humano e suas interações sociais.

A sociologia, que tem August Comte (1798-1857) que é considerado o pai dessa ciência, porque foi ele quem usou pela primeira vez usou essa palavra em 1839, no seu curso de Filosofia positiva, mas foi com Émile Durkheim (1858-1917) que a sociologia passou a ser considerada uma ciência e como tal se desenvolveu. Ele demostrou que os fatos sociais têm características próprias, que os diferenciam das que são estudadas, pelas outras ciências para ele a sociologia é o estudo dos fatos sociais.

Durkheim define que os fatos sociais são a língua, o vestuário, a religião, as leis, etc. Para o autor, os fatos sociais são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social embora os fatos sociais sejam exteriores, eles são introjetados pelo individuo e exercem sobre de um poder coercitivo.

Dessa forma, os fatos sociais fazem o indivíduo, que por sua vez compõe a sociedade que juntos formam e dão sentido às manifestações culturais. E por se tratar de comportamento social, é objeto de estudo da Sociologia.

Quais interações sociais são existentes no cotidiano da sociedade atual?

O indivíduo a cada dia que passa se torna mais individual. Atualmente, as interações sociais perderam seu valor diante da sociedade, e ainda a sociedade não faz mais questão de socializar-se. Não há conversa entre vizinhos, até mesmo no trabalho quase não interagimos uns com os outros de maneira sadia.

O trabalho operário, principalmente, trouxe a massificação da mão-de-obra, o operário não deve pensar ou agir ou sorrir. Nesse contexto, podemos analisar que o funcionário que as grandes indústrias buscam é aquele que saber fazer e não aquele que sabe pensar, apesar de vivermos numa época de valorização do capital intelectual. Mas não vamos ser hipócritas o suficiente para acreditar que o mercado capitalista valoriza o funcionário.

As interações sociais, geralmente, se dão entre pessoas da mesma classe social, por exemplo, dentro de uma fábrica, as interações são entre operário-operário e no máximo gerente, mas nunca com o diretor. Contudo, essas interações não são sentidas somente no âmbito das organizações, nas relações sociais também se pode observar a ocorrência ou não dessas interações. Nas cidades observamos a diferença dos bairros, há bairros tipicamente de pessoas ricas, ou que tem condições de manter casas ou apartamentos mais luxuosos. Nesses bairros observa-se a altura dos muros, a quantidade de cercas elétricas, seguranças, câmeras de segurança, e tudo isso diminui ou reduz a zero qualquer contato entre vizinhos. Ou melhor, não se sabe quem é o seu vizinho, e não se tem o interesse de conhecê-lo, pois ele é uma pessoa que não fará diferença no meu convívio social. Já nos bairros mais simples, ainda é possível encontrar uma relação entre vizinhos seja ela amistosa ou não. Mesmo nas desavenças se conhece toda a vizinhança.

Na sociedade atual, descobriu-se outro modo de interação social, as famosas redes sociais, não se interage com pessoas, se interage com o computador. Tudo está online, e quem não compartilha nas redes sociais, está também excluído da sociedade. Nas conversas fora da internet os assuntos estão sempre baseados naquilo que está em discussão na rede. Mesmo num meio que foi criado para que fossem ampliadas as interações sociais, ainda há aqueles que continuam avessos ao convívio social, mesmo que seja no mundo virtual.

Conclui-se, então, que as interações sociais são necessárias a formação de uma cultura social, o que não se vê na realidade. As pessoas estão cada vez mais individualistas, se perderam os valores pessoais. Cada um é visto como simples objeto seja ele de mão-de-obra ou de desprezo social. No filme A classe operária vai ao paraíso, vemos que as discussões acerca da sociedade de operários da época de 1970, na Itália, tomaram proporções inesperadas. Mas de algum modo serviram para a formação de um consenso entre os diretores e donos da empresa que os operários eram pessoas, e como tais precisavam de tempo para viver suas vidas fora do ambiente de trabalho.

Essas concepções foram objeto de luta durante vários anos, inclusive no Brasil, cujo ápice do movimento operário foi no final da Ditatura Militar nos anos 1980. Inclusive um desses operários que brigaram por melhores condições de emprego se tornou líder sindical e anos mais tarde Presidente da República. Tem uma história parecida com o operário Lulu, que perdeu o dedo trabalhando.

Esse processo de luta de classes foi citado por Karl Marx, no livro O capital, mas é um fenômeno que está mais do que nunca atual. Essa luta de classe, ou ausência dela e a aceitação de condições degradantes de trabalho, são consideradas parte de um processo de alienação. Nesse processo o indivíduo age mecanicamente, não consegue emitir pareceres críticos e ainda aceitação a dominação como sendo essencial para ordem. A sociedade cada vez mais capitalista transformou o indivíduo e sua cultura.

A sociedade e o lixo

Os dois filmes, Bumbando e Ilha das Flores, têm títulos sugestivos podendo nos levar a pensar inúmeros tipos de filme, os títulos por si só não nos levam a pensar sobre o que é o roteiro. Imaginamos cenários exuberantes, festas em locais paradisíacos, pessoas desfrutando de locais agradáveis de viver. Mas a realidade é dura, e no momento em que assistimos nos deparamos com realidades totalmente chocantes. O ser humano foi rebaixado a viver no meio do lixo, em condições totalmente desumanas.

Na tragédia envolvendo os moradores do Morro do Bumba nos deparamos com a realidade ainda mais dura, construíram-se casas em cima de um antigo lixão, e durante um período de muitas chuvas, aquilo tudo cedeu. Ali viviam famílias que construíram seu lar ali, e ainda vêm às autoridades para falar em ocupação, ou seja, culpando os próprios moradores pela sua desgraça. E ainda se pôde perceber que os famosos momentos de solidariedade só estão presentes se tiver alguém olhando, depois o povo é que se vire.

No outro filme Ilha das flores, a realidade é ainda mais chocante a cena de seres humanos colocados em situação de sobrevivência inferior à dos porcos. Vimos criança revirando os restos dos alimentos dos porcos. E no decorrer da narração observamos que todos os seres humanos são iguais biologicamente, mas por condições sociais diferenciadas podemos ou não ser considerados piores que os animais. Ou seja, somos todos iguais, mas sempre tem aqueles mais iguais que os outros.

A “sociedade” que consume muito gera muito lixo, e acha que os locais de despejo desse lixo são distantes do local em que vivem. Engana-se. Os restos da sociedade consumista servem de alimento para os nossos miseráveis, pessoas que por diversas razões perderam o direito de viver em sociedade, seja por falta de condições financeiras seja pela ausência de comportamentos exigidos nos meios sociais.

O meio ambiente na ótica do futuro pajé

Nosso país é famoso pelas suas riquezas naturais, mas nos esquecemos que essa concepção vem de 500 anos atrás, da época do Descobrimento. Pero Vaz de Caminha descreveu uma terra cujas belezas naturais eram muitas. Contudo, com o passar dos anos junto com a colonização e desenvolvimento veio a destruição das tão famosas belezas naturais.

O filme Pajerama apresenta alguns contrastes entre a abundância da diversidade natural e a oposição da implantação das cidades. A mata em questão está localizada no mesmo lugar da cidade de São Paulo, que analogamente pode ser chamada de selva de pedra. Mostra a figura do índio que assiste imóvel à destruição das matas que são essenciais a sua sobrevivência.

O aparecimento de elementos estranhos ao ambiente natural, podemos analisar de diversas maneiras. O metrô em alta velocidade significa a rapidez da devastação do meio, o helicóptero sobrevoando a mata, pode significar a distância do olhar da sociedade para as questões ambientais; as torres no alto do morro, a crescente evolução dos meios de comunicação móveis que alcançam todos os lugares do planeta. E o índio representa o povo brasileiro que sempre permaneceu imóvel aos índices de desmatamento, sem fazer nada para reverter esse processo de degradação ambiental.

O pajé é chefe espiritual da tribo, e como o jovem índio será o novo pajé ele tende adotar as mesmas posições do velho, assim no final os dois permanecem sentados, como que na esperança de verem alguma mudança, mas não fazem nada para que ela aconteça.

Do mesmo jeito assim estamos, a sociedade moderna esperando que alguém faça as mudanças por nós, porque somos incapazes de ver que temos o poder de mudar a realidade e transformar as ações que serão desenvolvidas para a preservação ambiental. Por vivermos numa democracia, temos a ilusão de que os políticos resolverão o problema por nós, uma vez que os elegemos para isso. Mas não basta somente que haja mudanças nas leis e projetos de resgate do meio ambiente, é necessário e fundamental que o povo ou a sociedade tomem partido e atitude para parar tanto descaso com nossas famosas riquezas naturais.

Conclusão

A nossa sociedade perdeu os valores morais de igualdade para com o próximo. Colocamos seres humanos em situações desumanas, às vezes nem comparadas aos animais, pois alguns animais ainda vivem melhor. O ser indivíduo está mais em alta que o ser social. Não conseguimos diferenciar que a individualidade está prejudicando as interações sociais. Perdeu-se a necessidade de estar em contato com o outro. A sociedade prioriza mais os valores econômicos e estes excluem ainda mais aqueles que não possuem condições de vida tão abastadas.

Seres humanos são considerados animais, ou ainda piores do que eles. No filme Ilha das Flores, temos a dimensão do descaso com aqueles que não tem condições financeiras. Os miseráveis são obrigados a comer o resto da comida dada aos porcos. Que futuro ou direito de um futuro melhor a sociedade está dando a esses indivíduos? A resposta é nenhum. Pois eles não tem condições de subir de classe social, eles continuarão a ser miseráveis.

Essa mesma sociedade que exclui é a mesma responsável por todas essas mazelas. No mundo consumista da sociedade se perde valores culturais, se perde valores morais, se perde a dignidade humana. E ainda mais se perde ainda o meio ambiente. Pois esta sociedade está tão preocupada em manter seus luxos, que produz tanto lixo que está destruindo o planeta. Ainda mais, exige que todos os espaços naturais sejam modificados para o seu “conforto”.

Ou seja, a sociedade atual, modificou a cultura e o meio ambiente do mundo em que vivemos.

Referências bibliográficas

BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2006.

DIAS, Reinaldo. Fundamentos de Sociologia Geral. 4. ed. Campinas: Alínea, 2009.

Filme: A classe operária vai ao paraíso. Diretor: Elio Petri. Itália, 1971.

Filme: Bumbando. Produzido pela Escola Estadual Aurelino Leal, Rio de Janeiro – RJ, 2010. Disponível em http://portacurtas.org.br/filme/default.aspx?name=bumbando. Acesso em 18 de novembro de2012.

Filme: Ilha das Flores. Diretor Jorge Furtado. Porto Alegre – RS, 1989. Disponível em http://portacurtas.org.br/filme/default.aspx?name=ilha_das_flores. Acesso em 19 de novembro de 2012.

Filme: Pajerama. Diretor Leonardo Cadaval. São Paulo, 2008. Disponível em http://portacurtas.org.br/filme/?name=pajerama. Acesso em 19 de novembro de 2012.