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A JUDITH BUTLER

Por:   •  14/4/2019  •  Trabalho acadêmico  •  968 Palavras (4 Páginas)  •  13 Visualizações

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Capítulo 1 – Sujeitos do sexo/gênero/desejo

  • Teorizando o binário, unitário e além

Butler inicia o subcapítulo descrevendo como Beauvoir e Luce Irigaray diferem sobre as categorias fundamentais que reproduzem as diferenças de gênero. Enquanto Beauvoir vê os gêneros como categorias dialéticas assimétricas e Irigaray de um modo mais amplo – a própria dialética é elaborada pela economia masculinista. Butler critica o discurso de Irigaray dizendo que ele é monolítico e universalizante, e por isso sua teoria falha porque não consegue captar especificardes culturais. A tática de Irigaray seria uma imitação das estratégias do opressor para categorizar as mulheres em uma só categoria, como uma unidade – e isso não é assim.

Seguindo, Butler questiona a corrente feminista que ela chama de “essencialistas”, e suas “alegações universalizantes”. Nos termos de Butler, essas teóricas acreditam na existência de uma identidade própria e única das mulheres. Butler diz que essas “alegações universalizantes” partem de um ponto de vista epistemológico compartilhado que torna a categoria “mulher” algo normativo, exclusionário, e que não dá conta de abarcar as tais intersecções de raça, classe etc.

Butler continua dizendo que alguns esforços têm sido feitos no sentido de fazer uma política que não assuma uma forma pré-definida de “mulher”, mas que abarque as várias identidades das várias mulheres em variados contextos, de modo a não se assumir uma unidade, e que ao mesmo tempo abrace as contradições. Esses esforços são feitos no sentido de NÃO SE PRESSUPOR o que é ser mulher e a solução para isso é um conjunto de encontro dialógicos mediante o qual as mulheres articulem identidades separadas na estrutura de uma coalizão emergente. Só que, logo a seguir, ela diz que “[a] própria noção de ‘diálogo’ é culturalmente específica e historicamente fundada, e enquanto um falante pode sentir-se seguro de que a conversa esteja acontecendo, outro pode ter a certeza de que não está”, e que se faz necessário questionar as condições em que este diálogo ocorre. Butler assevera que questões de raça, classe, etnia, orientação sexual etc não podem ser simplesmente adicionadas à condição “mulher” para que a “categoria mulher” seja de fato completa.

O que Butler propõe é que se assuma uma “incompletude definicional”, porque segundo a autora afirma em mais uma pequena série de perguntas retóricas, é a insistência em se encontrar uma unidade que causa os rachas na ação política e estabelece uma “norma exclusionária de solidariedade a nível de identidade”. De acordo com ela, o fato de não existir uma identidade unificada a respeito de quem é o agente do feminismo pode fazer com que um maior número de “mulheres” possam ser incluídas no feminismo, tornando a luta feminista mais efetiva, porque a própria noção de “identidade” não é algo fundacional e/ou estático.

O gênero é uma complexidade cuja totalidade é nunca é exibida de forma completa em qualquer que seja o contexto, qualquer conjuntura. Uma coalizão de mulheres dialogante afirmaria identidades alternativamente construídas – alternativo às definições tradicionais – e abandonadas; essa união, aliança que faz o dialogo sobre a identidade mulher permite múltiplas convergências e divergências sobre essa identidade, sem obediência a alguma finalidade normativa e definidora.

  • Identidade, sexo e metafísica da substância

Neste subcapítulo, Butler aborda a noção de identidade, e o que as formulações comuns a respeito desse conceito têm a dizer sobre a identidade de gênero.

Butler questiona o que pode ser entendido como “identidade”, e em que sentido as identidades podem ser entendidas como internamente coerente, fixas, idênticas entre si, e o que essas assunções dizem sobre “identidade de gênero”. O QUE É IDENTIDADE? COMO A IDENTIDADE PODE SER ENTENDIDA COMO COERENTE E FIXA? E O QUE ISSO TEM A VER COM A IDENTIDADE DE GÊNERO?

A discussão sobre identidade propriamente dita vem antes da discussão sobre identidade de gênero pelo simples fato de que pessoas só são entendidas através do processo de em que adquirem o gênero de acordo com os padrões de conformidade. Isso porque a “coerência” e a “continuidade” da “pessoa” não são características lógicas e analíticas da personalidade, mas normas de inteligibilidade instituídas e mantidas socialmente — de modo que a “pessoa” em si deixaria de existir se não estivesse nos conformes, e apareceria apenas como uma perversão ou impossibilidade lógica. As normas de gênero buscariam assegurar uma interpretação única dos conceitos de sexo, gênero e sexualidade, e dentro dessa noção de igualar [identidade de] gênero à personalidade é “a heterossexualização do desejo” que cria oposições entre “feminino” e “masculino”.

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