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Resenha Crítica do filme "Cidade de Deus"

Por:   •  4/2/2017  •  Resenha  •  471 Palavras (2 Páginas)  •  347 Visualizações

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RESENHA CRÍTICA DO FILME “CIDADE DE DEUS”

O filme nos mostra a vivência cotidiana dos sujeitos que residem na favela denominada “Cidade de Deus” a partir das lentes de percepção do personagem “Buscapé”, adolescente pobre, negro, que evidencia as experiências de violência, criminalidade e as formas de resistência ocorridas desde a sua infância, por volta dos anos 1960 no início da formação desta favela, até o momento onde se passa a trama principal do filme, anos de 1970 e 80, no qual bandos passam a disputar os lugares hegemônicos de poder em um contexto social que perpassa o tráfico de drogas como principal meio de “ascensão social”. Durante a narrativa, o protagonista nos faz refletir sobre a existência de uma dualidade entre o que quer ser diferente, como o personagem Buscapé, e o que se dedica à realidade social do crime, como ocorre na construção do personagem de Dadinho e que, posteriormente é nominado por meio de um ritual religioso como Zé Pequeno.  

Reflexões em torno do filme:

Em paralelo à vivência desses sujeitos, podemos pensar no contexto socio-histórico vivido por tais personagens em um Brasil marcado pelo acentuado imperativo do progresso e do desenvolvimento que estão demarcados nas transformações ocorridas no espaço urbano da comunidade, no esteio das tendências internacionais da lógica de produção capitalista. O inchaço populacional e urbano são marcas dessa exclusão social e da violência proposta no filme. Importante pensarmos, contíguo à questão, a temática da terra, a luta pelo espaço e a espoliação e exploração urbanas.

Famílias desabrigadas são enviadas e, como o próprio Buscapé narra, constroem suas vidas nas favelas, sob um contexto social de pobreza sem que os indivíduos, muitas vezes, percebam possibilidades concretas de transformações em suas realidades. Um dos elementos mais impactantes do filme é a entrada muito cedo dos personagens na criminalidade, uma perspectiva dualista do futuro na “Cidade de Deus”, ou o banditismo ou a miséria. A repercussão desta perspectiva nas construções de representações e estereótipos sobre os pobres, moradores da favela, é algo a ser discutido considerando o cinema como meio de comunicação em massa, temos um filme que é a adaptação do livro de alguém que viveu as adversidades desse cenário, temos o modo como esse filme vai ser recebido, “lido” pelas pessoas.

De todo modo, podemos refletir sobre a desconstrução, tendo em vista tal contexto, da concepção romantizada que temos da infância. Percebemos uma tentativa, também, de busca por um ideal de masculinidade a ser alcançado. Questões relacionadas a gênero, a crenças, a hierarquia e diversidades de sujeitos podem ser levantadas por nós através da trama dessa obra cinematográfica, que tem a ver com as experiências cotidianas. Além disso, a própria concepção do nome “Cidade de Deus” está, ao mesmo tempo, tanto vinculada ao campo da religiosidade, como ao fato de se constituir enquanto o lugar-destino das migrações populacionais.

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