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O Cinco Grandes Fatores Da Personalidade

Por:   •  5/2/2026  •  Trabalho acadêmico  •  566 Palavras (3 Páginas)  •  35 Visualizações

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Cinco grandes fatores da personalidade: histórico, aplicações e possibilidades contemporâneas

Introdução A avaliação e organização das diferenças individuais é uma preocupação anterior ao surgimento da Psicologia como ciência e profissão e entre os fenômenos que contribuem para explicar essas diferenças, destacam-se os estudos da personalidade. As primeiras ideias sobre personalidade, formuladas por Hipócrates no século IV a.C., propunham que quatro fluídos corporais, denominados por ele como humores – sangue, bile amarela, bile negra e fleuma – influenciavam aspectos físicos, características pessoais e o estado de saúde dos indivíduos (Rezende, 2009). Essa teoria abriu caminho para investigações mais sistemáticas, sendo posteriormente sucedida por modelos mais rigorosos e testáveis. No início do século XX, Sigmund Freud revolucionou o campo da personalidade ao colocar ênfase na relevância das experiências infantis e das forças inconscientes, inaugurando assim um olhar clínico sobre a formação da personalidade (Freud, 1923), embora a dificuldade em avaliar empiricamente os conceitos freudianos tenha suscitado críticas e impulsionado novas abordagens. Na década de 1950, em oposição ao foco nos aspectos interiores, Skinner desenvolveu uma teoria comportamental da personalidade que priorizava o impacto do ambiente, bem como a observação de comportamentos mensuráveis. Seu conceito de condicionamento operante destaca o papel dos reforços e das punições na formação do indivíduo, concluindo assim que os comportamentos mais recompensados tendem a se repetir (Skinner, 1953).  

Na sequência do desenvolvimento dessa nova abordagem, Carl Rogers traz uma perspectiva mais humanista, enfatizando o potencial de crescimento e evolução como busca fundamental dos seres humanos. Apesar de receber críticas quanto ao seu excessivo otimismo, a abordagem humanista contribuiu significativamente para a valorização das experiências subjetivas e deu ênfase na possibilidade de mudança pessoal (Rogers, 1959). Com a evolução das abordagens teóricas, as pesquisas sobre personalidade tornaram-se mais empíricas e sistemáticas, favorecendo o surgimento de modelos baseados em traços individuais, como o proposto por Gordon Allport. Esses estudos deram início à transição do estudo da personalidade como um fenômeno clínico e filosófico para um construto mensurável e estatisticamente analisável. Esses modelos serviriam de base para fundamentar os Cinco Grandes Fatores da personalidade (CGF), também conhecido como Big-Five, que seria amplamente adotado algumas décadas depois. Allport postulou que a personalidade apresenta uma natureza dinâmica composta por diferentes traços, compreendidos como características relativamente estáveis e consistentes ao longo do tempo. Segundo ele, existiriam os traços primários, que dominam a personalidade de uma pessoa e influenciam em grande medida o seu comportamento; os traços centrais, que são os aspectos mais distintivos e comuns da sua personalidade; e os traços secundários, mais específicos e contextualizados (Allport, 1937). Allport foi pioneiro no estudo sistemático dos traços e enfatizou a importância de considerar a singularidade de cada indivíduo ao compreender a personalidade. A teoria de traços inspirou modelos subsequentes que abririam o caminho para o desenvolvimento do Big-Five. Dentre estes estudos, destacam-se as pesquisas de Cattell (1946), que aplicou a análise fatorial aos traços de personalidade. A análise fatorial é uma técnica estatística de redução de dados e aglutinação de informações em variáveis. Nesse caso, um conjunto de traços de personalidade é agrupado em fatores ou dimensões com atributos comuns que representariam esses traços. O Big Five apresenta como principais qualidades sua replicabilidade transcultural (McCrae et al., 1998), estabilidade ao longo do ciclo vital (Roberts & DelVechio, 2000) e utilidade clínica (Trull, 2012). Além disso, suas medidas demonstram alta confiabilidade teste-reteste (Gosling et al., 2003), corroborando sua robustez como uma

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