Trabalho Completo ORIGEM DA TEORIA CELULAR

ORIGEM DA TEORIA CELULAR

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Categoria: Biologia e Medicina

Enviado por: ivannunes 31 março 2013

Palavras: 1121 | Páginas: 5

ORIGEM DA TEORIA CELULAR

Os gregos antigos, particularmente Aristóteles e Teofrasto, conheciam relativamente bem os órgãos que compõem os seres vivos, mas desconheciam inteiramente a existência das células que constituem esses órgãos, uma vez que não possuíam nenhum instrumento adequado para essa observação.

No século XVII, considerado o começo da "revolução científica", começou a se desenvolver uma atitude diferente em relação à pesquisa livre. Essa nova atitude possibilitou o aperfeiçoamento de diversos instrumentos, entre os quais as lentes, o que, sem dúvida, contribuiu para facilitar as investigações científicas. As oficinas e ateliers dos artistas forneciam a mão-de-obra necessária para esse tipo de trabalho e podem, por isso, ser considerados os precursores dos modernos laboratórios. Durante os últimos 300 anos, a Ciência tem sido encarada como uma atividade que ocorre essencialmente no laboratório, onde são utilizados instrumentos cada vez mais aperfeiçoados. Em nenhum período anterior, tinham sido os estudos da Ciência tão ligados ao uso de qualquer aparelho.

A construção do primeiro microscópio composto é atribuída a artesãos holandeses, os irmãos Janssen, por volta de 1600. Um microscópio composto é constituído por duas ou mais lentes e, se elas forem bem polidas, o aumento e a nitidez são muito maiores do que os obtidos com uma única lente. Durante longo tempo as lentes foram deficientes, produzindo imagens embaçadas e distorcidas. Foi preciso quase um século de aperfeiçoamento para que as imagens vistas ao microscópio composto fossem iguais às obtidas com uma única lente. Anton van Leeuwenhoek, por exemplo, sempre usou uma só lente como "microscópio".

O microscópio composto abriu um novo campo de observação, que ainda não foi completamente explorado. Segundo as crônicas da época, só 35 anos depois de sua invenção é que começou a ser utilizado para a observação de seres vivos.

Robert Hooke, cientista inglês do século XVII, contribuiu de maneira notável para o aperfeiçoamento do microscópio composto. Os resultados de suas observações ao microscópio foram publicados em Londres, no ano de 1664 no seu livro Micrografia. Usando um canivete, cortou uma fatia muito fina de cortiça e a examinou ao microscópio. Na citação seguinte, tirada de seu trabalho, ele descreve minuciosamente o que fez e o que viu.

Mas, julgando pela leveza e compressibilidade da cortiça... que, provavelmente, usando algum outro artifício, poderia conseguir discerni-la com um microscópio, tirei, com o mesmo canivete amolado, um pedaço extremamente fino da superfície lisa da cortiça e , colocando-a sobre um porta-objetos preto, porque a cortiça era branca, e concentrando a luz sobre ela por meio de uma lente plano-convexa, poderia perceber claramente que ela era toda perfurada e porosa, assemelhando-se muito a um favo de mel... esses poros, ou células, não eram muito profundos, e sim, consistiam de um grande número de pequenas caixas...

Logo que discerni esses poros (os quais eram, na verdade, os primeiros poros microscópicos que eu jamais vira e que, talvez, jamais tenham sido vistos, pois nunca encontrei um autor, ou uma pessoa que a eles tivesse feito menção antes disso ), julguei que a descoberta deles me sugeria, agora, a razão verdadeira e inteligível de todos os fenômenos da cortiça...

Note que Hooke usou a palavra células para descrever os minúsculos "poros" que ele havia visto nas fatiazinhas de cortiça. Não pode, entretanto, formar uma idéia exata sobre o conceito das "cavidades" que havia visto no material. Hooke dizia ter feito uma descoberta. Realmente fez: foi o primeiro a observar as pequenas cavidades e, o que é mais importante, foi também o primeiro a usar o microscópio composto para fazer observações meticulosas, o que encorajou outros cientista a usarem este novo instrumento.

Nehemias Grew, biólogo inglês, estudava plantas na época em que Hooke realizava suas observações; ambos pertenciam à mesma sociedade científica, Royal Society, e usavam o mesmo microscópio. No seu livro, A Anatomia das Plantas, publicado em 1682 ( 18 anos depois da publicação da Micrografia de Hooke), descreve assim suas observações:

O microscópio confirma a verdade disto e mais precisamente, mostra que esses poros são em geral esféricos na maioria das plantas, que são, assim, uma massa infinita de pequenas células ou vesículas.

O termo célula não tinha ainda se estabelecido firmemente, embora crescesse a idéia de que certas partes da planta fossem formadas destas minúsculas unidades.

À medida que o microscópio se tornou mais conhecido, embora fosse ainda instrumento grosseiro, muitas observações importantes foram feitas. Anton van Leeuwenhoek, fez numerosas observações de pequenos organismos animados que chamou de "animálculos" (Estas observações foram usadas na discussão sobre o problema da geração espontânea). Numa série de cartas dirigidas à Royal Society de Londres, Leeuwenhoek descreveu esses organismos com tal precisão, que até hoje é possível identificá-los como protozoários, bactérias e espermatozóides. Não há, porém, nenhum indício de que ele relacionasse esses "animálculos" com células.

Os chamados "filósofos naturalistas" examinavam todos os tipos de seres minúsculos e, depois, partes de animais e vegetais. À medida que aumentava o número de cientistas que se interessava pelo uso do microscópio, mais descrições e desenhos de células eram feitos. Os cientistas do século XVII trabalhavam quase que exclusivamente num nível empírico, talvez pela novidade que significava ver as coisas minúsculas aumentadas pelo microscópio composto.

Embora muitos cientistas tivessem feito observações cuidadosas, nos 150 anos posteriores às descobertas de Robert Hooke, nenhum estabeleceu uma teoria unificadora sobre a existência das células. Foi então que na França, R. J. Dutrochet começou a comparar sistematicamente tecidos animais e vegetais. Ele acreditava que todos os tecidos vivos fossem minúsculas células, mantidas juntas por alguma força aglutinadora, e que os órgãos fossem compostos de diferentes tipos de tecidos.

Um passo importante resultou do trabalho de um botânico escocês, Robert Brown. Observando células de orquídeas, encontrou, em cada uma delas, uma formação mais densa, globulosa, que denominou núcleo. Generalizou essas observações, admitindo que esses núcleos também se encontrassem nas células de outras plantas.

Com essas descobertas, havia sido atingido o estágio adequado para uma primeira proposição clara de uma teoria sobre as células. Isto foi realizado por dois biólogos alemães do século XIX, Theodor Schwann e Mathias Schleiden.

Enquanto Schleiden trabalhava com células vegetais, Schwann observava células animais e concluiu que algumas das observações feitas por ele em células de sapo podiam ser interpretadas de acordo com as idéias de Schleiden para a célula vegetal.

Schleiden e Schwann não descobriram a célula e nem sequer lhe deram nome. Simplesmente estabeleceram, mais claramente do que fora feito anteriormente, a idéia básica de que as células formam todos os seres vivos, desde os unicelulares até os pluricelulares mais complexos. Esta teoria é chamada teoria celular e sua formulação significou um grande avanço para a Biologia. Liga, em uma ampla generalização, todas as observações feitas desde o tempo de Hooke, abrindo assim o caminho para novas pesquisas.

( BSCS, Edart, S. Paulo, 1975 )