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Decisões De Investimento E Seus Negócios

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Categoria: Outras

Enviado por: mapegoraro 08 abril 2013

Palavras: 4651 | Páginas: 19

Resumo:

A globalização têm inserido as empresas em geral em um ambiente competitivo e complexo, reforçando a necessidade das empresas criarem estruturas e produtos que contribuam com resultados positivos para a eficácia empresarial. Nesse contexto, a decisão de investimento é fator determinante para os resultados econômico-financeiros, perspectivas e competitividade, tomada através da elaboração de um projeto de investimento. Este estudo tem como objetivo principal identificar as etapas do desenvolvimento deste projeto, bem como seu impacto após sua implantação nos negócios. A pesquisa foi realizada em uma empresa do grupo CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) – CPFL Renováveis S.A., adotando pesquisa bibliográfica, documental e aplicação de questionários feitos através de entrevistas junto aos principais gestores. Como resultado conclui-se que quando os investimentos são feitos de maneira planejada e estruturada, seus impactos nos negócios refletem de forma positiva, possibilitando crescimento econômico e referência de mercado.

Palavras chave: Planejamento; cenário; decisão; investimento; resultado.

Abstract

Globalization has entered mainstream business in a complex and competitive environment, reinforcing the need for companies to create products and structures that contribute to positive outcomes for business effectiveness. In this context, the investment decision is a decisive factor for the economic and financial results, prospects and competitiveness, taken through the preparation of an investment project. This study aims to identify the main stages of development of this project and its impact on the business after his deployment. The research was conducted in a group company CPFL (Companhia Paulista de Forca e Luz) - CPFL Renewable SA, adopting literature, documentary and questionnaires made through interviews with key managers. As a result we conclude that when investments are made in a planned manner and structured their business impacts reflect positively, enabling economic growth and market benchmark.

Keywords: Planning, scenario, decision; investment; outcome.

1. Introdução

A crise energética no Brasil ocorrida em 2001 e em 2002, pelo baixo nível dos reservatórios por falta de chuvas, falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia gerou uma perspectiva cada vez maior na utilização da energia eólica. O estado do Ceará foi o primeiro local a realizar o levantamento do potencial eólico, que é a energia cinética contidas nas massas de ar em movimento, que damos o nome de vento. Seu aproveitamento ocorre com o emprego de aero gerador que consiste num gerador elétrico movido por uma hélice que é movida pela força do vento, para a geração da eletricidade. Quanto à quantidade de eletricidade, essa depende de quatro fatores: quantidade de vento que passa pela hélice; diâmetro da hélice; dimensão do gerador e rendimento do sistema como um todo. Hoje existem mais de cem anemógrafos computadorizados espalhados pelo Brasil levantando dados de vento. Diante desse cenário, desenvolvimentos tecnológicos recentes como sistemas de transmissão, estratégia de controle e operação das hélices, têm reduzido custos de equipamentos, um dos principais entraves para o investimento. Elaboração de projetos de investimentos neste segmento disponibiliza ferramentas para que a empresa tenha uma tomada de decisão assertiva, fazendo com que seu impacto nos negócios seja positivo, garantindo a competitividade no mercado, além de contribuir para melhor análise de cenários, perspectivas, resultado econômico-financeiro, que auxiliam de maneira planejada e estruturada o crescimento e evolução da empresa e foi assim que em 2011, a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) constituiu a CPFL Energias Renováveis S.A., que possui como objeto social a exploração de empreendimentos de geração de energia eólica a fim de garantir sua competitividade no mercado.

Assim, configura-se como objeto de pesquisa deste estudo a seguinte questão: como as decisões de investimentos impactam nos negócios, demonstrando como é elaborado um projeto de investimento e sua atuação no mercado. Trata-se de uma pesquisa descritiva, denominada estudo de caso, com apoio de várias fontes de evidências (documentos e entrevistas qualitativas estruturadas através de um questionário) que irão contribuir para que se conheçam as ferramentas de um projeto de investimento que possibilitam a tomada de decisão assertiva. Este estudo limita-se a analisar uma empresa específica – CPFL Renováveis, portanto, não sendo cabíveis, as conclusões aqui levantadas, serem generalizadas, entretanto, poderá contribuir como instrumento de informação sobre decisões de investimento nas empresas.

2. Problema de Pesquisa e Objetivo

O problema de pesquisa apresentado nesse estudo é de que como as decisões de investimentos impactam nos negócios de maneira planejada e estruturada no plano de crescimento da empresa, num momento o qual o mercado caminha para a construção de uma nova economia.

A empresa em questão tendo como atividade principal a energia elétrica e essa sendo parte central do problema de emissões de carbono acredita-se que tomar a frente, abrir novos caminhos e inovar são as melhores estratégicas para a competitividade de mercado.

O objetivo central é a elaboração de um projeto de investimento em energia eólica o qual analisará:

- Cenários do mercado brasileiro de energia elétrica;

- Perspectivas de oportunidades de crescimento do setor energético brasileiro;

- Resultados econômico-financeiros com descrições dos investimentos;

- Competitividade abrangendo desde o desenvolvimento de projetos até a construção de parques eólicos.

3. Metodologia

A pesquisa é descritiva através de um estudo de caso, dando uma visão geral do projeto, dos procedimentos e das questões de estudo.

Os procedimentos foram distribuídos em 03 etapas:

- Etapa 1: pesquisa bibliográfica, com o objetivo de estudar o que foi disponibilizado sobre o tema;

- Etapa 2: pesquisa documental, levantando informações sobre a CPFL Renováveis S A e seus projetos de investimentos;

- Etapa 3: entrevistas qualitativas estruturadas por questionários com 01 gestor da área de mercado de capitais e 01 gestor da área de finanças corporativas, principais responsáveis pela elaboração dos projetos de investimentos.

O questionário foi dividido em duas categorias: (1) planejamento da elaboração do projeto de investimento; (2) impacto desse investimento nos negócios com escala de múltipla escolha com resposta única.

Os resultados são apresentados em forma de quadros, tabelas e valores.

4. Referencial Teórico

4.1. Análise de cenário

É um estudo sobre estratégias futuras utilizado no processo decisório das organizações, onde se permite avaliar um investimento e considerando as incertezas. Tais estratégias são as percepções de futuro como eventos visíveis e perceptíveis, tendências, padrões de mudança. Este estudo analisa dois ambientes:

• Externo, contextual, macro, que tange o amplo e genérico afetando todas as organizações de maneira semelhante, seja demograficamente, economicamente, cultural, política ou tecnológica.

• Interno, relacional, micro, o qual analisa a organização em si, como seus clientes, fornecedores, concorrentes, identificando mercados, segmentos, características e composição da competitividade, onde a estratégia é elaborada e aplicada.

Portanto a análise de cenário é a gestão de conhecimento que procura agregar valor ao negócio, tornando-se fundamental para o sucesso organizacional, como cita (CHIAVENATO, 2010, p.148):

O planejamento por cenários se distingue das outras abordagens tradicionais ao planejamento estratégico pelo seu foco na mudança e na incerteza. Assim, o planejamento por cenários não se baseia apenas em probabilidades, mas é resultado de um raciocínio de causa e efeito, e depende, portanto, de uma compreensão abrangente das estruturas subjacentes às mudanças do ambiente.

O cenário macroambiente voltado para o setor eólico analisa centros de pesquisa, fabricantes, empresas de energia elétrica, regulador, universidades, regulação e fiscalização e por fim a elaboração e execução e no âmbito microambiente a qualidade, transmissão e distribuição da energia, meio ambiente e pesquisa estratégica.

4.1.1. Cenário comparativo com países relevantes

Em 1994, a capacidade instalada era dividida entre Europa com 45,1%, América com 48,4%, Ásia com 6,4% e outros países com 1,1%. Em 1998 a capacidade total instalada no mundo aumentou em 37,34% e no final de 2002 ultrapassou 42,92%. Nos últimos anos o mercado tem crescido consideravelmente, principalmente a Alemanha, EUA, Dinamarca e Espanha, onde detém um potencial anual 6,56% da capacidade total mundial, fazendo com que a Associação Europeia de Energia Eólica até 2020, possa suprir 10% de toda a energia elétrica mundial.

O Brasil comparado a estes representa apenas 0,07% neste mercado.

4.1.2. Cenário regulatório e ambiental - ANEEL

Com a regulamentação normativa feita pela ANEEL nº 112, de 18 de maio de 1999, nº 391 de 15 de dezembro de 2005 e nº 482 de 17 de abril de 2012 para obter o registro ou autorização para a implantação de centrais geradoras a partir de fontes alternativas de energia, vale destacar que de acordo com estudo realizado pelo Ministério de Minas de Energia em conjunto com a ANEEL, a geração de energia por meio de turbinas eólicas possui impactos socioambientais negativos. Dentre eles, os principais:

• Sonoros devidos ao ruído dos rotores e variam de acordo com as especificações dos equipamentos (turbinas ou aerogeradores);

• Visuais, decorrentes do agrupamento de torres e aerogeradores, conhecidas como fazendas eólicas;

• Interferências eletromagnéticas, que podem causar perturbações na comunicação e transmissão de dados (rádio, televisão etc...).

4.2. Análise de competitividade

Definimos como um processo de análise competitiva, o diagnóstico competitivo (benchmark), mecanismos integrados de localização, busca e coleta de informações (inteligência competitiva); concorrente que ajuda a estabilizar o setor respeitando as regras de mercado (bons concorrentes); participação de mercado através da fusão com outras organizações adquirindo vantagem competitiva (jogos competitivos) e por fim alianças estratégicas (rede de negócios). Nota-se que se analisam vários cenários, tanto no âmbito externo como interno como afirma (CHIAVENATO, 2004, p.108):

Como enfrentar competidores globais; como investir em novos produtos / serviços; como fazer alianças estratégicas com os concorrentes; como se comportar na era das redes-como a Internet -: como utilizar a tecnologia e assim por diante. Sem dúvida, a TI pode alavancar o sucesso das organizações.

Por se tratar de uma análise complexa e variável, seu sucesso depende da interpretação desses dados que definem mudanças, transformações e oportunidades, passando a ter como principal força o capital intelectual e não o financeiro, definindo ponto de partida, hipóteses, pontos fracos e fortes da empresa, tendências e padrões, tornando um desafio para a organização.

No âmbito eólico, a analise competitiva está voltada para novas tecnologias em aerogeradores, planejamento e operação da engenharia em centrais eólicas, normas certificados e padronização dos processos.

4.3. Análise de perspectiva

O que se pode esperar para o futuro segundo (CHIAVENATO, 2010, p.170):

Não existe uma maneira de simplificar a complexidade do futuro, já que o futuro é o resultado de incontáveis combinações de incertezas. Continuamente os gestores das organizações enfrentam dilemas pela frente e suas apostas no futuro podem envolver muito risco e dinheiro. Nos dias de hoje, a questão não é simplesmente executar as coisas certas, mas decidir as coisas certas a serem executadas e que venham a ser promissoras no futuro. E o futuro é incerto. Torna-se necessário estabelecer alternativas de anos futuros de ação que possam mover através de aspectos estratégicos para alargar os horizontes da organização e abrir novas perspectivas.

As ações futuras de uma organização são:

• Sustentar sua posição no mercado ao lidar com as mudanças;

• Mudança das preferências e valores das gerações;

• Consciência ecológica sobre questões como escassez de água e energia, bem como redução da poluição, obrigando as empresas zelarem por suas operações;

• Desenvolvimento tecnológico que possui forte atratividade para investidores, devida sua capacidade de gerar retornos e oportunidades de negócio;

• Agilidade por meio da integração de informações entre projeto, produção e processo, tornando o pronto atendimento da comercialização do produto ou serviço;

• Rapidez com empresas mais enxutas e produtivas devido à tecnologia.

O custo da energia eólica é um fator decisório para análise da perspectiva. Globalmente, o custo apresentou uma queda de 14% para cada duplicação de capacidade instalada. Tanto os preços reduzidos das turbinas quanto os menores custos de manutenção e operação contribuíram para essa redução. Já no Brasil, os preços de geração de energia eólica caíram drasticamente, alcançando R$ 99 por (MWH), um dos menores no cenário global em 2011. A perspectiva econômica, é o principal motivo pelo qual as companhias investem em energia renovável, mais da metade das empresas brasileiras baseiam seus investimentos em razões econômicas.

4.4. Análise de resultado econômico-financeiro

Nem sempre os objetivos da organização como maximização dos lucros, participação de mercado, minimização dos riscos vão de encontro ao objetivo maior definido como a criação de valor, um critério que irá direcionar as decisões de investimentos e financiamentos, avaliar seu desempenho e impacto, visando o aumento da riqueza no ambiente corporativo e tendo como principais pontos o crescimento, retorno do capital investido e riscos esperados. Essa avaliação de desempenho é feita através de indicadores como relata (SAMANEZ, 2007, p.328):

Os índices de desempenho são relações estabelecidas entre duas grandezas; alguns facilitam sensivelmente o trabalho dos analistas, uma vez que a apreciação de certas relações ou percentuais é mais significativa e relevante que a observação de simples montantes por si só. A principal vantagem dos índices é que eles representam um meio muito simples para comparar o desempenho de empresas com características distintas.

Porém algumas precauções devem ser tomadas através de um comparativo entre o temporal e o setorial, como explica (ASSAF, 2010, p.102):

A comparação temporal envolve conhecer a evolução desses indicadores nos últimos anos (normalmente de 03 a 05 anos) como forma de se avaliar, de maneira dinâmica, o desempenho da empresa (por exemplo, se foi compatível com o planejado por sua direção) e as tendências que servem de base para estudo prospectivo. A comparação setorial é desenvolvida por meio de um confronto dos resultados da empresa em análise com os de seus principais concorrentes e, também, com as médias de mercado e de seu setor de atividade.

Os elementos para a avaliação do projeto de investimento no segmento eólico são os recursos que é o vento caracterizando a distribuição e probabilidade de ocorrência; tecnologia, o equipamento aerogerador que é a conversão da energia cinética (vento) para energia elétrica; produção, definida pelo perfil e curva do vento, a qual irá determinar o volume de produção de energia e por fim a remuneração que pode ser por tarifa ou por mercado próprio através de certificados verdes que é um conjunto de benefícios ambientais e sociais, que geram receitas adicionais para a venda de energia.

5. Estudo de caso

5.1. Análises dos principais cenários de planejamento

5.1.1. Cenário Macroeconômico brasileiro

Projeção do cenário 2012-2016 com crescimento econômico sustentável e estabilidade monetária:

1. Crescimento estável do PIB brasileiro: média de 4,1% a.a.;

2. Inflação controlada: IPCA médio de 4,5% a.a.;

3. Mercado doméstico: motor do crescimento (Massa real de renda: 4,0%; Comércio varejista: 6,2%; Desemprego: 6,2%);

4. Estabilidade institucional: redução da taxa de juros e do risco Brasil, com nível confortável de reservas internacionais.

5.1.2. Cenário de Mercado

A demanda de energia deve crescer em média 4,6% ao ano entre 2012 e 2016.

A expansão da oferta será majoritariamente hidrelétrica, complementada por fontes renováveis e térmicas à gás natural.

Potencial Principal

Desafios

Eólico

Nordeste / Sul

0,6% explorado

Simplificação do processo de licenciamento ambiental

Gargalos de infraestrutura em algumas regiões

Quadro 1 – Cenário de mercado – Expansão da oferta

Fonte: (Informações fornecidas pela CPFL Renováveis S.A)

5.2. Análise Competitiva

Com o mercado elétrico brasileiro em crescimento, a competição no setor tem se acirrado.

1. Hoje, o mercado elétrico brasileiro ocupa posição de destaque em nível mundial dado o seu crescimento e oportunidades de investimento;

2. A elevada atratividade do mercado tem vindo a aumentar a competição quer pela aquisição de ativos como através de leilões;

3. As grandes empresas nacionais têm mantido sua estratégia de diversificação;

4. Questões políticas no setor elétrico: preços e qualidade de atendimento são principais temas.

Com a análise desses cenários estima-se que nos próximos 10 anos a oferta de energia eólica no Brasil deverá crescer 9,7% da matriz energética brasileira, a qual possui um custo de geração competitivo quando comparada com as energias geradas pelas demais fontes (hidrelétrica, biomassa, gás natural, carvão, óleo combustível e nuclear), devido ao elevado potencial eólico do País.

Atualmente, a capacidade eólica instalada no País é de aproximadamente 0,2% do potencial nacional. O aumento na oferta e diversificação de energia, bem como incentivos especiais, redução de custos de implantação de novos projetos de fontes renováveis potencializa o crescimento da capacidade eólica no Brasil. Existem algumas vantagens relevantes para a geração de energia eólica como o baixo impacto ambiental; construção e operação mais simples, mais rápidos e custos menores; incentivos legais e descontos em tarifas setoriais; amplo acesso e financiamento; geração de créditos de carbono; possibilidade de tributação em regime de lucro presumido.

5.2. Análise das perspectivas

Atualmente o Brasil ocupa a 20ª posição no ranking mundial de produção de energia eólica, com perspectivas de chegar a 10ª posição em 2013 e a 4ª ou 5ª em 2016.

Este segmento vem crescendo significativamente no país, tornando-se potencialmente um gerador de empregos e de desenvolvimento da economia. É importante a empresa se planejar para um crescimento que traga benefícios e competências nacionais, sem deixar de lado os benefícios da globalização da competitividade internacional.

Destacamos alguns fatores importantes que vão de encontro ao projeto de investimento nesse setor, são eles:

- O Brasil possui um dos maiores potenciais eólicos do mundo;

- A energia eólica em nosso País é a mais barata do mundo;

- Recursos assegurados por lei para investir em pesquisa e desenvolvimento tecnológico;

- Potencial para produção científica e capacitação profissional e tecnológica.

Diante disso a ambição da CPFL Renováveis é ser líder no setor, focando na excelência, maximização de valor para os acionistas e ser contínua na sustentabilidade do negócio.

O perfil corporativo da CPFL Renováveis explora oportunidades no mercado, por meio de desenvolvimento, construção e operação de usinas eólicas de pequeno e médio porte.

Por ser uma companhia capitalizada, com acionistas de alta qualidade, sua estratégia de expansão baseia-se em aquisições e desenvolvimento de projetos em diferentes fases, utilizando avaliação técnica e financeira, maximizando a criação de valor para os acionistas.

Com uma equipe com mais de 200 colaboradores, pode-se conduzir processos de licenciamento ambiental, contratação e gestão de contratos de fornecedores e prestadores de serviços para a implantação de projetos de geração de energia.

Com isso, suas perspectivas são o crescimento financeiro e estratégico, com continuidade de aquisições de pequenas centrais eólicas que podem suprir localidades menores e distantes da rede, contribuindo para o processo de universalização do atendimento e aquisições de grandes centrais eólicas que possui potencial para atender uma significativa parcela da localidade nacional com importantes ganhos como reduzir as emissões pelas usinas térmicas e poluentes atmosféricos, diminuindo a necessidade de construção de grandes reservatórios.

As perspectivas da sustentabilidade de seus negócios estão baseadas em uma política socioambiental que tem como premissas:

Compromisso com o desenvolvimento sustentável

Desenvolver tecnologias, processos e insumos que contribuam para a qualidade socioambiental.

Gerenciamento de emissões e resíduos

Controlar os impactos decorrentes com programas e medidas práticas de conservação, bem como reciclagem dos resíduos gerados.

Conscientização de fornecedores Atuando em parceria com seus fornecedores para uma melhor qualidade ambiental.

Recursos naturais Contribuir de maneira positiva com o quadro de mudanças climáticas

Respeito às comunidades Iniciativas que promovam o desenvolvimento educacional e sanitário da população.

Comunicação e transparência Programas de educação ambiental, transparência em todas as fases do empreendimento.

Quadro 2 – Política socioambiental de sustentabilidade

Fonte: (Informações fornecidas pela CPFL Renováveis S.A)

Colocando essa política socioambiental em prática, a qualidade climática tem um resultado positivo, trazendo benefícios como os créditos de carbono que além de contribuírem para a redução de gases de efeito estufa no âmbito global, propiciam a certificação de qualidade da empresa. Certificados que são decisivos para implementação de novos projetos, dando continuidade e sustentabilidade dos seus negócios.

5.3. Análise dos resultados econômico-financeiros

A CPFL Energias Renováveis S.A. foi constituída em 24 de agosto de 2011, como resultado da associação entre a CPFL Energia, através das controladas CPFL Geração, CPFL Brasil e ERSA-Energia Renováveis S.A. Essa associação resultou na criação da maior empresa de energias renováveis da América Latina, com presença nas três principais tecnologias de energia renovável desenvolvidas no País. São elas:

- Parques eólicos;

- Pequenas centrais hidrelétricas (PCH´s);

- Usinas termelétricas movidas à biomassa.

Esses empreendimentos estão presentes em oito Estados brasileiros com forte contribuição para o desenvolvimento econômico e social local e regional.

A contabilidade dessa reestruturação resultou na apresentação do desempenho econômico-financeiro abaixo:

- Receita bruta consolidada da venda de energia elétrica, totalizou R$181,0 milhões que com a dedução de ICMS, PIS e COFINS resultou em uma receita líquida de R$171,9 milhões.

R$ milhões 31/12/2011

Receita bruta 180.971

Deduções da receita bruta

ICMS (1.710)

PIS/COFINS (7.407)

Receita operacional líquida 171.854

Tabela 1 – Receita operacional

Fonte: (Balanço Patrimonial CPFL Renováveis S.A)

- Custo de geração de energia elétrica decorre de aquisições efetuadas no mercado para cobrir transações de comercialização de energia que consolidado foi de R$41,0 milhões, abrangendo custos de compra, operação de usinas, depreciação e amortização.

R$ milhões 31/12/2011

Custo da Receita Operacional

Custo de compra de energia (15.559)

Custo de operações das usinas (7.185)

Depreciação e amortização (18.299)

Total (41.043)

Tabela 2 – Custos da Receita Operacional

Fonte: (Balanço Patrimonial CPFL Renováveis S.A)

- Despesas gerais e administrativas refletem o efeito na estrutura organizacional com um valor acumulado em R$17,7 milhões, sendo R$15,0 milhões considerados gastos relativos à assessoria estratégica, honorários advocatícios e gastos com a estruturação societária e aquisições. Portanto os gastos relativos a despesas gerais e administrativas são de R$2,7 milhões.

R$ milhões 31/12/2011

Despesas com pessoal

(17.733)

Despesas de ocupação (1.407)

Despesas com viagens e estadias (1.430)

Despesas gerais (4.957)

Serviços profissionais (25.605)

Impostos e taxas 280

Outros (8.181)

Despesas gerais e administrativas (59.033)

Remuneração dos administradores (6.045)

Total (65.078)

Tabela 3 – Despesas Gerais e Administrativas

Fonte: (Balanço Patrimonial CPFL Renováveis S.A)

- Contribuição social é de 9% e do imposto de renda 15% mais 10% sobre o lucro que exceder R$60 mil no trimestre, representando uma tributação total de 34%.

Para empresas que apresentam faturamento bruto de até R$48 milhões é facultada a escolha do regime de tributação pelo lucro presumido, o que implica na alíquota de 25% sobre uma base de 8% da receita bruta para o cálculo do IR, enquanto para o cálculo da CSLL, aplica-se uma alíquota de 9% sobre uma base de 12% da receita bruta. Parte dos projetos de investimentos atuais e futuros da CPFL Renováveis S.A., estão enquadrados no regime de lucro presumido.

- Resultado acumulado atingiu em 31 de dezembro de 2011, o lucro líquido de R$70.9 milhões e EBITDA de R$84 milhões com 48,9% de margem EBITDA.

R$ milhões 31/12/2011

Lucro líquido

(70.937)

(+) Imposto de renda e CS (1.433)

(+) Resultado financeiro (22.238)

(+) Depreciação e amortização 37.380

(-) Resultado não operacional (614)

EBITDA 84.032

Margem EBITDA 48,9%

Tabela 4 – Resultado econômico-financeiro acumulado

Fonte: (Balanço Patrimonial CPFL Renováveis S.A)

- Endividamento esta concentrado em 92% no longo prazo e 8% no curto prazo, sendo que 63% desse montante esta financiado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

R$ milhões 31/12/2011

CIRCULANTE

149.404

Empréstimos e financiamentos 118.835

Debêntures 30.569

NÃO CIRCULANTE 1.842.549

Empréstimo e financiamentos 1.356.308

Debêntures 486.241

Endividamento total 1.991.953

Caixa e equivalentes de caixa 651.573

Títulos e valores mobiliários 1.853

Aplicações financeiras vinculadas 72.056

Dívida líquida 1.266.470

Tabela 5 – Endividamento

Fonte: (Balanço Patrimonial CPFL Renováveis S.A)

Com a apresentação do desempenho econômico-financeiro conclui-se que as condições financeiras e patrimoniais gerais apresentam estrutura de capital de 49,8% de recursos de terceiros e 50,2% de recursos de acionistas.

5.4. Análise de investimentos

O investimento em aquisições de parques eólicos a CPFL Renováveis vem avançando largamente na execução do seu plano de crescimento, tanto por meio de crescimento orgânico quanto por aquisições de ativos estratégicos.

A Companhia vem se posicionando estrategicamente como agente consolidador no mercado de energias renováveis e planeja para 2012 investimentos em projetos eólicos no montante superior a 1,1 bilhão.

Complexos Eólicos 1.106,241

Campo dos Ventos 233.650

Gameleiras 4.976

Macacos I 172.707

Macacos II 225

Santa Clara 526.851

São Benedito 146.544

Campo dos Ventos II 21.289

Tabela 5 – Estimativa de investimentos em energia eólica para 2012

Fonte: (Informações fornecidas pela CPFL Renováveis S.A)

As fontes de financiamento dos investimentos serão realizadas na proporção aproximada de 70% em dívida e 30% em aportes de capital. A parcela de dívida desses investimentos será obtida junto ao BNDES, BNB, SUDAM, SUDENE, BID, Caixa Econômica Federal.

Esses financiamentos serão estruturados preferencialmente na modalidade Project Finance.

6. Considerações Finais

O setor eólico apresenta uma cadeia produtiva específica, como a construção de parques eólicos, operação, manutenção, transporte, distribuição e comercialização da energia. Para isso devem possuir estratégias e ações específicas como fortalecer o desenvolvimento tecnológico e de pesquisa, bem como equipamentos para o setor. O Brasil possui um fator principal para fonte de energia eólica, o potencial eólico, que para a competitividade, é uma solução para afastar os riscos do racionamento e assegurar níveis competitivos de preços da energia.

Em muitos dos países líderes nesta fonte, o desenvolvimento desta energia, utiliza de instrumentos de incentivos políticos e fiscais com o foco de estimular a tecnologia e mercado. O Brasil também seguiu por este caminho criando e aplicando o PROINFA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica).

De modo a alcançar esse objetivo, e determinar o nível de investimento que deve ser feito, devemos considerar dois fatores, um é o potencial eólico e o outro é o fato de que quanto maior o desenvolvimento do setor, maiores deverão ser os incentivos aos novos projetos a fim de compensar a redução do fator de capacidade das plantas conforme áreas com ventos menos intensos e regulares vão sendo utilizadas. O nível de investimento é determinado pelas fontes alternativas de energia, gestão de reservatórios, meio ambiente, eficiência energética, planejamento e operação de sistemas elétricos, supervisão, controle, qualidade, confiabilidade, medição, faturamento e perdas comerciais.

Neste cenário de crescimento da participação desta fonte de energia, o Brasil apresenta uma perspectiva otimista, com capacidade instalada de mais de 80% e com tendência à ampliação, o que demandará mais energia disponível e competitiva sem contar os benefícios inquestionáveis como a diversificação energética em grandes hidrelétricas e redução de combustíveis fósseis em plantas térmicas. Além disso, o programa de incentivos para a energia eólica no Brasil pode fortalecer a indústria gerando novos empregos como infraestrutura de suprimentos, fabricantes, mão-de-obra especializada, e tecnologias avançadas do setor se fazem necessários, buscando inovações para fazer frente aos desafios tecnológicos e de mercado do setor elétrico brasileiro, permitindo viabilizar o ciclo da cadeia da inovação, incentivando as empresas em torno de iniciativas a desenvolver conhecimento e transformar ideias, pesquisas tecnológicas e modelos matemáticos em resultados práticos, que melhorem o desempenho das organizações, através de fundamentos e diretrizes como fluxo contínuo de investimento, ênfase nos resultados, definição de estratégia para investimentos, definição de regras para a comercialização em busca do melhor resultado possível e seus impactos como o conhecimento científico, tecnológico e benefícios para a sociedade.

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