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A ameaça imposta pelo Partisan ao monopólio Estatal do uso legítimo da força: a atuação das FARC-EP na Colômbia entre 1965 e 2000

Por:   •  25/4/2018  •  Trabalho acadêmico  •  7.497 Palavras (30 Páginas)  •  94 Visualizações

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A ameaça imposta pelo Partisan ao monopólio Estatal do uso legítimo da força: a atuação das FARC-EP na Colômbia entre 1965 e 2000

Aileen Schlens Braun

 Arthur de Paula Guimarães[1]

Resumo

O presente artigo tem como objetivo apresentar e analisar, à luz do conceito de Partisan proposto por Carl Schmitt, a atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia no território da colombiano sob a perspectiva de inimigo interno. As FARC-EP são uma força de guerrilha revolucionária cujo objetivo principal quando de sua criação era tomar o poder na Colômbia por meio de uma revolução. A ação do grupo transcende as fronteiras territoriais colombianas, ou seja, este possui atuação transnacional. Este fenômeno é relativamente novo no âmbito das relações internacionais e é considerado de extrema relevância, uma vez que afeta os interesses não só do ator estatal diretamente ligado ao problema, como também de diversos outros atores dentro do sistema internacional. O curso de ação das FARC-EP é conceituado como terrorismo por países como os Estados Unidos, o Canadá e a União Europeia como um todo, enquanto outros Estados, como o Brasil, não o reconhecem como tal.

Palavras Chaves: Partisan; Inimigo Interno; Colômbia; FARC-EP; Terrorismo

Abstract

This article aims to present and analyze, under the light of the concept of Partisan, proposed by Carl Schmitt, the actions of the Revolutionary Armed Forces of Colombia in the colombian territory under the perspective of the internal enemy. The FARC-EP are a revolutionary guerrilla force whose main objectives by the time it was created was to take over power in Colombia through a revolution. The group's action transcends the Colombian territorial boundaries, that is, the group acts transnationally. This phenomenon is relatively new in international relations and is considered extremely important, since it affects the interests not only of the state actor directly linked to the problem, as well as of many other actors in the international system. The course of action employed by FARC-EP is understood as terrorism by countries like the United States, Canada and the European Union as a whole, while other states, like Brazil, do not recognize it as such.

Key-words: Partisan; Internal Enemy; Colombia; FARC-EP; Terrorism; 

 

1 INTRODUÇÃO

       

O contexto da Guerra Fria, a dissidência política doméstica, demandas sociais, agrárias e políticas são uns dos principais fatores que influenciaram a criação das Forças Armadas Revolucionária da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP). Primeiramente, o surgimento desta organização se deu em 1965, período no qual a rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética se desdobrava na luta entre capitalismo e socialismo e na mudança de aspectos essenciais dentro do sistema internacional, como as esferas da segurança coletiva, da guerra e da violência. Os interesses dos norte-americanos para blocos regionais, como a América Latina, visavam não permitir a disseminação de ideais comunistas no continente, sendo que o alinhamento dos países latino-americanos foi de caráter vital para os fins políticos dos Estados Unidos.

A preocupação dos Estados Unidos em relação à América Latina no início da Guerra Fria se concentra especialmente nas posturas nacionalistas de alguns governos e movimentos que visualizam uma perspectiva equidistante da influência do país como base para qualquer política de afirmação nacional. A maior preocupação é com a disponibilidade dos recursos naturais da região em caso de uma guerra com a União Soviética e a eventualidade de um boicote de governos, sindicatos e demais movimentos, em que a infiltração de idéias antiamericanas possa ser decisiva. (AYERBE, 2002, p. 81)

Os conflitos armados, principalmente durante o fim da Guerra Fria, não se restringiam mais apenas ao território nacional ou a uma região, pelo contrário, havia uma constante expansão destes para uma escala maior, que afetava muitos atores no sistema internacional. As FARC-EP são um exemplo claro, pois em uma primeira instância, o conflito regional não afetava nenhum país além da Colômbia. Entretanto, em um segundo momento este passou a ter uma abrangência transnacional, no qual países como o Equador, Peru e Venezuela foram também afetados. A partir desse ponto, a comunidade internacional passou a se preocupar com as inúmeras questões internas que, assim como o caso das FARC, poderiam se agravar e desdobrar em um conflito de grande escala e, consequentemente, maior alcance. Logo, questões internas passaram a ter uma relevância muito maior do que se observava nos períodos pós Segunda Guerra Mundial ou até mesmo o início da Guerra Fria. [2]

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