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O Mito Da Caverna

Por:   •  22/2/2014  •  1.287 Palavras (6 Páginas)  •  44 Visualizações

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O Mito da Caverna

Extraído de "A República" de Platão . 6° ed. Ed. Atena, 1956, p. 287-291

SÓCRATES – Figura-te agora o estado da natureza humana, em relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que passo a fazer. Imagina os homens encerrados em

morada subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda extensão. Aí, desde a

infância, têm os homens o pescoço e as pernas presos de modo que permanecem imóveis e

só vêem os objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem voltar o rosto.

Atrás deles, a certa distância e altura, um fogo cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos

imagina um caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido com os

tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os espectadores para ocultar-lhes as molas dos

bonecos maravilhosos que lhes exibem.

GLAUCO - Imagino tudo isso.

SÓCRATES - Supõe ainda homens que passam ao longo deste muro, com figuras e objetos

que se elevam acima dele, figuras de homens e animais de toda a espécie, talhados em pedra ou

madeira. Entre os que carregam tais objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em silêncio.

GLAUCO - Similar quadro e não menos singulares cativos!

SÓCRATES - Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver

de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do

fogo, na parede que lhes fica fronteira?

GLAUCO - Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida.

SÓCRATES - E dos objetos que lhes ficam por detrás, poderão ver outra coisa que não as

sombras?

GLAUCO - Não.

SÓCRATES - Ora, supondo-se que pudessem conversar, não te parece que, ao falar das

sombras que vêem, lhes dariam os nomes que elas representam?

GLAUCO - Sem dúvida.

SÓRATES - E, se, no fundo da caverna, um eco lhes repetisse as palavras dos que passam,

não julgariam certo que os sons fossem articulados pelas sombras dos objetos?

GLAUCO - Claro que sim.

SÓCRATES - Em suma, não creriam que houvesse nada de real e verdadeiro fora das

figuras que desfilaram.

GLAUCO - Necessariamente.

SÓCRATES - Vejamos agora o que aconteceria, se se livrassem a um tempo das cadeias e

do erro em que laboravam. Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se

de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer

tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de

discernir os objetos cuja sombra antes via.

Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto

fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via

com mais perfeição? Supõe agora que, apontando-lhe alguém as figuras que lhe desfilavam

ante os olhos, o obrigasse a dizer o que eram. Não te parece que, na sua grande confusão, se persuadiria de que o que antes via era mais real e verdadeiro que os objetos ora contemplados?

GLAUCO - Sem dúvida nenhuma.

SÓCRATES - Obrigado a fitar o fogo, não desviaria os olhos doloridos para as sombras

que poderia ver sem dor? Não as consideraria realmente mais visíveis que os objetos ora mostrados?

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