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Por Que O Brasil não Deu tão Certo Quanto Os Estados Unidos

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Por:   •  18/12/2014  •  1.819 Palavras (8 Páginas)  •  205 Visualizações

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Por que o Brasil não “deu tão certo” como os Estados Unidos?

Afinal, se temos mais ou menos a mesma “idade”, dimensão geográfica muito próxima, semelhanças históricas, como ambos terem passado por colonização européia, escravatura, imigração européia, etc., então quais teriam sido os fatores determinantes que levaram à resultados econômicos e sociais tão diferentes ?

A seguir, classifico em três grupos de acordo com o meu entendimento pessoal, os fatores históricos descritos pelo autor que levaram os Estados Unidos e o Brasil aos resultados econômicos tão diferentes :

1- O processo de colonização

2- XIX : o século perdido

3- A herança absolutista e a herança de uma sociedade de classes

Vieram ainda as teorias de superioridade racial, superioridade cultural, que causaram muitos estragos e deixaram marcas que insistem em permanecer entre nós, mesmo depois de desmentidas e derrotadas em todos os fóruns científicos e em todos os confrontos lógicos. Já tentaram explicar nossas diferenças com os americanos por razões religiosas, raciais ou geográficas. Esses três fatores influenciaram sim nossa formação, mas não foram determinantes.

Determinantes foram as razões econômicas e históricas. Quando se joga a culpa na raça, na religião ou na geografia, que são dados integrantes da formação brasileira, dá-se uma boa razão para o imobilismo e para a inércia.

Quando se entende que é a história que justifica este ou aquele fato, fica mais fácil mudar as coisas em nossa vida ou em nosso país.

1 - O Processo de Colonização

O Portugal dos anos 1500 era um país unificado, fortemente católico, onde a Inquisição perseguia judeus e cristãos-novos. O Estado estava centralizado e havia expulsado os últimos mouros no século XIII (1249). O país vizinho, a Espanha, só faria isso 200 anos depois. Portugal foi o primeiro Estado-Nação do planeta, e isso liberou as forças para a expansão conquistadora. Com relação ao Brasil, Portugal estabeleceu, a partir de pouco depois da metade do século XVI, um sistema fechado de trocas triangulares, em que as colônias da África forneciam escravos, trocados no Brasil por açúcar, tabaco, pau-brasil, que seguiam para serem vendidos na Europa, para benefício da corte portuguesa, e voltavam a alimentar o triângulo colonial. Como grande fonte de suas riquezas, Portugal guardava com unhas e dentes esse sistema. Em 1500, Portugal era o senhor do mercantilismo nos mares. A prática mercantil, consequentemente, se impregnava nos primórdios da formação brasileira. O que importava era conseguir mercadorias valiosas que pudessem ser trocadas com vantagem nos portos europeus, sob controle monopolista do Estado.

A relação da Grã-Bretanha com suas colônias do outro lado do Atlântico era bem mais frouxa. No século XVII, época da chegada dos peregrinos na América do Norte, a Grã-Bretanha era um país convulsionado pelas diferenças religiosas e guerras entre diferentes denominações protestantes e católicas. Uma elite próspera convivia com grande miséria e banditismo nas cidades. O absolutismo real era contestado pela população. Embora aspirasse às conquistas, como Espanha e Portugal, a Inglaterra só seguiu depois, junto com holandeses e franceses, nos calcanhares dos navios ibéricos, optando pela pilhagem e pela pirataria para conquistar lugar nos novos espaços abertos nas Américas e na Ásia. O fato é que a Inglaterra, no início da colonização americana, nas primeiras décadas do século XVII, não tinha nem recursos nem condições militares e políticas para mandar tropas e construir fortes, como os portugueses fizeram no Brasil. O que acabou favorecendo o surgimento do movimento autônomo, e já focado na independência, nas colônias que se fixaram na América do Norte. O Brasil foi colônia de exploração; os Estados Unidos foram colônia de povoamento. Aqui não chegaram famílias que queriam uma nova vida, distante da corte, livre para cultuar sua própria religião, como nos Estados Unidos. A maioria que aqui chegava vinha obrigada.Portugal mandou pequenos nobres para cá a fim de tomarem conta das capitanias hereditárias. A maioria deles nomeou um preposto e voltou às pressas para Portugal . Os chamados fidalgos (filhos de algo) deixavam nas terras do pau-brasil o suficiente para tentar replicar no novo mundo a estrutura religiosa e burocrática de Portugal. Os degredados, náufragos, foragidos da Europa é que começavam a formar a população brasileira sob e à revelia do esburacado tapete burocrático enviado do Velho Mundo.

Os protestantes que desembarcaram no que é hoje o estado de Massachussets não gostavam da hierarquia da Igreja católica, nem da anglicana, nem tampouco se conformavam em se submeter a outras hierarquias ou autoritarismos.

2 - XIX , O Século que Perdemos

As disparidades entre Brasil e Estados Unidos só aumentariam ao longo do século XIX, que não foi um século qualquer, trata-se do momento de decolagem da segunda Revolução Industrial – a chamada revolução tecnocientífica -, quando o tempo tomou a velocidade da eletricidade, das máquinas a vapor, dos poços de petróleo e do trem. Os anos 1800 catapultariam algumas economias fora da Europa – Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, e mesmo a Argentina e o Uruguai -, enquanto o binômio escravismo-absolutismo amarrava a economia brasileira no atraso das plantações de cana-de-açúcar e café, na agricultura de subsistência e nas preguiçosas criações extensivas de gado. No século anterior, Portugal se nutria do ouro brasileiro, que repassava em boa medida para a Inglaterra, como espécie de tributo pela proteção militar contra França e Espanha; do açúcar que recebia do Brasil e revendia para a Europa, como também do tráfico negreiro, que alimentava a próspera triangulação entre África, Europa, Brasil. Sessenta por cento da economia portuguesa vinha dos produtos brasileiros.

O que aconteceu de fato foi que o Brasil se tornou independente de Portugal. Foi uma independência conquistada no grito. Um grito meia-boca. Nada de sangue, nada de brigas, tudo se resolveu entre camaradas e conterrâneos, que era o que os portugueses de ambos os lados do oceano se consideravam. Por outro lado, o Brasil instalou dentro de suas fronteiras a elite de Portugal que o oprimia e sugava. A união entre a corte recém-chegada e a aristocracia brasileira escravista fortaleceria seus laços, agora no mesmo endereço, formando um grupo dominante que atravessaria a independência, a república e ainda influenciaria os dias de hoje.

Já nos Estados

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