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Modo básico e acordes de escala corretos

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Por:   •  30/8/2014  •  Tese  •  8.925 Palavras (36 Páginas)  •  199 Visualizações

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O modo maior e os acordes próprios da escala

A nossa escala maior, a sequência dó-ré-mi-fá-sol-lá-si, cujos sons se baseiam nos modos gregos e eclesiásticos, pode ser explicada como uma imitação da natureza. Intuição e combinação cooperaram para que a qualidade mais importante do som, seus harmônicos superiores (que representamos – como toda simultaneidade sonora – verticalmente), fosse transferida ao horizontal, ao não simultâneo, ao sonoro sucessivo. O modelo natural, o som, tem as seguintes propriedades:

Um som constitui-se de uma série de sons concomitantes, os harmônicos superiores. Forma, pois, por si próprio, um acorde. Tais harmônicos, para um som fundamental dó_1,são:

dó_2-sol_2-dó_3-mi_3-sol_3-(sib_3 )-dó_4-ré_4-mi_4-fá_4-sol_4 etc…

Nesta série, o dó é o que soa com mais força, tanto por ocorrer mais vezes quanto por ser, ademais, realmente o som fundamental. Ou seja: ressoa ele mesmo.

Depois do (dó), o que soa mais forte é o sol. Por aparecer antes e com maior frequência que os outros harmônicos.

Imagine-se agora este sol_2, como som real, não mais como harmônico (como exemplo ocorre nas formações horizontais dos harmônicos superiores quando, por exemplo, toca-se a quinta de uma trompa em dó). Assim, seus harmônicos serão:

sol_3-ré_3-sol_4-si_4-ré_4 etc..., e a origem deste sol, junto com seus harmônicos superiores, é dó (som fundamental da trompa). Com isso temos a circunstância de entrarem em ação os harmônicos superiores do harmônico superior.

Sucede então:

Que um som efetivamente sonante (sol) depende de um som situado uma quinta abaixo dele (dó).

Isso permite concluir que:

Este som dó é dependente, por sua vez, de um som situado uma quinta abaixo dele, ou seja, de um fá.

Se tomarmos agora o dó como som central, poderemos representar sua posição entre duas forças: uma tendendo para baixo, ao fá, e outra para cima, ao sol:

Logo, sol depende de dó na mesma direção em que dó sofre a influência de fá. Por assim imaginar, é algo semelhante a força de um homem pendurado a uma viga, opondo-se à força da gravidade. Ele atua, ao mesmo tempo e na mesma direção, em relação à viga, quanto a força da gravidade em relação a ele. Porém, o resultado é que sua força age contrariamente à da gravidade. Isso nos autoriza a presentar ambas as forças como opostas.

Falarei ainda algumas vezes desta peculiaridade e tirarei dela algumas conclusões. De momento, é importante notar que estes três sons estão numa relação muito estreita, são aparentados. Sol é o primeiro harmônico de fá. Portanto, este primeiro harmônico é o mais semelhante (depois das oitavas) ao som fundamental, o que contribui à caracterização do som como eufonia.

Se é legítimo supor que os harmônicos de sol possam ser levados efetivamente em consideração, então podemos estender esta hipótese, analogamente, aos harmônicos de fá, uma vez que fá está para dó assim como dó está para sol. E dessa maneira explica que a série de sons resultantes é sempre composta pelos constitutivos essenciais de um som fundamental e pelos seus afins. São estes parentes mais próximos, precisamente, o que fornece estabilidade ao som fundamental, mantendo-o em equilíbrio através de suas forças atuando em direções opostas. Essa série de sons aparece como um sedimento resultante das particularidades dos três fatores, como projeção vertical, como soma:

Som Fundamental Harmônicos

FÁ fá dó...fá.....lá

DÓ dó......sol......dó.....mi

SOL sol ré sol si

Fá dó sol lá ré mi si

A soma dos harmônicos superiores, eliminando-se os que se repetem, proporciona os sete sons de nossa escala. Todavia, aqui ainda não estão ordenados em uma sucessão. Contudo, mesmo essa ordem escalar pode ser obtida se admitirmos que também agem os outros harmônicos superiores. Semelhante hipótese não é apenas permitida, mas necessária. O ouvido também poderia ter determinado a altura relativa dos sons resultantes, comparando-os a cordas tensas que aumenta ou diminuem de tamanho conforme o som seja mais grave ou mais agudo. Mas poderia também guiar-se pelos harmônicos superiores mais distantes. A soma destes dá o seguinte resultado:

Som

Fundamental Harmônicos

FÁ fá...dó...fá....lá...do...(mib)...fá...sol...lá...(Sib)...dó...etc.........fá...etc...

DÓ dó......sol......dó...mi.............sol..........(sib)...dó...ré...mi...fá....sol...etc..

SOL sol..........ré..................sol..........si..............ré.........(fá)..sol..lá..si..dó..ré

(mib) (sib)

Dó ré mi fá sol lá si dó ré mi fá sol lá si dó ré, que é a nossa escala de Dó-maior.

Aqui se apresenta um interessante resultado secundário.

Os dois sons (mi) e (si) aparecem, na primeira oitava, modificados em mib e sib, respectivamente. Isto explica por que podia ser discutível se a terça é uma consonância ou não. Mostra também por que em nosso alfabeto musical ocorrem o (si) e o (sib). Havia dúvidas (na primeira oitava) a respeito de qual deles é o som correto. A segunda oitava (qual os harmônicos) de fá e dó devem soar débeis) decidiu a favor de mi e de si naturais.

Se os pioneiros da arte dos sons encontraram essa sequência por intuição ou por combinação é algo que escapa ao nosso juízo e, de resto, não tem importância. Entretanto, podemos contrapor aos teóricos, estabelecedores de complicadas doutrinas, que devemos julgar aqueles que fizeram descobertas não somente pelo seu instinto, mas também pela sua reflexão. Não é impossível que, neste caso, a verdade tenha sido descoberta só pela razão, que parte do mérito caiba não apenas ao ouvido, mas também à combinação. Não somos nós os primeiros

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