TrabalhosGratuitos.com - Trabalhos, Monografias, Artigos, Exames, Resumos de livros, Dissertações
Pesquisar

"I don't dance": os indícios homoeróticos em High School Musical 2

Por:   •  3/6/2017  •  Trabalho acadêmico  •  1.992 Palavras (8 Páginas)  •  260 Visualizações

Página 1 de 8

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Centro de Letras e Artes – Faculdade de Letras

Departamento de Ciência da Literatura

Aluno: Victor Neves Joaquim da Silva

“I DON’T DANCE”: OS INDÍCIOS HOMOERÓTICOS

EM HIGH SCHOOL MUSICAL 2

Em “High School Musical”, trilogia consagrada da Disney dirigida por Kenny Ortega, tem-se a história de um grupo de adolescentes no ensino médio com seus destinos se cruzando no palco. Com foco no trio principal: o casal Troy Bolton e Gabriela Montez, interpretados por Zac Efron e Vanessa Hudgens, e a antagonista Sharpay Evans, interpretada pela atriz Ashley Tisdale. Entretanto, o segundo filme da trilogia dá mais espaço para personagens secundários, tais como Ryan Evans (Lucas Grabeel), irmão gêmeo de Sharpay, que no primeiro volume nos é apresentado apenas como um fiel escudeiro de sua irmã. O personagem de Grabeel é o foco desta análise, juntamente com Chad, interpretado pelo ator Corbin Bleu.

Ryan é um rapaz delicado e franzino que cresceu num mundo onde toda a atenção era voltada para sua irmã, estando sempre à sombra dela. O que se sabe sobre ele, além do que já foi mencionado, é o fato de Ryan ser o queridinho da professora de artes do colégio e, ao lado de sua irmã, ter brilhado em antigas produções teatrais da professora. Mas é a partir de “High School Musical 2” que ele passa a ter uma voz (por mais que o foco esteja sempre no trio).

Numa representação do extremo oposto do que é Ryan, temos Chad Danforth, o melhor-amigo do protagonista: um rapaz másculo, estrela do time de basquete — estando abaixo apenas do astro-rei, Troy. Porém, o que esses dois personagens têm de diferenças também possuem de semelhança: ambos são apenas escadas para o desenvolvimento do enredo dos protagonistas.

Apesar das narrativas se desenrolarem nos Estados Unidos, é possível fazer uma analogia com jovens estudantes do ensino médio de várias outras nacionalidades além da estadunidense, inclusive a brasileira, onde Ryan faz alusão ao adolescente sexualmente desviado — baseando-se numa perspectiva conservadora heteronormativa —, enquanto Chad é o rapaz popular que precisa a todo tempo reafirmar a sua masculinidade para que seja aceito entre seu grupo de amigos. Além disso, durante toda a narrativa da trilogia, fica claro, apesar da visão romantizada por ser um filme da Disney, que Chad é um rapaz homofóbico a partir do momento em que ele é o primeiro a ir contra a ideia de Troy de cantar no musical da escola por ser considerado algo que foge do conceito de heteronormatividade imposto aos homens, e ele não faz questão de esconder isso.

Porém, ao analisar com minúcia cenas do segundo filme, são perceptíveis as evidências a respeito da sexualidade reprimida do personagem de Bleu. É claro que isso não é abordado abertamente, afinal deve-se sempre ter em mente que os personagens não possuem tanta profundidade por se tratar de uma produção da Disney que tem como público alvo crianças e pré-adolescentes, e na época em que a trilogia foi lançada (2006, 2007 e 2008), qualquer resquício que se pudesse ter de uma sexualidade que fugia do padrão heteronormativo, era imediatamente omitido.

Chad e Ryan não possuem muitas cenas juntos, e as únicas vezes que contracenaram foram em situações de embate, sempre mostrando Ryan acuado em contraste com um Chad intimidador e de certa forma, até um tanto violento, capaz de qualquer coisa para impedir que Troy participe do tão temido musical. E é na quinta música do segundo filme que fica claro que Chad age de tal forma com Ryan por conta de sua situação mal resolvida com a própria sexualidade.

De acordo com o paradigma indiciário proposto por Ginzburg, é necessário que se faça uma análise além do óbvio, isto é, focar nos indícios, nas entrelinhas que geralmente são negligenciadas pelo leitor (ou pelo espectador), no que não é mostrado a ele de imediato. O número musical mencionado é a cena de I don’t dance, que se encaixa nesse paradigma de Ginzburg por ter mais de uma interpretação, sendo uma delas a mais acessível, e a outra, com necessidade de uma análise mais específica.

A partir da interpretação mais óbvia, portanto mais conhecida, os dois personagens basicamente estão numa discussão sobre os rapazes do time dos Wildcats participarem do show de talentos que ocorrerá no final do filme. Como era de se esperar, Chad, no auge de seu arquétipo do macho alfa, recusa a proposta com o argumento de que não dança — daí o nome da música —, e que não se interessa por isso, mas sim por “coisas de homem”, enquanto Ryan, sob o arquétipo do rapaz sensível e feminino, tenta convencê-lo com o argumento de que ele pode fazer os dois — dançar e jogar beisebol (uma informação que será importante para a leitura da cena sob a segunda perspectiva).

...

Baixar como (para membros premium)  txt (11.9 Kb)   pdf (135.5 Kb)   docx (15.7 Kb)  
Continuar por mais 7 páginas »
Disponível apenas no TrabalhosGratuitos.com