Trabalho Completo Transporte Marítimo

Transporte Marítimo

Imprimir Trabalho!
Cadastre-se - Buscar 155 000+ Trabalhos e Monografias

Categoria: Negócios

Enviado por: magno164 19 agosto 2013

Palavras: 4154 | Páginas: 17

Tema.: Transporte Marítimo Visão Geral.

Resumo

O transporte marítimo é de extrema importância para a economia mundial, e obviamente para a economia brasileira. Aproximadamente 95% do comércio exterior brasileiro são realizados por via marítima, este reflexo é nada mais lógico que os números favoráveis apresentados pelos portos brasileiros em 2003 e 2004, são um exemplo da evolução deste contexto. O presente trabalho tem por objetivo medir a eficiência relativa das operações dos terminais de contêineres do MERCOSUL nos anos de 2002, 2003 e 2004, utilizando a técnica Data Envelopment Analysis (DEA) no modelo BCC, com cinco inputs (número de guindastes, número de berços, número de funcionários, área do terminal, número de equipamentos de pátio) e dois outputs (quantidade de TEU (do inglês, twenty foot equivalent unit) movimentados e a média de movimentação de contêineres por hora por navio). As unidades de análise são 15 terminais de contêineres brasileiros, seis terminais argentinos e dois uruguaios. Com a análise

Podemos observar que mais de 60% dos terminais foram eficientes nos três anos e na análise de benchmarking, os terminais de Zarate, Rio Cubatão e Teconvi foram os que mais serviram de referência para os terminais ineficientes.

Palavras-chave: DEA, Terminais de Contêineres, Portos.

Introdução

O transporte marítimo é o transporte aquático que utiliza como vias de passagem os mares abertos, para o transporte de mercadorias e de passageiros (Chorão, 2003, p. 647).

Com o desenvolvimento da industria automóvel e da aviação a importância do transporte marítimo decresceu, mas ainda assim é eficaz para curtas viagens ou passeios de lazer, Os navios já há muito que são utilizados para efeitos militares, tanto para formação, invasões, bombardeamentos, transporte de armamento e recursos como por exemplo os Porta-aviões.

Fonte: Esquadra da Marinha do Brasil, 2008.

O transporte marítimo pode englobar todo o tipo de cargas desde químicos, combustíveis, alimentos, areias, cereais, minérios a automóveis e por ai adiante. A carga chamada carga geral é transportada em caixas, paletes, barris, contentores etc. Um dos meios de empacotamento de carga mais utilizados e que mais contribuiu para o desenvolvimento do transporte marítimo desde a década de 1960 é o uso de contentores. Existentes em tamanhos padronizados permitem o transporte de carga de uma forma eficiente e segura, facilitando o transporte e arrumação da carga dentro dos navios. Existem softwares especializados para o carregamento de contentores, divulgando informação sobre como e de que forma dispor a carga dentro dos contentores, optimizando espaço e cumprindo regras de transporte, por exemplo cargas leves em cima de cargas pesadas.

A navegação marítima nas épocas antiga, medieval e moderna , foi o mais importante meio de difusão comercial e cultural. Foi pelo mar que os portugueses descobriram novos mundos, que os vikings fizeram as suas conquistas e muito mais. A história do barco é tão antiga quase como a do homem, antes de trabalhar a pedra o homem descobre que um tronco suficientemente grande é capaz de o fazer flutuar, depois com o evoluir da civilização, quem sabe cem, mil ou cem mil anos depois vai aprendendo maneiras de mudar a forma desse tronco tornando-o mais estável e melhor, chegando mais tarde a barcos e caravelas (Gomes, 2004).

Fonte: Museu de Lisboa, 1988

Têm-se verificado inúmeras alterações nesta área desde a idade média, onde os navegadores mediam a altura do sol pela estrela polar usando o astrolábio até aos dia de hoje onde existem já avançadas tecnologias, como GPS ou Radar, e infra-estruturas avançadas, como os portos ou canais de transporte. Um dos canais naturais mais longos e importantes para a travessia entre os oceanos Atlântico e Pacifico é o Estreito de Magalhães, descoberto em 1520 por Fernão de Magalhães, mas com a evolução da industria e exigências cada vez maiores pelo mercado são necessárias infra-estruturas cada vez mais sofisticadas, por exemplo os portos, como a construção de canais e diques para a uma mais rápida travessia de navios, um desses exemplos é o Canal do Panamá.

Canal do Panamá – fonte Wikipédia - 1979

O Canal do Panamá é talvez dos canais de ligação entre oceanos mais importante, liga através de 82 km de extensão os oceanos Pacifico e Atlântico. Foi inaugurado a 15 de Agosto de 1914 e representou um triunfo estratégico e militar importantíssimos para os Estados unidos, visto que serviu de apoio á primeira guerra mundial. Revolucionou ainda os padrões do transporte marítimo até então utilizados e serve agora como uma das principais ligações marítimas entre Nova York e Califórnia, outrora feita pelo Estreito de Magalhães que era uma rota longa e perigosa.

O transporte marítimo tem grande importância nas trocas comerciais entre os países. A maior parte do comércio internacional de mercadorias é feita por via marítima. Em Portugal, cerca de 80% do comércio internacional de mercadorias é feito por via marítima. A esta utilização do transporte marítimo não é alheia à localização geográfica do nosso país. Este meio de transporte revela-se vantajoso no tráfego de mercadorias pesadas e volumosas, a longas distâncias, com preços relativamente econômicos, revelando-se muitas vezes o único possível quando se trata de trajeto intercontinental.

O transporte marítimo desempenha um papel importante na ligação das ilhas ao continente, e em cruzeiros (viagens turísticas/ hotéis flutuantes) Portos: Lisboa e Funchal.

Os transportes marítimos têm sofrido grandes revelações tecnológicas, que se traduziram no aumento da velocidade, comodidade, dimensão e capacidade dos navios e de uma maior especialização, o que permitiu diminuir os custos de transporte a grandes distâncias. A intensificação das trocas levou a um aumento da capacidade dos navios e a sua especialização (petroleiros, carvoeiros, mineraleiros, cerealíferos, portas-contentor, etc.) torna-o cada vez mais atrativo, pois he confere a possibilidade de transportar várias mercadorias, em boas condições de acondicionamento. Oferece maior segurança no transporte e maior rapidez nas operações de carga e descarga.

Todas estas transformações que se registraram nos navios exigiram uma à reestruturação dos portos, que tiveram de se modernizar e especializar – portos petroleiros, mineraleiros, portas-contentor.

Assistiu-se, ainda, a uma articulação entre os vários modos de transporte, de forma a tornar mais rápidas e eficazes as operações de transbordo do barco para o comboio ou do barco para o caminhão transporte multimodal.

Com a adesão à União Europeia, este transporte perdeu importância, uma vez que o comércio externo nacional se passou a processar majoritariamente com os países comunitários, utilizando-se a via terrestre.

Portugal pode oferecer serviços de transhipment – transbordo de mercadorias de um navio para o outro (por exemplo, um navio de longo curso descarrega as mercadorias num porto português que as faz chegar a outros portos europeus, em navios de menor dimensão, e vice-versa). Em Portugal, os portos são muito caros, pouco seguros e pouco eficazes.

Por isso, aproveitar as potencialidades da costa nacional como fachada atlântica de entrada na Europa é um objetivo da Política Geral de Transportes. Para isso, é necessário:

- Desenvolver os serviços de transporte marítimo de curta distância;

- Desenvolver as infraestruturas logísticas e intermodais nos portos;

- Iniciar a exploração do terminal dos contentores do porto de Sines;

- Melhorar as infraestruturas e ligações ferroviárias de tráfego de mercadorias;

-Estimular a complementaridade entre portos, por forma a aumentar a eficiência e a atrair carga.

Fig. 9 - A extensa costa portuguesa permitiu o desenvolvimento do transporte marítimo.

Em Portugal, cerca de 80% do comércio internacional de mercadorias é feito por via marítima. A esta utilização do transporte marítimo não é alheia à localização geográfica do nosso país. Este meio de transporte revela-se vantajoso no tráfego de mercadorias pesadas e volumosas, a longas distâncias, com preços relativamente econômicos, revelando-se muitas vezes o único possível quando se trata de trajetos intercontinentais. A crescente especialização que este vem apresentando (petroleiros, carvoeiros, mineraleiros, cerealíferos, portas-contentor, etc.) torna-o cada vez mais atrativo, pois lhe confere a possibilidade de transportar várias mercadorias, em boas condições de acondicionamento. Oferece maior segurança no transporte e maior rapidez nas operações de carga e descarga.

O transporte marítimo apresenta baixa flexibilidade, menor velocidade médio alcançado (relativamente ao avião e ao TGV) apesar de atualmente serem mais rápidos – 1hr de avião = 1 dia de barco) e a exigência de transbordo. Poluição muito elevada quando há um desastre (Prestige).

Vantagens e desvantagens

Permite deslocar cargas de maior tamanho e em maior quantidade com menores custos associados em comparação com o transporte aéreo ou terrestre para deslocações intercontinentais.

As principais desvantagens que existem no transporte marítimo são:

pouca flexibilidade da carga

a baixa velocidade de transporte

necessidade dos produtos transitarem nos portos/alfândega, implica um maior tempo de descarga

distância dos portos aos centros de produção

estragos ou perdas de carga. (Carvalho, 2002, p. 194).

Marinha de comércio

A marinha de comércio é o ramo da marinha mercante, essencialmente, dedicado ao transporte de pessoas e de mercadorias. Muitas vezes a marinha de comércio é referida como "marinha mercante", no entanto, corretamente, este último termo é mais abrangente, incluindo também a marinha de pesca, a náutica de recreio e as atividades marítimas auxiliares.

Os navios estão sujeitos a regulamentações internacionais e nacionais, sobretudo no que diz respeito aos de marinha mercante. As duas principais organizações responsáveis são: a Organização Marítima Internacional (com influência em todo o mundo) e a Agência Europeia de Segurança Marítima.

Tipos de navios de transporte

Diversos tipos de navios são utilizados para o transporte marítimo. Podem ser distinguidos pelo tipo de propulsão, tamanhos, formas e o tipo de carga. As embarcações de recreio e de lazer utilizam ainda o vento como meio de propulsão, enquanto os navios de carga e outros navios utilizam motores de combustão interna. Em zonas de águas pouco profundas são normalmente utilizados barcos com um calado pequeno, como semi-rígidos e hovercrafts , sendo estes últimos impulsionados por grandes hélices.

Navio tanque, Navios tanque assim como o Sabrina I são utilizados para o transporte de líquidos, cereais entre outras cargas, podendo carregar desde centenas a milhares de toneladas de carga. São facilmente reconhecíveis pelos seus grandes compartimentos a bordo com grandes comportas, construídas de forma a deslizarem para os lados para facilitar a entrada da carga nos compartimentos.

Os Petroleiros são também navios-tanque, mas geralmente para o transporte de liquidos como o crude, derivados do petróleo, gás natural, gás liquefeito, químicos, óleos, vinho. Podem transportar milhares de toneladas, embora sejam bastante importantes para a nossa indústria, são dos navios que mais problemas ambientais representam, como no caso do navio Prestige.

Navios Frigoríficos são navios especializados em transporte de carga refrigerada, por exemplo, medicamentos, alimentos entre outras cargas.

O Navio portas-contentor são navios que transportam a sua carga em contentores, normalmente empilhados segundo uma técnica conhecida como conteinarização. São normalmente impulsionados por grandes motores a diesel e uma tripulação que pode variar de 10 a 30 pessoas. São os navios que transportam a maioria da carga do mundo, visto que podem transportar quase todo o tipo de cargas.

Cargueiros ro-ro, São navios de carga construídos para transportar cargas móveis assim como automóveis, atrelados ou vagões ferroviários. Têm a particularidade de a sua proa ou popa serem escotilhas que podem abrir de modo que a carga entre para o convés pelos seus próprios meios, enquanto navio menor como os ferries tem rampas de acesso. A terminologia RORO é normalmente aplicada para navios de maior porte.

Este tipo de Embarcações pequenas é utilizado para transporte entre locais pouco distantes. Devido ao seu calado pouco profundo são utilizadas em locais com recifes ou com águas pouco profundas. Os navios com calados tem mais espaço na quilha podendo transportar cargas nesse espaço e conseguem uma maior estabilidade.

Os Cruzeiros assim como o MS Independence of the Seas, um dos maiores navios cruzeiro do mundo, pertencente á operadora Royal Caribbean International, são navios de transporte de passageiros utilizados para viagens de lazer. A própria viagem assim como as diferentes actividades a bordo proporcionam uma fantástica viagem. É considerada uma das maiores partes da indústria do turismo, transportando milhões de passageiros cada ano e dando assim uma grande oportunidade ao comércio situado perto dos portos.

Cable layer são navios de alto mar utilizados para colocar cabos submarinos debaixo de água, como fibra óptica e outros tipos utilizados para telecomunicações ou electricidade. Podem ser controlados manualmente ou através de um sistema GPS que permite colocar os cabos segundo uma rota específica. Podem ser operados por vezes em condições meteorológicas más que mesmo assim o navio consegue colocar os cabos nas rotas certas.

Os Rebocadores são barcos projetados para empurrar, puxar e rebocar barcaças ou navios em manobras complicadas, como no caso de atracagem ou desatracagem dos navios de grande porte. São caracterizados por ter pequeno porte, motores potentes e alta capacidade de manobra.

As Dragas são utilizadas tanto para desassoreamentos de portos, leitos de rios ou passagens com o objectivo de recolher materiais para diferentes utilizações. Existem dragas para diferentes objectivos e de diversas capacidades e tamanhos. Geralmente junto à draga operam tanto uma chata como um rebocador, para recolha do material extraído.

Os navios Semi-submersíveis como o MV Blue Marlin são navios utilizados para transporte de cargas de grande porte, nomeadamente embarcações, submarinos, plataformas-petrolíferas entre outros. Dispõe de tanques e bombas de água que injectam a água para dentro dos tanques de forma a o navio se afundar para permitir a entrada e saída da carga a transportar.

Porta-aviões São navios de guerra utilizados para transporte de armamento militar assim como, aviões, tanques entre outros, cujo principal papel é servir de Base aérea móvel. São geralmente os maiores navios operados pela Marinha. Apenas nove países mantêm porta-aviões: Estados Unidos, França, Índia, Rússia, Espanha, Brasil, Itália, Tailândia, e Reino Unido. Sendo os Estados unidos o país com o maior número de porta aviões, 11 em serviço, o que representa uma grande projecção do pais como potencia militar.

As Balsas ou Chatas são navios de fundo chato e com um calado pequeno de modo a se poderem deslocar em águas de pouca profundidade. São normalmente utilizados para transporte de areias, veículos e pessoas, sendo estes mais conhecidos por Cacifeiros.

Questões ambientais

O transporte marítimo é provavelmente o meio de transporte menos poluente por tonelada de mercadoria transportada. Mas, segundo relatório da ONU, tendo em conta a quantidade e a qualidade do combustível vendido aos navios no mundo, o tipo de motor e tempo gasto navegando, a frota mercante mundial em 2007, emitiu 1,12 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2). O que representa 4,5% da quantidade de gases poluentes mundial (excluindo frotas militares, pesca e embarcações de recreio), comparando com os resultados de 2006 essa quantidade é equivalente ao total das emissões de dois países como a França num ano.

Isto faz com que a Marinha Mercante seja o quinto emissor de gases poluentes, embora muito atrás da aviação. O óxido nitroso (N2O) emitido pelos motores a diesel marítimos, é um poderoso gás com efeitos de estufa, é o quarto pior contribuidor para o efeito de estufa a seguir ao vapor de água (H2), dióxido de carbono (CO2) e o gás metano (CH4).

A ICS (International Chamber of Shipping) reconhece que o cerca de 60 000 navios que eles representam são responsáveis por cerca de 10% das emissões de enxofre (S) e azoto (N). Embora as emissões terrestres tenham decrescido acentuadamente desde 1990, as emissões provenientes dos transportes marítimos têm aumentado bastante.

A Importância do Transporte Marítimo no Brasil

Um dos modais mais importantes para a indústria e a logística no Brasil, o transporte marítimo ainda não tem todo o seu potencial devidamente utilizado. Sua importância está diretamente ligada a intermodalidade, à geração de novos empregos, ao aumento na movimentação de cargas no país e ao fortalecimento do setor de logística no mercado nacional. Apesar de todas as dificuldades que enfrenta - com portos ainda inadequados, burocracia e altas tarifas, para citar apenas algumas - o setor movimenta mais de 350 milhões de toneladas ao ano. Fica fácil imaginar o quanto este número pode melhorar se houver uma preocupação e um trabalho efetivos para alterar este quadro.

É triste explicar como um país cujo litoral é de 9.198 km e que possui uma rede hidroviária enorme, ainda não explore adequadamente o transporte marítimo. É óbvio que o investimento necessário para aperfeiçoar e modernizar este sistema é grande e que a movimentação de cargas por ele não tem a mesma velocidade do transporte aéreo ou ferroviário. Mas é 16 portos com boa capacidade, com destaque para os de Santos (SP), Itajaí (SC), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Paranaguá (PR) e Vitória (ES). Existem ainda duas hidrovias para o transporte fluvial no interior do Brasil e com os países vizinhos do sul e sudeste (as hidrovias Paraná-Paraguai e Tietê-Paraná). Então, fazer o setor, responsável por 11,72% do movimento de carga registrado no país, crescer é difícil, mas não impossível.

O número de empregos gerados seria fator determinante para a diminuição da pobreza no país.

Quantos postos de trabalho seriam criados com a ampliação da indústria naval, com o aumento nas empresas de transporte, com os novos postos de fiscalização e controle, com a indústria de peças, com novos fornecedores, com a ampliação de mão-de-obra nos portos? É uma verdadeira bola de neve, que não iria parar de crescer. Dados do Governo Federal mostram que em 1999, o país tinha 44 portos, operados por cerca de 62 mil trabalhadores. Com um investimento sério no transporte marítimo, estes números poderiam alcançar patamares excelentes. Uma análise superficial pode apontar para, pelo menos, a duplicação destas vagas.

O modal aquaviário é fundamental para promover e integrar o país interna e externamente. Afinal, são oito bacias com 48 mil km de rios navegáveis, reunindo, pelo menos, 16 hidrovias e 20 portos fluviais. Entre 1998 e 2000, 69 milhões de toneladas foram movimentadas. Modernizado e adequado às exigências de um mundo globalizado, o transporte marítimo pode diminuir distâncias internas e ser decisivo na consolidação do MERCOSUL, além de aumentar o comércio com os demais continentes.

Outro grave problema em relação aos portos é o custo de embarque por contêiner. Apesar de ter diminuído em quase US$ 300, o valor ainda é muito alto comparando-se aos portos estrangeiros. Há muita burocracia e os portos nacionais ainda não têm o mesmo preparo que os europeus ou asiáticos. Falta preparo e maiores investimentos para suportar um aumento significativo nas exportações.

Fonte: Portos Brasil, 2005 (Porto Rio de Janeiro).

O Governo demonstra preocupação com o setor de transportes, tendo iniciado uma reestruturação, quando foram criados o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte (Conit), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Mas ainda é pouco, já que o país permanece atado à malha viária como principal meio de escoamento da produção. Muito mais precisa ser feito, já que as possibilidades de crescimento, em todos os sentidos, são imensas e o transporte multimodal segue em ritmos muito lento. Somente usando várias formas de transporte, com custos reduzidos, menor tempo para deslocar as cargas poderão diminuir preços, fortalecendo o consumo interno e fomentando mais exportações.

Possuir uma frota mercante de real poder é questão não só de desenvolvimento social e comercial, mas, também, de segurança e estratégia. Se não há como fazer girar o seu comércio por falta de navios, o Brasil fica à deriva, guiado por empresas estrangeiras. Em termos de segurança, a frota se torna um apoio fundamental para a Marinha de Guerra em caso de necessidade. Inúmeros exemplos, como a Guerra do Golfo, onde a navegação civil ajudou no conflito, ilustram isso.

Para o setor da logística, o transporte marítimo também significa crescimento. É um mercado muito grande e praticamente virgem, se considerarmos a magnitude do potencial brasileiro. Há muito que se fazer nos portos e nos elos de ligação com o transporte rodoviário e ferroviário. Pode-se imaginar uma variada gama de opções para os profissionais de a logística atuar. Quer seja diretamente nos portos, nas empresas marítimas, de armazenamento ou junto às transportadoras dos outros modais.

Os números mostram que o transporte marítimo é o famoso gigante adormecido. Em 2000, portos fluviais, lacustres e marítimos foram responsáveis pela movimentação de 460 milhões de toneladas de carga. Um ano antes, o setor hidroviário teve 13,8% de participação no transporte nacional, ficando atrás das ferrovias (19,5%) e das estradas (61,8%). Em 1985, as hidrovias movimentaram 18,3%, contra 23,6% do setor ferroviário e 53,6% do rodoviário. Nota-se aí que a utilização do setor marítimo está diminuindo. Ou seja, postos de trabalho estão sendo fechados e o prejuízo ganha escala global dentro da economia brasileira. Como se não bastasse o problema social, há ainda a sobrecarga na malha viária, cujas condições são cada vez piores graças ao aumento no tráfego de caminhões, algo que amplia os índices de acidentes e mortes em nossas estradas.

Transporte de Cabotagem

A cabotagem é denominada como transporte marítimo realizado entre dois portos da costa de um mesmo país ou entre um porto costeiro e um fluvial. Caso a navegação ocorra entre dois portos fluviais, então não é considerada cabotagem e sim navegação interior. Existe ainda o termo “cabotagem internacional”, o qual é utilizado freqüentemente para designar a navegação costeira envolvendo dois ou mais países. O transporte de cabotagem foi muito utilizado na década de 30 no transporte de carga a granel, sendo o principal modal de transporte utilizado quando as malhas ferroviárias e rodoviárias apresentavam condições precárias para o transporte. Após a eleição do Presidente da República Washington Luiz, cujo slogan da campanha era “Governar é construir estradas”, os investimentos foram direcionados para pavimentação de vias, construção de estradas e manutenção da malha rodoviária. Nas décadas de 50 e 60, com a chegada das indústrias automobilísticas, a política de desenvolvimento adotada na época estava praticamente estabelecida para o modal rodoviário. Em decorrência, o modal aquaviário sofreu as conseqüências dessa política pela escassez de recursos e foi perdendo gradativamente espaço nesse cenário. Na tentativa de mudança desse cenário, foram criados alguns órgãos e comissões, tais como o Fundo da Marinha Mercante e a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunaman), que tinham como objetivo alavancar a construção naval no país, levantar recursos na infraestrutura portuária, estabelecer linhas de navegação a serem cumpridas regularmente pelas empresas e adequar a frota de embarcações brasileira para atender a demanda interna que havia migrado do modal rodoviário. Tais medidas não apresentaram os resultados esperados devido ao grave processo inflacionário que o país apresentou, cujas conseqüências diretas foram à ineficiência dos portos e o encarecimento excessivo da construção naval brasileira. Desta maneira, foi inevitável que grande parte da carga fosse transportada pelo modal rodoviário. Restou somente para o segmento de cabotagem parte da carga de granéis líquidos e sólidos, que são de grandes volumes e baixo valor agregado. Em resultado, ocorreu a predominância do transporte rodoviário nas rotas de grandes distâncias, as quais deveriam ser típicas do transporte por cabotagem. Em 1979, ocorreu a segunda crise do petróleo na qual os países produtores do petróleo revisaram seus preços, dando início a um período de recessão mundial em contrapartida ao crescimento da economia brasileira. Nesta conjuntura, a matriz de transportes brasileira já estava consolidada com o modal rodoviário o qual se encontrava operando em níveis elevados de frete usufruindo-se do diesel subsidiado. Ao final da década de 90, o aumento dos pedágios e a privatização das estradas contribuíram ainda mais para o aumento do frete rodoviário. Em 1990, algumas empresas iniciaram operações de transporte marítimo de contêineres por cabotagem na linha Santos – Manaus, na tentativa de viabilizar o modal aquaviário, que correspondia a 18,4% do total contra 56,0% do modal rodoviário. Diante do contexto dos níveis elevados do frete rodoviário, a alternativa pela cabotagem se mostrava propícia e oportuna, apesar dos problemas na infraestrutura portuária. O fracasso veio imediatamente no início das operações, quando tomou posse o presidente Fernando Collor, que inviabilizou os investimentos portuários programados até então, através dos confiscos econômicos. Em 1999, em um contexto bem diferente do que ocorreu em 1990, com economia estabilizada e índices de inflação controlados, o país aparentemente retoma seu crescimento e possibilita uma nova investida no transporte marítimo por cabotagem, período oportuno em que surge a MERCOSUL Line, uma empresa brasileira que foi criada visando suprir esse novo mercado em plena expansão, principalmente no que tange à carga contêinerizada. Segundo especialistas, a cabotagem sem dúvida é considerada um modal muito promissor e o Brasil que é um país que apresenta aproximadamente 7.400 km de extensão de costa navegável, onde as principais cidades, os pólos industriais e os grandes centros consumidores concentram-se no litoral ou em cidades próximas a ele, o segmento de cabotagem surge como uma alternativa viável para compor a cadeia de suprimentos de diversos setores principalmente com o conceito porta-a-porta.

Referências

CHORÃO, João Bigotte, dir. - Enciclopédia Verbo luso-brasileira de cultura. Lisboa: Editorial Verbo, 2003. ISBN 978-972-22-2246-4

CARVALHO, J. M. Crespo de, - Logística. 3ª ed. Lisboa: Edições Sílabo, 2002. ISBN 978-972-618-279-4.

GOMES, Telmo, - Navios da Antiguidade da Pré-história à Idade Média. Lisboa: Edições Inapa, 2004. ISBN 972-797-094-X.

PATA, Célia, - Prestige [Em Linha].Lisboa, Portugal : Instituto Hidrográfico, 2009.[Consult.2009-06-2].Disponível:http://www.hidrografico.pt/prestige.php>.

Porto Brasil – Agilidade e Mordenidade, 2009 – Luiz Deidite pág. 36 à 40

ANTAQ – Ministério dos Portos , 2010.

FLEURY, P. F. A logística brasileira em perspectiva. In: Logística empresarial a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. p. 19-26.