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O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

Por:   •  22/8/2013  •  Seminário  •  586 Palavras (3 Páginas)  •  235 Visualizações

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O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um dos mais comuns transtornos psiquiátricos infantis e ele ocorre em 3% a 7% das crianças em idade escolar, de acordo com o critério de classificação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Neste sentido, o artigo “Ambiente familiar e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade” analisou os fatores associados ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividades em crianças. O estudo ainda será publicado na Revista de Saúde Pública e os seus autores são Thiago de Oliveira Pires, Cosme Marcelo Furtado Passos da Silva e Simone Gonçalves de Assis, todos da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP) da Fiocruz no Rio de Janeiro.

Segundo os autores, o TDAH é mais comum em crianças do sexo masculino e há declínio desta prevalência com o avançar da idade. Outro aspecto cognitivo de crianças com TDAH é a associação entre o quociente de inteligência (QI) e o transtorno, afirmam. Além disso, os autores lembram que “o componente genético e biológico do TDAH destaca-se na literatura e crescem os debates sobre a contribuição psicossocial do meio em que a criança se desenvolve”.

Em meio ao amplo conjunto de fatores para o desenvolvimento do TDAH, há os ambientais como “brigas conjugais severas entre os pais/responsáveis”; e os sociodemográficos – “baixa renda, baixa escolaridade dos pais e famílias numerosas” –, informaram no artigo. Os pesquisadores descrevem que a violência familiar foi introduzida recentemente como fator psicossocial na literatura sobre TDAH, através do indicativo que “pais de crianças hiperativas são mais inclinados a empregar métodos físicos para discipliná-las”. Neste sentido, eles relatam, no artigo, casos de crianças com TDAH no Irã, cujos pais usam mais da violência corporal do que pais de crianças sem o transtorno.

Os pesquisadores garantem que as investigações brasileiras sobre o transtorno indicam um quadro parecido com o do Irã. As crianças além de serem vítimas diretas de violência familiar, “são atingidas emocionalmente ao testemunhar a violência na família”, dizem. Estas crianças, segundo a equipe, tendem a apresentar comportamentos “externalizantes e internalizantes”; e uma pesquisa em escolas do Rio de Janeiro observou que crianças com TDAH tinham maior chance de terem presenciado brigas entre os pais.

Durante o estudo, os autores observaram que o nível do quociente de inteligência (QI) associou-se inversamente à frequência do transtorno, e crianças em famílias de funcionamento precário, comparadas àquelas com famílias que melhor se relacionam, apresentavam maior possibilidade de ocorrência de TDAH. “As maiores dificuldades apontadas no relacionamento familiar das crianças com TDAH foram planejamento de atividades conjuntas, confiança nos outros, tomada de decisões, aceitação do jeito de ser de cada um, presença de sentimentos ruins na família e relacionar-se mal quando juntos”, revelaram os autores na pesquisa. Além disso, eles apontam que a prevalência de TDAH entre crianças que sofrem agressão verbal da mãe foi 4,7 vezes maior do entre aquelas não expostas a essa situação no último ano.

Para os autores, as relações familiares negativas estão associadas aos sintomas do TDAH e sua ligação com o quociente de inteligência confirma a importância da base genética e ambiental na origem do transtorno. Neste sentido, eles aconselham que as intervenções psicossociais devem ser direcionadas à família da criança – “orientações para lidarem com a criança com o transtorno em seu próprio ambiente” – e estar relacionadas ao uso de medicamentos nos casos recomendados. Os pesquisadores explicam que instrumentos de rastreio, como este próprio estudo, são fundamentais para o mapeamento de possíveis casos que devem, posteriormente, ser encaminhados para o diagnóstico em atendimento clínico.

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