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O MITO DA DESTERRITORIALIZAÇAO ECONOMICA

Por:   •  23/4/2013  •  8.127 Palavras (33 Páginas)  •  584 Visualizações

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O MITO DA DESTERRITORIALIZAÇAO

ECONOMICA*

ROGÉRIOH AESBAERT

Universidade Federal Fluminense

TATIANTAR AMONTARNAIM OS

Mestranda - Programa de Pós-Graduação em Geografia - UFF

Um dos discursos "espaciais" mais em voga nos anos 90, e que se estende ainda

hoje no âmbito de vários debates sobre a "sociedade em rede" e a"pós-modernidade",

é o discurso da desterritorialização. Três grandes vertentes interpretativas

podem ser aí identificadas, associadas a pelo menos três dimensões sociais: a cultural

ou simbólica, em sentido mais estrito, a política e a econômica.

Trabalhamos com a distinção entre uma desterritorialização de "matriz" predominantemente

econômica, outra de matriz política e uma terceira de matriz cultural

mas isto não significa adotarmos uma posição estruturalista que distingue de forma

nítida esses componentes, indissociáveis enquanto dimensões ou perspectivas do

social. Esta diferenciação está ligada especialmente ao fato de que os próprios discursos

sobre a desterrritorialização por nós analisados, na maioria das vezes assumem

essa separação e devem, como tal, ser sistematizados.

Explícita ou implicitamente, essas dimensões estão vinculadas a diferentes concepções

de território. Podemos ampliar a questão afirmando que se trata de respostas

diferentes a um mesmo processo de des-territorialização. Se entendermos território

no sentido amplo em que aparece associado aos processos de dominação elou

apropriação do espaço, reelaborando os termos de Lefebvre (1984) para a produção

do espaço, podemos afirmar que os objetivos ou as razões desta produção e

controle (ou des-controle, no caso de incluir a desterritorialização) podem ser os

mais diversos, envolvendo fatores de natureza predominantemente econômica,

política elou cultural.

* O presente artigo é uma versa0 revisada e ampliada do capítulo de mesmo título em "O mito da

desterritorialização" (Haesbaert, 2004), no prelo quando da redaçáo deste artigo.

GEOgr<rphici - Ano. 6 - Nu 12 - 2004 Haesbaert e Trarnontani

Para alguns, a problemática que se coloca é a mobilidade crescente do capital e

das empresas - a desterritorialização seria um fenômeno sobretudo de natureza

econômica; para outros, a grande questão é a crescente permeabilidade das fronteiras

nacionais - a desterritorialização seria assim um processo primordialmente de

natureza política; enfim, para os mais "culturalistas", a desterritorialização estaria

ligada, acima de tudo, à disseminação de uma hibridização de culturas, dissolvendo

os elos entre um determinado território e uma identidade cultural correspondente.

Problematizaremos aqui os discursos dentro da perspectiva econômica da desterritorialização,

abordando em outro trabalho (HAESBAERT, 2004) as dimensões

política e cultural.

No âmbito específico da economia que, como sabemos, não é o campo de maior

tradição nos debates sobre território, podemos observar que o fenômeno da desterritorialização

aparece em várias análises, porém na maioria das vezes de forma

implícita ou sob outros rótulos. A fragmentação e fragilização que atingiram o

campo do trabalho e da produção nas últimas décadas podem ser consideradas,

entretanto,

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