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Ci~encia, Tecnologia E Sociedade

Por:   •  29/11/2013  •  1.235 Palavras (5 Páginas)  •  375 Visualizações

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UM ESPAÇO PARA A CIÊNCIA

A FORMAÇÃO DA COMUNIDADE CIENTÍFICA NO BRASIL

CAPÍTULO II – A HERANÇA DO SÉCULO XIII

No princípio, a ciência no Brasil não passava de uma fraca sombra da ciência europeia, refletida por Portugal. Faltavam as estruturas, instituições e forças sociais que davam vida à ciência no Velho Continente. Até o século XIX a história institucional da ciência europeia pode ser narrada como a história da conquista gradual, pela ciência experimental, de uma posição central na cultura. A ciência experimental se desenvolveu fora das universidades tradicionais, e só no século XIX criou raízes à conexão íntima entre a ciência e a Universidade, que hoje é considerada normal. Uma marca significativa do longo processo de legitimação e ascendência da ciência moderna na Europa foi à atitude de desafio de Galileu, que propunha se orientar por observações empíricas desenvolvidas segundo procedimentos racionais. Daí em diante prosperou a pesquisa científica, coerente com a ética individualista do protestantismo e do capitalismo em expansão. Da sua base mais importante, a Itália, a ciência moderna foi transplantada para a França e a Inglaterra, onde daria mais frutos; e com a teoria da evolução de Charles Darwin, foi a vez das ciências biológicas confrontarem os dogmas religiosos.

Do modo como se desenvolveu nesses países, a ciência não começou nas universidades. As universidades prestigiosas e veneráveis, como as de Oxford, Cambridge e Paris, eram centros tradicionais de estudos clássicos, deixando a ciência empírica a um plano secundário. Então os Cientistas da época se encontravam fora das Universidades, logo estava sendo forjada uma visão completamente nova da natureza e dos métodos com que ela devia ser abordada, contrastando com a cultura tradicional que predominava no meio universitário. Em seguida vieram muitas outras academias que revolucionaram o mundo científico, como a criada em 1666 por Jean-Baptiste Colbert, a Académie des Sciences francesa que tinha o objetivo explícito de permitir a expansão da indústria e do comércio na França. Tanto na Inglaterra como na França o surgimento dessas instituições científicas visava claramente desenvolver o conhecimento prático e aplicado, a serviço das elites.

A ciência que estava sendo criada não pretendia ser um instrumento neutro, mas sim como o melhor caminho para uma filosofia mais precisa, uma melhor compreensão do homem e da natureza e uma melhor sociedade, influenciando em parte da transformação social, econômica e política da sociedade europeia que hoje conhecemos como a Revolução Industrial. O auge da ciência do século XVII veio com a publicação da obra mais importante de Sir Isaac Newton: Philosophiae Naturalis Principia Mathematica. É possível notar que foi no século XVII que surgiram as bases das Ciências biológicas e a Química Moderna.

As novas universidades

O fim do século XVIII viu também transformações profundas nos principais centros de educação superior do Ocidente, o progresso da ciência empírica tinha começado a mostrar que uma educação exclusivamente clássica era insuficiente. E algumas instituições começaram a propor um tipo de educação muito mais técnica e especializada do que a oferecida pelas Universidades tradicionais. Por volta do fim do século já parecia claro que as profissões cultas, baseadas nas universidades mais tradicionais, e marcadas pelo seu prestígio, estavam prestes a desaparecer.

Esta nova visão da educação superior respondia a necessidade de incorporar novos conhecimentos produzidos pela ciência experimental em expansão; e a necessidade de eliminar os privilégios especiais das profissões e corporações profissionais mais antigas, abrindo espaço para novas profissões, escolas, novos métodos de ensino, e substituindo assim uma elite por outra.

O Estado, a Igreja e a Educação no Brasil

Se o Brasil fosse uma sociedade profundamente religiosa, haveria um regime teocrático, com a hierarquia eclesiástica controlando plenamente tanto o Estado como a sociedade. Mas como o país tinha sua independência política, o que aconteceu foi quase o oposto: o domínio pertencia ao Estado secular, e cabia à Igreja um papel de menor importância, aceitando sem questionar a autoridade civil e o mores menos cristão do povo em troca de alguma medida de autoridade e poder. Isso justifica por que os portugueses nunca criaram no Brasil universidades como as que a Espanha instalou nas suas colônias americanas: era tarde demais para as universidades católicas,

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