Trabalho Completo Fichamento - Para Compreender Saussure

Fichamento - Para Compreender Saussure

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Categoria: Letras

Enviado por: Gabriel 24 dezembro 2011

Palavras: 1181 | Páginas: 5

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cações sobre a natureza do signo (sentido + imagem acústica). Segundo ele “o que Saussure chama de sentido é [...] a representação mental de um objeto” (p.30). O “sentido” é a mesma coisa que “significado”. Enquanto que a imagem acústica nada mais é que o significante, ou seja, é a impressão que um som causa em nossa mente, sendo assim, estas duas características nunca se separam, é como a frente e o verso de uma moeda.

O autor cita o triângulo de Ogden e Richards (apud CARVALHO, 2003), que acrescenta um terceiro elemento na dicotomia Saussuriana "significado versus significante”, esse terceiro elemento é o referente. Segundo o autor, essa tricotomia é aceitável, pois ela reintroduz a coisa significada (a realidade sociocultural) melhorando a ideia inicial do mestre já que cada pessoa tem sua própria realidade.

Ainda na teoria do signo, Carvalho aborda também a questão da arbitrariedade e da linearidade do signo. A arbitrariedade consiste no pensar que o significado de uma palavra não tem nenhuma relação "íntima" com o significante, o exemplo que o autor apresenta utiliza para exemplificar é mar "[...] o significado mar poderia ser representado perfeitamente por qualquer outro significante". A crítica que o autor apresenta acerca da arbitrariedade é a de que nem sempre a ideia que se tem em uma determinada língua sobre uma palavra é totalmente igual nos sentidos e nuances.

Ele também discute a relação de arbitrariedade absoluta e relativa, mostrando a relação existente entre o significado e significante em algumas palavras. A motivação e a arbitrariedade são discutidas no texto de Carvalho. Ele cita Pierre Guiraud (apud CARVALHO, 2003, p.46), o qual propôs a existência de dois tipos de motivação: a interna (de natureza morfológica, compreendendo a derivação e composição) e a externa (que pode ser fonética ou metassêmica).

Para a finalização da explicação sobre a “Teoria dos Signos”, o autor aborda a linearidade do significante, ou seja, a maneira que pronunciamos os fonemas é continuamente, porém, ele cita uma crítica que Roman Jakobson (apud CARVALHO, 2003, p.46) faz, na qual o argumento é de que num fonema qualquer existem traços fônicos simultâneos, não-sucessivos e não-lineares, mas o autor logo apresenta a resposta de Saussure “[...], para Saussure, esses traços fônicos não passam de elementos do significante” (p.46).

A dicotomia “língua versus fala” é discutida pelo autor ainda no segundo capítulo. A fala, segundo o autor, faz parte de cada indivíduo enquanto que a língua está no campo social. Ele ainda apresenta as três concepções, propostas por Saussure em seu CLG (Curso de Linguistica Geral), sobre a língua: a de acervo linguístico (é a que guarda toda a experiência histórica acumulada), a de instituição social (meio pelo qual os falantes usam para se entenderem dentro de um mesmo ambiente) e por fim como realidade sistemática e funcional (os falantes usam, não podem modificá-la, é um elemento de organização social).

No que se refere à fala, o autor apresenta rapidamente a ideia de Saussure de que a fala é individual, e por isso, torna-se múltipla, imprevisível, irredutível. Logo a seguir, o autor discute a relação “sistema/não-sistema”, lembrando o exemplo que Saussure deu em seu livro do jogo de xadrez.

A “norma”, um pensamento de Coseriu (apud CARVALHO, 2003, p.64) é uma das críticas feitas a “língua versus fala”. Ela introduz o uso coletivo da língua, ou seja, a variação que determinado grupo faz da língua, essas variações podem ser diatópicas (variantes regionais), diastráticas (culturais) e ainda diafásicas (familiar, estilística, de faixa etária etc.).

A “sincronia versus diacronia”, outra diacronia de Saussure é descrita por Carvalho em seu livro. A sincronia consiste na descrição de uma língua sem levar em conta uma linha do tempo (pode-se pesquisar em qualquer período), enquanto que a diacronia baseia-se em detrimento de pesquisas históricas. O autor comenta a respeito da prioridade dos estudos sincrônicos, sobre o jogo de xadrez entre outros assuntos.

As relações sintagmáticas e paradigmáticas também são abordadas pelo autor. “As relações sintagmáticas baseiam-se no caráter linear do signo linguístico” (p. 101). Já as relações paradigmáticas são baseadas em associações. O autor cita Hjelmslev para mostrar o pensamento dele acerca do paradigma. Carvalho mostra as relações sintagmáticas na língua portuguesa por meio de vários exemplos. Ele, para finalizar a explicação sobre as relações sintagmáticas e paradigmáticas, também explica a respeito da relação sintagma e fala, as relações associativas (paradigmáticas) mais afundo.

Noção de valor é ligada a ideia de forma. O pensamento e o som não podem se separar. A língua, de acordo com Carvalho, não existe unicamente nas ideias, nem somente na substância fônica, a junção da junção de (ideia + som) é que resulta a forma. O autor ainda cita Martinet (apud CARVALHO, 2003, p.123) e a proposição feita por ele sobre a dupla articulação da linguagem.

O livro escrito por Carvalho é muito bom para aqueles que desejam conhecer melhor (e entender) as ideias e os conceitos propostos por Saussure em seu CLG. O autor, por meio de explicações breves e simples, esclarece os pormenores dessas proposições. Apesar de ser um livro voltado para iniciantes nas teorias de Saussure, é de grande importância e uso prático para qualquer um que queira relembrá-las, pois ele é completo.