Resumo De Manejo De Traqueostomia Para Pacientes Em Leito Hospitalar
Por: JOAUNVITOR • 26/3/2026 • Resenha • 776 Palavras (4 Páginas) • 4 Visualizações
João Vitor de Oliveira Ferro
Traqueostomia
A decanulação da traqueostomia é um processo gradual que envolve avaliação clínica, testes de tolerância respiratória e análise da segurança da deglutição. O objetivo do fonoaudiólogo é avaliação da proteção de vias aéreas, da deglutição e da capacidade do paciente de manter respiração adequada pelas vias aéreas superiores
Avaliação inicial do paciente
O primeiro passo é verificar se o paciente apresenta condições clínicas mínimas para iniciar o processo de decanulação. Essa avaliação deve ser feita à beira do leito e inclui observação geral e análise do prontuário. Deve verificar se o paciente está clinicamente estável, sem instabilidade hemodinâmica ou necessidade de ventilação mecânica. Também é importante avaliar o nível de consciência, pois pacientes com baixo nível de alerta podem não conseguir proteger adequadamente as vias aéreas.
Durante essa etapa, deve-se observar:
- nível de consciência e capacidade de seguir comandos
- padrão respiratório espontâneo
- frequência respiratória e saturação de oxigênio
- presença e quantidade de secreção traqueal
- frequência de aspirações necessárias pela enfermagem ou fisioterapia
- presença de tosse espontânea ou provocada
- Pacientes candidatos à decanulação geralmente apresentam baixa necessidade de aspiração traqueal (intervalos superiores a 4–6 horas) e conseguem mobilizar secreções com tosse eficaz.
Avaliação do controle de secreções e eficácia da tosse
Um dos fatores mais importantes para segurança da decanulação é a capacidade do paciente de eliminar secreções das vias aéreas. Para avaliar isso, deve observar se o paciente consegue tossir de forma eficaz quando há acúmulo de secreção ou estímulo de deglutição. Uma tosse eficaz normalmente apresenta três fases perceptíveis: inspiração profunda, fechamento glótico e expulsão rápida do ar.
Na prática clínica, pode-se avaliar:
- presença de tosse espontânea
- capacidade de tossir após estímulo de deglutição
- eliminação de secreção pela cavidade oral
- qualidade da voz após tosse
Se o paciente apresentar tosse fraca, ausência de reflexo de tosse ou grande acúmulo de secreção, o processo de decanulação deve ser adiado.
Desinsuflação do cuff
Em pacientes com cânula cuffada, o próximo passo é avaliar a tolerância à desinsuflação do cuff.
O cuff é o balonete localizado na cânula traqueal que impede o fluxo de ar pelas vias aéreas superiores. Para restabelecer a fisiologia da respiração e da deglutição, ele precisa ser desinsuflado.
O procedimento geralmente ocorre da seguinte forma:
- verificar saturação e padrão respiratório do paciente
- aspirar secreções traqueais antes da desinsuflação
- utilizar seringa para retirar lentamente o ar do cuff
- observar o paciente imediatamente após a desinsuflação
Após a retirada do ar do cuff, deve observar se ocorre:
- tosse intensa
- queda de saturação
- desconforto respiratório
- acúmulo de secreção na cavidade oral
Caso o paciente tolere bem a desinsuflação, isso indica que o ar consegue circular parcialmente pelas vias aéreas superiores.
Avaliação da deglutição
Com o cuff desinsuflado, torna-se possível avaliar de forma mais adequada a deglutição.
A avaliação clínica da deglutição inclui exame das estruturas orais e teste com diferentes consistências alimentares. Inicialmente, realiza-se avaliação de motricidade orofacial, observando mobilidade de língua, lábios, mandíbula e elevação laríngea durante a deglutição. Posteriormente, podem ser realizados testes com pequenas quantidades de alimento ou líquido, observando sinais clínicos de disfagia, como:
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