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ÉTICA E CONTABILIDADE: O CASO ENRON

Por:   •  20/5/2020  •  Resenha  •  1.222 Palavras (5 Páginas)  •  9 Visualizações

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ÉTICA E CONTABILIDADE: O CASO ENRON

Lucélia Tessaro*

O documentário “Enron - os mais espertos da sala” lançado em 2005 tem como objetivo contar a história da falência de uma das maiores empresas norte-americanas. A Enron foi formada em 1985 pela compra da Houston Natural Gás pela Inter North. A empresa se ramificou em muitos campos de energia, incluindo áreas como frequência de internet, gerenciamento de risco e derivativo, onde empregava aproximadamente 21.000 pessoas.

Até o momento, apresentava resultados excelentes, tinha uma ótima reputação, além de ser frequentemente homenageada por revistas conceituadas. Naquela época, a mídia evidenciava o sucesso da Enron, afirmando que a empresa representava tudo o que havia de mais moderno e qualificado em termos de gestão de empreendimentos.

Então, surgiram as investigações em sua complexa rede de parceiros estrangeiros e práticas contábeis. Muitos acreditam que o legado da Enron está baseado no fato de, em 1992, Jeff Skilling, presidente das operações comerciais da Enron, ter convencido fiscais federais a permitirem que a Enron usasse um método contábil conhecido como "Mark to Market". Este era um procedimento usado por empresas de corretagem, importação e exportação. A partir dessa contabilidade, o valor de um seguro é registrado em uma base diária para calcular lucros e perdas. A utilização deste método proporcionou a Enron a contar ganhos projetados de contratos de energia a longo prazo como receita corrente, ou seja, esse dinheiro não deveria ser recolhido por muitos anos

Os números estavam nos livros contábeis e as ações continuaram altas, porém a Enron não estava pagando impostos altos. Robert Hermann, que era o conselheiro geral de impostos da empresa foi avisado por Skilling que o método contábil possibilitava que a Enron pudesse acumular dinheiro e crescer sem trazer muito dinheiro possível de taxação para a empresa. Suas aquisições estavam crescendo exponencialmente. A Enron também criou empresas para movimentar débitos para fora de seus balanços e transferir riscos para seus outros negócios.

Os executivos acreditavam que o valor das ações da Enron a longo prazo continuaria altos, eles procuraram várias formas de usar as ações da empresa para dar cobertura aos investimentos nestas outras entidades. Quando a indústria de comunicação à distância sofreu seu primeiro impacto negativo nos negócios, acabou por afetar também a Enron. Foi nesse momento que alguns analistas financeiros começaram a tentar descobrir a fonte do dinheiro da Enron. As regras contábeis demandavam um investidor independente para uma barreira funcionar, mas a Enron usou uma de suas novas unidades.

Um dos motivos apontados como causa da falência da ENRON constituiu-se nas famosas "contas fora do Balanço". Após isso, ficou evidente que essas manobras foram feitas com intuito de evitar uma drástica e repentina queda de suas ações. Já, no dia 28 de novembro de 2001, a agência de classificação de crédito Standard & Poor rebaixou os papéis da dívida da companhia tornando inevitável a queda do valor de suas ações.” Após anunciar um prejuízo de US$ 618 milhões no 3º trimestre de 2001, a ENRON lançou um processo que pode ser considerado como um dos maiores casos de falência já registrada nos Estados Unidos.

Diante dessa situação, o principal questionamento foi além da auditoria independente que tinha o dever de informar todas essas operações e do seu dever transparência com o mercado. A Enron recebeu o apoio e a parcialidade de seus auditores externos, Arthur Andersen, quanto a sua opinião no que diz respeito às demonstrações financeiras e sistemas de controles internos da companhia. Muitos afirmas que o que houve na ENRON foi uma fraude financeira, ou seja, a empresa foi roubada pelos seus executivos e o Comitê de Auditoria falhou, os auditores falharam ao se tornarem parceiros de seus clientes.

Arthur Andersen realizou um papel essencial servindo como base na ilusão do sucesso de uma das maiores empresas dos EUA. No campo da auditoria, a confiabilidade é um atributo essencial na execução da sua atividade, e como resultado das ações antiéticas, a Arthur Andersen faliu da mesma forma que a Enron. Na análise do caso Enron é notório que diversos princípios contábeis foram infringidos. A administração assim como a contabilidade e auditoria, já tinham informações necessárias para compreenderem que a continuidade da entidade estava afetada, mas não atuaram de acordo com o princípio da continuidade que dispõe sobre a influência do valor econômico de ativos, assim como o valor ou vencimentos dos passivos. Percebe-se também o descumprimento da integridade do registro do patrimônio e suas mutações, assim como o reconhecimento de receitas e despesas no período em que ocorreram. Esses descumprimentos estão vinculados aos princípios da oportunidade e competência. É necessário citar a inobservância do princípio da prudência, o qual os ativos não deverão ser superestimados, assim como os passivos não deverão ser subestimados, em situações que apresentem alternativas igualmente válidas. A Enron não poderia utilizar dos princípios contábeis citados, sem denunciar a verdadeira situação financeira da empresa. Arthur Andersen adotou procedimentos que contrariavam todas as melhores práticas de independência que deveriam guiar a relação entre empresa e seus auditores.

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