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"A CARTOMANTE" DE MACHADO DE ASSIS: MÚLTIPLAS LINGUAGENS, ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS E ENSINO DE LITERATURA "A CARTOMANTE" DE MACHADO DE ASSIS: MÚLTIPLAS LIN

Artigos Científicos: "A CARTOMANTE" DE MACHADO DE ASSIS: MÚLTIPLAS LINGUAGENS, ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS E ENSINO DE LITERATURA "A CARTOMANTE" DE MACHADO DE ASSIS: MÚLTIPLAS LIN. Pesquise 793.000+ trabalhos acadêmicos

Por:   •  15/5/2014  •  4.475 Palavras (18 Páginas)  •  2.246 Visualizações

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“A CARTOMANTE” DE MACHADO DE ASSIS: MÚLTIPLAS LINGUAGENS, ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS E ENSINO DE LITERATURA

Thayse da Cruz Pereira Belém

RESUMO

O presente trabalho pretende estudar como é feito o processo de adaptação da linguagem literária do conto “A Cartomante” (1994), de Machado de Assis para as linguagens quadrinística e cinematográfica e como essas adaptações contribuem para o ensino de literatura e para a formação do gosto pela leitura hoje. As adaptações analisadas serão o filme A Cartomante (2004), de Wagner de Assis e o romance em quadrinhos A Cartomante (2006) de Jo Fevereiro, Jo Sperl e Ciça Sperl da editora escala educacional. É importante ressaltar que os PCN de língua portuguesa do ensino médio enfatizam a importância de se trabalhar em sala de aula com múltiplas linguagens, tendo visto que, elas estão presentes em grandes quantidades no universo contemporâneo e refletir sobre elas: “(...) é mais do que uma necessidade, é uma garantia de participação ativa na vida social, a cidadania desejada.” (BRASIL, 2000, p. 6). Dessa maneira, selecionaremos imagens e cenas das adaptações, buscando perceber como os recursos peculiares destas linguagens (quadrinística e cinematográfica) que vão além do verbal, podem viabilizar o ensino de literatura e a formação do gosto pela leitura hoje. Estas adaptações, como ratifica Pina (2012, p. 58): “(...) trazem o lúdico e o diferente para o universo da criança e do adolescente, abrindo-lhes caminho para que construam formas críticas de lidar com ficção e com o real.” Sendo assim, estudar o processo de adaptação do conto escolhido para análise, sua atualização, seus leitores implícitos e os caminhos de leitura construídos e implicitados nas novas versões, é uma forma bastante instigante de investigar a releitura do cânone no século XXI brasileiro, bem como uma maneira de reinventá-lo, a partir das práticas de leitura contemporâneas.

PALAVRAS-CHAVE: múltiplas linguagens; ensino de literatura; adaptações literárias.

Discute-se muito, principalmente nos cursos acadêmicos de língua portuguesa, sobre linguagem, são inúmeros os conceitos que tentam defini-la. O que se sabe ao certo é que ela vai muito além do que simples instrumento de comunicação. A linguagem é uma poderosa ferramenta de interação social, que envolve o homem nas suas mais diversas atividades. Os PCN do ensino médio mostram que:

A linguagem permeia o conhecimento e as formas de conhecer, o pensamento e as formas de pensar, a comunicação e os modos de comunicar, a ação e os modos de agir. Ela é a roda inventada, que movimenta o homem e é movimentada pelo homem. Produto e produção cultural, nascida por força das práticas sociais, a linguagem é humana e, tal como o homem, destaca-se pelo seu caráter criativo, contraditório, pluridimensional, múltiplo e singular, a um só tempo. (BRASIL, 2000, p.5)

Esse conceito nos permite ter uma ideia da complexidade e também da relevância da linguagem. E nos faz entender o quanto ela está presente na vida do ser humano possibilitando a sua interação na sociedade, e de como ele é movimentado por ela. Mas não existe apenas uma forma de linguagem. Como já foi dito, o seu caráter é múltiplo e abrange várias dimensões.

São inúmeras as linguagens que nos cercam e que constroem as sociabilidades entre os seres humanos. Essas linguagens diferem entre si, cada uma possui seus códigos, entretanto, isso não significa que por serem linguagens distintas elas se isolam, ao contrário, são múltiplas porque se entrelaçam. Como nos mostra Maria Helena Martins (1996, p.95):

A linguagem verbal e a visual travam diálogos intensos e imemoriais entre si e provocam outros tantos entre seus autores e leitores. Mas principalmente em nosso tempo, essa interação adquire importância fundamental, pelas possibilidades cada vez maiores de diferentes linguagens iluminarem-se mutuamente, ampliando seus meios expressivos e suas leituras.

Nesse contexto, a sociedade não mais nos permite leituras que objetivem uma única interpretação, nem mesmo leitores apenas de livros. Hoje é cada vez mais necessário que o individuo seja capaz de compreender e dominar as múltiplas linguagens que o cerca para que ele possa atuar no universo contemporâneo e ter assegurado seu direito de participação ativa na vida social.

É da escola a função de viabilizar a compreensão e o domínio dessas linguagens e de seus sistemas. Deve ser dentro do espaço educacional que a criança ou adolescente perceba a necessidade de se tornar um ser moderno. Para Bauman (2001, p.26): “Ser moderno passou a significar, como significa hoje em dia, ser incapaz de parar e ainda menos capaz de ficar parado”. Isso implica uma incessante busca por conhecimento, é sinônimo de estar inquieto e de saber ler e compreender o mundo a sua volta, é dessa maneira que devemos desejar que nossos alunos sejam: modernos.

Nas aulas de língua portuguesa, especialmente no que diz respeito ao ensino de literatura, trabalhar as múltiplas linguagens é relativamente acessível, tendo em vista que existem hoje várias adaptações de obras clássicas da literatura para outras linguagens. Essas adaptações podem ser exploradas em sala de aula com o objetivo de se criar no estudante o gosto pela leitura, pois: “Elas trazem o lúdico e o diferente para o universo da criança e do adolescente, abrindo-lhes caminho para que construam formas críticas de lidar com ficção e com o real”. (PINA, 2012, p.58).

Nesse trabalho, me proponho a discutir como é feito o processo de adaptação da linguagem literária para a quadrinística e a cinematográfica e como essas contribuem para o ensino de literatura e para a formação do gosto pela leitura hoje, para isso tomo como objeto o conto “A Cartomante” (1994), de Machado de Assis e suas adaptações para o cinema através do filme A Cartomante (2004), de Wagner de Assis e para os quadrinhos através do romance A Cartomante (2006) de Jo Fevereiro, Jo Sperl e Ciça Sperl da editora Escala Educacional.

Machado de Assis, autor do conto adaptado, foi um escritor brasileiro que nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e faleceu em 29 de setembro de 1908. Foi um grande crítico e comentarista dos acontecimentos político-sociais de sua época e é considerado como o maior nome da literatura nacional.

Seu conto “A Cartomante”, publicado em

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