Trabalho Completo Imunohematologia

Imunohematologia

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Categoria: Biologia e Medicina

Enviado por: Priscilag13 13 outubro 2013

Palavras: 1943 | Páginas: 8

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 Resumo

Aula-tema 03: O caminho da sustentabilidade

Termos recorrentes em debates e pesquisas, na mídia e no mundo dos

negócios da atualidade, como sustentabilidade, desenvolvimento sustentável,

responsabilidade empresarial ou corporativa referem-se a novos paradigmas,

valores, regras sociais, políticas e transformações econômicas para um mundo em

constante evolução. Por conta disso, o objetivo das aulas 3 e 4 é apresentar esses

conceitos e estimular reflexões sobre essa “nova ordem social”.

Historicamente, quando se trata de sustentabilidade e desenvolvimento

sustentável, reporta-se às preocupações apresentadas na I Conferência sobre o

Meio Ambiente Humano, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU)

em 1972, em Estocolmo (Suécia), quando se discutiu a questão da conciliação da

atividade econômica com a preservação do meio ambiente. Esse evento foi um

marco no despertar da consciência ambiental e contou com a presença de 113

países e 400 instituições governamentais e não governamentais.

Em dezembro de 1983, foi criada pela ONU a Comissão Mundial sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento. Embora tenha sido batizada formalmente com esse

nome, ficou conhecida como Comissão Brundtland, presidida pela ex-primeira

ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland. Essa Comissão foi composta por 21

integrantes, entre políticos, diplomatas e cientistas de diversos países, dentre os

quais estava o Brasil, e sua finalidade era estudar os problemas ambientais do

planeta e propor soluções para eles, além de assegurar o desenvolvimento da

sociedade sem comprometer os recursos naturais para as gerações futuras. O

produto final apresentado pela Comissão foi o relatório Our Common Future (Nosso

Futuro Comum), publicado em 1987. Nesse documento, o termo desenvolvimento

sustentável foi definido como o desenvolvimento econômico e social que “satisfaz as

necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações

satisfazerem suas próprias necessidades”1.

Portanto, nos dias atuais, existem diferentes definições para os termos

1 ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

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sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, e as mais reconhecidas partem do

conceito estabelecido pela ONU em 1987. O termo sustentabilidade refere-se à

característica de um processo ou sistema que permite a existência por determinado

tempo ou por tempo indeterminado, isto é, que possa ser mantido.

Nas últimas décadas, o conceito de desenvolvimento sustentável evoluiu e,

enquanto algumas definições enfatizam o aspecto econômico, evidenciando o bemestar

social, mas focando a maximização do lucro, outras definições abordam com

maior destaque os aspectos ambientais ou ainda os aspectos socioculturais,

contemplando a preocupação com os fatores sociais e ambientais, objetivando a

contribuição para a melhoria da qualidade de vida das comunidades.

Dessa forma, podemos entender que uma sociedade sustentável não coloca

em risco os recursos naturais – água, solo, vida vegetal, ar – dos quais depende.

Seguindo esses princípios, uma sociedade sustentável segue o modelo de

desenvolvimento sustentável. A definição de desenvolvimento sustentável envolve

dois aspectos: 1) a ideia de que as necessidades essenciais das pessoas mais

pobres do mundo devem ser priorizadas; e 2) as limitações impostas pela tecnologia

e pela organização social sobre a capacidade de o meio ambiente atender às

necessidades da geração atual e as da geração futura. Nesse sentido, esse conceito

deve fundamentar as políticas públicas para que os objetivos do desenvolvimento

econômico e social sejam definidos em consonância com a sustentabilidade. Surge,

então, a necessidade de planejamento e execução das ações de governos,

empresas e instituições para que considerem os aspectos econômicos (crescimento

e desenvolvimento da economia), sociais (atendimento às necessidades humanas) e

ambientais (capacidade de regeneração/recuperação do ambiente natural) no

processo de tomada de decisões.

Consequentemente, os objetivos das políticas públicas, visando o

desenvolvimento sustentável, devem: a) revigorar e qualificar o crescimento

econômico, social e ambiental; b) promover acesso às necessidades essenciais,

como emprego, alimentação, energia, água e saneamento básico; c) manter o

crescimento populacional de forma sustentável, para convivência com a escassez de

recursos no planeta; d) preservar e fortalecer as fontes de recursos naturais; e)

promover tecnologias limpas, enfatizando o gerenciamento de riscos

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socioambientais; e f) integrar aspectos sociais e ambientais à economia no processo

de tomada de decisão.

Durante a II Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e

Desenvolvimento (CNUMAD), sediada na cidade do Rio de Janeiro em 1992 –

também conhecida como Rio-92 ou Eco-92 –, os 179 chefes de estado reunidos

discutiram amplamente a necessidade de articular os esforços mundiais para o

desenvolvimento de um modelo de desenvolvimento sustentável. O esforço de

incorporar o conceito de sustentabilidade às políticas públicas resultou em uma

agenda de compromissos comuns a todos os países participantes da Conferência ao

longo do século XXI, documento que ficou conhecido como Agenda 21.

A Agenda 21 é um instrumento de planejamento estratégico que aborda

quatro dimensões: 1) social e econômica; 2) conservação e gestão de recursos em

prol do desenvolvimento; 3) fortalecimento do papel dos grupos principais; e 4)

meios de execução. Para honrar os compromissos assumidos, cada país criou a sua

própria Agenda 21. O Brasil estabeleceu como prioridades: a) a implantação de

programas de inclusão social; b) a sustentabilidade urbana e rural; c) a preservação

dos recursos naturais e minerais; e d) a ética política para o planejamento rumo ao

desenvolvimento sustentável.

Em 1997, a ONU promoveu o fórum de discussão no Rio de Janeiro,

chamado Rio+5, para avaliar a implementação da Agenda 21, constatando-se que

muito pouco havia sido implementado pelos países. Em 2002, nova reunião foi

realizada com o mesmo objetivo: a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento

Sustentável, conhecida como Rio+10, em Johanesburgo, na África do Sul. Embora

os resultados tenham mostrado pouco empenho de alguns países ricos, concluiu-se,

nessa reunião, que o envolvimento de empresas, governos e sociedade civil é

necessário para a formulação de políticas e soluções em busca da sustentabilidade.

Outro importante resultado da Rio-92 foi a Convenção Mundial das Mudanças

Climáticas, onde foi evidenciada a necessidade de sistematizar dados científicos

sobre os efeitos das mudanças no clima no planeta. Em 1997, em Kyoto, no Japão,

aconteceu a Quarta Conferência das Partes da Convenção Mundial do Clima, com o

objetivo de colocar em ação medidas para reduzir em 5% a emissão de gases de

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efeito estufa (GEEs), entre 2008 e 2012, com base nos índices de emissão em 1990.

Nessa reunião, foi assinado o Protocolo de Kyoto, documento que separou os

países em dois grupos, de acordo com o nível de industrialização. O Anexo I do

Protocolo agrupou os países desenvolvidos, que possuem metas obrigatórias para

reduzir a emissão de gases; já o Anexo II agrupou os países em desenvolvimento

(inclusive o Brasil), que não possuem metas obrigatórias de redução dos GEEs

durante o primeiro período de compromisso (2008-2012). O Protocolo de Kyoto

entrou em vigor em 2005.

Além das ações governamentais, as empresas também tiveram que

incorporar os princípios da sustentabilidade, provocando mudanças nas estruturas

produtivas.

Os aspectos econômicos, sociais e ambientais constituem o tripé da

sustentabilidade. Dessa ideia, o inglês John Elkington criou o termo triple bottom

line, também conhecido como TBL ou 3BL, referindo-se às três dimensões da

sustentabilidade: econômica, social e ambiental, respectivamente correspondendo a

lucro, pessoas e planeta. A ideia central de Elkington é que as organizações avaliem

seu desempenho não apenas pelo retorno do investimento ou valor para os

acionistas, mas também pelo impacto de seus negócios sobre a sociedade e o meio

ambiente. Assim, as organizações sustentáveis são aquelas que consideram essas

três dimensões, beneficiando todos os stakeholders, ou seja, todas as pessoas ou

grupos que podem interferir e receber influências das ações das organizações, ou

seja, existe uma relação de influência mútua.

São considerados stakeholders de uma organização: stakeholders internos

(empregados); stakeholders da cadeia de valor (fornecedores e clientes);

stakeholders externos (comunidade, investidores, órgãos não governamentais e

públicos, reguladores, imprensa e gerações futuras). No mundo dos negócios, o foco

reside em valor agregado aos acionistas, considerados shareholders.

A participação ou engajamento dos stakeholders no processo decisório para

influenciar e compartilhar o controle nas organizações acontece de acordo com as

seguintes formas de participação: a) informação compartilhada; b) consulta; c)

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processo de decisão colaborativo; d) engajamento (empowerment). Na informação

compartilhada, que envolve o mínimo de engajamento, os stakeholders são

informados sobre o planejamento da ação, os resultados esperados e os recursos

investidos na comunidade, que são consultados por meio de questionários. No caso

de consulta, os stakeholders podem ter oportunidade limitada para contribuir ou

podem interferir na proposta e modificá-la. No processo de decisão colaborativo,

a oportunidade de influenciar nas decisões é maior; a participação ocorre por meio

de elaboração de documentos, identificação de interesses ou construção de um

consenso, resultados de debates, discussões e responsabilidades compartilhadas.

Pelo engajamento, ou empowerment, os stakeholders podem ter a oportunidade de

atuar no planejamento, na implementação e na avaliação de projetos; nesse caso,

desenvolvem senso de pertencimento e motivação e canalizam esforços para

assegurar resultados positivos.

 Conceitos Fundamentais

Agenda 21 – instrumento de planejamento estratégico, aprovado na

Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento

(CNUMAD), que aconteceu no Rio de Janeiro em 1992 (conhecida como Rio-92 ou

Eco-92). A Agenda 21 estabeleceu compromissos acordados pelos países

participantes da Conferência para serem implementados ao longo do século 21,

visando o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 aborda quatro dimensões: 1)

social e econômica; 2) conservação e gestão de recursos em prol do

desenvolvimento; 3) fortalecimento do papel dos grupos principais; e 4) meios de

execução. Para honrar os compromissos assumidos, cada país criou a sua própria

Agenda 21. O Brasil estabeleceu como prioridades: a) a implantação de programas

de inclusão social; b) a sustentabilidade urbana e rural; c) a preservação dos

recursos naturais e minerais; e d) a ética política para o planejamento rumo ao

desenvolvimento sustentável.

Desenvolvimento sustentável – desenvolvimento que satisfaz as

necessidades da geração presente, sem comprometer a capacidade de as futuras

gerações satisfazerem as suas próprias. É o modelo de desenvolvimento que segue

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o princípio da sustentabilidade. Não se sabe exatamente quem criou essa

expressão, mas a partir de seu uso no Relatório Brundtland, publicado em 1987, ela

passou a ser amplamente utilizada, evoluindo nos dias de hoje para a gestão da

sustentabilidade.

Organização das Nações Unidas (ONU) – organização internacional, cuja

sede atual é em Nova York (EUA), fundada em 24 de outubro de 1945, em São

Francisco, Califórnia, por 51 países, logo após a Segunda Guerra Mundial. Seu

objetivo é fomentar a paz entre os povos.

Participação ou engajamento dos stakeholders – envolvimento dos

stakeholders no processo decisório. Pode acontecer na forma de informação

compartilhada (os stakeholders recebem informação sobre o planejamento da

ação, os resultados esperados e os recursos investidos), por consulta

(oportunidade limitada para contribuir com a proposta, interferir nela ou modificá-la),

de forma colaborativa (influência nas decisões, elaboração de documentos,

identificação de interesses ou busca de consenso, resultados de debates,

discussões e responsabilidades compartilhadas) e pelo engajamento (participação

ativa no planejamento, na implementação e na avaliação de projetos).

Política pública – conjunto de diretrizes que asseguram legalmente à

população o acesso aos serviços públicos, como saúde, educação, lazer, cultura,

moradia, renda, atenção especial a crianças, idosos, indígenas e outras minorias. O

termo “pública” quer dizer “que atende toda a população”.

Protocolo de Kyoto – acordo firmado entre os países mais industrializados,

durante a IV Conferência das Partes da Convenção Mundial do Clima, realizada em

Kyoto (Japão), com o objetivo de reduzir em 5%, até 2012, os níveis de emissão de

gases poluentes, responsáveis pelo efeito estufa.

Stakeholder – termo criado por Edward Freeman, que significa todas as

pessoas ou grupos que mantêm relação de influência com as organizações,

podendo interferir e receber os impactos das ações organizacionais. São

considerados stakeholders internos: os empregados; stakeholders externos:

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comunidade, investidores, órgãos não governamentais e públicos, reguladores,

imprensa e gerações futuras; stakeholders da cadeia de valor: fornecedores e

clientes.

Sustentabilidade – característica de um processo ou sistema capaz de se

manter mais ou menos constante, ou estável, por longo período.

Triple bottom line – termo criado pelo inglês John Elkington que relaciona os

três componentes ou dimensões da sustentabilidade: econômico, social e ambiental.

Tem como sinônimos os termos tripé da sustentabilidade, TBL e 3BL.

 Referência

1) PEREIRA, Adriana Camargo; SILVA, Gibson Zucca da; CARBONARI, Maria Elisa

Ehrhardt. Sustentabilidade na prática: fundamentos, experiências e habilidades.

Valinhos: Anhanguera Publicações, 2011.