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Proposição Da Arte

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Por:   •  31/10/2012  •  9.614 Palavras (39 Páginas)  •  1.027 Visualizações

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A QUESTÃO DOS DETERMINANTES DOS

SALÁRIOS NAS TEORIAS CLÁSSICA,

MARXISTA E NEOCLÁSSICA

Silvia Horst Campos*

As questões da formação e da evolução dos salários e da estrutura salarial são um

tema indubitavelmente relevante da economia política. Constituem-se num objeto de

análise que se encontra em uma posição muito particular para explicar a inter-relação

dinâmica entre forças econômicas e fatores sócio-institucionais, ensejando discussões

que costumam extrapolar o campo puramente econômico, ampliando-se para o social

e o político.

Uma revisão da história da teoria dos salários conduz à evidência de que todas as

escolas de pensamento econômico possuem sua própria interpretação sobie a natureza

das leis de determinação dos salários, sendo que a nenhuma delas parece possível

atribuir a formação de um corpo teórico que, isoladamente, desse conta, de uma maneira

plenamente satisfatória, do problema.' O peso de suas contribuições ao tema é bastante

distinto, e as controvérsias surgem devido às diferentes interpretações quanto aos

determinantes dos salários e da sua distribuição.

Nesse sentido, observa-se que, historicamente, as questões que preocuparam os

economistas e pensadores com relação à teoria dos salários não têm sido sempre as

mesmas. Conforme argumenta Dunlop (1957, p.3-4), a teoria dos salários preponderante em um determinado período deve ser interpretada como um produto de vários

fatores: a) a teoria econômica dominante na época; b) as instituições fixadoras de

salários; c) o debate sobre as questões de política econômica; e d) o estágio de

desenvolvimento econômico e seus efeitos sobre a evolução dos salários reais. Ainda

* Economista da EEE.

A autora agradece os comentários e sugestões do Professor Roberto Camps de Moraes à versão

preliminar deste artigo. Os eventuais equívocos remanescentes são, obviamente, de exclusiva responsabilidade da autora.

A necessidade de elaborar as teorias de salários freqüentemente com elevados níveis de abstração do

mundo real, esboçando apenas "(...) os contornos gerais das características mais óbvias na base de um

conhecimento genérico, ou na base de deduções sobre a forma geral que têm as coisas" (Dobb, 1977,

p.95), limita a sua aplicação a lugares diferentes ou a períodos posteriores a mudanças dé situação e

constelação de forças vigentes. A contribuição clássica

o período coberto pelos clássicos estende-se desde a publicação de A Riqueza das

Nações de Adam Smith, em 1776, até o final do século XIX, sendo Smith, Ricardo,

Malthus e Mill os autores mais representativos tanto nas questões relativas aos salários,

quanto no que respeita a outros temas de interesse na análise econômica.

Na visão de Dunlop (19.57, p.5), a teoria clássica dos salários foi assim desenvolvida:

"O uso da terra segundo a teoria da renda não é um fator no processo de

fixação de preços, e o problema da distribuição transforma-se na divisão

entre o capital e o trabalho. O montante de capital usado é assumido como

proporcional ao montante de trabalho e, em conseqüência, os preços dos

produtos são proporcionais ao montante de trabalho empregado na sua

produção. O capital deixa de ser visto como um fator de proílução independente. Então todos os tipos e graus de trabalho são reduzidos a múltiplos do

'trabalho normal', de forma que a análise se concentra numa taxa de salários

única".

na sua opinião, o adequado entendimento das discussões passadas sobre salários só se

viabiliza mediante a reconstituição desses aspectos do contexto de cada época.

Com base nessas considerações, surge então uma primeira forma de efetaar uma

revisão bibliográfica retrospectiva das teorias de determinação dos salários, qual seja,

a divisão em três grandes períodos: a) o clássico, predominante no século XVIII;

b) o neoclássico "tradicional", que se estendeu até o início da década de 30; e c) o período pós-Grande Depressão. Pode-se afirmar que, de um modo geral, essa é a forma

de abordagem mais freqüentemente utilizada pelos estudiosos do tema.

Uma outra maneira de encaminhar a questão reveste-se de um caráter mais

interpretativo, partindo de "duas vertentes explicativas básicas" (Souza, 1980, p.9~10).

A primeira refere-se à teoria convencional dos salários que tem sua essência na escolha

individual das pessoas, enfatizando os aspectos de oferta e demanda de mão-de-obra,

e cuja expressão mais acabada é a escola neoclássica. A segunda fundamenta-se na

análise do papel do sistema econômico na determinação de uma taxa de salários que

permita a reprodução da força de trabalho e a acumulação de capital, inserindo-se na

tradição da escola

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