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EXPLIQUE O CONCEITO DE ROMANCE MODERNO (NOVEL) SEGUNDO IAN WATT

Por:   •  5/1/2021  •  Resenha  •  3.467 Palavras (14 Páginas)  •  7 Visualizações

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EXPLIQUE O CONCEITO DE ROMANCE MODERNO (NOVEL) SEGUNDO IAN WATT.

O início da trajetória deste romance moderno que se despertou no século XVIII, ressaltou seu contraste com outros gênero, que a uma primeira vista, aparentava certa oposição ao que já estava sendo desenvolvido, colocando o realismo atrelado a ideia de que sempre está a expor o lado mais feio e pessimista da vida, porém, seguindo o raciocínio de Watt, o realismo simplesmente trata de retratar “todo tipo de experiência humana e não só as que se prestam a determinada perspectiva literária: seu realismo não está na espécie de vida apresentada, e sim na maneira como a apresenta” (2010, p13). Logo, houve uma tendência a taxar, de forma equivocada, como uma expressão vulgar, que abordava somente temáticas simples, porém, assim como as pinturas contemporâneas da época, em específico, retratos que demonstrava certo rigor meticuloso nos detalhes, os franceses foram os primeiros a usar a expressão (realisme) e logo fez conexão com as obras de Rembrandt.

Assim como os valores estéticos desta nova escrita, reflexões em torno da realidade, no sentido epistemológico, tiveram grandes avanços, sobretudo no âmbito filosófico que acabou por influenciar o pensamento que pairava as produções intelectuais, estabelecendo vínculos pela necessidade do momento. O pensamento moderno e a postura diante deste novo pensamento realista parecem buscar um rompimento com as convicções tradicionais em busca de moldar um novo paradigma que parta do individual e explore a percepção contemplativa do momento evocando um exercício interpretativo, logo, a interpretação e a busca pelos significados das coisas (semântica) estão presentes nas realidades, seja ela no mundo material ou no das palavras (literatura).

É importante dizer que muitos romances que vieram antes deste período do século XVIII tinham em sua ideia embrionária, fontes da mitologia, textos bíblicos, fábulas entre outras construções narrativas tradicionais que constituía aquela sociedade ocidental da época. Se antes o romance foi, em certa medida, articulado como um “modelizador”, firmando as tradições e os modelos morais para atender aos anseios idealizadores daquela sociedade, evocando uma espécie de resgate memorial. O desafio futuro reside justamente na tentativa de expressar com fidedignidade as experiências humanas, descartando as zonas turvas e obscuras desta natureza. Esta ideia apresentou-se frágil, pois acarretaria uma construção contraditória com a percepção realista, podendo soar anacrônico e pouco verossímil para o momento em que ascende este movimento literário.

Diante de tal reflexão, os enredos baseados em narrativas tradicionais começam a perder força para privilegiar a percepção particular de mundo, colaborando para que nesta “revolução”, também surjam ideias novas e originais que apresente histórias com personagens mais esféricos, rompendo com cenários até então, determinados pela convenção literária adequada daquela época. A ideia de mudança está justamente no desvencilhar das coisas comuns e generalizantes presente nos romances que antecederam o século XVIII (e ainda presente no início deste século), e que se propunha a debruçar-se sobre a particularidade específica em uma circunstância específica.

É importante ressaltar que Watt não despreza os processos que permeiam o romance que antecede o realismo, o autor explica que o modo de escrever romance era algo difícil, mesmo sob modelos pré-estabelecidos, pois “convém lembrar, no entanto, que a tarefa não era fácil, ainda mais na época em que a imaginação criadora só podia se expressar sob forma literária evocando um modelo individual e extraindo um significado contemporâneo de um enredo que em si não constituía novidade” (2010, p.16). Aqui é exposto o esforço do autor da época em oxigenar narrativas já popularizadas e ao mesmo tempo, trazer o frescor criativo de algo novo e inédito.

É importante reforçar a ideia de que o conceito realista presente na literatura surge dentro um contexto maior, que já apresentava tais mudanças na percepção de realidade e tomando conhecimento deste contexto amplo, fica difícil apontar aspectos fundamentais que marcaram o realismo no romance, pois são inúmeras as influências. Para Watt (2010), diante de tantos aspectos, os que mais marcam esta narrativa são: a caracterização e a apresentação rica em detalhes dos ambientes presentes no romance. Neste processo de criação a caracterização de personagens também ganha nova dimensão, o nome das personagens tomou proporções importantes para nesta construção de identidade particular, colaborando para a criação de figuras singulares, assim como as pessoas na sociedade. As personagens ganham, não apenas nomes, mas também sobrenomes, tornando-as mais próximas da contemporaneidade, e se distanciando cada vez mais do romance de ficção que tendia por adotarem nomes mais característicos e que carregavam ainda referências de narrativas que ainda constituía a memória cultural, sobretudo literária da sociedade daquele período.

 

É possível afirmar que nesta construção da personagem realistas, apresentam-se características individuais que, além de situa-lo e destaca-lo pela sua individualidade, portando nome e sobrenome, suas reflexões particulares de como o mesmo vê as cosias e como se vê inserido neste mundo, assim Justificando a relação espacial que os autores estabeleciam nesta relação entre personagens e ambientações, por meio acumulativo descritivo de riqueza de detalhes na escrita. Tudo isso corrobora para que se estabeleça uma relação entre o ambiente (cena) e o personagem, refletindo assim, o modo particular de ver e viver naquele universo ficcional. Se a ação realista apresenta o ambiente espacial como elemento fundamental, tendo em vista a característica descritiva minuciosa, o tempo também está presente nesta ação.  

A presença do tempo nas ficções anteriores às escritas realistas não apresentava uma sequência definida. Segundo Watt, “a sequência de acontecimentos situa-se num continuum de tempo e espaço muito abstrato e atribui bem pouca importância ao tempo como um fator dos relacionamentos humanos” (2010, p. 24). Logo, o tempo destes romances eram frouxos e não carecia de indicações delimitadas, pois a construção da fábula privilegiava as intenções e suas resoluções, assim também era tratada as construções espaciais, no qual a ambientação; o lugar em que se passa a ação, não era um elemento determinante para o desenvolvimento da trama. Com a chegada desta nova construção de romance, o espaço e o tempo tornam-se elementos fundamentais na trama, pois tais elementos vão implicar diretamente na subjetividade e individualidade do personagem que ali se faz presente.  O próprio autor argumenta que ao evocar uma temporalidade, a probabilidade de ser relacionada um determinado momento à um determinado espaço é maior (2010, p.26), assim evidenciando a percepção introspectiva da relação espaço-tempo, contribui para ressaltar a ideia de que cada indivíduo se relaciona com tais elementos de maneira particular e relativa, indo além das funções mecânicas de ordem e regra estabelecidas principalmente pelo tempo percebido pela perspectiva cronológica.

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