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RELAÇÕES ETHNICO-RACIAL NO BRASIL: RACISMO CIENTÍFICO, BRASIL RACISMO E MITO DA DEMOCRACIA RACIAL

Por:   •  3/10/2014  •  Tese  •  1.625 Palavras (7 Páginas)  •  213 Visualizações

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MÓDULO 2 - RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO BRASIL: O RACISMO CIENTÍFICO,

O RACISMO À BRASILEIRA E O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL

2.1 O racismo científico e as ideias eugenistas no Brasil

Foi no século XIX que a ciência, através da teoria positivista, produziu uma ampla

explicação que colocava os seres humanos organizados hierarquicamente, partindo do

princípio de que há diferenças entre as raças que os colocam naturalmente uns

superiores aos outros. É importante frisar que a palavra “naturalmente” é tomada aqui

no seu sentido mais estrito, trazendo para o plano da natureza a lógica e a organização

dos grupos sociais. A esse respeito, afirmam Lima e Vala (2004, p. 402):

O racismo constitui-se num processo de hierarquização, exclusão e

discriminação contra um indivíduo ou toda uma categoria social que é

definida como diferente com base em alguma marca física externa (real

ou imaginada), a qual é ressignificada em termos de uma marca cultural

interna que define padrões de comportamento. Por exemplo, a cor da

pele sendo negra (marca física externa) pode implicar a percepção do

sujeito (indivíduo ou grupo) como preguiçoso, agressivo e alegre (marca

cultural interna). É neste sentido que (...) o racismo é uma redução do

cultural ao biológico, uma tentativa de fazer o primeiro depender do

segundo.

Portanto, uma vez que a ciência passou a definir uma ordem natural da realidade social,

todas as diferenças dos traços exteriores, como cor de pele, cabelo, fisionomias,

serviriam a partir de então para colocar homens e mulheres “naturalmente” uns

superiores aos outros e, contra essa “verdade inquestionável”, nada nem ninguém

poderia se contrapor ou fazer alguma coisa a respeito.

O estudo detalhado sobre a eugenia no Brasil encontra-se no livro de Pietra Diwan.

Tratava-se de uma ciência para o “aprimoramento da raça humana”, a partir da qual

várias políticas foram implantadas no Brasil, visando o “branqueamento da população” e

a “cura da fealdade” do povo brasileiro.

Para esses intelectuais, médicos, escritores, juristas e políticos pertencentes às

sociedades eugênicas fundadas no Brasil, a miscigenação era impedimento para o

desenvolvimento do país, pois provocava loucura, criminalidade e doenças. A cura para

os males do Brasil seria “civilizar a herança indígena roubada pelos portugueses e

branquear nossa herança negra”, segundo estudos da autora. As soluções para o

“problema da miscigenação” no Brasil, encontradas pelo Estado Republicano na

passagem para o século XX, foi a implantação no país de várias medidas eugenistas, a

saber: a) branqueamento pelo cruzamento; b) controle da imigração; c) regulação

casamentos; d) segregacionismo e esterilização.

É muito importante que você leia o texto completo de Pietra Diwan, a fim de

compreender profundamente o significado da eugenia, uma das questões mais

controversas em nossa história recente, que se torna praticamente um tabu, tendo em

vista a forma como se deu o banimento desse assunto em todos os livros de história e

biografias no Brasil e no mundo (a autora também usa a expressão “amnésia”). É como

se a eugenia nunca tivesse existido,

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