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A Biossegurança

Por:   •  10/2/2019  •  Trabalho acadêmico  •  4.780 Palavras (20 Páginas)  •  9 Visualizações

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INTRODUÇÃO

Todos os profissionais da área de saúde, direta ou indiretamente, estão expostos continuamente, em seus locais de trabalho, a fatores de risco e vulnerabilidade, os quais geram um sentimento de incerteza e sensação de fragilidade em seu meio de trabalho uma vez que estes se expõem rotineiramente a múltiplos e variados riscos relacionados a agentes químicos, físicos, biológicos, psicossociais e ergonômicos (Santos et al., 2012). O espaço hospitalar, como exemplo, pode ser considerado um ambiente complexo e insalubre, onde os trabalhadores atuantes estão expostos a diversas enfermidades infectocontagiosas durante a realização de procedimentos que oferecem riscos de acidentes e doenças para os mesmos (Nishide,  2004). Desta forma, verifica-se que estes profissionais estão sujeitos a elevado grau de risco ocupacional, destacando-se a exposição aos agentes biológicos.

Um dos conceitos mais emergentes nesse contexto é o de biossegurança que visa à prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades relacionadas com a prestação de serviços de saúde, os quais podem comprometer a saúde do trabalhador, do meio ambiente, a qualidade dos trabalhos desenvolvidos e os próprios usuários dos serviços. A área de conhecimento de biossegurança é relativamente nova, por isso se constitui num desafio para os profissionais, especialmente da área da saúde (Andrade, 2007).

Com o evento da resistência microbiana na década de 50 e, com o aumento do número dos casos de pacientes portadores ou infectados pelo vírus da imunodeficiência (HIV), na década de 70, observou-se a necessidade iminente da implantação de medidas de barreiras na transmissão das doenças (Lima et al., 2007).

Neste sentido, em 1987, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) publicou a atualização das recomendações para a prevenção da transmissão de microrganismos em instituições de saúde, conhecida com Precauções Universais e, o isolamento de substâncias corpóreas. Tais medidas foram indicadas para evitar a contaminação dos pacientes e profissionais de saúde, através do contato com sangue e, alguns tipos de fluídos corpóreos de pacientes portadores ou infectados por agentes transmissíveis. Em 1996, houve a revisão dessas medidas incluindo outras precauções, sendo estas chamadas de precauções padrão, precauções estas baseadas na transmissão por via aérea, por partículas/gotículas e por contato com pele não íntegra ou não ou com superfícies contaminadas por microrganismos multirresistentes ou não (CDC, 2007).

A partir da epidemia do HIV/AIDS nos anos 80, no Brasil, foram implementadas medidas para proteção dos profissionais nos serviços de saúde de acordo com a publicação da Constituição Brasileira, em 1988 em consonância com as medidas que foram implementadas para proteção desses profissionais pelos CDC, representando um importante marco na atenção à saúde dos trabalhadores de saúde (Nishide, 2004).

Partindo-se dessa premissa, no Brasil, o uso de EPIs tornou-se obrigatório, sendo regulamentado pela Norma Regulamentadora - (NR) 06, aprovada pela lei nº 6514/77, do Ministério do Trabalho, que tem a utilização desses equipamentos como uma barreira de proteção da integridade física do trabalhador, exigindo seu uso pelo contratado bem como o fornecimento pelo contratante (Lima et al., 2007). Há também a NR-07 que objetiva a promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores a partir do estabelecimento da obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte dos contratantes e instituições que admitam seus contratados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Outra norma regulamentadora considerada de extrema importância no cenário brasileiro é a NR-32, a qual objetiva estabelecer diretrizes básicas para implementar medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral, na qual preconiza o uso de EPIs, a higienização das mãos, a vacinação contra hepatite B, tétano e difteria, entre outras disposições (Magagnini et al., 2011; BRASIL, 1994).

Os acidentes de trabalho representam, tanto para as instituições como para os trabalhadores, um grande problema de saúde pública. Nesse sentido, é importante destacar os diversos agravos envolvendo exposição ocupacional a material biológico, nos quais os agentes etiológicos podem determinar doenças graves, sendo que esses acidentes nem sempre têm resultados visíveis em curto prazo. 

Pode-se destacar cerca de vinte e duas doenças passíveis de serem transmitidas por meio da interação paciente/profissional de saúde, sendo os patógenos veiculados pelo sangue e representantes do maior impacto na saúde do trabalhador os vírus da hepatite C (HCV), da hepatite B (HBV) e da imunodeficiência humana (HIV), causador da Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (AIDS). Considerando os riscos de exposição a material biológico contaminado, os acidentes com perfurocortantes são os mais frequentes nas instituições de saúde (Magagnini et al., 2011; Lima et al., 2007; Gomes et al., 2008).

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