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MANEJO SUSTENTÁVEL DE FLORESTAS NATIVAS TROPICAIS: O CASO DA MIL MADEIRAS PRECIOSAS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

Artigos Científicos: MANEJO SUSTENTÁVEL DE FLORESTAS NATIVAS TROPICAIS: O CASO DA MIL MADEIRAS PRECIOSAS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA. Pesquise 787.000+ trabalhos acadêmicos

Por:   •  3/5/2013  •  6.323 Palavras (26 Páginas)  •  1.011 Visualizações

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RESUMO EXECUTIVO

O Brasil com 520 milhões de hectares de floresta, equivalente a 13% do total mundial, se constitui o país com uma das maiores percentagens de florestas tropicais do planeta. Apesar do uso atual das florestas brasileiras estarem sofrendo constantes ameaças advindas do mau uso seja pela exploração madeireira predatória ou pela agropecuária, nas últimas décadas tem crescido o uso da floresta através de técnicas de manejo florestal sustentável. Sendo o Manejo de Florestas Tropicais um dos poucos usos da terra que consegue conciliar consevação e o desenvolvimento regional é necessário que políticas públicas de incentivo a esta atividade sejam ampliadas.

O presente estudo de caso tem enfoque em uma empresa madeireira que tem suas florestas certificadas pelo FSC. Esta empresa é chamada de Mil Madeiras Preciosas, e está localizada em Itacoatiara, Amazonas. A Mil Madeiras Preciosas S.A faz parte da Precious Woods, que foi fundada por um grupo de empresários suíços. A motivação para a criação da companhia foi à preocupação desses empresários com a destruição das florestas tropicais.

O manejo florestal que a Mil Madeiras Preciosas tem praticado vem gerando impactos positivos nos aspectos ambientais, sociais e econômicos. Além disso, a empresa apresenta um aspecto inovador de geração de energia e venda do excedente para um município com uma população de 80 mil habitantes. Esta inovação fornece 55% da energia consumida pela cidade de Itacoatiara. Isso ocorre em uma região em que a forma de geração de energia passa a ser algo muito importante por ter a maioria da geração centrada no uso de combustíveis fósseis.

A empresa além de utilizar economicamente os resíduos da indústria ela ainda doa uma pequena parcela a duas entidades da sociedade civil: uma delas é a Escola de Lutheria e Marcheteria – OELA de Manaus, ao qual utiliza os resíduos em aulas de capacitação e treinamento na fabricação de souvenirs e instrumentos musicais. A outra é chamada de SABOARANA, uma associação de artezões de Itacoatiara.

A empresa exporta 55% da matéria prima para o mercado internacional e 45% são consumidas no Brasil. A empresa exporta madeira serrada bruta, madeira beneficiada para deck e toras de Acariquara (Minquartia guianensis). No mercado nacional a maioria vai da madeira vai para a construção civil. As principais espécies comercializadas são cumaru, maçaranduba e sucupira preta (exportação) e Amapá. Breu Branco e Melancieiro (mercado interno). O valor do metro cúbico da madeira processada varia de acordo com a espécie de 600 a 1.200 euros, no mercado externo e no mercado nacional de 400 a 600 reais. Os principais mercados da Mil é o mercado europeu, porém recentemente abriu novos mercados na Indonésia, Malásia e Nova Zelândia.

O negócio da Mil Madeiras Preciosas gerou no ano passado uma receita líquida de R$ 15.097.000,00 (R$ 317,00/m3) ou R$1.509,70/ha. Em termos comparativos esta receita gera um lucro razoável para o setor florestal, e é superior a receita de outras atividades agropecuárias como a cana-de-açúcar, soja, gado de corte (na Amazônia) que são R$1.200,00/ha, R$1.140/ha e R$ 720,00/ha, respectivamente. Vale resaltar que esta análise envolve apenas a matéria-prima madeira. As outras receitas oriundas dos resíduos para a termoelétrica e mesmo as receitas da termoelétrica não foram envolvidos nesta avaliação. Com o intuito de melhoria dos negócios a empresa está investigando a possibilidade de venda de parte da madeira em tora como uma saída para que se torne mais competitiva no mercado.

Por sua inovação em gerar sua própria energia e de forma limpa, isto é não usar combustíveis fósseis (diesel) fez com que a empresa deixasse de emitir 345.880 toneladas em 9 anos, ou cerca de 40 toneladas por ano. Esta inovação credenciou a Mil Madeiras Preciosas de Itacoatiara, Amazonas, a receber o Selo do Protocolo de Kyoto pelo uso de energia limpa.

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1. Introdução:

1.1 Oportunidades e Desafios do Uso e Manejo Florestal Sustentável na Amazônia

A importância da exploração madeireira, enquanto uso da terra, é reconhecida em praticamente todas as regiões com floresta do planeta (Schulze et al., 2008). Manejo florestal sustentável é definido como a administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras, de múltiplos produtos e subprodutos não-madeireiros, bem como a utilização de outros bens e serviços de natureza florestal (Brasil, 2006). O manejo de floresta nativa causa poucos impactos se forem usadas técnicas de manejo florestal, pois são retiradas apenas entre 3 a no máximo 5 árvores adultas por hectare. E a cobertura florestal é pouco alterada contribuindo para a manutenção de grande parte da biodiversidade original da área e mantendo vários serviços ambientais como proteção de solo, de mananciais de água e proteção contra incêndios (Sabogal et al, 2011). No entanto, nas últimas décadas a floresta amazônica tem sofrido constantes ameaças devido principalmente à exploração predatória de madeira e da agropecuária. Segundo o INPE, na Amazônia, de 1988 a 2011 foram desmatados o equivalente a 392 mil km2, uma área superior ao Estado de São Paulo. A diminuição da cobertura florestal implica em vários problemas socioambientais como: perda de biodiversidade, emissão de gases do efeito estufa, alteração do clima local, conflitos fundiários, perda de referências culturais, desemprego e pobreza (Adeodado, 2011). A exploração predatória contribui para esta ameaça porque na dinâmica do desmatamento regional é a porta de entrada para a conversão da floresta em outros usos do solo. Esta atividade é danosa porque causa impactos ambientais significativos na floresta deixando-a sem condições de se recuperar, suscetíveis a incêndios florestais, ventos. E por outro lado compete de maneira desleal com quem está fazendo manejo florestal. Isso porque quem pratica esta atividade está fora da lei, não é dono da terra (grileiro) e geralmente este tipo de atividade está associado a roubo de madeira e corrupção (Adeodato, et al, 2011).

Para realizar manejo florestal é necessário seguir procedimentos relativamente simples e que tem resultado significante na redução de impactos ecológicos e econômicos negativos principalmente pela maior eficiência das atividades de manejo. E quem faz manejo

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