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Chico Buarque

Por:   •  8/9/2013  •  1.007 Palavras (5 Páginas)  •  305 Visualizações

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A minha gente sofrida

Despediu-se da dor

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

Reafirmando a cada verso a sua consciência poética e social, observa-se que a poesia de Chico se opõe à ganância, ao consumismo, à mentira, à alienação:

O homem sério

que contava dinheiro, parou

O faroleiro

Que contava vantagem, parou

A namorada que contava estrelas

Parou para ver, ouvir

E dar passagem

A poesia é o percurso. Deve ser o caminho de todos, de acordo com seu caráter universalizante. Poesia é satisfação, prazer, alegria, acima de tudo participação vital:

A moça triste

Que vivia calada, sorriu

E a meninada toda se assanhou

A arte, a música, a banda, tudo isso é força, vigor, capaz de transformar o procedimento do homem. Ela é uma forma de despertar, de fazer acordar. E também é beleza:

O velho fraco

Se esqueceu do cansaço e pensou

Que ainda era moço

Pra sair no terraço

E cantou

A moça feia debruçou na janela

Pensando que a banda

Tocava pra ela

A arte está no coletivo ou deve ser feita para o povo. Banda, poeta e povo se associam numa perfeita integração. Nesse sentido, é instrumento da verdade, trazendo consigo a luz, a claridade, o que significa conhecimento, entendimento. Assim, a luz da natureza (“lua cheia”) comunga dos mesmos ideais do poeta e da poesia:

A marcha alegre

Se espalhou na avenida, insistiu

A lua cheia

Que vivia escondida, surgiu

E a cidade toda se enfeitou

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

O motivo maior da postura poética e social de Chico é a poesia (“banda”), conduzida por decisiva razão, que é sinônimo de poesia; o amor. Que é união, integração, formando a grande corrente da humanidade. Para um mundo melhor, menos egoísta, opressor e prepotente, é necessário que a “banda” continue a “passar”, com toda a sua força. É preciso que ela prossiga “cantando coisas de amor”.

A “banda” simboliza algo muito mais criativo que uma banda. Ela é poesia, participação, amor, vida. A “banda” une poeta e povo, natureza e poesia. Reúne velhos e moços, coisas e objetos, tudo isso num processo de recriação. Imagens como “A minha gente sofrida / despediu-se da dor” e “A rosa triste / que vivia fechada se abriu” e a renovação e atualização de “o que era doce acabou” confirmam a poeticidade de A Banda, sem deixar de lado a crítica social.

AMÉLIA

Eu nunca vi fazer tanta exigência

E nem fazer o que você me faz.

Você não sabe o que é consciência

Não vê que eu sou um pobre rapaz.

Você só pensa em luxo e riqueza

Tudo o que você vê você quer.

Ah, meu Deus, que saudade da Amélia

Aquilo sim é que era mulher.

Às vezes passava fome ao meu lado

E achava bonito não ter o que comer.

E quando me via contrariado

Dizia, meu filho, o que se há de fazer ?

Amélia não tinha a menor vaidade

Amélia que era mulher de verdade.

Amélia

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