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Diversidade

Por:   •  16/4/2013  •  2.033 Palavras (9 Páginas)  •  599 Visualizações

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Unidade 4 – Educação e Diversidade: relações étnico-raciais

Inclusão da diferença: entre a teoria e a prática

Nesta unidade você poderá ler a respeito de casos de inclusão de alunos com necessidades especiais. Poderemos ponderar se a realidade da inclusão desses cidadãos está sendo efetiva ou, como diz o título do artigo, é apenas uma inclusão improvisada. Também terá a oportunidade de pensar sobre a importância da comunicação na construção de uma escola onde o comportamento respeitoso permita a existência da diferença.

Necessidades Especiais: escolas nada especiais

No primeiro ano que lecionei, havia um aluno cadeirante, ensino médio. A escola havia sido inaugurada naquele ano, 1998, salas, banheiros, tudo novinho. Mas a escola não foi projetada para alunos com necessidades especiais. Na porta das salas, um pequeno degrau dificultava a movimentação da cadeira de roda. Para ir ao banheiro, um colega sempre o acompanhava para ajudá-lo: o banheiro também não era apropriado. Você pode imaginar o constrangimento de um adolescente que precisa da ajuda de um amigo para levá-lo ao banheiro? Mas a escola não foi construída pensando nele, e a escola nem é tão antiga assim. Infelizmente, até hoje, esta escola permanece do mesmo jeito.

Entre o discurso da inclusão e a prática há um enorme abismo. Mesmo os alunos com dificuldade de aprendizagem não têm atendimento adequado. As escolas não têm, em seus quadros, vpessoas capazes de atender as diversas necessidades. Parece que o problema não é apenas naquela escola onde lecionei por dez anos...

Leia o texto a seguir:

"Inclusão improvisada, alunos com deficiência abandonados.

Crianças portadoras de necessidades especiais não têm atenção adequada."

Flávia Martins Y Miguel

No plano das ideias, dos discursos de gestores e, principalmente no papel, a inclusão dos alunos com deficiência no sistema público de ensino é uma política impecável. Na prática, porém, o modelo de educação especial inclusiva desenhado com régua e compasso pelo Ministério da Educação, (MEC) em 2003, apresenta obstáculos enormes, que passam pelo despreparo dos professores, falta de acessibilidade nas escolas e nenhum projeto pedagógico específico. O resultado dessas distorções pode ser facilmente identificado dentro das salas de aula. Como é o caso da pequena Jordânia Sarafim, 12, que nasceu com paralisia cerebral e está matriculada em uma escola pública no bairro Novo Progresso, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. A mãe, Maria Solidade Silva, se viu obrigada a assistir às aulas ao lado da filha para tentar driblar a falta de atenção dada à aprendizagem da criança. "Eles nos obrigam a colocar as crianças na escola regular, mas os professores não sabem educar, não têm os cursos para isso. Eu fico muito desmotivada.

Não quero que ela fique largada. Eu quero que ela aprenda. A minha menina é uma gracinha, ela tem potencial", desabafou Maria. Na sala ao lado de Jordânia, um garotinho com má formação física e deficiência visual estava sentado em cima de uma almofada, a poucos centímetros da lousa, copiando as palavras. A professora contou que o pequeno de 11 anos, com estatura de uma criança de 6, chegou de casa chorando naquele dia. O motivo: ele não sabia ler. "Temos alunos que precisam de um trabalho diferenciado. Não temos orientação nenhuma de como tratar as várias deficiências que temos nessa escola. Ninguém aqui nunca teve preparo para isso", disse Gorete Foscolo, supervisora da escola municipal. É na boa vontade dos profissionais e na sorte que a política de inclusão tenta se equilibrar, enquanto as ações dos gestores não se mostram eficazes. Em Contagem, são 1.400 alunos com deficiências variadas na rede pública, de um total de 81 mil estudantes. No entanto, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura não soube informar quantos dos mais de 4.200 professores do município foram capacitados para trabalhar com a educação especial. O secretário da pasta, Lindomar Diamantino Segundo, admitiu que a inclusão está longe do ideal. De acordo com ele, o tema é um desafio para a sociedade.

"A escola brasileira, na sua história, não foi pensada para incluir. Mas já fizemos investimentos na formação dos professores, com vários cursos de inclusão. A nossa obrigação é sempre melhorar", disse. O garoto Luiz Felipe Wenceslau, 7, portador de paralisa cerebral, contou com o privilégio de ter passado pelas mãos de uma psicopedagoga, em uma escola pública no bairro Inconfidentes, em Contagem, no ano passado. Mesmo assim, a mãe teve

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