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Território e Identidades

Por:   •  8/2/2019  •  Artigo  •  1.485 Palavras (6 Páginas)  •  23 Visualizações

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Território e Identidades

O território é um espaço constituído, por homens, seres e objetos. Esta construção se da ao longo do espaço/tempo por diversos atores, construindo uma historicidade territorial, que pressupõe movimento e transformações nas relações constituídas.

Nos assentamentos rurais, essa historicidade territorial possui idiossincrasia no que diz respeito à formação desse espaço. Um novo arranjo territorial é constituído, fundindo dois momentos distintos, o antes e o depois da constituição do assentamento. Segundo Saquet (2009) existe uma centralidade na atuação espaço-tempo na construção dos territórios, “o espaço está no tempo e o tempo está no espaço” (SAQUET, 2009, p. 74).

Citando Raffestin, Saquet (2009) nos traz a seguinte concepção;

Espaço e território não são termos equivalente [...]. É fundamental entender como o espaço está em posição que antecede ao território, porque este é gerado a partir do espaço, constituindo o resultado de uma ação conduzida por um ator [...]. (SAQUET, 2009, p. 26)

O espaço-tempo esta entranhado na constituição de novas identidades, culturas e relações de poder. As historicidades de cada ator que compõem esse novo território se fundem e constituem novas relações, mas com traços do espaço anterior ao assentamento. O espaço por sua vez ao ser apropriado e transformado em território se transforma em um “ator” que contribui para a formação das relações presentes nos assentamentos. 

Para Raffestin (1993), é o espaço que propicia a constituição do território resultante das atividades de atores sintagmáticos em qualquer que sejam os níveis.

É essencial compreender bem que o espaço é anterior ao território. O território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em qualquer nível. Ao se apropriar de um espaço, concreta ou abstratamente, o ator “territorializa” o espaço [...]. O território, nessa perspectiva, é um espaço onde se projetou um trabalho, seja energia ou informação, e que por conseqüência, revela relações marcadas pelo poder. O espaço é a “prisão original”, o território é a prisão que os homens constroem para si. [...]. O espaço é o local de possibilidades, é a realidade material preexistente a qualquer conhecimento e qualquer prática dos quais será o objeto a partir do momento em que o ator manifeste a intenção de dele se apoderar (RAFFESTIN, 1993, p. 143 -144).

O território é uma produção a partir do espaço. Esta produção é realizada através de um sistema sêmico, isto é, da representação social sob as possibilidades de apropriação.

Segundo Rocha (2013 apud SANTOS 2008), “o espaço se revela como um indutor e um induzido das relações sociais.” (ROCHA, 2013, p. 140). O espaço quando territorializado pelos atores detém em sua centralidade as características sociais, sendo o mesmo indutor de novas características sociais, culturais e políticas. Nos assentamentos podemos ter clara percepção desse movimento, onde o espaço é apropriado pelo homem e territorializado, após o mesmo se transforma em um elemento constitutivo-indutor das relações sociais que se dão neste território. Quando é induzidor das relações sociais o mesmo “é encarado[...] , como um produto social (LEFEBVRE, 1974).

Os atores que compõem os assentamento moldam o espaço e nele se reiteram, pois o espaço não é um produto só desses atores, mas resultado das historicidades do seu processo de formação.

 O território no que lhe concerne, segundo Raffestin (1993), é produto de uma ação conduzida por um “ator sintagmático” que define seus propósitos, por meio do trabalho, energia e informação.

Citando Saquet (apud Saquet 2003 [2001]), nos expõe a conseguinte percepção de território;

Em outras palavras, o território é resultado do processo de produção do e no espaço, [...] Para nós, espaço e território se confundem e se revelam mutuamente. Um está no outro. Ambos se efetivam pelas atividades do homem, são sociais, portanto produzidos. [...] Acreditamos que não é possível separar o inseparável, o uno e pensar o território separadamente do espaço. ( SAQUET,    , p 40, Grifo do Autor).

Destarte, conseguimos analisar um assentamento com base nos fatores que caracterizam e qualificam o território, como identidade, territorialidade, cultura entre outros.

As relações de poder possuem uma posição de destaque na análise territorial. Segundo Rocha (2013);

A complexidade da conceituação do território está na própria definição de poder, que, por sua vez, desenvolve a capacidade de legitimar ações sobre o espaço ao ponto de “delimitá-lo”. Assim, o exercício do poder é uma ação legitimadora do território. (ROCHA, 2013, p. 141).

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