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Construindo na sociedade Em: Small scale, big change. New architectures of social engagement

Por:   •  22/2/2016  •  Resenha  •  1.477 Palavras (6 Páginas)  •  182 Visualizações

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Universidade Federal da Bahia

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

História Contemporânea

Turma 020200

Ana Carolina Bierrenbach

Samira Pezzorgnia Nader

Lepik, Andres. (org). “Construindo na sociedade”. Em: Small scale, big change. New architectures of social engagement. Nova York, MOMA, 2011.  Pp.12-21

        No trecho do livro de Andres Lepik, Construindo na Sociedade, o autor versa sobre o papel da arquitetura de qualidade em prol de causas humanitárias, além de voltar-se apenas para clientes que possam pagar por seus serviços. Lepik traz, como uma introdução à sua argumentação, um contexto de carência social mundial, trazendo dados de que, por exemplo, boa parte da população não tem uma residência para cumprir suas necessidades básicas e quase 1 bilhão dos 6,5 bilhões de habitantes do planeta vivem com menos de 150 dólares por ano, além de trazer cenários como o tsunami que invadiu a Àsia em 2004 ou os terremotos na China, em 2008, e no Haiti, em 2010. E então, ele diz que, apesar de a mais recente crise econômica global ter mostrado como nos últimos tempos a arquitetura tem se voltado pouco para as questões sociais, um número crescente de arquitetos vem recuperando, aos poucos, a consciência de sua responsabilidade social, e desenvolvendo projetos que tentam solucionar problemas pontuais em todas as partes do mundo.

        MATERIALIDADE

        Aqui, Andres aborda a importância da escolha de materiais em determinadas regiões e principalmente quando materiais como concreto, vidro e aço são mais caros e requerem maquinário avançado. Sendo assim, volta-se para os métodos mais tradicionais, como o uso da terra, seja em pau a pique, tijolos ou adobe. O autor, então, exemplifica diversos casos em que o uso da terra foi feito de forma feliz. Como o arquiteto egípcio Hassan Fathy, que, durante a década de 40, posicionou-se contra o uso de materiais industriais e de maquinaria pesada e conseguiu destacar a construção em terra como uma solução barata para solucionar os problemas habitacionais do Egito. Um de seus principais projetos nessa área foi a construção de um complexo habitacional com equipamentos como escolas e mercados em Nova Gourna, que deveria abrigar 7 mil pessoas, solicitado pelo governo, no qual Fathy fez um grande estudo da tipologia regional e procurou entender com a comunidade o que eles necessitavam.

        Um outro exemplo também citado é o caso do arquiteto africano Diébédo Francis Kéré, que criou uma escola primária em Gando, Burkina Faso, seu país de origem, usando tijolos de barro secos ao sol, com uma mistura modificada pelo mesmo e também uma máquina movida à força humana para comprimir ainda mais os blocos. Seu trabalho ajuda a comunidade em diversas direções: além da contribuição da escola, contribui criando uma oportunidade de aprendizado, além do trabalho, para os trabalhadores e artesãos da região e também em suas turmas da Universidade Técnica de Berlim, em que Kéré tem levado seus estudantes para conhecer seu trabalho e suas técnicas construtivas em Gando.

        CRIANDO LUGARES PARA IDENTIDADE SOCIAL

        Nesse tópico Lepik fala sobre a necessidade de se criar lugares para que as porções menos privilegiadas da sociedade, que, na maioria das vezes não recebem tanta atenção política, também se sintam identificados, pois na maioria das vezes essas comunidades menos abastadas têm carência de equipamentos e infraestrutura.

        Sobre isso, o autor dá três exemplos de projetos que contribuíram de várias formas para identificação social de uma certa comunidade. Dentre os três, o que me chamou mais a atenção pela maneira como movimentou muitas formas de ajuda foi o Red Location Museum of Struggle, um museu dedicado à memória do Apartheid, do arquiteto Jo Noero, em Port Elisabeth, na África do Sul, local que na época do Apartheid sofreu muita resistência política. O museu englobará, no futuro, um museu de arte, uma biblioteca, um centro de artes performativas e um arquivo municipal. Desde o fim do Apartheid, a maior parte da população sofre com o desemprego e a pobreza, porém, durante a construção do museu, mais de 2000 postos de trabalho foram criados, atualmente 70 pessoas trabalham no museu, e com o fluxo alto de visitantes, o comércio da região recebeu muitos patrocinadores.

        ENSINANDO POR EXEMPLOS

        Aqui o autor fala sobre algumas iniciativas de programas onde arquitetos recém-formados possam acompanhar todas as fases de um projeto, desde a consolidação das ideias à construção propriamente dita, com foco em projetos para comunidades menos privilegiadas, pois, é algo que a maioria das escolas de arquitetura não propiciam e que é muito importante para os arquitetos mais novos. Um exemplo desses programas é a Rural Studio, de Samuel Mockbee e D. K. Ruth, vinculado com a Auburn University, no Alabama, que ficava em uma casa antiga de fazenda em Hale, há 3h aproximadamente do campus de Auburn. O programa visava criar projetos com os estudantes que beneficiassem a população de Hale. Já foram criadas mais de 120 estruturas visando alguma carência da cidade e mais de 600 alunos tiveram também um grande benefício.

        OS MODELOS PARA EDIFÍCIOS

        Este tópico trata de arquitetos que aceitaram o desafio de projetar edifícios para populações carentes com uma renda curta. O autor cita apenas dois exemplos notórios. O primeiro é a firma Elemental, do Chile, que, com apenas 7500 dólares (renda disponibilizada pelo governo chileno para cada família participante), desenvolveu uma casa construída até a metade, para que a outra metade seja construída pelos futuros moradores. O segundo exemplo é o do arquiteto Teddy Cruz, um crítico forte da arquitetura puramente comercial nos países desenvolvidos, voltada para os interesses privados. Cruz dissemina suas ideias através de palestras, publicações e, atualmente, com um projeto na comunidade San Ysidoro, Califórnia, para imigrantes de baixa renda, com a colaboração da organização sem fins lucrativos Casa Familiar. O seu maior desafio era conseguir permissão para construir, pois o zoneamento da região tem limite unifamiliar em cada lote, mas Teddy conseguiu recentemente que suas unidades multifamiliares fossem aceitas.

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