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PARKOUR: O CORPO VIVENDO A URBANIDADE ATRAVÉS DA ARTE DO DESLOCAMENTO.

Por:   •  18/2/2013  •  5.109 Palavras (21 Páginas)  •  755 Visualizações

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PARKOUR: O CORPO VIVENDO A URBANIDADE ATRAVÉS DA ARTE DO DESLOCAMENTO.

Edilson Laurentino dos Santos

Mestre em Educação.

sonlaurentino@hotmail.com

RESUMO

Este trabalho propõe uma discussão preliminar sobre a atividade física denominada “Le Parkour” ou apenas “Parkour”, também conhecido como “A arte do deslocamento” na perspectiva de buscar elementos para entendê-lo enquanto Fenômeno Contemporâneo da Cultura Corporal, vislumbrando suas contribuições mo uma prática corporal alternativa na contemporaneidade, suas concepções filosóficas de vivência social com os espaços urbanos e da natureza, sua perspectiva de intervenção urbana através da ludicidade e do prazer na exploração destes espaços e a quebra de paradigmas sobre a obrigatoriedade da competição enquanto fator predominante nas práticas esportivas.

Palavras-chave: Parkour; Cultura Corporal; Educação do Corpo.

INTRODUÇÃO

Cada vez mais a sociedade moderna, fundamentada na lógica do capitalismo competitivo e consumista, personifica sentimentos individualistas, egocêntricos e exacerbados, que se apresentam nas mais diversas relações cotidianas das pessoas.

Indubitavelmente, esta mesma sociedade vive numa busca incessante por bens de consumo para preencher um vazio existencial que toma conta de todos. Ela caracteriza-se, essencialmente, pelo “Ter” em detrimento do “Ser”, pois a lógica do consumo nos diz que, quanto mais consumirmos mais seremos felizes, mesmo que para isso sejamos induzidos a consumir, também, até o que não nos é útil: se eu “Tenho” eu “Sou”. Tudo isso é imposto a partir de um discurso ideológico muito bem fundamentado, disseminados em diversos meios de comunicação de massas, no intuito de fazer parecer a todos que a vida só será mais prática, mais fácil, mais rápida, e quem sabe até, menos complicada e extenuante se consumirmos sem parar.

Inseridos numa sociedade tecnológica, aonde as informações chegam a uma velocidade até então inconcebíveis, queremos sempre que a solução de nossos problemas tenha a mesma resolutividade, e esteja bem ali a nossa frente, onde não tenhamos que desprender energia e esforços para resolvê-los. Quisá tivéssemos um controle remoto (analogia bastante pertinente considerando a contemporaneidade tecnológica) e no momento que não gostássemos de uma determinada situação em casa, no trabalho ou na escola, pudéssemos num click , acelerá-las sem dar a devida atenção ou simplesmente saltá-las por completa, como se o fato de ignorarmos o problema momentaneamente, resolvesse toda a situação.

Desejamos que tudo o que é externo a nós resolva nossas pendências, nossos problemas, e isso não seria incomum, numa sociedade onde nos educam a pensar que as “máquinas” resolvem tudo, inclusive nossas pendências afetivas, emocionais e espirituais.

Voltando nossa atenção às contradições existentes entre o discurso utilizado pela sociedade do consumo, quando afirma que, se adquirirmos e consumirmos mais e mais os produtos oferecidos pela infindável catarata de propagandas estaremos também mais preenchidos, satisfeitos e seremos mais felizes, Martins (1993) nos diz que:

“A satisfação trazida pelo dinheiro parece vir não do fato de simplesmente possuí-Io, mas sim de possuir mais do que os outros. Numa sociedade de consumo, ter dinheiro significa poder consumir e é sinônimo de busca de felicidade e status. A compra de um produto tido como importante pelo grupo social ao qual o consumidor pertence produz uma imediata sensação de prazer e realização e geralmente confere status e reconhecimento a seu proprietário. Também, conforme a novidade vai-se desgastando, o vazio ameaça retornar. Quando isso ocorre, a solução padrão do consumidor é se concentrar numa próxima compra promissora, na esperança de que a satisfação seja mais duradoura e mais significativa”.

A busca por felicidade e satisfação é constante, quase que infinita. Muitos dizem que são realmente felizes. Porém, não é isso que estamos presenciando. Cada vez mais vemos uma sociedade assolada pelas doenças da modernidade , somatizando cânceres, cardiopatias diversas, obesidade, psicoses e transtornos fóbicos e de ansiedade , como a anorexia, a bulimia e o Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC.

Como é possível que esta sociedade, apesar de toda a modernidade, tanto social quanto tecnológica, pensada e idealizada para oferecer comodidade e proporcionar felicidade para as pessoas,

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