Trabalho Completo Eja: Sua História E Sua Importância Na Educação Brasileira

Eja: Sua História E Sua Importância Na Educação Brasileira

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Categoria: Outras

Enviado por: Luiza 24 dezembro 2011

Palavras: 14477 | Páginas: 58

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.........................................................................................07

CAPÍTULO I

1. A EDUCAÇÃO NO Brasil.............................................................................08

1.1 O INÍCIO DA EDUCAÇÃO NO Brasil.........................................................08

1.2 A HISTÓRIA DA EJA..................................................................................10

1.3 A EJA E PAULO FREIRE...........................................................................15

1.4 A FUNÇÃO SOCIAL DA EJA.....................................................................17

CAPÍTULO II

2. A IMPORTÂNCIA DA EJA ENGUANTO SISTEMA DE ENSINO................20

2.1 EJA: UMA EDUCAÇÃO POSSÍVEL...........................................................20

2.2 O PERFIL DOS ALUNOS DA EJA.............................................................22

2.3 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR NO ENSINO DA EJA...........................25

CAPÍTULO II

3. ENREVISTA COM ALUNOS DA EJA DA ESCOLA “E.E.E.F.M PADRE HUMBERTO PIACENTE”.................................................................................28

3.1 ENTREVISTA COM PROFESSORA DA EJA DA “E.E.E.F.M PADRE HUMBERTO PIACENTE”.................................................................................31

3.2 ALUNOS DA EJA DO 2º BLOCO DA “E.E.E.F.M PADRE HUMBERTO PIACENTE”.......................................................................................................32

3.3 DADOS DEMONSTRATIVOS DA EJA NO BRASIL E ESPÍRITO SANTO..............................................................................................................25

CONCLUSÃO....................................................................................................38

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA.......................................................................39

INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos no Brasil vem sendo ensaiada no decorrer em que foram implantadas políticas públicas voltadas para a educação. Em algumas determinadas décadas a EJA, foi tratada de forma secundária pelos políticos brasileiros. Atualmente a EJA vive seu melhor momento, sendo amparada pela lei, centrada para a formação de pessoas que não tiveram acesso, por algum motivo, ao ensino regular. O papel docente é de extrema importância no processo de reingresso do aluno ao EJA.

O professor deve ter uma formação especial, capaz de identificar o potencial de cada aluno, já que muitos têm uma cultura própria, carregada de conhecimentos adquiridos no dia-a-dia. Uma modalidade de ensino construída a partir da constatação de que os sujeitos socioculturais envolvidos no processo trazem consigo um repertório de vivência e saberes que devem ser tomados como norteadores de suas propostas.

A EJA é uma educação possível capaz de mudar a vida daquele que a utiliza, permitindo que o mesmo reescreva sua história de vida, tendo mais objetivos, direcionados ao seu crescimento pessoal e profissional.

A sociedade também possui um papel fundamental na EJA, não demonstrando preconceitos, vergonha, discriminação, críticas dentre tantos outros.

Educar pessoas, principalmente adultos não é somente direcioná-los a sala de aula. A escola tem que acreditar nos que compõem a EJA, acreditar na possibilidade do ser humano, buscando crescimento pessoal e profissional.

1. A EDUCAÇÃO NO BRASIL

1.1 O INÍCIO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

A Educação no Brasil apresenta variações diversas em sua formação ao longo do tempo, sendo notória sua ligação com o as transformações sociais, econômicas e políticas que norteiam os diferentes momentos históricos do país. Para os colonizadores, a alfabetização da população servia como instrumento de catecismo, os ensinando a ler e escrever e seguir as ordens e instruções da corte.

Com a expulsão dos Jesuítas, ocorrida no século XVIII, fez com que todo o sistema até então implantado para a alfabetização dos índios e população em geral, entrasse em ruínas. Somente durante o império que surgiram outras ações dirigidas a educação de adultos.

A partir da Revolução de 1930, com as mudanças políticas e econômicas permitiram o início da consolidação de um sistema público de educação elementar no país. Com a criação do Ministério da Educação e Saúde, inserindo a formação no magistério; a reorganização de algumas escolas secundárias; e a estruturação das universidades criadas na década anterior.

Logo com a criação da Constituição de 1934, foi estabelecida a criação de um Plano Nacional de Educação, que indicava pela vez a educação de adultos como dever do Estado, incluindo em suas normas a oferta do ensino primário integral, gratuito e de freqüências obrigatória, extensiva para adultos.

A década de 1940 foi marcado pelas iniciativas políticas e pedagógicas que aumentaram o plano de educação de jovens e adultos: a criação e regulamentação do Fundo Nacional do Ensino Primário (FNEP); a criação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP); o surgimento das primeiras obras direcionadas ao ensino supletivo; o lançamento da Campanha de Educação de Adolescente e Adultos (CEAA). As iniciativas de da um novo direcionamento da educação brasileira, permitiu que a mesma se firmasse como uma questão nacional. A UNESCO, junta de outras organizações internacionais exerceram uma influência positiva nesse novo direcionamento da educação.

A educação brasileira passou do modelo agrícola e rural, para um modelo industrial e urbano, graças a instalação do Estado Nacional Desenvolvimento, em 1946, que visava a necessidade de mão-de-obra qualificada e alfabetizada.

Com o fim da ditadura Vargas, em 1940, conforme Freitag (1986), a efervescência da política de redemocratização, a criação da UNESCO no plano internacional e o alerta da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a premência da integração populacional, a educação elementar comum ingressou na lista de destaque e: a) a reforma do ensino primário foi regulamentada; a educação de adultos ganhou autonomia; b) fora criado o ensino supletivo de dois anos, visando a diminuição do analfabetismo; c) regulamentou o curso de formação de professores através da Lei Orgânica do Ensino; d) A União se comprometeu em auxiliar financeiramente os Estado, para assegurar a expansão da educação no país, pois necessitava de aumentar as bases eleitorais e estimular a produtividade no mercado interno. E Paiva (1985) afirma que.

“os cargos da educação serviam para aumentar os prestígios políticos, eram preenchidos por indicação partidária e assumidos por professores leigos, o que acabou gerando ensino de má qualidade e baixo rendimento por não conseguir motivar os estudos, os indivíduos que viviam em condições precárias.”

Com isso houve o aumento no índice de desestimulo em acessar e permanecer na escola, causado pela falta de vagas em diversas regiões. Além da incapacidade motivada pela desnutrição; falta de perspectiva de vida; dificuldade em acompanhar as exigências da escola, além dos impedimentos de ordem social e financeiro. Foi implantando o sistema de aprovação automática, que visava estimular o aumento da população educacional e a desobstrução do caminhamento nas séries iniciais. Utilizavam-se as aulas de recuperação durante as férias para os alunos que não conseguiram lograsse na aprovação para a série seguinte. Para que houvesse qualidade no ensino pedagógico foram adotadas medidas de providências piloto como: a) cuidado com a formação e atualização de professores; b) remuneração de horas extras para o trabalho docente; c) acompanhamento e orientação educacional e pedagógico; e d) instalação de classes de alunos cada vez mais reduzidas. O objetivo era repassar s experiências vividas para outras escolas, apesar de não conseguir atingir seus objetivos, manteve seu propósito, pois tornou-se alvo da educação dos filhos da elite econômica e intelectual, sendo extinta na década de 70, sob suspeitas de subversão .

Apesar das tentativas de mudar o curso da educação da população brasileira, a mesma continuava sem atenção, sendo vistos como indivíduos incapazes, marginalizados e comparados a crianças, no tangente a valores, e suas ações eram volatizadas. A Campanha de Educação para Adultos, que visava ministrar com êxito uma ação educacional aplicada num período de dezoito meses, que tentou contemplar o ensino da alfabetização e a conclusão do curso primário. Os educadores acreditavam que após a orientação escolar que os adultos tinham recebidos já estavam prontos para participar de cursos profissionais com profundidade teórica e prática de conhecimentos, pois nessa etapa a meta era o desenvolvimento comunitário. No entanto dessa campanha de sobrevivência restaram apenas escolas construídas em diversas localidades do país. Que segundo Cunha (1991), resultou na promoção do ensino supletivo na década de 1970, que logo fora assumido pelos estados e municípios.

No mesmo ano de 1970, deram-se início as ações do Movimento Brasileiro de Alfabetização – o MOBRAL, que seu cunho pedagógico visava erradicar o analfabetismo do Brasil em dez anos. Mas após o período proposto pelo MOBRAL, o Censo divulgado pelo IBGE evidenciou 25,5% de analfabetos na população brasileira de 15 anos ou mais. Com os resultados negativos, o MOBRAL passou por diversas mudanças em seus objetivos, fazendo com que sua área de atuação fosse ampliada para a educação comunitária e a educação de crianças.

2. A HISTÓRIA DA EJA

O EJA é uma modalidade de ensino, amparada por lei e voltada para pessoas que não tiveram acesso, ao ensino regular na idade apropriada. O ensino supletivo, implantado em 1971, foi um marco importante na história da educação de jovens e adultos do Brasil.

durante o período militar, a educação de adultos adquiriu pela primeira vez na sua história um estudo legal, sendo organizado em capítulo exclusivo da Lei nº 5.692/71, intitulado ensino supletivo. O artigo 24 desta legislação estabelecia com função do supletivo supri a escolarização regular para adolescentes e adultos que não a tenham conseguido ou concluído na idade própria. (Vieria, 2004, p.40).

Em todo o território brasileiro, foram criados os Centros de Estudos Supletivos, tendo como objetivo ser o modelo de educação no futuro, visando atender a necessidade de um processo de modernização. Suprindo a falta de mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho, visando escolarizar o maior número de pessoas, mediante a um baixo custo operacional.

O sistema não requeria frequência obrigatória e a avaliação era feita em dois módulos: uma interna ao final dos módulos e outra externa feita pelos sistemas educacionais. Contudo, a metodologia adotada gerou alguns problemas: o fato de os cursos não exigirem frequência faz com que os índices de evasão sejam elevados, o atendimento individual impede a socialização no mercado de trabalho, restringe o aluno a busca apenas do diploma sem conscientização da necessidade do aprendizado.

De acordo com (Haddad, 1991) os Centros de Estudos Supletivos não alcançaram seus reais objetivos, pois, não receberam apoio político nem os recursos financeiros suficientes para sua plena realização. Além disso, seus objetivos estavam voltados para os interesses das empresas privadas de educação.

Com as profundas mudanças sócio-políticas que o Brasil estava sofrendo na década de 80, e a retomada do processo de democratização mais eminente na sociedade brasileira. A educação passou por outra transformação, o MOBRAIL, foi extinto, dando lugar a Fundação EDUCAR. O contexto da redemocratização possibilitou a ampliação das atividades da EJA. Com a organização da sociedade através de educadores, estudantes e políticos em defesa da escola pública e gratuita para todos. A nova Constituição d 1988 trouxe importantes avanços para a EJA: o ensino fundamental passou a ser obrigatório a todos e gratuito, sendo a ser garantido de forma constitucional para os que a ela não tiveram acesso na idade apropriada.

Durante o governo Collor, a Fundação EDUCAR foi extinta e junto com ela a EJA, começou a perde espaço nas ações governamentais, essas ações de cortes foram feitas para enxugar a máquina administrativa, a União foi se afastando das atividades da EJA e transferindo a responsabilidade para os Estados e Municípios. Nesse momento, então inúmeras iniciativas vão emergindo, ocorrendo parcerias entre municípios, ONG’s e Universidades. Surgem, então, nesse contexto, os Fóruns de EJA, como espaços de encontros e ações em parceria entre os diversos segmentos envolvidos com a área, com o poder público (administrações públicas municipais, estaduais e federal), com as universidades, ONG’s, movimentos sociais, sindicatos, grupos populares, educadores e educandos. Esses Fóruns tinham como objetivo, dentre outros, a troca de experiências e o diálogo entre as instituições. De acordo com SOARES (2004). Os Fóruns são movimentos que articulam instituições, socializam iniciativas e intervêm na elaboração de políticas e ações da área de EJA. Estes ocorrem num movimento nacional, com o objetivo de interlocução com organismos governamentais para intervir na elaboração de políticas públicas.

Os Fóruns de EJA tinham como objetivo de socializar informações e trocar experiências, sendo um espaço de pluralidade. A partir do momento em que o MEC se ausenta da qualidade de articulador de uma política nacional para a EJA, os Fóruns emergiram como uma estratégia de mobilização das instituições do país que estão diretamente envolvidas com a EJA, ou seja, o conhecimento do que se faz, a socialização de experiências, leva à articulação e à intervenção. Os Fóruns se instalam, portanto, como espaços de diálogos, onde os segmentos envolvidos com a EJA planejam, organizam e propõem encaminhamentos em comum. Nesse sentido, mantêm reuniões permanentes, onde aprendem com o diferente, exercitando a tolerância (SOARES, 2004). Os Fóruns tinham em disposição uma secretaria executiva, com representantes dos segmentos, que elaboravam plenárias, podendo ser mensais, bimestrais ou anuais, de acordo com a realidade específica de cada Fórum.

Com o surgimento dos Fóruns, então, a partir de 1997, a história da EJA passa a ser registrada num Boletim da Ação Educativa, que socializa uma agenda dos Fóruns e os relatórios dos ENEJA’s. De 1999 a 2000, então, os Fóruns passam a marcar presença nas audiências do Conselho Nacional de Educação para discutir as diretrizes curriculares para a EJA. Em alguns Estados, ainda, passaram a participar da elaboração das diretrizes estaduais e em alguns municípios, participaram da regulamentação municipal da EJA. Além disso, a Secretaria da Erradicação do Analfabetismo instituiu uma Comissão Nacional de Alfabetização e solicitou aos Fóruns uma representação. Os Fóruns, portanto, têm sido interlocutores da EJA no cenário nacional, contribuindo para a discussão e o aprofundamento do que seja a EJA no Brasil (SOARES, 2004).

Durante o ano de 2003, o Ministério da Educação criou a Secretária Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, com isso a alfabetização de jovens e adultos passou a ser prioridade do governo federal. A meta do novo governo junto do MEC e a Secretária Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo era erradicar o analfabetismo em quatro anos, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para levar a meta em diante, foi criado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o MEC contribui com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.

As ações do Programa Brasil Alfabetizado, eram voltadas para a formação de alfabetizadores e a alfabetização de jovens e adultos. É necessário que o alfabetizador, antes de iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo com o qual irá trabalhar. Esse conhecimento prévio era dado através do cadastro de alunos e pelo diagnóstico inicial que servia de base para o planejamento das atividades. A intenção é tornar o processo de alfabetização participativa e democrática. A formação de alfabetizadores compreende a formação inicial e a formação continuada.

A Educação de Jovens e Adultos deve ser tratada juntamente com outras políticas públicas e não isoladamente, levando em consideração os programas desenvolvidos por ONG’s, como o Alfabetização Solidária, que atualmente é um programa de educação de crianças, jovens e adultos, que estreme relevância, sendo modelo em diversos países.

mesmo reconhecendo a disposição do governo em estabelecer uma política ampla para EJA, especialistas apontam a desarticulação entre as ações de alfabetização e de EJA, questionando o tempo destinado a alfabetização e a questão da formação de jovens e adultos no debate da agenda das políticas públicas, reafirmando, portanto, o direito constitucional ao ensino fundamental. A experiência acumulada pela história da EJA nos permite reafirmar que intervenções breves e pontuais não garantem um domínio suficiente da leitura e da escrita. Além da necessária continuidade no ensino básico, é preciso articular as políticas de EJA a outras políticas. Afinal, o mito de que a alfabetização por si só promove o desenvolvimento social e pessoal há muito foi desfeito. Isolando, o processo de alfabetização não gera emprego, renda e saúde. (Vieira, 2004, p.85-86).

Adequar a proposta pedagógica as necessidades do aluno pode ser atendido, sob os aspectos do direito e da efetivação da educação nas instituições públicas ou conveniadas com o Estado ou Município, que ministre os cursos. Pois, no que tange a viabilização e ao estímulo para esses indivíduos retornarem a escola, as empresas assumem tais ações, somente quando lhe é favorável ou quando são programas implementados por elas, visando se beneficiar com a melhoria da qualificação da sua mão-de-obra. O benefício da adequação da proposta pedagógica, com o objetivo de atrair juntos mais jovens que preenchessem os requisitos para ingressar na Educação de Jovens e Adultos, aumentou com a Lei 9.394/96:

Art. 38 – Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitado ao prosseguimento de estudos em caráter regular.

§1º - Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:

I – no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos;

II – no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos.

Conservando os princípios da suplência, constantes na LDB 5.692/71, e reduzindo a idade de acesso a essa nova modalidade de educação, amplia-se as oportunidades educacionais para o adolescente e o jovem brasileiro, que por motivos variados não puderam frequentar a escola na idade devida. Esse estímulo também motiva os jovens a abandonarem a escola onde cursam o ensino regular para aderirem a esta modalidade educacional, por entenderem tratar-se de ensino mais flexível e com menor prazo para a conclusão. A probabilidade da existência desse desvio pode ocorrer em função da idade mínima para o ingresso no ensino fundamental de 18 para 15 anos e de 21 para 18 anos, no ensino médio. Essa migração pode

[...] ser preocupante se, eventualmente, esses alunos tiverem que recorrer aos cursos e exames supletivos apenas e tão somente para “acelerar” sua certificação, podendo significar alguma perda de qualidade na sua escolarização. (Brandão, 2007, p.101).

Ficando evidente que o amparo a aplicação nos cursos acelerados da base racional comum do currículo, para habilitar o aluno a prosseguir seus estudos, tanto no ensino acelerado quanto no ensino regular, se depara com a questão tempo, seja em quantidade de dias ou horas aulas. Nesta última modalidade de ensino, a conclusão do Ensino Médio é de no mínimo três anos, enquanto a modalidade acelerada conta com a redução de um ano letivo, tem duração mínima de onze anos; já o prazo mínimo para concluir o ensino acelerados é de seis anos. E ambos possuem o mesmo valor legal.

O tempo diferenciado do currículo da EJA são os mesmos do ensino regular, nos níveis Fundamental e Médio; porém, com encaminhamento metodológico diferenciado, considerado as especificidades dos(as) educando(as) da EJA; ou seja, o tempo curricular, ainda que diferente do estabelecido para o ensino regular, contempla o mesmo conteúdo. Isso se deve ao fato de que o público adulto possui uma bagagem cultural e de conhecimento adquiridos em outras instâncias sociais, uma vez que a escola não é o único espaço de produção e socialização de saberes. Assim, é possível tratar do mesmo conteúdo de formas e em tempos diferenciados, tendo em vista as experiências e trajetórias de vida dos educandos da EJA.

As ofertas de cursos dirigidos a Educação de Jovens e Adultos, devem ser adotas critérios e indicadores de análise, vinculados ao georreferenciamento local e/ou municipal de cada Núcleo Regional de Educação:

• crescimento e concentração populacional local/municipal;

• oferta nas regiões/municípios de EJA – turmas de alfabetização e de 1º e 2º segmentos do Ensino Fundamental e Ensino Médio;

• local e número de turmas fora da sede da escola;

• disponibilidade de espaço escolar ocioso no período noturno na região/município para atender à modalidade EJA, quando justificada a reorganização do atendimento da demanda;

• dados de matrícula nas escola da EJA.

A elaboração e implementação da Proposta Pedagógica-Curricular é dinâmica requer esforço e comprometimento coletivo com a formulação de uma educação de qualidade, adequada às demandas socioeducativas do público da EJA. Tal proposta não deve acontecer apenas em comprimento a uma exigência legal, mas como garantia de oferta de qualidade nos processos educativos. Trata-se de uma construção cotidiana que envolve a mantenedora e as escolas, ou seja, todos os sujeitos que fazem a Educação.

1.3 A EJA E PAULO FREIRE

O Sistema Paulo Freire, desenvolvido na década de 60, obteve grande êxito e passou a ser conhecido em todo país, sendo praticado por diversos grupos de cultura popular. Com ele ocorreu uma mudança no paradigma teórico-pedagógico sobre a EJA. Durante muitos séculos, para alfabetizar alguém se utilizava o método silábico de aprendizagem, ou seja, partia-se da idéia de que se conhecendo as sílabas e juntando-as poderia formar qualquer palavra. Por isso, os alunos recebiam cartilhas com sílabas e, orientados pelo professor, passavam a tentar juntá-las para formar palavras e frases soltas, que muitas vezes só memorizavam e repetiam. Por essa concepção, não se desenvolvia o pensamento crítico; não importava entender o que era escrito e o que era lido porque o importante era dominar o código.

Por essas novas concepções, educador e educando devem interagir. São criados novos métodos de aprendizagem, por meio dos quais o alfabetizador trabalha o conteúdo a ser ensinado – a língua escrita – com a preocupação de que seus alunos estejam compreendendo o sentido para o sistema da escrita, a partir de temas e palavras geradoras, ligadas às suas experiências de vida.

Nessa nova concepção de alfabetização, a língua escrita vem acompanhada por um processo de construção do conhecimento, que se dá por meio de diálogos de interação entre educador e educando.

A proposta de Paulo Freire baseia-se na realidade do educando, levando-se em conta suas experiências, suas opiniões e sua história de vida. Esses dados devem ser organizados pelo educador, a fim de que as informações fornecidas por ele, o conteúdo preparado para as aulas, a metodologia e o material utilizados sejam compatíveis e adequados as realidades presentes. Educador e educandos devem caminhar juntos, interagindo durante todo o processo de alfabetização. É importante que o adulto alfabetizando compreenda o que está sendo ensinado e que saiba aplicar em sua vida o conteúdo aprendido na escola.

Segundo (Freire, 2002, p. 58) a relação professor e aluno deve ser:

para ser um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos demanda, entre educadores e educando, uma relação de autêntico diálogo. Aquele em que os sujeitos do ato de conhecer (educador-educando; educando-educador) se encontram mediatizados pelo objeto a ser conhecido. Nesta perspectiva, portando, os alfabetizandos assumem, desde o começo mesmo da ação, o papel, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever sobre o profundo significado da linguagem.

O chamado “método” Paulo Freire tem como objetivo a alfabetização visando à libertação. Essa libertação não se dá somente no campo cognitivo, mas deve acontecer, essencialmente, nos campos sócio-cultural e políticos, pois o ato de conhecer não é apenas cognitivo, mas político, e se realiza no seio da cultura.

A visão ingênua que os indivíduos têm da realidade toma-os escravos, na medida em que, não sabendo que podem transformá-la, sujeitam-se a ela. Essa descrença na possibilidade de intervir na realidade em que vivem è alimentada pelas cartilhas e manuais escolares que colocam homens e mulheres como observadores e não como sujeitos ativos dessa realidade.

1.4 A FUNÇÃO SOCIAL DO EJA

A educação formal e informal dos diferentes grupos sociais de trabalhadores tem buscado habilitá-los técnica, social e ideologicamente para o trabalho, tratando a função social da educação de forma controlada para responder às necessidades de produção. A fim de superar esta relação direta da educação com a demanda de trabalho, torna-se fundamental compreender o sentido desse processo na vida dos educandos que não tiveram acesso ou continuidade da escolarização na denominada idade própria.

A Educação de Jovens e Adultos (EJA), como modalidade educacional que atende a educandos-trabalhadores, tem como finalidades e objetivos o compromisso com a formação humana e com o acesso à cultural geral, de modo que os educandos aprimorem sua consciência crítica, e adotem atitudes éticas e compromisso político, para o desenvolvimento da sua autonomia intelectual.

O papel fundamental da construção curricular para a formação dos educados desta modalidade de ensino é fornecer subsídios para que se afirmem como sujeitos ativos, críticos, criativos e democráticos. Tendo em vista esta função, a educação deve voltar-se a uma formação na qual os educandos possam: aprender permanentemente; refletir de modo crítico; agir com responsabilidade individual e coletiva; participar do trabalho e da vida coletiva; comporta-se de forma solidária; acompanhar a dinamicidade das mudanças sociais; enfrentar problemas novos construindo soluções originais com agilidade e rapidez, a partir do uso metodologicamente adequado de conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-históricos (Kuenzer, 2000, p. 40).

A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDBEN nº 9394/96), em seu artigo 37, prescreve que a “a Educação de Jovens e Adultos será destinada aqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e Médio na idade própria”. É característica dessa Modalidade de Ensino a diversidade do perfil dos educandos, com relação a idade, ao nível de escolarização em que se encontram, a situação socioeconômica e cultural, as ocupações e a motivação pela qual procuram a escola.

O universo da EJA contempla diferentes culturas que devem ser priorizadas na construção das diretrizes educacionais. Conforme Soares (1986), o educando passa a ser visto como sujeito sócio-histórico-cultural, com conhecimentos e experiências acumuladas. Cada sujeito possui um tempo próprio de formação, apropriando-se de saberes locais e universais, a partir de uma perspectiva de ressignificação da concepção de mundo e de si mesmo. Tendo em vista a diversidade desses educandos, com situações socialmente diferenciadas, é preciso que a Educação de Jovens Adultos proporcione seu atendimento por meio de outras formas de socialização dos conhecimentos e culturas.

Considerando-se o diálogo entre as diversas culturas e saberes, é necessário retirar esta modalidade de ensino de uma estrutura rígida pré-estabelecida, ou adequá-la a estrutura de ensino já existentes, levando-se em conta suas especificidades.

A EJA deve ter uma estrutura flexível e ser capaz de contemplar inovações que tenham conteúdos significativos. Nesta perspectiva, há um tempo diferenciado de aprendizagem e não um tempo único para todos. Os limites e possibilidades de cada educando devem ser respeitos; portanto, é desafio destas Diretrizes apresentarem propostas viáveis para que o acesso, a permanência e o sucesso do educando nos estudos estejam assegurados.

Tais conquistas serão viáveis e fortalecidas, a partir destas Diretrizes, com políticas públicas e recursos próprios para manter e melhorar a qualidade do ensino nas escolas. De fato, a função social da EJA se articula a um compromisso do Estado em atender esta população enquanto houver demanda, continuamente.

Assim, a alfabetização se apresenta como tarefa fundamental para o envolvimento dos educandos jovens, adultos e idosos nas práticas escolares, com acesso aos saberes em suas diferentes linguagens. Tais práticas devem estar intimamente articuladas às suas necessidades, expectativas e trajetórias de vida, e devem servir como incentivo para que continuem os estudos.

Desta forma, a Lei nº 9394/-96 incorpora uma concepção mais ampla e abre outras perspectivas para a Educação de Jovens e Adultos, desenvolvida na pluralidade de vivências humanas. Conforme aponta o artigo 1º da Lei vigente:

a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

O educando da EJA torna-se sujeito na construção do conhecimento mediante a compreensão dos processos de trabalhos, de criação, de produção e de cultura. Portanto, passa a ser reconhecer como sujeito do processo e a confirmar saberes adquiridos para além da educação escolar, na própria vida. Trata-se de uma consistente comprovação de que esta modalidade de ensino pode permitir a construção e a apropriação de conhecimentos para o mundo do trabalho e o exercício da cidadania, de modo que o educando ressignifique suas experiências socioculturais.

A identidade de homens e mulheres é formada pelas experiências do meio em que vivem e se modifica conforme se alteram as relações sociais, principalmente a relações no mundo do trabalho.

O trabalho é o processo social pelo qual o homem se modifica, altera o que é necessário e desenvolve novas idéias. Dessa forma, por meio do pensamento crítico, o educando pode desmitificar a divisão social e técnica do trabalho, como, por exemplo, entre trabalho manual e intelectual, conceitos opressores estabelecidos pelos modelos de organização do sistema produtivo.

A compreensão das contradições inerentes ao processo da divisão social do trabalho possibilitará ao educando da EJA melhor entendimento de sua relação com o mundo do trabalho e demais relações sociais.

Cabe aos professores da EJA evidenciar possíveis mudanças que apontem para uma nova relação entre ciência, trabalho e cultura, por meio de uma base sólida de formação científica e histórica que ajude os educandos no seu desenvolvimento. Assim, conhecer significa a possibilidade de interferir socialmente.

A escola é um dos espaços em que os educandos desenvolvem a capacidade de pensar, ler, interpretar e reinventar o seu mundo, por meio da atividade reflexiva. A ação da escola será de mediação entre o educando e os saberes, de forma que ele assimile conhecimentos como recursos de transformação de sua realidade.

A Educação de Jovens e Adultos tem um papel fundamental na socialização dos sujeitos, agregando elementos e valores que os levem a emancipação e a afirmação de sua identidade cultural.

O tempo que um educando participa da EJA tem valor próprio e significativo e, portanto, a escola deve superar o ensino de caráter enciclopédico, centrado mais na quantidade de informações do que na relação qualitativa com o conhecimento. Quanto aos conteúdos específicos de cada disciplina, deverão estar articulados a realidade, considerando sua dimensão sócio-histórica, articulada ao mundo do trabalho, à ciência, às novas tecnologias, dentre outros.

Com relação às perspectivas dos educandos e seus projetos de vida, a EJA poderá colaborar para que eles ampliem seus conhecimentos de forma crítica, viabilizando a reflexão pela busca dos direitos de melhoria de sua qualidade de vida. Além disso, contribuirá para que compreendam as dicotomias e complexidades do mundo do trabalho contemporâneo, no contexto mais amplo possível.

No transcorrer do processo educativo, a autonomia intelectual do educando deve ser estimulado para que ele continue seus estudos, independentemente da educação formal. Cabe ao educador incentivar a busca constante pelo conhecimento produzido pela humanidade, presente em outras fontes de estudo ou pesquisa. Esta forma de estudo individual é necessária, quando se trata da administração do tempo de permanência desse educando na escola e importante na construção da autonomia.

A emancipação humana será decorrência da construção dessa autonomia obtida pela educação escolar. O exercício de uma cidadania democrática pelos educandos da EJA será o reflexo de um processo cognitivo, crítico e emancipatório, com base em valores com respeito mútuo, solidariedade e justiça.

2 A IMPORTÂNCIA DA EJA ENQUANTO SISTEMA DE ENSINO

2.1 EJA: UMA EDUCAÇÃO POSSÍVEL

Com o passar dos anos, novas tecnologias foram criadas exigindo mão-de-obra cada vez mais qualificada. Além disso, várias famílias que moravam em zonas rurais migraram para os centros urbanos, uma vez que a economia, que era predominantemente agrícola, passou a concentrar suas atividades no comércio e na história. Diante desta realidade, o analfabetismo passou a ser reconhecimento como problema, pois, até então, morando longe das cidades, o fato de não saber ler e escrever não dificultava a obtenção de um emprego no cultivo de lavouras.

Mas, com o crescimento social, a mudança econômica e o avanço tecnológico, as pessoas se sentem obrigadas a procurar a escola na tentativa de conseguir um emprego na cidade, melhorar seu padrão de vida ou manter-se atualizado.

As mudanças ocorridas no mercado de trabalho, no entanto, vêm exigindo mais conhecimentos e habilidades das pessoas, assim como atestados de maior escolarização, obrigando-as a voltas a escola básica, como jovem, ou já depois de adultas, para aprender um pouco mais ou para conseguir um diploma. A educação de adultos é uma necessidade tanto na comunidade como nos locais de trabalho. À medida que a sociedade se desenvolve novas possibilidades de crescimento profissional surgem, mas, por outro lado, exigem maior qualificação e constante atualização de conhecimentos e habilidades.

À medida que a sociedade vai se desenvolvendo, surge a necessidade da escolarização e é bom que isso aconteça, pois a educação dos adultos favorece a educação das crianças e adolescentes porque quanto mais os pais estudam mais conscientes ficam da importância da educação e mais contribuição para que seus filhos permaneçam na escola.

Se por um lado, a educação tem assumido novos contornos em face das mudanças ocorridas na sociedade, por outro, a educação é a responsável pelo crescimento social, pois a medida que as pessoas vão ficando mais escolarizadas, o nível de vida vai melhorando, as pessoas ficam mais conscientes, críticas e exigentes. E, com isso, vão melhorando as condições de higiene, de alimentação, de saúde, e de segurança e de satisfação pessoal. Enfim, a educação possibilita o desenvolvimento da sociedade. Segundo (Fasheh 1999, p. 166) “aprender a ler e a escrever pode ajudar uma pessoa a ser livre”.

Sabe-se que a educação é o instrumento que vai permitir às pessoas buscarem uma melhoria de vida, capacitando-se para competir no mercado de trabalho bem como reconhecer seus direitos.

para que aumentem as possibilidades individuais de educação, e para que se tornem universais, é necessário que mude o ponto de vista dominante sobre o valor do homem na sociedade, o que só ocorrerá pela mudança de valoração atribuída ao trabalho. Quando o trabalho manual deixar de ser um estigma e se converter em simples diferenciação do trabalho social geral, a educação institucionalizada perderá o caráter de privilégio e será um direito concretamente igual para todos (Pinto, 2000, p. 37).

É muito comum, ainda, a concepção de que a partir de certa idade já é tarde para se estudar. Contudo, há histórias de vida que têm mostrado justamente o contrário: a garantia da educação de qualidade para jovens e adultos tem permitido mudanças nos relacionamentos dos sujeitos envolvidos, abrindo novas possibilidades profissionais.

Investir na educação de jovens e adultos no Brasil reside, primeiramente, no reconhecimento dessas pessoas como sujeitos de um direito universal que, em virtude de situações de desigualdades, lhe foi negado no passado e lhe é dificultado no presente.

As políticas públicas, tomadas como instrumento para a concretização de direitos, sejam, na área da educação, propositadamente dirigidas a estas pessoas. Isto implica em admitir que um direito universal só se realiza universalmente quando são reconhecidas e acolhidas as especificidades daqueles que não são atingidos pelas ações gerais na formulação da ação do Estado.

As ações de caráter afirmativo, ou discriminações positivas são muitas vezes denominadas "focalização", e criticadas porque esta noção se contrapõe à de universalidade, característica inerente às políticas públicas. Sem desconsiderar o debate em torno deste tema, sobretudo em relação ao seu significado para o estabelecimento de critérios para a alocação de verbas públicas, acreditamos que reivindicar o caráter de ação afirmativa para a educação de jovens e adultos, ao contrário, é uma etapa decisiva no processo de universalização da educação no Brasil.

2.2 O PERFIL DOS ALUNOS DA EJA

Embora nem sempre se disponha de estatísticas confiáveis, o programa de Educação de Jovens e Adultos - EJA têm sido crescentemente procurada por um público heterogêneo, cujo perfil vem mudando em relação à idade, expectativas e comportamento.

Trata-se de um jovem ou adulto que historicamente vem sendo excluído, quer pela impossibilidade de acesso à escolarização, quer pela exclusão da educação regular ou por ter que trabalhar.

Alunos que estão inseridos no mercado de trabalho, ou que ainda espera nele ingressar; não visam apenas à certificação para manter sua situação profissional, mas esperam chegar ao Ensino Médio ou à Universidade para acender social ou profissional, e tiveram que romper barreiras preconceituosas, geralmente transpostas em função de um grande desejo de aprender.

O aluno da EJA tem uma característica de responder pelos seus atos e palavras, além de assumir responsabilidades diante dos desafios da vida. Eles quando chegam à escola, trazem consigo muitos conhecimentos, que podem não ser aqueles sistematizados pela escola, mas são “saberes nascidos dos seus fazeres”.

O aspecto do aluno trabalhador que chega às vezes tarde na escola, cansado e com sono e querem sair mais cedo, isso quando o mesmo frequenta a sala de aula. Os alunos acham não são capazes de acompanhar os programas ou que o programa não traz a realidade para o seu cotidiano, são vários os motivos para evadirem. O aluno trabalhar defende o prazer de aprender, e lamento faltarem, muitos desistem porque necessitam trabalhar. O trabalho é mais importante, é uma necessidade para o que precisam, há uma questão difícil de resolver, ou consistir em combinar escola e trabalho. Essa combinação também é problema do ponto de vista do docente, da grade curricular, da própria gestão da escola, causando desconforto para esses jovens e adultos que estudam no horário da noite. O não reconhecimento da heterogeneidade no aluno da EJA contribui para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las.

Às vezes alguns alunos jovens, ultrapassam a idade estabelecida para estudar diurno. Nas suas trajetórias escolares interrompidas com sucessivas reprovações e que este não parece fazer muita questão de "passar de ano" (alguns alunos), eles já foram negados na da escola básica, muitos deles são repetentes desde sua vida infantil, e são levados a estudar a noite por ser problemático no diurno, sente-se fracassados por ter sua permanência na escola com evasão com tanta freqüência. Não há como deixar de pontuar a questão da exclusão Social da Juventude pobre e limitada. Fica evidente que a escola vive uma crise, o que é mais preocupante é ver que essa crise torne habitual, um descaso social, mas não é impossível de encontrar algumas alternativas e colocar em prática.

Faz-se necessário buscar a reflexão sobre o papel da escola, do professor, dos educando de frente as suas práticas o qual a finalidade real que este pretende atingir, posto que o professor precise antes de qualquer coisa entender sua tarefa social dentro da sala de aula, para poder trabalhar um modelo educacional comprometido de fato com as transformações sociais. Para que escola assuma seu papel, e necessário ter a realidade deste aluno, é impossível continuar a caminhada sem rever a prática Curricular.

É preciso destacar que a criação curricular é uma metodologia oficial de elaboração de um documento formal, onde podemos destacar como guia curricular é uma forma de compreensão que não pode deixar de fora a técnica de produção sócio-cultural, o processo de efetivação da Educação permanente, que considere as necessidades e incentive as potencialidades do educando; promova a autonomia dos jovens e adultos, para que sejam sujeitos da aprendizagem; educação vinculada ao mundo do trabalho e às praticas sócias; projeto pedagógico com flexibilidade curricular e conteúdos curriculares pautados em 3 princípios: contextualização, reconhecimento de identidade pessoal e das diversidades coletivas (Parecer CEB 11/2000).

Em função destes princípios, novas funções são estabelecidas para a Educação de Jovens e Adultos: Reparadora – ao reconhecer a igualdade humana de direitos e o acesso aos direitos civis, pela restauração de um direito negado; Equalizadora – ao propor igualdade de oportunidade de acesso e permanência na escola e, Qualificadora – ao viabilizar a atualização permanente de conhecimentos e aprendizagens continua (Parecer CEB 11/2000).

È necessário repensar nessa realidade, dos métodos educativos e essa construção do currículo, colocando em prática na modalidade da EJA. As Diretrizes Curriculares apresentam alguns avanços do ponto de vista pedagógico existindo uma preocupação com a especificidade etária e sociocultural dos jovens e adultos atendidos no sistema educacional. Destacam a formulação de projetos pedagógicos próprios e específicos para a Educação de Jovens e Adultos, que leve em consideração na sua organização.

2.3 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR NO ENSINO DA EJA

As instituições de ensino, públicas e particulares, têm se preocupado muito com a formação de seu corpo docente, pois a qualidade do ensino depende muito da relação professor-aluno.

a educação de jovens e adultos é toda educação destinada àqueles que não tiveram oportunidades educacionais em idade própria ou que a tiveram de forma insuficiente, não conseguindo alfabetizar-se e obter os conhecimentos básicos necessários. (Paiva, 1973, p.16).

Esse conceito nos faz perceber que o professor que vai atuar com jovens e alunos deve ter uma formação especial, que lhe permita compreender os anseios e necessidades dessas pessoas tão especiais, além de saber lidar com os sentimentos delas.

Muito se fala sobre a formação do professor para a Educação de Jovens e Adultos, pois o educador deve ter consciência de sua força no desenvolvimento do educando.

a educação de jovens e adultos requer do educador conhecimento específicos no que diz respeito ao conteúdo, metodológico, avaliação, atendimento, entre outros, para trabalhar com essa clientela heterogênea e tão diversificada culturalmente (Arbache, 2001, p.19).

O professor da EJA deve compreender a necessidade de respeitar a pluralidade cultural, as identidades, as questões que envolvem classe, raça, saber e linguagem dos seus alunos, caso contrário, o ensino ficará limitado à imposição de um padrão, um modelo e acabado em que se objetiva apenas ensinar a ler e escrever, de forma mecânica... Enfim, o que se pretende com a Educação de Jovens e Adultos é dar oportunidade igual a todos.

Novo enfoque está sendo dado à Educação de Jovens e Adultos.

é necessário superar a idéia de que a EJA se esgota na alfabetização, desligada da escolarização básica de qualidade. É também necessário superar a descontinuidade das ações institucionais e o surgimento de medidas isoladas e pontuais, fragmentando e impedindo a compreensão da problemática. É preciso desafiar o encaminhamento de possíveis resoluções que levem à simplificação do fenômeno do analfabetismo e do processo de alfabetização, reduzindo o problema a uma, exposição de números e indicadores descritivos. Visualizar a educação de jovens e adultos levando em conta a especificidade e a diversidade cultural dos sujeitos que a ela recorrem torna-se, pois, um caminho renovado e transformador nessa área educacional. (Arbache, 2001, p. 22).

Educar jovens e adultos, não é apenas ensiná-los a ler e escrever seu próprio nome. É oferecer-lhes uma escolarização ampla e com mais qualidade. E isso requer atividades contínuas e não projetos isolados que, na primeira dificuldade, são deixados de lado para o início de outro. Além disso, a Educação de Jovens e Adultos não deve ser preocupar apenas em reduzir números e índices de analfabetismo. Deve ocupar-se de fato com uma cultura do educando, com sua preparação para o mercado de trabalho e como previsto nas diretrizes curriculares da EJA a mesma como função: reparar, qualificar e equalizar o ensino.

A sociedade educa o educador num processo sim fim e de complexidade crescente e, da mesma forma, controla suas atividades, pois a qualidade técnica e profissional do educador está sempre submetida ao controle social pelos dispositivos legais que lhe atribuem este grau, assegurando-lhe o exercício da docência e lhe proporcionam meios de constante aperfeiçoamento. Contudo, há outro controle, que é, de fato, o mais importante: o que é exercido pela própria consciência do educador. É o autocontrole do professor.

neste segundo sentido compete ao professor, além de incrementar seus conhecimentos e atualizá-los, esforçar-se por praticar os métodos mais adequados em seus ensino, proceder a uma análise de sua própria realidade pessoal como educador, examinar com autoconsciência crítica sua conduta e seu desempenho, com a intenção de ver se está cumprido aquilo que sua consciência crítica da realidade nacional lhe assinala como sua correta atividade. (Pinto, 2000, p. 113).

Discutir os desafios da educação está se tornando uma tarefa fácil, considerando os imensos obstáculos que se encontram quando se dispõem a assumir a verdadeira postura de educador. Lecionar não é uma tarefa fácil de se aplicar, as críticas da sociedade têm por base dois pontos extremos: educadores que fazem barganha por dinheiro de suas tarefas diárias e educadores apaixonados pelo ato de lecionar, encantados com a maravilhosa arte que só um mestre é capaz de reconhecer e vislumbrar. Quando, no entanto deveriam analisar o profissional de educação e suas atitudes como apaixonados sim, mais também ousados, com direitos e reindivicações que de maneira nenhuma podem deixar de ser feitas.

[...] É preciso ousar para dizer, cientificamente e não bla-bla-blantemente, que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com, esta apenas. É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando por longo tempo nas condições que conhecemos, mal pagos, desrespeitados, e resistindo aos risco de cair vencidos pelo cinismo. É preciso ousar, aprender a ousar, para dizer não à burocratização da mente a que nos expomos diariamente. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-lo, com vantagens materiais. [...] (Freire, 1997, p.8).

Conceder a idéia de que uma profissão que serve como fazer para tanta outras, não seja reconhecida como pelo menos uma das mais importantes. Quando este trabalho é exercido com alunos de EJA, as coisas ficam ainda mais difíceis. Os jovens e adultos sabem identificar claramente a precariedade do sistema e as dificuldades enfrentadas pelo corpo docente na realização desta árdua tarefa de educar.

A capacidade de percepção aguçada, principalmente dos jovens, começa a entender as causas de terríveis crises vividas entre alunos e professores dentro de instituições de ensino, principalmente quando são públicas. Estas crises são muito bem esclarecidas por Dayrell (2005), pois tanto aluno quanto professor são pessoas marcadas por lutas diárias, com variáveis situações de crises e frustrados com sua atual situação. Ou será que algum jovem se sente realizado em cursas a quarta série aos dezesseis anos?

Na educação de jovens e adultos necessita-se ter profissionais abertos à troca de experiências, dispostos a aprender com o outro, que vibram com o avanço da aprendizagem em seus alunos e acreditam em suas capacidades, respeitando as diferenças sociais, culturais, religiosas, enfim, respeitando o direito do outro sem ser impar, mas ao mesmo tempo sendo respeitado em seus direitos.

Brandão, quando se refere ao método Paulo Freire:

[...] ninguém educa ninguém e ninguém educa sozinho. A educação deve ser um ato coletivo, solidário – um ato de amor, não pode ser imposta. Educar é uma tarefa de trocas entre pessoas e, se não pode ser nunca feita por um sujeito isolado [...] Há sempre educadores-educandos e educadores-educadores. De lado a lado se ensina. De lado a lado se aprende (Brandão, 2006, p. 21-22).

Um dos maiores problemas na formação do docente é a auto-suficiência. Apontar quem sabem tudo é um dos grandes erros cometidos pelos docentes, pois a condição para o constante aperfeiçoamento do educador não é somente a sensibilidade aos estímulos intelectuais, mas é fundamental a consciência de sua natureza inconclusa como sabedor. Não são os negligentes e sim os auto-suficientes que estacionam no caminho de sua formação profissional. Julgar sabedor de tudo e considerar que seu papel na educação nada mais exige deles, é uma noção que paralisa a consciência do educador e o torna incapaz de progredir.

3. ENTREVISTA COM ALUNOS DA EJA DA ESCOLA E.E.E.F.M “PADRE HUMBERTO PIACENTE”

Apêndice 1

Aluno: David Correa Ferrari

Roteiro de entrevista com os alunos da EJA

1 – Idade: 52 anos

Sexo: ( x ) M ( ) F

Trabalha? ( x ) Sim ( ) Não

2 – Quanto tempo ficou sem estudar em escola?

( ) Até 1 ano ( ) De 1 até 3 anos ( ) De 3 até 5 anos.

( ) De 5 até 8 anos ( x ) Mais de 8 anos.

3 – Você voltou a estudar para:

( ) Arranjar um emprego ( ) Obter promoção no emprego

( ) Fazer novos amigos ( ) Atualizar seus conhecimentos

( x ) Outros móvitos. Qual? Atender a necessidade da Igreja Católica, ordem do Diácono Permanente.

4 – Você gosta de ler?

( x ) Sim ( ) Não ( ) As vezes

5 – Que tipo de leitura prefere fazer?

( ) Jornal ( ) Livros ( ) Revistas ( ) Textos da escola

( ) Outros. Quais? Jornal, bíblia e textos da escola ( ) Nenhum tipo de leitura

6 – O que você acha dessa iniciativa de propor escolarização para quem não pode estudar na época dita como correta?

– Devemos propor sim, nunca é tarde e muito interessante.

7 – Qual a importância da EJA em sua vida?

– Concluir o segundo com um bom aprendizado e com um tempo menor.

Apêndice 2

Aluno: Ademilson da Silva Oliveira

Roteiro de entrevista com os alunos da EJA

1 – Idade: 43 anos

Sexo: ( x ) M ( ) F

Trabalha? ( x ) Sim ( ) Não

2 – Quanto tempo ficou sem estudar em escola?

( ) Até 1 ano ( ) De 1 até 3 anos ( ) De 3 até 5 anos.

( ) De 5 até 8 anos ( x ) Mais de 8 anos.

3 – Você voltou a estudar para:

( ) Arranjar um emprego ( x ) Obter promoção no emprego

( ) Fazer novos amigos ( x ) Atualizar seus conhecimentos

( ) Outros móvitos. Qual? Atender a necessidade da Igreja Católica, ordem do Diácono Permanente.

4 – Você gosta de ler?

( x ) Sim ( ) Não ( ) As vezes

5 – Que tipo de leitura prefere fazer?

( x ) Jornal ( x ) Livros ( x ) Revistas

( x ) Textos da escola ( ) Outros. Quais? Jornal, bíblia e textos da escola

( ) Nenhum tipo de leitura

6 – O que você acha dessa iniciativa de propor escolarização para quem não pode estudar na época dita como correta?

– É uma excelente oportunidade para agregarmos o conhecimento.

7 – Qual a importância da EJA em sua vida?

– O EJA está dando uma nova oportunidade para o crescimento pessoal e profissional.

Apêndice 2

Aluna: Telma Lemos

Roteiro de entrevista com os alunos da EJA

1 – Idade: 44 anos

Sexo: ( ) M ( x ) F

Trabalha? ( x ) Sim ( ) Não

2 – Quanto tempo ficou sem estudar em escola?

( ) Até 1 ano ( ) De 1 até 3 anos ( ) De 3 até 5 anos.

( ) De 5 até 8 anos ( x ) Mais de 8 anos.

3 – Você voltou a estudar para:

( ) Arranjar um emprego ( ) Obter promoção no emprego

( ) Fazer novos amigos ( x ) Atualizar seus conhecimentos

( ) Outros móvitos. Qual? Atender a necessidade da Igreja Católica, ordem do Diácono Permanente.

4 – Você gosta de ler?

( ) Sim ( x ) Não ( ) As vezes

5 – Que tipo de leitura prefere fazer?

( ) Jornal ( x ) Livros ( ) Revistas

( ) Textos da escola ( ) Outros. Quais? Jornal, bíblia e textos da escola

( ) Nenhum tipo de leitura

6 – O que você acha dessa iniciativa de propor escolarização para quem não pode estudar na época dita como correta?

– Boa. Pois se não como poderia ter a oportunidade de esta estudando hoje.

7 – Qual a importância da EJA em sua vida?

– É que poderá fazer cursos, se atualizar e arrumar um emprego melhor.

3.1 ENTREVISTA COM PROFESSORA DA EJA DA “E.E.E.F.M PADRE HUMBERTO PIACENTE”

Profª.: Flávia Waleska

1 – Há quanto tempo atua na modalidade EJA?

( x ) Até 1 ano

( ) De 1 até 3 anos

( x ) De 3 até 8 anos

( ) De 5 até 8 anos

( ) Mais de 8 anos

2 – Você se preocupa com as expectativas dos alunos?

( x ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

3 – Você trabalhar com leitura na EJA.

( x ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

4 – O trabalho com a leitura é:

( ) Diariamente ( x ) Semanalmente ( ) Quinzenalmente

( ) Mensalmente ( ) Não trabalha

5 – O seu trabalho com a leitura é feito com: (Obs. Numere conforme os mais usados).

( 1 ) Jornal (4 ) Livros ( 2 ) Revistas

( 3 ) Textos da sua disciplina. ( 5 ) Textos de outras disciplinas

( ) Você não trabalha à leitura ( ) Outros. Quais?

6 – Quanto à leitura, seus alunos demonstram fazer por?

( ) Diversão ( x ) Imposição

( ) Necessidade ( ) Não, eles nunca fazem.

7 – Na sua visão, o que dificulta o trabalho com a leitura?

( ) Pouco tempo dos alunos. ( x ) Pouco interesse dos alunos.

( ) Você também não gosta de ler. ( ) Falta de apoio da escola.

( ) Você não tem dificuldade.

8 – Na sua visão como deveria ser um bom trabalho com a leitura?

– Deveria ser um trabalho constante, cobrado por todas as disciplinas, despertando o interesse dos alunos.

3.2 ALUNOS DA EJA DO 2º BLOCO DA “E.E.E.F.M PADRE HUMBERTO PIACENTE”.

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3.3 DADOS DEMONSTRATIVOS DA EJA NO BRASIL E ESPÍRITO SANTO

|FORMAÇÃO DO EDUCADOR NA EJA |

|Escolaridade |Nº De Educadores |

|Magistério |105 |

|Ensino Superior Incompleto |86 |

|Ensino Superior Completo |410 |

|Pós-Graduação Incompleta |12 |

|Pós-Graduação Completa |258 |

Fonte: Fórum EJA/ES, 2008.

|NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS DE ENSINO – EDUCAÇÃO DE JOVENS E EDULTOS NO ESPÍRITO SANTO |

|ANO |TOTAL |FEDERAL |ESTADUAL |MUNICIPAL |PRIVADA |

|1997 |792 |1 |638 |151 |3 |

|1998 |649 | |424 |215 |9 |

|1999 |596 | |415 |176 |13 |

|2000 |749 | |524 |204 |20 |

|2001 |734 | |514 |200 |17 |

|2002 |717 | |413 |191 |13 |

|2003 |671 |1 |479 |175 |16 |

|2004 |616 |1 |411 |185 |19 |

|2005 |489 |1 |287 |181 |20 |

|2006 |466 |2 |262 |181 |21 |

|TOTAL |6479 |6 |4471 |1859 |151 |

Fonte: MEC/Censo Escolar/Sinope Estatística, 2008.

QUADRO DEMONSTRATIVO DE MATRÍCULAS DA EJA EM 2008 e 2009.

| |

|Alunos e Matrículas na Educação de Jovens e Adultos |

| |

|Região Sudeste|Alunos |Matriculas |

| |2008 |2009 |Diferença |Variação |2008 |2009 |Diferença |Variação |

| | | |Absoluta | | | |Absoluta | |

| | | | | | | | | |

|Minas Gerais |390.239 |372.161 |-18.078 |-4,6 |391.933 |372.787 |-19.146 |-4,9 |

|Espírito Santo|67.459 |70.306 |2.847 |4,2 |68.125 |70.623 |2.498 |3,7 |

|Rio de Janeiro|445.922 |440.968 |-4.954 |-1,1 |453.810 |446.524 |-7.286 |-1,6 |

|São Paulo |908 |792.498 |-115.550 |-12,7 |911.241 |794.129 |-117.112 |-12,9 |

|Total |1.81