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De Onde Veio, E Para Onde Vai A Ciencia Geografia?

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Por:   •  11/7/2014  •  9.604 Palavras (39 Páginas)  •  293 Visualizações

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Breno Menegale Bianchetti De onde veio, e para aonde vai a ciência Geografia?

Aluno de graduação do curso de Geografia das Faculdades Integradas - UPIS.

Sob a orientação da professora

Edila Ferri

Mestre em Administração da educação: política, planejamento e gestão pela Universidade de Brasília.

Professor da UPIS

Considerações inicias

Este artigo tem por objetivo fazer uma breve retrospectiva histórica que remonta às origens epistemológicas da geografia; busca descrever o modelo atual e apontar um possível caminho para a geografia no futuro. Além disso, busca demonstrar que a geografia passou por sucessões ideológicas, que são peculiares ao desenvolvimento de qualquer ciência, uma vez que as formulações teóricas tendem a acompanhar as transformações históricas ocorridas ao longo do tempo.

Baseado nas ideias de três autores, Antonio Carlos de Moras (2005), Sandra Lencioni (1999) e Paulo Cesar da Costa Gomes (2003) o artigo busca, incicialmente, a origem da organização espacial, e por conseguinte, a gênese do conceito geográfico. Em um segundo momento, faz um retrospecto das primeiras noções de geografia, desde Antiguidade clássca até o mundo moderno. Relata que a cultura grega contribuiu, além de uma primitiva sistematização, para o próprio nome da Geografia; discorre sobre a conquista romana da Grécia; a Europa Medieval; o Renascimento como a visão de mundo e dos ideais da Antiguidade Clássica; a transição do Feudalismo para o Capitalismo, mostrando como a Geografia foi um desdobramento da consolidação do capitalismo e do seu modo de produção. Na sequência, o artigo se volta para a geografia científica propriamente dita, e discorre sobre as diversas correntes que contribuíram, de forma substancial, para a construção epistemológica da geografia: as proposta de Humboldt e Ritter e o pensamento sistemático da Geografia; Ratzel e sua Antropogeografia ancorando a geografia alemã; Vidal de La Blache e a consolidação da base do pensamento geográfico francês (e seus desdobramentos); Hartshorne e a geografia pragmática quantitativa; a geografia crítica e as bases marxistas; e por fim a geografia moderna baseada numa releitura do Humanismo. No último momento o artigo discute brevemente a geografia atual, e as possíveis facetas da geografia no futuro.

A pré-história da geografia

A conceituação do espaço gográfico só acontece, de fato, quando a ciência geográfica se torna sistematizada, no final do século XVIII, início do século XIX. Obviamente, porém, as relações íntimas entre o homem e o espaço aconteceram muito anteriormente a esse período. O propósito deste artigo é descrever a evolução dos conceitos do espaço geográfico. Todavia, a história do homem e a construção de seus espaços - ainda que não geográficos por definição - são de fundamental importância para o próprio conceito em si, o qual será, mais adiante, o objeto da Geografia.

O homem se relaciona com o espaço desde que vive nele, ou seja, desde o primeiro instante, ainda como homem-primata. É no ambiente em que vive que o homem encontra seu alimento, abrigo, proteção, e se relaciona com outros grupos e outras civilizações. No entanto, a significação desse espaço foi sendo alterada ao longo dos tempos, já que a evolução das espécies humanas - incluindo a maturação da linguagem e da cultura - causou uma complexização natural das relações do homem com o mundo. Essa metamorfose se dá inicialmente com a percepção de que o homem nasce basicamente sem ferramentas para enfrentar o mundo, diferentemente dos animais que possuem garras, dentes, pêlos, e instintos. Isto é, na grande maioria dos casos, por necessidade, o homem desenvolve ferramentas para suprir a falta de aparatos naturais. Essa marca na linha evolutiva é discutida por Pinsky (2008), que diz que:

Ela não é apenas quantitativa, mas também qualitativa, já que estabelece uma distinção, um momento de ruptura entre e História Natural e a Social, entre a história construída pela natureza e aquela em que os seres humanos além de pacientes são também agentes. Sim, pois enquanto o ser humano era apenas um dos integrantes do "reino animal", sua trajetória no planeta poderia ser contada pela História Natural, com destaque pouco maior ou menor do que a dos outros animais da Terra. (PINSKY, 2008, p.14).

Mas a partir do momento em que o homem começa a construir sua cultura, seus costumes, seus hábitos, começa a construir suas próprias significações do mundo, e o espaço que o circunda não escapa a esse processo de reconhecimento e de conceituação, ainda que de forma subjetiva e nada sistemática.

De forma bastante genérica, as civilizações caçadoras-coletoras eram caracterizadas pela construção de ferramentas, pelo nomadismo, e pela busca de alimentos na paisagem. Esses os pilares das primitivas sociedades, já que caracterizavam seus modos de vida e de consumo. A caça exigia a construção de aparatos artificiais resistentes e eficazes. Nômades, viviam determinados pelas estaçoes. Os bosques com árvores frutíferas produziam grande quantidade de frutas e alimentos para o grupo; quando essas frutas, de consumo rápido, se exauriam, havia a necessidade imediata de mudar-se para outro lugar, que oferecesse alimento para o clã inteiro. Pinsky (2008) diz que "Sua mobilidade [...] não é decorrente de qualquer ato de desespero, mas de simples conveniência: quanto mais permanecerem num único local, maior será o percurso diário para coletar alimentos". (Pinsky, 2008, p.35). Outro importante ponto que merece destaque é o número de componentes dos grupos, que não ultrapassavam muito trinta pessoas, como afirma Pinsky (2008). Isso porque essa quantidade é a ideal para a administração de todas as tarefas, ou seja, é ideal para a proteção e para a captação de alimentos, mas não é muito numerosa para os diversos deslocamentos, nem para a gestão da subsistência de todos.

Não se sabe ao certo o divisor de águas entres grupos nômades e os não-nômades. Sabe-se que, por volta de 10 000 anos atrás, eram produzidos abrigos, que provavelmente eram utilizados para o armazenamento de grãos, ou outros insumos produzidos pelo homem. Esse fato, se analisado despretensiosamente, pode apresentar para a evolução da sociedade. Porém, o armazenamento de algum

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