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A MEDICALIZAÇÃO, UMA EPIDEMIA PRODUZIDA?

Por:   •  7/4/2021  •  Ensaio  •  664 Palavras (3 Páginas)  •  14 Visualizações

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA - UNISUL

Curso: Psicologia

Unidade de Aprendizagem: Fenômenos Educacionais Contemporâneos

Professora: Gisely Pereira Botega

Acadêmica: Sâmara Ravine Correa Tasca

ENSAIO CRÍTICO: MEDICALIZAÇÃO, UMA EPIDEMIA PRODUZIDA?

A partir de que momento a expressão da diversidade humana deve ser considerada sintoma classificatório de algum transtorno? Essa ideia de que comportamentos considerados fora da norma podem ser diagnosticáveis e tratáveis, à partir de uma lógica medicamentosa, é o que coloca o Brasil entre os primeiros colocados na listagem dos países que mais consomem ritalina no mundo. Qual é o limite para se falar que tal comportamento é uma doença do indivíduo ou produto da sociedade em que ele vive?

De acordo com Moyses e Collares (2013, p.12), a normatização da vida tem por corolário a transformação dos problemas da vida em doenças, em distúrbios. O que escapa às normas, o que não vai bem, o que não funciona como deveria... tudo é transformado em doença, em problema individual. A medicina transforma-se em um dispositivo de controle social onde torna-se, conforme Decotelli, Bohre, Bicalho (2013) estratégia de disciplina e de regulamentação das populações. Ela ainda normatiza, disciplina o corpo adoecido, mas também prescreve as condições ideais para o bem viver coletivo. 

Atualmente, é comum muitos pais submeterem seus filhos à rotinas exaustivas em meio a muitas atividades praticadas ao mesmo tempo. Dessa forma, eles acabam por esperar que a criança consiga ter um excelente desempenho em todas elas, assim, quando não correspondem as expectativas, concluem que elas estão com algum problema de aprendizado, recorrendo então ao uso de medicamentos psicotrópicos como a ritalina, por exemplo. Neste mundo de rapidez e regido cada vez mais pelo imediatismo, ironicamente acabam sendo diagnosticadas como doentes. Segundo Moyses e Collares (2013, p.12), a normalidade estatística, definida por frequências e um raciocínio probabilístico, não por acaso coincidente com a norma socialmente estabelecida, é transformada em critério de saúde e doença.

Em contextos educacionais, de acordo com Patto (1997), encaminhar para diagnóstico os alunos que não correspondem às expectativas de rendimento e de comportamento que vigoram nas escolas é um anseio de professores, técnicos e administradores escolares que um número crescente de psicólogos que trabalham em consultórios particulares ou em centros públicos de saúde tem ajudado a realizar. A medicalização acaba se tornando uma alternativa para tratar queixas de dificuldades de aprendizagem e indisciplina e, os profissionais responsáveis pelo diagnóstico muitas vezes possuem, conforme Moyses e Collares (2013, p.19), uma formação regida pelo e para o mercado, o que acaba contribuindo para o processo desenfreado da medicalização e, importante destacar também, a ligação da indústria farmacêutica com profissionais de saúde.

O uso indiscriminado de psicotrópicos, pode desencadear problemas de diversas ordens. Os fármacos, como a ritalina, utilizados ainda na infância ou no período da adolescência, propiciam problemas de saúde e também podem causar dependência, visto que, segundo alguns estudos, possui o mesmo mecanismo de ação da cocaína quando utilizada à longo prazo. Dessa forma, sem o devido rigor no diagnóstico e prescrita indiscriminadamente, a ritalina e outros psicotrópicos acabam por trazerem malefícios ao usuário, o reduzindo à uma leitura médico-biológica.

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