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Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia

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Por:   •  24/9/2013  •  Resenha  •  5.710 Palavras (23 Páginas)  •  834 Visualizações

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Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia (pág. 21)

Se no determinismo biológico era considerada que a diversidade cultural era determinada pelas diferenças genéticas, o determinismo geográfico apostava na as diferenças no ambiente físico, e assim como o determinismo biológico era geralmente defendido por antropólogos, o determinismo geográfico era defendido, na maioria das vezes, por geógrafos do final século XIX e início do século XX. (LARAIA, 2009). Segundo Laraia “São explicações existentes desde a Antigüidade do tipo das formuladas por Pollio, Ibn Khaldun, Bodin e outros” (LARAIA, 2009, p. 21). O autor se refere a mesma linha de pensamento dos defensores do determinismo biológico, quando cita Pollio, por exemplo, o autor se refere a afirmação feita por ele: Os povos do sul têm uma inteligência aguda devido a raridade da atmosfera e do calor; enquanto os das nações do Norte , tendo se desenvolvido numa atmosfera dença e esfriados pelos vapores dos ares carregados, têm uma inteligência preguiçosa.(Marcus V. Pollio apud Laraia, p. 13). Os outros citados pelo autor, Ibn Khaldun, Bodin, seguiam a mesma linha de pensamento de Pollio (LARAIA, p. 21). Desta forma, Laraia segue citando o autor Huntington, onde diz que ele considera que o clima interfere na relação entre latitude e os centros de civilização, o que caracteriza o determinismo geográfico (LARAIA, p. 21). O autor diz que em 1920 os antropólogos Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, mostraram que aspectos geográficos, do determinismo geográfico, não influenciam totalmente sobre a diversidade cultural, e afirmam que é possível a existência da mesma em um mesmo tipo de ambiente físico (LARAIA, p. 21). O autor segue o pensamento, tentando mostrar a falha da teoria, tomando como exemplo, os lapões e os esquimós, onde “Ambos habitam na calota polar norte, [...]Vivem, pois, em ambientes geográficos muito semelhantes, caracterizados por um longo e rigoroso inverno. Ambos têm aos seu dispor a fauna e a flora semelhantes.” (LARAIA, 2009, p. 22). Com base neste exemplo e segundo a teoria abordada, ambos deveriam ter as mesmas respostas culturais ao ambiente, o que não ocorre de fato. As diferenças básicas entre os esquimós e os lapões: Os esquimós vivem em iglus, casas feitas de blocos de neve sobrepostos que quando pronta tem um formato semelhante a um cupinzeiro, e são caçadores de renas. Já os lapões constroem seus abrigos, tendas, com peles de renas, e tem por hábito criar esses animais. (LARAIA, 2009). Com este exemplo já é possível considerar sem fundamento a teoria do determinismo geográfico, mas o autor chegou a citar três exemplos, um deles é o comparativo cultural entre os esquimós e os lapões, como visto anteriormente, a variação cultural entre os índios do sudeste norte-americano: os índios Pueblo e os Navajo (segundo estudos do Antropólogo Felix Keesing) e por último faz um comparativo entre os povos indígenas da reserva do Xingu: os xinguanos e os Kayabi. (LARAIA, 2009). No encerramento do capítulo Laraia, para justificar consistentemente, expõe estes exemplos “[...] que não é possível admitir a idéia do determinismo geográfico [...]” (LARAIA, 2009, p 24). Os argumentos expostos pelo autor são fortes, basta observar para que se chegue a uma conclusão semelhante. Mas uma coisa hoje é fato, nem as diferenças biológicas e as diferenças geográficas são determinantes das diferenças culturais.

1. O Determinismo Biológico

Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia

Pág. 17 a 20

Como comentado anteriormente, mitos e lendas são criados e repassados de geração em geração, muitos são mantidos até hoje. Já no início do capítulo o autor (Laraia. 2009) expõe os mitos que permanecem ainda hoje nas sociedades, abaixo segue alguns deles: Muita gente ainda acredita que [...] que os judeus são avarentos e negociantes ; que os norte-americanos são empreendedores e interesseiros; que os portugueses são muito trabalhadores e pouco inteligentes [...], e, finalmente, que os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxúria dos portugueses. (LARAIA, 2009 , p. 17).

Exemplos de acerca das crenças na "avareza" dos judeus...

..."interesses e ganância" dos norte-americanos...

... da “burrice” dos portugueses...

Algumas piadas de portugês:

1 - Uma vez um portuga vai ao médico e diz a ele: - Doutoire, quando eu me toco aqui, dói; quando toco cá, dói também; quando toco a cabeça, dói; depois de comer, toco aqui e continua doendo! que devo fazer doutoire? E o médico diz: - Não seja imbecil, você tá com o dedo quebrado! _ _

2 - O que é que fazem 17 portugas à porta de um cinema? Estão à espera de mais 1. Por quê? O filme é só para mais de 18.

... e, finalmente, da "luxúria e preguiça" dos brasileiros.

Santos-Dumont

Alberto Santos-Dumont, o inventor do avião não pode ser considerado preguiçoso por se brasileiro. Afinal, persistência e dedicação era sua maior virtude, mesmo quando todos diziam que ele não conseguiria.

Nota-se com clareza adequada motivo do desuso desta teoria tendo como análise o próprio povo brasileiro e a visão de sua imagem internacionalmente. Desenhos e filmes como “Os Simpsons” e “Turistas” causaram polêmica e também a indguinação no país por ter reforçado estereótipos, neste caso resultando em imagem negativa, pelo mundo acerca de nossa cultura.

Vídeo com um trecho do polêmico episódio dos Simpsons no Rio de Janeiro:

lomk: http://www.youtube.com/watch?v=invBjPmY8iE

Vídeo com trailler do filme Turistas

link: http://www.youtube.com/watch?v=9B6KGqtJyDI&feature=related

Segundo o autor (LARAIA, 2009, pág. 18), em sua discussão sobre o assunto da herança biológica da diversidade cultural, “[...] antropólogos físicos e culturais, geneticista biólogos e outros especialistas, reunidos em Paris sobre os auspícios da UNESCO, redigiram uma declaração

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