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O Museu e Museologia Autêntica

Por:   •  23/3/2020  •  Bibliografia  •  2.753 Palavras (12 Páginas)  •  4 Visualizações

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POULOT, D. Museu e Museologia. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. (p. 83- 92)

p. 83 – “A especificidade do museu francês, em comparação com outros países, tem a ver em primeiro lugar com suas origens revolucionárias [...]”. Os museus franceses, tem sua gênese a partir “[...] do confisco dos bens do clero e, em seguida, dos nobres que haviam emigrado durante a Revolução, assim como nas antigas coleções régias [Reais] e nas conquistas militares.”

p. 83 – Difere-se portando do processo de formação dos museus italiano e alemães, “inscritas na longa duração de uma tradição de Antigo Regime reconduzida amplamente no decorrer do século XIX” e do “British Museum cuja fundação é parlamentar.”

A arte, o museu e o Estado

p. 83 – sob o Antigo Regime, a arte francesa apoia-se em um mecanismo institucional que permite aos artistas produzir e vender suas obras em um quadro amplamente controlado pela dinâmica das compras e das recompensas mais ou menos simbólicas.

p. 83 – A Académie, com o Salon, ocupa aí um lugar central, fornecendo em suma o conjunto das informações necessárias a todos os participantes, aos artistas e a seu público. Esse funcionamento entra em uma crise aberta a partir do século XIX, no termo de um longo declínio desse monopólio da informação e da exposição. Pouco a pouco, os artistas independentes, os críticos profissionais e os marchands desempenham um papel importante, acabam com o Salon em sua forma tradicional, além de criticarem vigorosamente os procedimentos de compra de obras que ocorrem nesse espaço, culminando in fine em um novo ideal de museu de arte contemporânea, em vez e no lugar do Palais du Luxembourg; assim, é desmantelado um conjunto de instituições que, durante dois séculos, haviam dirigido, com maior ou menor grau de controle, o mundo das artes. No século XX, as relações dos museus com o Estado se integram em outro quadro: o de políticas do desenvolvimento cultural.

p. 84 – No Palais du Luxembourg  “foi instalado, em 1750, o primeiro museu francês, aberto ao público, dedicado à pintura; e, a partir de 1818, o primeiro museu de arte contemporânea.”

A tradição do Salon

p. 84 – O museu de arte, na França, ostenta a marca de uma instituição bem anterior, o Salon da Académie Royale de Peinture et de Sculpture, destinado a conferir uma recompensa pública aos artistas protegidos pelo rei.

p. 84 – A Académie, fundada em 1648, havia formulado o projeto de expor anualmente as obras de seus membros. Em 1725, a exposição foi realizada, pela primeira vez, no Salon Carré do Louvre; com o decorrer dos anos, esse nome acabou sendo atribuído à manifestação.

p. 84 – A manifestação assume sua forma clássica e regular no decorrer do século XVIII, atraindo provavelmente até 100.000 visitantes. O júri, criado em 1748, reúne exclusivamente pintores de história dessa Académie, com o objetivo de promover o bom gosto, o único apropriado para ilustrar a glória do rei e de suas encomendas, contra o “gênero”[1].

p. 84-85 – No entanto, a busca de uma exposição de referência, capaz de colocar em paralelo a produção contemporânea com exemplos canônicos do passado, faz apelo aos recursos “encobertos” da coleção régia para imaginar uma exposição permanente dos modelos no Louvre. A galeria aberta, durante algum tempo, na ala leste do Palais du Luxembourg (1750-1779) responde a essa exigência difusa de emulação, regida por modos de organização, preocupações pedagógicas e critérios estéticos inspirados na literatura e na prática acadêmicas.

p. 85 – O Salon de 1789 apresenta a primeira tentativa de iluminação zenital na perspectiva de uma experimentação museográfica. O projeto de instalar no futuro Muséum, com a coleção régia, as estátuas dos homens mais ilustres e as obras-primas oriundas do patrocínio monárquico evoca um Westminster francês, no qual o culto dos eminentes servidores da nação viria reforçar a imagem do soberano – em que a arte defenderia, de alguma forma, a causa do rei diante da posteridade. A sobrecarga patriótica singular do museu francês, sua identificação contínua no Louvre satisfazem essa configuração inicial.

A Revolução Francesa e os meios de agir dos museus

p. 85 – Sob a Revolução, a afirmação dos direitos humanos leva a reivindicar o acesso às obras de arte como se se tratasse de um direito legítimo ao qual a República deve satisfazer de maneira eficaz e equitativa, em nome de uma fruição – durante muito tempo, impossível de ser experimentada – e de um exercício dos talentos, durante muito tempo, obstruído.

p. 85 – O fruto do colecionismo régio, regenerado pela liberdade, deve suscitar o entusiasmo dos artistas, instruir o povo e transmitir “novas lições” para a posteridade. No vazio institucional aberto pela supressão da maior parte das escolas e associações, o museu pode materializar o ideal de uma transmissão livre e imediata do Belo e dos princípios, pela simples vista de modelos que viesse a irrigar todo o corpo social.

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