Trabalho Completo Le Corbusier

Le Corbusier

Imprimir Trabalho!
Cadastre-se - Buscar 155 000+ Trabalhos e Monografias

Categoria: Outras

Enviado por: ericdecastro20 05 abril 2013

Palavras: 3692 | Páginas: 15

Le Corbusier é o sobrenome profissional de Charles Edouard Jeanneret-Gris, considerado a figura mais importante da arquitetura moderna. Estudou artes e ofícios em sua cidade natal, na Suíça, e depois estagiou por dois anos no estúdio parisiense de Auguste Perret, na França. Viajou para a Alemanha onde colaborou com nomes famosos da arquitetura naquele país, como Peter Behrens.

Le Corbusier foi para Atenas estudar o Partenon e outros edifícios da Grécia antiga. Ficou impressionado com o uso da razão áurea pelos gregos clássicos. O livro "Vers une Architecture" mostra uma nova forma da arquitetura baseada em muitos edifícios antigos que incorporam a razão áurea, uma proporção matemática considerada harmônica e agradável à visão.

Para o arquiteto, o tamanho padrão do homem era 1,83m. Baseado nisso, em números do matemático Fibonacci (1170-1250) e na razão áurea dos gregos antigos, criou uma série de medidas proporcionais, o Modulor, que dividia o corpo humano de forma harmônica e equilibrada. Baseava-se nisso para orientar os seus projetos e suas pinturas.

Tinha 35 anos quando se associou a seu primo, o engenheiro Pierre Jeanneret, em Paris. Foi quando adotou de vez o pseudônimo profissional de Le Corbusier (o corvo, adaptado do sobrenome de sua bisavó Lecorbésier).

Embora sua principal carreira tenha sido a de arquiteto, também foi competente na pintura e na teoria artística. Como pintor, ajudou a fundar o movimento purista, uma corrente derivada do cubismo, nos anos 1920. Na revista francesa "L'Esprit Nouveau" (O espírito novo), publicou numerosos artigos com suas teorias arquitetônicas.

Uma de suas principais contribuições, afora o repúdio a estilos de época, foi o entendimento da casa como uma máquina de habitar (machine à habiter), em concordância com os avanços industriais. Sua principal preocupação era a funcionalidade. As edificações eram projetadas para serem usadas. Definiu a arquitetura como o jogo correto e magnífico dos volumes sob a luz, fundamentada na utilização dos novos materiais: concreto armado, vidro plano em grandes dimensões e outros produtos artificiais.

Uma de suas preocupações constantes foi a necessidade de uma nova planificação urbana, mais adequada à vida moderna. Suas idéias tiveram grande repercussão no urbanismo do século 20. Foi o autor do Plano Obus, para reurbanizar Argel, capital da Argélia, e de todo o planejamento urbano de Chandigarh, cidade construída na Índia para ser a capital do Punjab.

O edifício sede das nações Unidas (ONU), em Nova York, foi desenhado por Le Corbusier, pelo brasileiro Oscar Niemeyer e pelo inglês Sir Howard Robertson, em 1947.

Nas viagens que fez a várias partes do mundo, Le Corbusier contactou com estilos diversos, de épocas diversas. De todas estas influências, captou aquilo que considerava essencial e intemporal, reconhecendo em especial os valores da arquitetura clássica grega, como da Acrópole de Atenas.

Le Corbusier projectou a sua primeira casa com dezoito anos, em 1905, na sua cidade natal, La Chaux-de-Fonds, conhecida pela produção de relógios. Foi, aliás, essa a sua primeira actividade profissional. Nasceu numa família calvinista, onde recebeu uma formação moral que acentuava os contrastes entre o Bem e o Mal. Kenneth Frampton defende que esta atitude mental tê-lo-ia influenciado no sentido da "dialéctica" presente na sua obra (o diálogo entre o sólido e o vazio, a luz e a sombra).

Da visita a Itália, a influência mais marcante será, sem dúvida, a que realizou na Cartuxa de Ema. Aqui, fica impressionado pela forma como a organização do espaço expressa as suas preocupações sócio-políticas (socialismo utópico): o local onde o silêncio e a solidão se conjugam com o contacto diário entre os indivíduos.

Em La Chaux-de-Fonds fará a aplicação prática das sua reflexões em relação a esta viagem, através de um projecto para uma escola de artes, onde, usando betão (concreto, no Brasil) armado, se dispunham três alas de ateliers (como as células do convento) em volta de um espaço comunitário coberto por uma pirâmide de vidro. Nota-se neste projecto (não construído) a razão por que Corbusier ficou tão impressionado com a Cartuxa de Ema, em Galluzo. As ideias socialistas já tinham, efectivamente, sido concretizadas arquitectonicamente por Jean-Baptiste André Godin, no seu Familistério. Esta foi a primeira vez que Le Corbusier sintetizava um modelo "clássico" de arquitectura segundo as suas ideias de funcionalidade. Mais tarde, a experiência da cartuxa de Ema estará presente, de forma disseminada e reformulada, em outros dos seus projectos, como as "cidades" que imaginou ou, de forma mais directa, no seu Immeuble-Villa de 1922..

Viagem a Alemanha e "voyage d'Orient"

Em 1910, a escola de artes de La Chaux-de-Fonds envia Corbu (diminutivo muito usado) para a Alemanha, onde deveria estudar os novos movimentos de artes aplicadas. Le Corbusier escreverá, em consequência, um livro, "Estudo sobre o movimento de arte decorativa na Alemanha", que será publicado na sua terra natal a 1912. Em Berlim que entrará em contacto com Peter Behrens (com quem trabalha durante cinco anos), Walter Gropius e Mies Van der Rohe (algumas das figuras principais do Deutsche Werkbund).

Em 1911, ainda na Alemanha, encontra-se com Heinrich Tessenow, autor da cidade jardim de Hellerau. Duas das obras de Le Corbusier na sua terra natal, a Villa Jeanneret Perret (1912) e o Cinema Scala (1916) manifestarão uma grande influência deste arquitecto e de Behrens.

Em maio desse ano dirige-se para Dresden, de onde parte para a sua famosa "voyage d'Orient": Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste, Veliko Tarnovo, Gabrovo, Kasanlik, Istambul, Monte Athos, Atenas e sul de Itália. Foi acompanhado pelo seu amigo Auguste Klipstein. Ao longo desta viagem, documentada por diversos artigos, esboços, fotografias, irá desenvolver a sua perspectiva pessoal sobre a arte arquitectónica. A viagem resultará num livro, intitulado Voyage d'Orient (Viagem ao Oriente). A arquitectura turca terá, também, a sua influência nas teorias que defenderá. A Villa Schwob, em La Chaux-de-Fonds, chamada popularmente de "Villa Turca" é o exemplo mais flagrante (chega a insinuar a existência de um harém).

Os seus célebres "cinco pontos para uma nova arquitectura" estão claramente influenciados pelas referência orientais. Mais tarde, em 1931, ao visitar Espanha e, posteriormente, a Argélia e Marrocos, a sua tendência oriental reafirma-se, tanto nos projectos como nos textos que legou.

O uso da fachada livre e da planta livre (resultado directo da aplicação das estruturas por ele defendidas), presentes nos "cinco pontos" advém também da arquitectura oriental que propõe um átrio central que marca e determina a circulação e a disposição dos espaços e fachadas. Os próprios terraços, como na Villa Savoye são reminiscências da arquitectura do norte da África.

As suas noções de clareza das superfícies e precisão na disposição dos volumes, que estarão presentes no purismo, são também já pressentidos por Corbusier neste género de arquitectura tradicional. As paredes brancas de Argel parecem-lhe uma manifestação da própria natureza. Os seus estudos sobre a posição estratégica dos monumentos islâmicos em relação à topografia são determinantes, também, para as suas concepções sobre a forma como a arquitectura se relaciona e encoraja essa relação com a natureza.

Le Corbusier lançou, em seu livro Vers une architecture (Por uma arquitetura, na tradução em português), as bases do movimento moderno de características funcionalistas. A pesquisa que realizou envolvendo uma nova forma de enxergar a forma arquitetônica baseado nas necessidades humanas revolucionou (juntamente com a atuação da Bauhaus na Alemanha) a cultura arquitetônica do mundo inteiro.

Sua obra, ao negar características histórico-nacionalistas, abriu caminho para o que mais tarde seria chamado de international style ou estilo internacional, que teria representantes como Ludwig Mies van der Rohe, Walter Gropius, e Marcel Breuer. Foi um dos criadores dos CIAM (Congrès Internationaux d'Architecture Moderne).

A sua influência estendeu-se principalmente ao urbanismo. Foi um dos primeiros a compreender as transformações que o automóvel exigiria no planejamento urbano. A cidade do futuro, na sua perspectiva, deveria consistir em grandes blocos de apartamentos assentes em pilotis, deixando o terreno fluir debaixo da construção, o que formaria algo semelhante a parques de estacionamento. Grande parte das teorias arquitectónicas de Le Corbusier foram adoptadas pelos construtores de apartamentos nos Estados Unidos da América.

Le Corbusier defendia, jocosamente, que, "por lei, todos os edifícios deviam ser brancos", criticando qualquer esforço artificial de ornamentação. As estruturas por ele idealizadas, de uma simplicidade e austeridade espartanas, nas cidades, foram largamente criticadas por serem monótonas e desagradáveis para os peões. A cidade de Brasília foi concebida segundo as suas teorias.

Os Cinco pontos da Nova Arquitetura são o resultado da pesquisas realizada nos anos iniciais da carreira do arquiteto Charles-Edouard Jeanneret conhecido pelo pseudonimo de Le Corbusier . Sua forma final foi publicada em 1926 na revista francesa L'Esprit Nouveau. Um ou mais dos pontos são utilizados em alguns projetos anteriores a esta publicação e aparecerão pela primeira vez na Casa Cook, em 1926. É na Villa Garches e na Villa Savoye, no entanto, que estes serão utilizados de forma mais expressiva. Estes conceitos permitiram tornar os elementos constitutivos do projeto independentes uns dos outros, possibilitando a maior liberdade de criação.

[editar]Os 5 pontos

1. Planta Livre: através de uma estrutura independente permite a livre locação das paredes, já que estas não mais precisam exercer a função estrutural.

2. Fachada Livre: resulta igualmente da independência da estrutura. Assim, a fachada pode ser projetada sem impedimentos.

3. Pilotis: sistema de pilares que elevam o prédio do chão, permitindo o trânsito por debaixo do mesmo.

4. Terraço Jardim: "recupera" o solo ocupado pelo prédio, "transferindo-o" para cima do prédio na forma de um jardim.

5. Janelas em fita: possibilitadas pela fachada livre, permitem uma relação desimpedida com a paisagem.

O sucesso dos cinco pontos

O sucesso dos cinco pontos foi tal que, com o tempo, estes deixaram de ser associados apenas a Le Corbusier e se tornaram cânones da arquitetura moderna. Assim, arquitetos de países diversos adotaram os preceitos parcial ou integralmente em seus projetos. No Brasil, o prédio doMinistério da Educação e Saúde Pública, projeto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, entre outros, (com a consultoria de Le Corbusier), utiliza integralmente os cinco pontos arquitetônicos.

Nascido em La Chaux-de-Fonds, Suíça, aos 6 de Outubro de 1887 e batizado de Charles-Edouard Jeanneret-Gris, Le Corbusier, que adotara o pseudônimo aos 30 anos, é considerado um dos maiores arquitetos do século XX, delimitando com nitidez a arquitetura moderna e causando grande impacto na história da mesma.

Filho de Georges Edouard Jeanneret, gravador de relógio, e de Marie-Charlotte Amelie Jeanneret Perret, musicista, Corbusier levou para suas obras a essência calvinista de sua família que sempre deixou bem acentuado a divisão entre o bem e o mal. Esse reflexo pode ser encontrado no contraste entre sombra e luz de suas edificações, segundo o crítico Kenneth Frampton[¹].

“Meus anos de infância se passaram com meus colegas em meio à natureza. Meu pai, aliás, dedicava um culto apaixonado às montanhas e ao rio que formavam nosso lugar. Estávamos constantemente nos cumes: o imenso horizonte nos era costumeiro. Quando o mar de nevoeiro se estendia ao infinito, era como o verdadeiro mar – que jamais eu vira. Era o espetáculo culminante. A idade de adolescência é a idade da curiosidade insaciável. Fiquei sabendo como eram as flores por dentro e por fora, a forma e a cor dos pássaros, compreendi como cresce uma árvore e por que se mantém em equilíbrio mesmo em meio ao temporal.” [²]

Estudou na Escola de Arte Aplicada de La Chaux-de-Fonds e se formou gravador e designer de relógios. Aos 18 anos, junto com Louis René Fallet Chapallaz, projetou sua primeira casa, a Villa Fallet que trazia tudo o que aprendera com seu mestre Charles L’Eplattenier, muito ligado a Owen Jones e a Grammar of Ornament.

Seu mestre L'Eplattenier, que o inserira na arquitetura por ter notado o talento do jovem, almejava que seu melhor aluno se tornasse aprendiz de Josef Hoffmann. Para tal, enviou-o para Viena, em 1907, mas Corbusier rejeitou a oferta de trabalho de Hoffmann por ter se afeiçoado mais ao utopismo de Tony Garnier em que a nova arquitetura dependia dos fenômenos sociais. Esse encontro com Garnier somado à visita ao Convento de cartuxos de Ema na Toscana, onde Corbusier ficou admirado pelo espírito comunitário, seria um ponto de transformação na vida e nas obras dele. O seu projeto Immeuble-Villa e quase todos os seus conjuntos residenciais trazem referencias gritantes do convento de Ema.

“…Esse homem sabia que o nascimento iminente de uma nova arquitetura dependia de fenômenos sociais. Seus planos revelavam uma grande facilidade. Eram consequência de um século de evolução arquitetônica na França.” Le Corbusier sobre Garnier[¹].

Em 1908, Corbusier foi empregado de Auguste Perret, em Paris, onde aprendeu o básico sobre concreto armado e foi convencido que aquele era o material do futuro. Ao mesmo tempo, esteve em contato com a cultura clássica parisiense, o que, mais uma vez, frisou o contraste encontrado em suas obras que remonta desde o tempo em que viveu com seus pais.

Com essa bagagem bem variada, em seu retorno a cidade natal em 1909, Corbusier projetou um edifício em concreto armado, com três alas escalonadas de ateliês, com jardins fechados postos em um espaço comunitário central coberto por um telhado piramidal de vidro. Não somente nesse projeto, mas em todos os demais assinados por Corbusier, pode-se ver as inúmeras referencias tipológicas com antecedentes espaciais diversos alinhados numa só concepção de obra. Essa mistura de passado e presente e seu amontoado de experiências postas todas juntas, tornam-se característica marcante do Corvo.

A mando da escola de arte de La Chaux-de-Fond, Le Corbusier viajou à Alemanha (1910) e teve contato com a raiz do Bauhaus, o Deutsche Werkbund e seus principais expoentes como Peter Behrens e Heinrich Tessenow. Construiu, mais tarde, a Villa Jeanneret Père e o Cinema Scala com influencia do Werkbund. Trabalhou no escritório de Behrens, conheceu Mies van der Rohe e, antes de voltar à Suíça, fez uma viagem pela Ásia Menor e aderiu à arquitetura otomana.

Já no ano de 1913, depois do rompimento definitivo com L’Eplattenier, abre seu próprio escritório com o objetivo de se especializar em béton armé. Dois anos mais tarde, junto de Max du Bois, desenvolveu a ideia de reinterpretação da estrutura Hennebique de concreto armado com a Maison Dom-Ino (a base estrutural para suas casas até os próximos 20 anos); e a Villes Pilotis, uma cidade sobre pilastras.

A construção da Villa Schwob (1916) ou Villa Turque, foi um resumo feliz de toda sua experiência do sistema Hennebique. Fora a primeira vez que Corbusier empregou seus ainda poucos conhecimentos sobre proporção divina (seção áurea). Com essa criação, deu abertura a mais outras duas casas no estilo palácio: a Villa Burguesa e a habitação coletiva.

Mudando-se para Paris, em 1916, Corbusier conheceu o pintor Ozenfant com o qual desenvolvera a estética do Purismo de forma a abranger todas as formas de expressão. Tal filosofia resultou num ensaio “Le Purisme” publicado em 1920 na L’Esprit Nouveau (revista artística publicada até 1925). Nesse período, nasce a “Esthétique et architecture de l’ingenieur”, a Estética do Engenheiro.

Antes do início da Segunda Guerra Mundial, Corbusier trabalhou com seu primo, Pierre Jeanneret, desenvolvendo as ideias centrais da Villes Pilotis e Dom-Ino. A Dom-Ino abria um leque de interpretações de diferentes pontos de vistas: ao mesmo tempo que era considerada um recurso de produção, era também um jogo com a palavra “dominó” com suas colunas livres e postas dentro de uma simetria. Com tal efeito da Maison, Corbusier desejava ver essa obra como um objeto a ser produzido em escala: o objet-type.

“Se eliminarmos de nossos corações e mentes todos os conceitos mortos a propósito das casas e examinarmos a questão a partir de um ponto de vista crítico e objetivo, chegaremos à “máquina de morar”, a casa de produção em série, saudável (também moralmente) e bela como são as ferramentas e os instrumentos de trabalho que acompanham nossa existência.” [¹]

Em 1922 vieram, a partir do ideal da Maison Dom-Ino mas com melhorias, a Maison Citrohan e a Ville Contemporaine. A Citrohan surgiu com o pé direito duplo com um mezanino-dormitório para melhor aproveitamento da entrada de luz solar. A concepção da obra ocorreu cinco anos mais tarde, junto com o emprego do purismo cromático na arquitetura, onde a cor das casas tinha grande relevância para obter uma harmonia com o meio exterior. Já a Contemporaine guardava toda a vontade de Corbusier de desenvolver conotações urbanas; almejava um centro administrativo de elite, e cidades-jardim para os trabalhadores na zona industrial, definindo com uma linha gritante aos olhos a parte da classe de elite urbana e proletariado suburbano. Essa cidade idealizada pelo Corvo fora projetada dentro das leis da seção áurea, e representava a divindade no centro comercial, como forma de substituir os templos religiosos.

A Ville Contemporaine era constituída por uma unidade batizada de Immeuble-Villa (célula-base de moradias de grande altura) com o intuito à produção em série e à agregação em alta densidade, sendo mobiliada segundo o purismo dos objets-types; um conjunto equilibrado de objetos populares, artesanais e industrializados que se manifestou contra o movimento Art Deco.

Em 1925, retomou ao tema da villa burguesa, primeiro fazendo a casa Cook, demonstrando Les 5 points d’une architecture nouvelle, seguindo-se a Meyer, Garches e a Savoye (umas das residências mais famosas do mundo).

Essas obras nasceram sob influência da estrutura de Hennebique aplicada na Maison Dom-Ino e das paredes laterais da Citrohan. Todas elas dependiam da sintaxe de 5 pontos, os quais foram os legados mais importantes de Corbusier sobre a nova arquitetura: os pilotis que suspendem a construção acima do solo; a planta livre(sistema viga-pilar) obtida mediante a separação entre as colunas estruturais e as paredes que subdividiam o espaço; a fachada livre, consequência da planta livre no plano vertical, abolindo as ornamentações; a fenêtre en longueur ou janela em fita, a longa janela corrediça horizontal e o terraço-jardim que supostamente recriava o terreno coberto pela construção da casa graças ao concreto-armado, aproveitando a laje como área de lazer.

Os primos Jeanneret desenvolveram, em 1927, o primeiro projeto para estrutura pública de grande escala para SdN (Société des Nations) em Genebra. Apesar de não terem sido escolhidos, o projeto exigira uma nova ótica da parte dos dois: antes estavam acostumados com projetos residenciais, simples e básicos; agora seria necessário a projeção de um palácio. Segundo Kenneth Frampton, esse evento na vida de Corbusier deve ser visto como um divisor de águas por ser o clímax do arquiteto e ao mesmo tempo a primeira crise da carreira. [¹]

Após esse evento, deixando de lado sua ideologia de que o objeto deve seguir os contornos do homem de modo a se aproximar da Estética do Engenheiro, Corbusier abandona a Immeuble Villa e troca pela Ville Radieuse. Um projeto de melhor produção em série, minimizando por completo os espaços e enchendo de funcionalidade. Uma mudança e tanto para quem havia projetado a Contemporaine pregando a divisão de classes e agora vê-se construindo a Radieuse completamente sem preconceitos ou distinção social.

Em 1929, antes de concluir a Radieuse, uma ida de avião ao Rio de Janeiro impressionou pela vista tropical do local. Logo imaginou uma longa estrada à beira-mar, 100 metros acima do terreno dando um espaço proposital para a feitura de residências. Esta mega-estrutura, a última nessa escala, recebeu o nome de Obus e foi concretizada em Argel.

Algumas passagens pela Rússia em 1930 e seu contato com as moradias do país influenciaram na criação de sua “cidade industrial” que, em 1940 foram reformuladas e deram origem à Unité d’Habitation, uma das mais conhecidas obras de Corbusier que fora construída cinco vezes em três locais diferentes. A construção permitiu o emprego do sistema Modulor. O Sistema Modulor era baseado na razão de ouro e na Sequencia Fibonacci e usando também as dimensões médias humanas (dentro das quais considerou 183cm como altura standard), o Modulor é uma sequência de medidas que Le Corbusier usou para encontrar harmonia nas suas composições arquiteturais. Foi publicado em 1950 e depois do grande sucesso, veio a publicar, em 1955, a segunda edição.

Outros edifícios datados da primeira metade da década de 1930 são: Clarté, Pavillon Suisse e o Edifício do Exército da Salvação. Muito importantes na carreira de Corbusier por mostrar sua desilusão com a produção em série e por mostrar indícios de seu rompimento com a estrutura de concreto e alvenaria. Essa perda da fé na produção da máquina de morar veio, segundo Robert Frishman, quando Corbusier teve contato com cronômetros alemães produzidos em série e se lembrou da magia que produzia os relógios cuidadosamente talhados na cidade em que nascera, La Chaux-de-Fonds. Associou esse pensamento à suas obras e imaginou se uma casa objet-type também não deixava a desejar, comparando com uma casa cuidadosamente pensada em toda a particularidade.

No ano de 1936, Corbusier se reuniu com Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Reidy Alfonso para a construção do Ministério da Educação e Saúde, um marco da arquitetura moderna no Brasil.

A década de 1950, a década que guarda o maior número de projetos arquitetônicos do artista franco-suíço, guarda também uma ícone da arquitetura do Corvo: a Capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, sua primeira obra religiosa. Com janelas irregulares e paredes grossas curvilíneas, obtém uma cobertura excepcional que causa sensação de redução ou ampliação espacial, dependendo do ponto de vista.

Outras obras de grande impacto compreendidas nessa época são os edifícios que deixou na Índia, com o representante principal sendo o Palácio da Assembleia de Chandigard; a Maison du Brésil, prédio que serve como uma embaixada da cultura brasileira em Paris; e o convento de Sainte Marie de La Tourette que traz um espaço aberto, fazendo referência ao fim do claustro.

Charles-Edouard Jeanneret-Gris faleceu em 27 de Agosto de 1965, por afogamento no mar Mediterrâneo. Deixou mais de 500 quadros, mais de 40 publicações entre textos, artigos e livros sendo a mais importante a “Vers une architecture”;algumas ícones do design de móveis como a Chaise Longue; e inúmeras obras de arquitetura, sendo por volta de vinte consideradas monumento histórico e quase todas abertas à visitação pública.

Construindo grande parte de seu trabalho através do empirismo, suas primeiras obras foram baseadas na natureza que o rodeava na lembrança da cidade natal. Com o passar tempo, suas viagens às grandes cidades industrializadas fizeram-no apaixonar-se pelo moderno concreto armado. Corbusier foi um dos maiores nomes da Arquitetura Moderna, contribuindo com a evolução da mesma.