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Psicologia E Problemas Ambientais, Um Paradoxo?

Por:   •  19/3/2014  •  1.205 Palavras (5 Páginas)  •  416 Visualizações

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Psicologia e problemas ambientais, um paradoxo?

Todos nós temos tido contato com informações sobre os graves problemas ambientais que nosso mundo enfrenta atualmente, se não por interesse profissional, possivelmente porque a veiculação dos mesmos pela mídia causa repercussão social e garante audiência.

O crescimento populacional tem sido objeto de inúmeras análises, sendo um dos eixos centrais da chamada crise ambiental. Vale destacar aqui o fato de que durante 99,9% da história da humanidade fomos menos de 10 milhões de pessoas habitando o planeta; só muito recentemente nos aproximamos dos quase 6 bilhões atuais. Se, por um lado, tal fato ironicamente demonstra nosso crescente sucesso como espécie reprodutora, por outro sugere nosso total despreparo para lidar com 100.000 novos vizinhos (total de nascimentos menos total de mortes), em média, por dia! Ou uma nova Argentina por ano! A tendência da população mundial está sendo dobrar a cada 35 anos aproximadamente ou, dito de outra forma, quadruplicar a cada 70 anos (Veitch & Arkkelin, 1995, p. 230).

Se os números acima são assustadores per se, suas implicações relativas às diferentes regiões do globo são ainda mais preocupantes. Segundo dados da Conferência Internacional da ONU sobre População e Desenvolvimento (Gonçalves, 1996), os países em desenvolvimento são responsáveis por 95% do crescimento demográfico mundial, sofrendo muito mais suas consequências sociais, econômicas e ambientais. A população do continente africano, por exemplo, cresce a uma taxa média de 2,9% ao ano, enquanto que a média na Europa é de 0,25% (negativa, portanto!), o que irá acentuar ainda mais as diferenças de qualidade de vida entre as duas regiões.

Nossa América Latina cresce, em média, 2,1% ao ano, mas nossos problemas se agravam ainda mais por termos o índice de urbanização mais elevado do planeta (72%). O chamado êxodo rural transferiu do campo para as periferias miseráveis de nossas grandes cidades um contingente populacional deslocado tanto espacial, como temporalmente; tanto social e econômica, como ideologicamente. O modelo hegemônico de sociedade baseado no consumo de grande escala, desenvolvimento tecnológico e exploração dos recursos naturais provoca profundos desequilíbrios em micro e mega escala. América do Norte e Europa, com menos de 12% da população mundial, consomem mais de 42% de toda a energia produzida no mundo, sendo responsáveis por cerca de três quartos do efeito estufa antropogênico (Altvater, 1995).

O impasse de nossa civilização frente à crise ambiental tem sido objeto da atenção de autores e instituições cientificamente sérios e respeitados, pois negar a existência desses problemas não irá melhorar, ou mesmo garantir, a qualidade de vida de nossos netos. Lester Brown (1994), presidente do Worldwatch Institute, defende que a saída para o problema do crescimento demográfico e degradação dos sistemas naturais envolve planejamento familiar, melhoria do status da mulher e adoção de estratégias de desenvolvimento que explicitamente incluam a redução da pobreza.

A Psicologia recebe muitas perguntas sobre o assunto (ainda que poucas se concretizem formalmente), mas tem tido dificuldade em respondê-las de modo conclusivo e aplicável à realidade ampla da crise humano-ambiental ou à orientação de intervenções sócio-ambientais específicas (Pol, 1993; Stern & Oskamp, 1987).

Convém lembrar que a Psicologia, como campo formal de atividade científica, esteve presente apenas na porção mais recente da história da humanidade. Ela está no cenário mundial há pouco mais de um século e, portanto, apareceu depois que a população mundial já ultrapassara o primeiro bilhão. Se considerarmos também que a Psicologia, enquanto prática profissional estabelecida, está restrita essencialmente às zonas urbanas do planeta, talvez possamos concluir que nossa disciplina parece mais ser parte do cenário da crise ambiental do que um agente de sua solução.

Preservação ambiental aparece no topo das prioridades sociais e políticas nas pesquisas de opinião em vários lugares do mundo. Principalmente agora, quando o assunto é discutido na Conferência de Copenhague (COP15). Mas o abismo entre realidade e boas intenções é enorme. Em geral, somos todos defensores da redução da poluição, mas infelizmente ainda são poucas as pessoas que reciclam pilhas em vez de jogá-las na lata de lixo ou abrem mão do conforto do carro particular por iniciativa própria, ainda que alguns dias por semana. É comum que os mesmos que reclamam da má qualidade do ar e do trânsito em cidades como São Paulo se indignem com o rodízio obrigatório de veículos e burlem a norma.

Por que palavras e ações se contradizem tanto? Pesquisadores que estudam esse

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