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Oxóssi O Caçador

Por:   •  16/6/2026  •  Artigo  •  2.643 Palavras (11 Páginas)  •  9 Visualizações

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OXÓSSI NA MITOLOGIA INDÍGENA E NO SINCRETISMO AFRO-BRASILEIRO. Lays Grazyelle Silva da Rocha

Resumo

Este artigo visa relatar a historiografia de Oxossi, entendida da cultura afro-brasileira e personagem essencial para os indígenas brasileiros. Mostrando seus feitos e sua importância para a história brasileira. Parte de uma história muitas vezes apagada pelo preconceito religioso e pelos pagamentos da cultura ancestral brasileira, onde muitas vezes a história não dá visibilidade para os povos originários e nem para os ensinamentos que eles deixaram para nós e para o seu povo.

————————————————————————————————————— PALAVRAS CHAVES: Oxóssi, afro-brasileiro, cultura, sincretismo

Abstrair

This article aims to report the historiography of Oxossi, understood from Afro-Brazilian culture and an essential character for Brazilian indigenous people. Showing his deeds and his importance to Brazilian history. Part of a history often erased by religious prejudice and payments of ancestral Brazilian culture, where  history often does not give visibility to the native peoples or to the teachings they left for us and for their people.

————————————————————————————————————— KEY WORDS: Oxóssi, afro-brazilian, culture, syncretism

Introdução

Este artigo tem como objetivo analisar a figura de Oxóssi, um orixá central na cultura afro-brasileira e uma entidade de grande importância nas tradições indígenas brasileiras. Com algumas de suas definições sendo; entidade protetora das matas, um caçador, representação da fartura, linhagem de direita, e um caboclo, Oxóssi desempenha um papel fundamental tanto no Candomblé quanto na Umbanda, sendo reverenciado por sua sabedoria e força. Na primeira vertente, Oxóssi é Orixá e não fala a nossa língua. Ele, quando incorporado, apenas profere gritos de guerra que se referem a sua natureza guerreira, e seus rituais são ligados à feição de santo. Já na umbanda, Oxóssi é entidade espiritual de linhagem direita em alguns terrenos, um ser humano que já viveu em terra, encerrou seu ciclo de encarnação e está trabalhando para elevar o seu grau de luz, como um caboclo. Nos cultos ele fala a nossa língua, suas oferendas são ligadas a mata e a fartura. Por séculos durante a história do Brasil, as religiões de matriz africana e seus personagens sofreram um processo duradouro de marginalização e sincretismo, o segundo um dos responsáveis pela preservação na sociedade brasileira perante a intolerância religiosa. Essa pesquisa procura entender não só a importância de Oxóssi como entidade nas linhas de Candomblé e Umbanda, mas também sua adaptação dentro do sincretismo afro-brasileira e os desafios enfrentados por seus praticantes na sociedade contemporânea.

Linhas da Umbanda e do Candomblé

Dentro das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, as entidades espirituais são tradicionalmente organizadas em duas linhas: a linha da direita e a linha da esquerda.

A linha da direita é associada à luz, à evolução e à paz. Ela é composta por entidades como os caboclos, pretos-velhos, baianos, erês, marinheiros e ciganos, que orientam os médiuns em seus caminhos espirituais. Essas entidades ensinam que o mundo é algo que precisa ser cuidado, que seu corpo é sua morada e precisa de respeito e cuidado.

Já a linha da esquerda é regida pelos exus, pombagiras e exus-mirins. Essas entidades lidam com energias mais densas e trabalham na quebra de demandas, proteção espiritual e resolução de questões materiais, como justiça e amor. A linhagem de esquerda ensina sobre o respeito, abre caminhos e cobra os erros, explica que tudo que se faz tem um preço, e que eventualmente terão de pagar por ele.

Vale a ressalva de que apesar dessas divisões, muitas casas espirituais não se utilizam o termo “linhagem de esquerda ou direita”, pois socialmente, esse termo foi historicamente construído para tornar as entidades de esquerda maléficas. São associadas a mandingas, e muitas vezes apontadas como o próprio diabo, enquanto as de direita são entidades iluminadas e puras. Em vez disso, as casas enfatizam apenas a energia das entidades e como elas trabalham, seja para luz ou para seus trabalhos mais densos.

[pic 1]

Figura 1 – Representação de Exu no graffiti urbano.

Fonte: RECONSTRUINDO EXU. Exu, Graffiti e Pichações. Disponível em: http://reconstruindoexu.blogspot.com/2014/07/exu-graffiti-e-pichacoes.html?m=1 Acesso em: 07 mar. 2025.

Linha de Caboclos

São guerreiros sérios e energéticos. Procurados pela sua sabedoria e bons conselhos, como são uma linha tipicamente brasileira, eles buscam sempre guardar os valores e a sabedoria ancestral de antes dos colonizadores.

Os caboclos são representados pela imagem do indígena, mas não são apenas os indígenas que são caboclos. Normalmente representados sempre pelas penas, cocar, colares e saiotes, eles carregam a ancestralidade e o poder de guiar as pessoas de forma sábia, um guia espiritual forte e evoluído.

 Cultuado e chamado para lidar com problemas dos seus médiuns, são consultados para muitas coisas, pois são muito sábios. Não costumam falar sobre questões de amor, pois não tinha estes valores morais em sua vida, preferem sempre basear suas palavras em sua vivência, sua alma e seus caminhos.

O chefe da linhagem dos caboclos é Oxóssi, o caçador.

[pic 2]

Figura 2 – Representação de Oxóssi, o caçador

Fonte: Significados. Disponível em:

https://static.significados.com.br/foto/oxossi.jpg?width=1024.

Acesso em: 10 jan. 2025.

Alguns caboclos conhecidos na linhagem são: Caboclo Sete Alvoradas; Caboclo Flecha Certeira;

Caboclo das Sete Encruzilhadas;

Caboclo Sete Flechas;

Caboclo Sete Pedreiras;

Caboclo Sete Montanhas;

Caboclo Arranca Toco;

Caboclo Pena Branca;

Caboclo Cobra Coral;

Caboclo Pena Verde.

História de Oxóssi, o caçador

Oxóssi, filho de Yemanjá e Oxalá, irmão de Ogun, é um dos orixás mais importantes da tradição iorubá, sendo reverenciado como o senhor da caça, guardião das matas e protetor da fartura. Sua origem está profundamente ligada ao conhecimento das florestas e ao aprendizado com Ossain, o orixá das ervas sagradas. Segundo Pierre Verger (1981, p. 132), Oxóssi desempenha múltiplos papéis na sociedade africana: além de garantir a alimentação por meio da caça, ele também possuía uma função social e administrativa, pois "os caçadores eram os únicos a possuir armas nos vilarejos, servindo também de guardas-noturnos".  

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