TrabalhosGratuitos.com - Trabalhos, Monografias, Artigos, Exames, Resumos de livros, Dissertações
Pesquisar

A Avaliação Das Aprendizagens Em Matemática: Um Olhar Sobre O Seu Percurso

Por:   •  16/9/2013  •  8.950 Palavras (36 Páginas)  •  378 Visualizações

Página 1 de 36

A avaliação das aprendizagens em Matemática: Um olhar sobre o seu percurso

Leonor Santos Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências CIEFCUL, Projecto DIF

Numa época em que se começa a concretizar uma nova organização curricular no ensino básico, importa trazer para o primeiro plano o debate sobre temas de avaliação. Isso significa retomar discussões que já não são novas – e que corresponde a problemas, tanto de concepção como de prática pedagógica, nunca resolvidos – mas, ao mesmo tempo, fazendo-o em estreita ligação com a evolução recente no domínio das orientações curriculares. (Abrantes, 2002, p. 9)

As palavras de Paulo Abrantes que escolhi para iniciar este texto dizem respeito a 2002, período em que se vivia um processo de renovação curricular, em particular no Ensino Básico. Esse movimento procurava então alterar o que tinha sido a última reforma curricular que aconteceu nos finais dos anos 80. Poder-se-á afirmar que é apenas a partir desta época que em Portugal a avaliação das aprendizagens em Matemática começa a fazer parte da agenda, constituindo apenas uma questão entre um conjunto mais vasto de preocupações curriculares. Questões relativas ao ensino e aprendizagem da Matemática estão na ordem do dia. Diversos documentos internacionais exercem uma forte influência no nosso país. A título de exemplo refiram-se o relatório Crockcroft (1982) e os primeiros Standards (1989/91). Estes e outros documentos reforçam a viragem na forma de entender a natureza da matemática e o seu ensino e aprendizagem. De uma concepção absolutista da matemática, que a encara como um corpo de conhecimento objectivo, fixo, certo, neutro (Ernest, 1991), a destaca-se uma perspectiva da matemática falibilista, mais interrelacionada com a resolução de problemas uma vez que esta é vista como uma criação e invenção humana, em desenvolvimento. De uma listagem de regras e propriedades entender-se a matemática como uma ciência de

1

padrões (National Research Council, 1989). Ensinar não é mais visto como sobretudo a transmissão rigorosa de informação, mas é primordialmente a construção de situações em que o aluno se possa envolver de forma a desenvolver a sua competência matemática. A aprendizagem não é a absorção de informação fragmentada, resultante de uma prática repetitiva, mas sim ocorre através de experiências matemáticas ricas e significativas. “Saber matemática é fazer matemática” (NCTM, 1989/91, p. 8).

É neste cenário que acontece o seminário de Vila Nova de Milfontes, em 1988, que teve como um dos seus principais impulsionadores e responsáveis Paulo Abrantes. Este encontro constituiu um momento marcante na discussão das questões curriculares em educação matemática em Portugal. Nele, a avaliação, embora ainda sem grande visibilidade, começa a ser discutida1. É chamada a atenção para a sobrevalorização da componente sumativa da avaliação e o uso quase exclusivo dos testes escritos. Nas orientações então preconizadas aponta-se para a necessidade de se alargar o âmbito da avaliação, privilegiando a sua vertente formativa, nela se incluindo a auto e a heteroavaliação, e o desenvolvimento de processos avaliativos coerentes com as outras componentes curriculares, nomeadamente de natureza diversa e adequados à especificidade dos alunos (APM, 1988).

Poucos anos depois, em 1991, a APM organiza um seminário apenas dedicado ao tema da avaliação. Das recomendações para a avaliação em educação matemática resultantes de dois dias de encontro é feita especial referência à necessidade das instituições de formação de professores darem maior destaque a esta temática, de ser criada uma linha de apoio a nível governamental para projectos sobre avaliação e da constituição de um grupo de discussão na APM para a continuação da discussão e reflexão em torno da avaliação (Guimarães; Leal & Abrantes, 1991).

No período que medeia estes dois momentos, inicia-se o projecto Mat789, coordenado por Paulo Abrantes (Abrantes et al., 1997). É no âmbito deste projecto, tomando como ponto de partida as experiências nele desenvolvidas, que a avaliação enquanto parte integrante do processo de ensino e aprendizagem começa a destacar-se e a tomar expressão. Múltiplos exemplos da contribuição do Paulo aqui se poderiam destacar. Começo apenas por referir um primeiro artigo que ambos escrevemos, publicado ainda em 1990, onde procurámos, então, chamar a atenção para a necessidade de mudança de

2

paradigma. De uma cultura de avaliação ao serviço da selecção e exclusão há que passar para uma cultura de avaliação ao serviço

...

Baixar como (para membros premium)  txt (59.3 Kb)  
Continuar por mais 35 páginas »
Disponível apenas no TrabalhosGratuitos.com