Os Benefícios E Riscos De Usar A Estatística
Por: Tayo Araujo • 26/3/2026 • Trabalho acadêmico • 2.388 Palavras (10 Páginas) • 4 Visualizações
Utts, Jéssica. M. “Os benefícios e riscos de usar a estatística”. Tradução livre (Guedes, Moema) do 1º capítulo do livro Seeing Through Statistics, 2ª. Edição. Califórnia: Brooks/ Cole Publishing Company, 1999.
- Estatísticas
Quando você escuta as estatísticas mundiais, você provavelmente ou tem um ataque de “ansiedade matemática” ou pensa em números sem vida, tais como a população da cidade ou bairro onde vive, medidas pelo último Censo Demográfico, ou na renda percapta do Japão. O objetivo deste livro é abrir todo um leque de entendimento do mundo que passa pelas estatísticas. Ao acabar de lê-lo, você perceberá que a invenção dos métodos estatísticos é uma das mais importantes descobertas dos tempos modernos. Estes métodos influenciam diversos campos da vida, que vão desde avanços científicos fundamentais para o aumento da expectativa de vida de uma população até o tipo de programação televisiva que continua sendo exibida.
A palavra estatística é usada para significar duas coisas diferentes. A definição mais conhecida é que estatísticas são números medidos ou calculados para algum propósito. No entanto, uma definição mais apropriada e completa é a seguinte:
“Estatística é um conjunto de princípios e procedimentos para coletar e processar informações de modo a tomar decisões na presença de incertezas”
Usando esta definição, você indubitavelmente usará a estatística na sua própria vida. Por exemplo, se você está diante de uma escolha entre caminhos para o trabalho ou escola, como decidir qual deles tomar? Você provavelmente iria tentar cada um deles algumas vezes (desse modo ganha informação) e então escolheria o melhor de acordo com alguns critérios importantes para você, como velocidade, menos sinais vermelhos, cenários mais interessantes e assim em diante. Possivelmente você ainda usaria diferentes critérios em diferentes dias - como quando o tempo está agradável versus quando não está. Em todo caso, ao ter uma amostra das várias rotas e compará-las, você terá coletado e processado informações importantes para ajudá-lo a tomar uma decisão.
Neste livro, você aprenderá formas mais sofisticadas de melhorar seus próprios métodos de coletar e processar informações complexas. Você também poderá interpretar informações que outras pessoas coletaram e processaram, além de tomar decisões na presença de incertezas.
Estudo de Caso 1.1- coração ou hipotálamo?
Você pode aprender muito sobre a natureza através de observação. Você pode aprender ainda mais conduzindo cuidadosamente um experimento controlado. Este estudo de caso tem ambos. Tudo começou quando o psicólogo Lee Salk noticiou que, apesar do conhecimento de que o hipotálamo desempenha um importante papel na emoção, era o coração que parecia ocupar os pensamentos de poetas e compositores. Não havia nenhuma razão fisiológica para que se representasse o coração como o centro de suas emoções. Por que então sempre havia sido esta a referência?
Salk começou a indagar-se sobre o coração nas relações afetivas. Ele também noticiou que, em 42 ocasiões separadas, quando observava macacos rhesus no zoológico segurando seus bebês, as mães o faziam sempre do lado esquerdo, perto do coração, em 40 das observações. Ele então observou 287 mães humanas durante 4 dias após darem a luz e noticiou que 237, ou 83%, seguravam seus bebês do lado esquerdo. O fato de serem canhotas ou destras não explicava o fenômeno já que no primeiro grupo 83% das mães seguravam o bebê do lado esquerdo, e no segundo 78% o faziam. Quando indagadas acerca do por que da preferência, as mães destras afirmaram que era uma forma da mão mais hábil ficar livre. As mães canhotas responderam que segurariam melhor os bebês com a mão mais forte. Em outras palavras, ambos os grupos racionalizaram a forma de segurar os bebês do lado esquerdo segundo suas próprias mãos preferidas.
Salk se perguntava se o lado esquerdo seria o preferido para carregar alguma outra coisa além de bebês recém-nascidos. Ele achou um estudo no qual compradores eram observados levando uma única sacola de supermercado: exatamente metade dos 438 adultos carregava a sacola do lado esquerdo. Mas quando o fator estresse foi envolvido, os resultados eram diferentes. Pacientes de um consultório odontológico foram requisitados a segurar uma bola enquanto o dentista trabalhava em seu dente. Substancialmente mais da metade o fez do lado esquerdo.
Salk especulava que “não está na natureza prover organismos vivos com tendências biológicas a não ser que tais tendências tenham um valor de sobrevivência”. Ele supôs então que deveria ser um valor de sobrevivência ter um bebê recém-nascido acolhido perto do som das batidas do coração de sua mãe.
Para testar esta conjectura, Salk desenhou um estudo na enfermaria do New York City Hospital. Ele colocou na enfermaria um som contínuo de batidas de coração humano através de um auto-falante. Ao final de 4 dias, ele mediu quanto peso os bebês ganharam ou perderam. Mais tarde, com um novo grupo de bebês na enfermaria, nenhum som foi posto. Os pesos novamente foram medidos após o período de 4 dias.
Os resultados confirmaram o que Salk suspeitava. Apesar deles não terem comido mais que o grupo de controle, os bebês tratados com o som das batidas de coração ganharam mais peso (ou perderam menos). O que ocorria é que eles perdiam menos tempo chorando. A conclusão de Salk foi que “bebês recém-nascidos são acalmados pelo som das batidas do coração de um adulto que o segura”. De algum modo, as mães sabem que é importante segurar seus bebês do lado esquerdo. O que havia começado como uma simples observação da natureza, permitiu mais tarde a descoberta de uma importante resposta biológica de uma mãe ao seu bebê recém-nascido.
- Detectando padrões e relações
Algumas diferenças são óbvias mesmo a “olho nu”, tais como o fato de que a altura média dos homens é maior que a das mulheres. Se nós fossemos indagados a saber apenas sobre estas relações tão óbvias, não precisaríamos do poder dos métodos estatísticos. Mas você já tinha notado que bebês que escutam às batidas do coração humano ganham mais peso? Notou que tomar aspirinas diminui as chances de ataques do coração? E o fato de que as pessoas compram mais jeans em alguns meses do ano que em outros? O fato de que os homens têm menor pulsação em repouso que as mulheres? Estas e muitas outras relações e padrões foram demonstrados através de cuidadosos estudos estatísticos. Entretanto, nenhuma delas é óbvia ou evidente a “olho nu”.
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