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Estrutura De Mercado Do Setor Supermercadista Do Rio Grande Do Sul E Identificação Do Seu Grau De Concentração

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Por:   •  7/10/2014  •  5.307 Palavras (22 Páginas)  •  2.075 Visualizações

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Estrutura de mercado do setor supermercadista do Rio Grande do Sul e identificação do seu grau de concentração

Everson Vieira dos Santos

RESUMO

O trabalho estudou as transformações estruturais ocorridas no setor supermercadista do Rio Grande do Sul entre 1994 e 2005, explorando o paragdima Estrutura-Conduta-Desempenho (E-C-D) e conceitos dele decorrentes E fatores que com ele interagem. Calculou-se, ainda, o grau de concentração de mercado, utilizando-se o Índice de Concentração (Ck). Os resultados apontaram para concentração neste segmento da economia gaúcha, considerado oligopólio com franjas, que acompanha as tendências nacionais e mundiais, no qual as quatros maiores redes supermercadistas responderam por 41,64% do faturamento do setor em 2003, 42,02% em 2004 e 47,25% em 2005.

PALAVRAS-CHAVE

Estrutura; Setor supermercadista; Índice de concentração.

ABSTRACT

The study examined the structural changes that occurred in the Rio Grande do Sul’s supermarket sector, between the years of 1994 and 2005, exploring the Paradigm Structure-Conduct-Performance (ECD) and concepts arising from it; as well as factors that interact with it. The degree of market concentration was calculated as well using the following index: Concentration Index (Ck). The results showed a concentration in this segment of the state’s economy, considered an oligopoly with fringe, which tracks national and global trends, in which the four largest supermarket chains accounted for 41.64% of the sector’s revenues in

2003, 42.02% in 2004 and 47.25% in 2005.

KEY WORDS

Structure; Supermarket sector; Concentration index.

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1 INTRODUÇÃO

Nas últimas duas décadas, o comércio varejista teve uma evolução significativa, proporcionada pelo desenvolvimento tecnológico. Neste processo a informática teve destaque, uma vez que propiciou , a geração de técnicas de gestão mais eficientes, melhor conhecimento sobre o modo de circulação dos produtos e serviços, ganhos de eficiência e incorporação de novos modelos organizacionais, mais intensivos em conhecimento e informação.

Conforme Tigre (2005, p. 45), as “[...] tecnologias da informação e comunicação têm um papel central neste processo, pois constituem não apenas uma nova indústria, mas o núcleo dinâmico de uma revolução tecnológica [...]”.

O setor varejista, principalmente o supermercadista, vive um momento de estruturação, influenciado pelas transformações que têm ocorrido na economia brasileira. Uma das características deste momento é a busca por operacionalização eficiente e competitividade. Para isso, o setor tem promovido ações como realizam troca de controle acionário, fechamento de lojas menos rentáveis, profissionalização da administração, capitalização das empresas, maior utilização de automação comercial, uso intensivo da informática, racionalização de operações, programas de redução de custos e diferenciação de produtos e serviços.

A estabilização da moeda, proporcionada pelo Plano Real, possibilitou, por um lado, um substancial incremento no faturamento das empresas do setor de supermercados e, por outro, impôs a necessidade de implementar mudanças no posicionamento estratégico das empresas, conforme descrito no quadro abaixo.

Quadro 1: O Setor Supermercadista Brasileiro –Totais do Setor – 1994 a 2005.

Critérios de análise

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

N° lojas (Total Auto-Serviços)

37.543

41.839

43.763

47.847

51.502

55.313

61.259

69.396

68.907

71.372

71.951

72.884

Everson Vieira dos Santos

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Faturamento Anual *

34,9

40,6

46,8

50,4

55,5

60,1

69,2

74,2

81,7

89,3

98,7

106,4

Participação % do faturam. sobre PIB

6

6,6

6,2

6,02

6,1

6,1

6,3

6,2

6,1

5,7

5,5

5,5

N° empregos diretos

650.000

655.200

625.000

655.000

666.752

670.086

701.622

710.743

718.631

739.846

788.268

800.922

Área de vendas (em milhões de m2)

-

-

-

12

12,7

13,1

14,3

15,3

15,9

17,9

18,1

18,4

N° check-out

-

-

-

123.170

125.867

135.914

143.705

156.022

157.446

163.216

166.503

169.583

Fonte: Revista Superhiper- maio-2000 e 2006. * Em bilhões de reais nominais

O Plano Real propiciou que redes estrangeiras investissem ou reinvestissem no Brasil. No trabalho de Aguiar e Amim (2005), os autores apontam que, após a implantação do Plano Real, houve um aumento na entrada de redes supermercadistas estrangeiras no país, evidenciando um aumento de concentração de mercado neste setor. Aguiar e Silva (2002), indicam um aumento expressivo nos processos de fusões dentro do setor de supermercados em meados da década de 90, principalmente, com ascensão das redes estrangeiras Carrefour (francesa), Wal Mart (norte-americana), Sonae (portuguesa) e Royal Ahold (holandesa).

A entrada de redes estrangeiras trouxe modificações profundas no market-share do setor supermercadista brasileiro, uma vez que gigantes varejistas estrangeiras realizam maciços investimento no País, através de abertura de novas lojas, aquisições e fusões.

Objetiva-se neste estudo apontar as principais modificações estruturais ocorridas no setor de supermercados do Estado do Rio Grande do Sul, evidenciando a conduta e desempenho das empresas, e calcular o grau de concentração deste setor.

O texto está organizado em cinco seções. Na seguinte, será apresentada a metodologia utilizada no trabalho. Na terceira parte, será abordada a descrição do setor supermercadista nacional e brasileiro, enfatizando-se

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as transformações relevantes ocorridas neste segmento de mercado. Já na quarta seção, resgatam-se os processos de fusões e aquisições ocorridos no Estado do Rio Grande do Sul, que repercutiram sobre o market-share das empresas do setor, bem como no poder de mercado. O resultado dos cálculos do índice de concentração do setor varejista será exposto na quinta seção, seguido pelas considerações finais do trabalho.

2 METODOLOGIA

O trabalho tem caráter descritivo; aponta as principais modificações estruturais do setor supermercadista de Porto Alegre, bem como as mudanças relevantes ocorridas no setor desde o Plano Real.

O estudo do setor supermercadista gaúcho foi encaminhado dentro do paradigma Estrutura-Conduta-Desempenho (E-C-D) empregado na literatura de economia industrial, que pode determinar o poder de mercado das empresas que nele operam.

De acordo com o modelo E-C-D, visão tradicional da organização industrial, a estrutura em que operam as empresas tende a influenciar a conduta, a postura e o desempenho das empresas, o que, por sua vez, traz reflexos sobre o grau de satisfação dos clientes das redes varejistas.

Referente à estrutura de mercado, são considerados fatores como a participação do governo, diferenciação de produtos, distribuição e número de vendedores e compradores, existência de barreiras à entrada de novos concorrentes, integração vertical, elasticidades de demanda e economias de escala de produção.

Já a categoria de análise, denominada de conduta das empresas, considera as estratégias adotadas pelas empresas quanto a preços, produtos (diferenciação), propaganda, colusão e investimentos em pesquisas e inovações.

Quanto ao desempenho ou performance das empresas, a mensuração pode ser realizada pelo crescimento do produto, de avanços tecnológicos

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e inovações obtidas, da eficiência-distributiva, dos preços praticados e dos lucros alcançados.

As informações do presente trabalho foram pesquisadas em fontes secundárias, entre elas, entidades representativas dos supermercados, como a Associação Gaúcha de Supermercado (AGAS) e Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Desta forma será apurado o número das principais redes do setor e como se processou a entrada e saída de novas redes neste segmento. Além disso, calculou-se o indicador de concentração de mercado, com base nos dados fornecidos pela AGAS e ABRAS, que segue discriminado a seguir.

Índice de Concentração – Ck

Este índice retrata a participação das “k” maiores empresas no mercado, considerando a soma das suas participações no mercado, ou seja, seu market-share. Se por exemplo, tivermos C4, então estaríamos considerando a soma das participações das quatro maiores empresas do setor supermercadista do Rio Grande do Sul.

Fórmula:

k

Ck ≡ Σ si

i

Onde:

si = a participação de mercado da empresa i

k = o número de empresas selecionadas do mercado

3 CENÁRIO SUPERMERCADISTA NACIONAL E ESTADUAL

O mercado brasileiro varejista de supermercados tem sido alvo de grandes investimentos de redes estrangeiras que vêm em busca de novos mercados consumidores, uma vez que seus mercados de origem apresentam sintomas de saturação. O trabalho de Aguiar e Concha-Amim

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(2005) sinalizou que após o Plano Real houve maior entrada de redes supermercadistas estrangeiras no Brasil.

Os grupos estrangeiros estão cada vez mais interessados em investir no Brasil. Exemplos são os grupos , Sonae, Carrefour, Wal Mart e Royal Ahold. O Brasil oferece atrativos para essas grandes redes comerciais, uma vez que há grande mercado consumidor, baixo poder de competitividade instalado e pouca restrição da legislação quanto a entrada de novas empresas no mercado.

Segundo Sesso Filho (2003), após 1995, ocorreu a modernização do setor supermercadista, com a introdução do uso de novas tecnologias, reestruturação das relações com fornecedores, migração do poder de mercado da indústria para o varejo e processos de fusão e aquisição.

Com intuito de enfrentar os novos desafios a que estão sendo expostas, as empresas brasileiras procuram adotar procedimentos no sentido de aumentar seu poder competitivo, como melhorias nas lojas, vendas das lojas menos rentáveis e criação de organizações com central de compras e distribuição nas redes varejistas de médio e pequeno porte. Segundo especialistas, uma forma de contornar este problema é a definição do nicho de mercado e foco de atuação por parte da empresa. Também sugerem ao pequeno empresário criar um conjunto de elementos que proporcione aos funcionários motivação e ânimo para permanecerem na empresa, explorando mais o conceito de vizinhança de supermercado tradicional.

Quanto às empresas nacionais que não conseguem se ajustar à nova realidade, podem optar pela associação ao capital estrangeiro como uma estratégia de permanecer no mercado. No setor supermercadista, de modo particular em Porto Alegre, observa-se uma expansão das grandes redes estrangeiras e brasileiras por meio da aquisição de pequenas e médias empresas do setor.

Esses argumentos podem ser enfocados pela visão schumpeteriana, a qual enfatiza a inovação como sendo uma expressão de vantagem competitiva temporária, devendo, portanto, ser uma estratégia de ação da empresa.

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Dados da ABRAS indicam que, no período de 1996 a 2000, mais do que triplicou o número de empresas brasileiras absorvidas pelo capital estrangeiro, quando comparado à primeira metade dos anos 90.

Conforme Aguiar e Concha-Amim (2005) os processos de fusão e aquisição, na sua maior parte, ocorreram em apenas três anos, 1999, 2000 e 2001, principalmente após o processo de liberalização do mercado cambial brasileiro, que permitiu, entre outras ações, o aumento do poder de compra das empresas estrangeiras. Ainda, segundo os autores, no período de 1998 a 2002 as três maiores redes supermercadistas CBD (Companhia Brasileira e Distribuição), Carrefour e Sonae, foram responsáveis por 37,9% de todas as fusões ocorridas no setor.

Conforme a ABRAS, as fusões e aquisições criaram a figura das “super‑regionais”, redes que, para impedirem o avanço de concorrentes poderosas, concentram seu poder de fogo em determinada região. Dois exemplos disso ficam por conta do Bom Preço, joint venture com a Holandesa Royald Ahold, em expansão no Nordeste, e o grupo português Sonae (quen o ano de 2006 foi adquirido pela Wal Mart), na Região Sul do País. Cada vez mais os grandes grupos estão ocupando espaços regionais, por meio de sua expansão geoeconômica, com o propósito de consolidar suas posições no mercado.

A opinião de especialistas é de que o nível de concentração do setor de supermercados continua abaixo de índices de concentração de outros países, alegando que é necessário somar o faturamento das 50 maiores empresas do ramo para se obter 60% do mercado.

O nível de concentração brasileiro é baixo se comparado ao dos países europeus e da América Latina. Na Alemanha, as cinco maiores organizações detêm 75% do total movimentado pelo autosserviço; na França, esse percentual é de 67%; já na Argentina e Colômbia, as cinco maiores companhias detêm 45% e 50% do faturamento total do setor, respectivamente.

Conforme a ABRAS, o processo de aquisição de redes menores pelas redes maiores se iniciou no Sul e se espalhou pelo País. O fenômeno deve se estabilizar, de acordo com os dados a Associação, quando cerca de 50% das vendas estiverem nas mãos das cinco maiores redes do ramo. O processo

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representa uma tendência mundial, visto que a concentração já chegou à saturação nos países desenvolvidos, onde os mercados consumidores já não apresentam perspectivas de expansão. Os países desenvolvidos, principalmente europeus, passaram a criar restrições à construção de hipermercados, na tentativa de proteger os pequenos e médios estabelecimentos.

4 FUSÕES E AQUISIÇÕES E CENÁRIO ESTADUAL E DA CAPITAL GAÚCHA

Resgatando o cenário do setor supermercadista do Rio Grande do Sul de 1995, temos que o arranjo de mercado, considerando as fusões ocorridas até 1994, tivesse a seguinte composição: a Companhia Real de Distribuição, a primeira no ranking de 1994, agia no setor com os nomes Big Shop, Kastelão, Real e Bonjour. Os Supermercados Dosul também operavam como Poko Preço e Centro Útil; os Supermercados Zottis utilizavam o nome de Mobycenter para expandir suas vendas, e finalmente, a Sogenalda trabalhava no setor através dos Supermercados Econômico e Exxtra-Econômico. O setor de supermercados conta ainda com o Carrefour e Zaffari.

Até início do Plano Real estavam estruturadas as redes Dosul, Zottis, Nacional, Econômico, Zaffari, Carrefour e Real, entre os grandes supermercados de Porto Alegre, sendo o consumidor disputado por um maior número de redes. Hoje, todas essas empresas, com exceção do Carrefour e Zaffari, foram adquiridas pelo grupo português Sonae, que posteriormente foi adquirido pelo grupo Wal Mart.

O trabalho desenvolvido por Klein, em 1995, apontou para uma situação de concentração de mercado na indústria de supermercados de Porto Alegre, quando, na época, as quatro maiores redes, Cia. Zaffari, Cia. Real, Cia. Dosul e Carrefour respondiam por 69,2% do faturamento do mercado. Constatou ainda, a existência de liderança de preço pelas grandes redes.

Em termos de liderança de preço, o trabalho de Santos (2000), indicou para transmissão de preços de alguns produtos no setor supermercaEverson

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dista de Porto Alegre, das redes de maior porte para as de menor porte, indicando uma liderança de preços pelas redes maiores. No entanto, o estudo centrou-se em três produtos e em um período de intenso processo de fusão e aquisição no setor.

No ranking estadual de 1997, a liderança era ocupada pela empresa Nacional Comércio Distribuição de Alimentos, seguida pela Cia. Zaffari, Cia. Real e, em quarto lugar, com o fim da rede Dosul, ficou o Exxtra-Econômico.

Em janeiro de 1998, ocorreram mudanças no quadro das lideranças no ranking estadual, quando o Grupo português Sonae adquiriu o capital social da rede gaúcha Exxtra-Econômico.

Cabe lembrar que o grupo português Sonae, que usava o nome Sonae Distribuição Brasil, era, naquele momento, neste momento proprietário das marcas Big Shop e Cia. Real que atuavam no mercado gaúcho, também passou a ter sob seu controle, no mês novembro de 1997, a rede Mercadorama, número um no ranking Superhiper/Abras (1997) no Paraná, que contava com 12 lojas naquele estado.

Outra grande aquisição do grupo português Sonae no Rio Grande do Sul, realizou-se no mês de março de 1998, quando associou-se à maior rede gaúcha, a empresa Nacional Administração e Participações (Supermercados Nacional), nas suas operações comerciais de supermercados e hipermercados. A empresa resultante da associação atuou no mercado com o nome de Sonae Distribuição Brasil. Conforme o acordado, os pontos de vendas permaneceram com o Nacional, e foram explorados pelo Sonae na forma de arrendamento mercantil. Dando sequência ao processo de investimento – ou de fusão/aquisição – o grupo Sonae comprou, ainda no mês de março, a segunda maior rede do Paraná, a rede Coletão, com oito lojas de venda.

Em 1998 o setor supermercadista, em termos de faturamento anual bruto por empresas, apresenta um pequeno número de grandes redes que detêm a maior parte do faturamento total do setor, e o nível de concentração ficou mais elevado, com a compra,

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pelo grupo português Sonae, de três redes supermercadistas que figuravam entre as quatro primeiras do ranking estadual de 1997 no Rio Grande do Sul.

O processo de aquisição e fusão, observado em relação ao grupo Sonae, aponta um maciço investimento no setor supermercadista, não somente no Rio Grande do Sul, mas também na Região Sul do país, onde parecia querer fixar seu mercado.

Desta maneira, a composição nas primeiras posições do ranking estadual de 1998 ficou alterada em relação ao ano de 1997. Apenas a Companhia Zaffari permaneceu sob a mesma administração. As demais companhias passaram para o controle do grupo português Sonae, como pode ser constatado pelo o ranking de 1998 da AGAS.

O avanço dos grandes grupos na área de supermercados fez com que o consumidor porto-alegrense fosse, em sua maioria, cliente de apenas três gigantes do varejo, uma vez que as pequenas redes locais estão sendo absorvidas. As três maiores empresas Sonae, Zaffari e Carrefour, respondem por 90% do faturamento do setor na Capital e são responsáveis por cerca de 55% da receita estadual, segundo a AGAS.

A rede gaúcha Zaffari, em 2004, conseguiu entrar para o seleto grupo das cinco maiores redes brasileiras, embora sua distância da primeira colocada seja enorme: enquanto a Cia. Zaffari apresentava faturamento de 1,2 bilhão de reais, a CBD registrava 15,4 bilhões de reais, segundo dados da revista SuperHiper, de maio de 2005.

A grande mudança em termos de aquisição registrada pelo segmento, ocorrida em 2006, foi a entrada no mercado da gigante Wal Mart, que assumiu o primeiro lugar no ranking local e segundo no ranking nacional, ao incorporar a rede portuguesa Sonae e o segundo lugar no ranking nacional.

Segundo Chandler (1992), o surgimento e o fortalecimento da grande empresa estão vinculados a um conjunto de eventos interligados. O cluster de inovações inter-relacionadas é considerado importante, uma vez que desencadeia mudanças significativas ligadas ao sistema de

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produção e comercialização. Essas mudanças possibilitam redução nos custos de transação e operação com economias de escala e de escopo, facilitando o surgimento dos oligopólios. O avanço da informática proporciona às empresas melhores e mais eficientes meios de gerenciamento da comercialização, de controle de estoques, de logística, dos fluxos de entrada e saída de recursos financeiros e utilização de meios de pagamentos imediatos, que minimizam perdas.

5 ÍNDICE DE CONCENTRAÇÃO E PODER DE MERCADO

O índice de concentração do setor supermercadista gaúcho foi calculado para os anos de 2003, 2004 e 2005, tomando como referência o faturamento bruto das redes de supermercados informado e divulgado pela AGAS. Destaca-se que a rede Carrefour somente ingressa no ranking do Estado no ano de 2005, quando passou a informar o seu faturamento à AGAS.

Pelo fato de o Carrefour atuar há muitos anos em Porto Alegre (desde 1975) e ter um faturamento expressivo do setor supermercadista, optou‑se pela estimação do faturamento desta rede para os anos de 2003 e 2004, com base nas taxas médias de crescimento do setor.

Outro fator que não permitiu que os índices fossem apurados desde 2000, mesmo dispondo-se do ranking desde 2000, foi que a informação sobre o faturamento da rede Sonae, de 2000 até 2002 repassada à AGAS refere-se ao faturamento da rede em nível nacional. Esta informação gera uma distorção nos índices de concentração, uma vez que a diferença entre o faturamento da rede em termos nacional e estadual é expressiva.

O quadro abaixo apresenta o faturamento bruto e market-share das maiores empresas do setor supermercadista do Rio Grande do Sul.

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Quadro 2 - Faturamento do Setor Supermercadista do Rio Grande do Sul — Faturamento em milhões de R$

Empresas

2003

Fatur. Part. %

2004

Fatur. Part.%

2005

Fatur. Part. %

Sonae

1.806 20,82

2.179 22,14

2.550 25,51

Zaffari

1.182 13,62

1.268 12,89

1.410 14,10

Carrefour

475 5,48

509 5,17

560 5,60

Com.Unida Cereais

149 1,72

179 1,82

204 2,04

Demais

..... ....

..... ....

...... ......

Total

8.682 100

9.841 100

9.996 100

De acordo com o quadro, os índices mostram que a rede Sonae manteve as taxas de crescimento nos anos analisados, registrando um aumento de 22,51% em sua participação no mercado no período, bem como manteve a liderança no setor supermercadista. A diferença entre a rede Sonae e a Cia. Zaffari, que ocupa a segunda colocação no ranking, giram em torno da cifra de 1,1 bilhão de reais

As redes Zaffari e Carrefour apresentaram crescimento pouco expressivo na participação de mercado no período, 3,52% e 2,19%, respectivamente. Mesmo assim, há uma projeção da rede Zaffari, em âmbito nacional, ao passar a ocupar a quinta colocação no ranking da ABRAS.

Em termos de concentração de mercado, observa-se que as redes acima responderam por 41,64% do faturamento do setor em 2003, 42,02% em 2004, e 47,25% em 2005. Nota-se um processo de aumento de participação das quatro maiores redes no faturamento do setor, ou seja, um aumento de seus “market-share” no período de análise, fazendo com que o grau de concentração do segmento no estado gaúcho aumentasse. Destaca-se que o aumento do índice de concentração, de 41,64% em 2003, para 47,25%, é explicado em grande parte pelo crescimento da participação de mercado do grupo Sonae.

A literatura industrial nos diz que, se houver uma firma que detenha ao menos 40% do mercado, não possuindo um rival próximo, então ela será chamada de firma dominante. Caso as quatro maiores firmas do

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mercado possuam mais de 60% de parcela no mercado (market-share), teremos um caso de oligopólio forte. É considerado oligopólio fraco quando o market-share das quatro maiores empresas não ultrapassar 40% do mercado.

O índice de concentração para as quatro maiores empresas (C4) no mercado do Rio Grande do Sul, considerando a soma das suas participações nesse mercado, ou seja, seu market-share em 2005, de 47,25%, foi maior do que o índice de concentração em âmbito nacional apurado no trabalho de Aguiar & Concha-Amim (2005), que registraram um índice de concentração do setor supermercadista, no ano de 2002, de 39%. O setor de supermercado gaúcho parece enquadrar-se melhor na situação de oligopólio fraco.

Ressalta-se que a Cia. Zaffari, nos últimos 10 anos, tem mantido a segunda colocação nos rankings do Estado, bem como tem apresentado uma sequência de crescimento na maior parte deste período. Esta performance pode ser atribuída às estratégias de mercado adotadas pela empresa, como utilizar um marketing identificado com a qualidade dos serviços e produtos. (diferenciação).

Ainda no trabalho de Aguiar & Concha-Amim (2005), os autores calcularam índices de concentração para as cinco maiores empresas (C5) para situar a estrutura do varejo brasileiro no contexto internacional, registrando casos de países europeus como Portugal, com 63,2%, Áustria, com 60,2%, Bélgica e Luxemburgo, com 60,9%, e Reino Unido, com 63%, todos no ano de 1999.

Existe uma relação importante entre o processo de concentração do mercado varejista da Europa com o crescimento do grau de concentração deste setor no Brasil. Conforme a ABRAS, no mercado europeu já ocorreu um esgotamento de possibilidade de crescimento naquele mercado, que por sua vez, gerou a busca por novos mercados com intuito de realizar seus investimentos, representado, assim, uma possibilidade de continuidade de crescimento das redes varejistas europeias. Registra‑se que, em 1995, chegaram ao Brasil as redes Sonae

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e Wal-Mart; em 1997, foi a vez da holandesa Royal Ahold e, em 1999, entra no país o Grupo Cassino.

Nos aspectos ligados à economia de escala das grandes redes, ocorre o uso de poder de negociação frente a fornecedores, que inclui propagandas compartilhadas até bonificação em mercadorias para grandes ofertas.

Nas compras com grande volume de mercadorias, os supermercados conseguem obter descontos por volume comprado, que lhes permite um custo menor nas mercadorias, o que não implica necessariamente em preços ao consumidor menores. Esta estratégia, que garante economia de escala, já vem sendo adotada nos últimos anos pelas pequenas redes de supermercados, com a formação de cooperativas que realizam as compras para os associados (um exemplo é a Unisuper).

Caso o fornecedor dos supermercados seja uma empresa de grande porte (Nestlé, Sadia, Perdigão, Coca-Cola, Gilette, etc) que desfrute da fidelidade do consumidor em relação ao seu produto, as negociações em termos de preço devem acontecer em torno de padrão similar de poder de mercado e com contratos de médios e longo prazo. Com fornecedores de pequeno e médio porte, prevalece o modo de organização tipo mercado spot. Nota-se que os três grandes varejistas do setor têm uma atuação contínua nos anúncios (uma vez por semana) de suas “promoções” nos meios de comunicação de massa, principalmente nos jornais de circulação estadual, como Zero Hora e Correio do Povo. Este tipo de despesa tende a ser diluído nas áreas de venda que apresentam maior faturamento, operação que não é alcançada pelas pequenas e médias redes.

Outro fator importante de competitividade é utilização de crediário próprio, que permite, além de ganhos operacionais, rendimentos financeiros.

No caso dos supermercados, os ganhos de economias de escala podem estar presentes nas atividades de compras, de marketing, nos serviços, na distribuição e nos treinamentos de pessoal. Os grupos varejistas, além de buscar operar com economias de escala, procuram economia de escopo em função da diversidade de mercadorias que comercializam.

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Outro fator que pode se constituir em barreira à entrada e saída de concorrentes do mercado diz respeito a especificidades dos ativos: quanto maior for o grau de especificidade do setor, menor a capacidade de liquidez destes ativos.. O setor estudado, em especial, os hipermercados e grandes supermercados, apresentam em algum grau esta característica, uma vez que equipamentos e instalações são adequados ao design e à área construída Sendo assim, este fator está ligado à existência de sunk costs (custos irrecuperáveis) que tornam-se inibidores à entrada de novas firmas.

Conforme Kupfer & Hasenclever (2002), existem vantagens absolutas de custos pelas empresas já instaladas, como diferenciação de produtos, fidelidade às marcas, economias de escala e escopo; por sua vez, a exigência de elevados investimentos iniciais, custos irrecuperáveis (sunk‑costs), elevado grau de integração da cadeia produtiva e entraves legais constituem importantes barreiras à entrada de novas firma no mercado.

O grupo Carrefour tem uma estratégia de vendas baseada em preço, buscando atingir um consumidor com mais baixa renda, o que foi enfatizado em determinado período, no qual esta rede cobria qualquer preço da concorrência, conforme anunciado nos meios de comunicação.

A rede Sonae, ao preservar os nomes dos grupos que adquiriu, principalmente do Grupo Nacional, optou por uma política de preservação dos aspectos históricos, emocionais e culturais associada ao Grupo, que identificava-se com a tradição gaúcha. Pelos investimentos realizados pelo grupo Sonae na reestruturação das lojas, na apresentação visual dos funcionários (novos uniformes), novos leiautes das lojas, inovação de marcas comercializadas e criação de marcas próprias, pode-se associar sua estratégia competitiva à combinação de maior qualificação de suas mercadorias com a prática de preço competitivo.

O estudo de Souza (2004), “Transformações no Setor Supermercadistas e Reflexos nos Preços da Cesta Básica na Grande Porto Alegre”, pesquisou entre os pequenos, médios, grandes e hipermercados, o porte de estabelecimento que apresentava preços mais competitivos,

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considerando preços médios mensais de uma cesta 54 de produtos, no período de agosto de 2003 a julho de 2004, tendo realizado 52 leituras de preços. O resultado, surpreendentemente, apontou para a dominância dos preços mais competitivos nos portes de pequenos e médios supermercados em aproximadamente 94% das leituras de preços.

Considerando os resultados até aqui expostos, as autoridades públicas, por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Secretaria de Defesa Econômica (SDE), devem estar atentas, realizando avaliações com intuito de preservar a concorrência neste setor, e tomando, se necessárias, medidas de combate ao abuso de poder econômico.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No período estudado constatam-se transformações na estrutura e na forma como opera o setor, em face do processo de globalização mundial de mercados, evidenciando-se uma tendência à concentração neste segmento da economia gaúcha, que acompanha tendências nacionais e mundiais.

O cálculo de Índice de Concentração de mercado forneceu indicação que o nível de concentração no setor de supermercados do Rio Grande do Sul está aumentando. Essa mesma tendência foi verificada no trabalho de Aguiar & Concha-Amin (2005), que avaliou o cenário nacional deste setor, no qual os autores identificaram que estrutura do segmento supermercadista passou de um grau de concentração moderadamente baixo, em 1992, para moderadamente alto em 2001. Os autores julgaram ainda que esta tendência foi impulsionada pela entrada de redes estrangeiras e por expressivo processo de fusões e aquisições, nos últimos anos da década de 1990.

A tese dos autores reforça o comportamento das mudanças estruturais ocorridas no segmento varejista no Rio Grande do Sul, principalmente pela entrada de redes estrangeiras no mercado gaúcho, primeiramente com o Carrefour, depois, com o grupo Sonae, que investiu pesado no

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setor tanto pela abertura de novas lojas como pelas fusões e aquisições de concorrentes.

Em um momento em que a liderança do Grupo Sonae parecia solidificada e absoluta no Estado do Rio Grande e região sul do País, o setor foi surpreendido com a venda da rede para o grupo norte-americano Wal-Mart, em 2006.

No ano de 2005, constatou-se uma participação elevada no setor de supermercados de quatro redes varejistas, que responderam por 47,25% do faturamento do setor no Estado. A situação é acentuada em Porto Alegre e Região Metropolitana, onde o foco de atuação das redes Sonae, Zaffari e Carrefour é mais direcionado e intenso.

O processo de concentração caracteriza-se por uma polarização, em direção aos grandes centros, em que há o domínio de poucas empresas e, por outro lado, há regiões nas quais o mercado se encontra pulverizado.

Segundo Labini (1980), o crescimento elevado concentração das empresas (econômica) e da concentração de produção (técnica), favorece o surgimento da concentração financeira.

Referenciando o desenvolvimento das grandes redes de supermercados nos países desenvolvidos, citado por Labini, o trabalho de Santos (2000) indicou tanto liderança de preços pelas redes maiores, no estudo de três produtos em Porto Alegre quanto existência de uma estrutura oligopolizada fraca no setor de supermercados no Rio Grande do Sul, onde as grandes redes conseguem, de fato, exercer o poder de mercado que detêm.

REFERÊNCIAS

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EVERSON VIEIRA DOS SANTOS

Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Econômico da UFRGS. Mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000). Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do Cesto Básico da Região Metropolitana de Porto Alegre calculado pelo IEPE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor adjunto do Centro Universitário Ritter dos Reis. Experiência na área de Economia e Estatística com ênfase em Economia, atuando principalmente nos seguintes temas: inflação e cesta básica.

E-mail: everson_santos@uniritter.edu.br

Everson Vieira dos Santos

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Recebido em: 30/11/2009

Aceito em: 17/04/2010

SANTOS, Everson Vieira dos. Estrutura de mercado do setor supermercadista do Rio Grande do Sul e identificação do seu grau de concentração. Revista Negócios e Talentos. Porto Alegre, ano 6, n.6, p 157-175, 2009.

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