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DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA: PRÍNCIPIOS NORTEADORES DE UMA PRÁTICA REFLEXIVA

Por:   •  5/1/2021  •  Artigo  •  2.184 Palavras (9 Páginas)  •  7 Visualizações

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A família em processos judiciais litigiosos: a Alienação Parental e os aspectos psicológicos da criança

De acordo com o dicionário Michaelis (FAMÍLIA, 2020), define-se a palavra “família” como “Conjunto de pessoas, em geral ligadas por laços de parentesco, que vivem sob o mesmo teto. Conjunto de ascendentes, descendentes, colaterais e afins de uma linhagem ou provenientes de um mesmo tronco; estirpe”. O Estado reconhece oficialmente diversas formações de família apesar dessa concepção ainda não ser reconhecida pela sociedade em sua totalidade, daí a importância de se discutir esse termo e sua adaptação para o contexto social contemporâneo. Osório (apud BURD e FILHO, 2004, p.30), cita: “um sistema (por hipótese, a família) não pode ser entendida como a mera soma de suas partes (indivíduos) e os resultados da análise dos segmentos isolados não podem se aplicar ao conjunto como um todo”. A partir dessa suposição, a família incorpora fatores que produzem juntos influências para o desenvolvimento da criança pois é neste espaço que ocorre o seu primeiro contato de socialização e aprendizagem.

Assim, o contato inicial com o mundo é experenciado pela criança no âmbito familiar, sendo a família o primeiro lugar de acolhimento e contexto de socialização do indivíduo. Através dessa relação afetiva que a criança vivência as experiências que irão favorecer a sua construção enquanto indivíduo no mundo, fortalecendo sua estrutura emocional, construindo-se como ser humano, adquirindo valores morais e sociais. Contudo, é no seio familiar que deve haver proteção, afeto, harmonia, confiança e bem estar, servindo de alicerce no enfrentamento e resolução de conflitos, pois é a base de sustentação para a construção da vida psíquica da criança. Bock destaca que:

A família, do ponto de vista do indivíduo e da cultura, é um grupo tão importante que, na sua ausência, dizemos que a criança ou o adolescente precisa de uma “família substituta ou devem ser abrigados em uma instituição que cumpra suas funções materna e paterna, isto é, as funções de cuidados para a posterior participação na coletividade. (Bock, 2004 p.249)

Nesse contexto, cada família é considerada um sistema independente do arranjo familiar, uma vez que cada uma possui uma dinâmica que se estrutura a partir de demandas e interações que ocorre no centro e com tudo em torno, desempenhando um papel de extrema importância no desenvolvimento da criança.

Esse arranjo familiar, contudo, sofreu alterações ao longo dos últimos anos, segundo Perucchi e Beirão (2007) uma nova estrutura familiar vem sendo constituída, principalmente o aumento de lares chefiados por mulheres e o elevado número de mães solteiras, que segundo o estudo, compreende mais de 20% da população brasileira. Esse fato, porém, não torna ausente a presença paterna, em grande parte do trabalho realizado pelas autoras, a figura paterna se mantém presente e auxilia na educação da criança. Para as autoras, a condição de pai/provedor, foi superada e a tarefa de prover se tornou responsabilidade dividida.

Assim, se destaca a função psicossocial da família, para Spink (1993) as representações sociais práticas são, “concomitantemente, campos socialmente estruturados que só podem ser compreendidos quando referidos às condições de sua produção e aos núcleos estruturantes da realidade social, tendo em vista seu papel na criação desta realidade”. Portanto, a família é responsável pela construção da realidade cultural da criança. Bassedas (1996, p.33) destaca que “família como sistema possui uma função psicossocial de proteger os seus membros e uma função social de transmitir e favorecer a adaptação, à cultura existente”.

Dessa forma, é na dinâmica familiar que a criança aprende a se diferenciar dos outros e a respeitar as divergências, a enfrentar desafios e a assumir responsabilidade, sendo assim a família tem um papel fundamental no fortalecimento de vínculos, contribuindo para a formação da identidade, personalidade e caráter enquanto adulto. Veja estes dois posicionamentos acerca da problemática:

Desse modo, a entidade familiar deve, efetivamente, promover a dignidade e a realização da personalidade de seus membros, integrando sentimentos, esperanças e valores, servindo como alicerce fundamental para o alcance da felicidade. (Farias, 2004, p.10).

[...]do lado psicológico, um bebê privado de algumas coisas correntes, mas necessárias, como um contato afetivo, está voltado, até certo ponto, a perturbações no seu desenvolvimento emocional que se revelarão através de dificuldades pessoais, à medida que crescer. Por outras palavras: a medida que a criança cresce e transita de fase para fase do complexo de desenvolvimento interno, até seguir finalmente uma capacidade de relacionação, os pais poderão verificar que a sua boa assistência constitui um ingrediente essencial. (Winnicott, 1971, p.95).

Nesse contexto, os autores reforçam que diante das diversas funções próprias ao acompanhamento familiar encontra-se presente essencialmente o apoio que a criança recebe dos seus, pois é a partir deste apoio que o sentimento de família se torna amplo e envolve também diferentes formas de parceria e compreensão desse modelo de proximidade. O apoio dos familiares amplia esse sentimento de família trazendo como consequência o conforto para estar junto. A partir disso há a observação de que as emoções se tornam mais desenvolvidas, ou desenvolvidas dentro da propriedade desse espaço interno que se estabelece no vínculo familiar.  

Silva (2001. p. 4) destaca que a família sofre alterações em sua estrutura conforme a sociedade evolui e transforma as relações, sendo que algumas das variáveis que influenciam a família “o ambiente, a economia, a cultura, a política, a religião, entre outras”. E destaca ainda, que a família é a primeira instituição de socialização que um ser humano faz parte, sendo que assim, ela determina grande parte de sua cultura e costumes.

Dessa forma, uma estrutura familiar deve ser segura para a criança de forma que possa transmitir valores como educação, afeto, de forma contundente, já que essa criança reproduzirá grande parte do aprendizado em suas relações futuras com adultos. Silva (2001) destaca que “o espaço familiar pode ser considerado uma dimensão na qual se cristalizam as relações familiares e os mecanismos de produção das relações entre seus membros”.

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