Clarificação De Óleo Vegetal: Argilas E Carvão Ativado
Por: Filipe Kayode • 9/2/2026 • Pesquisas Acadêmicas • 1.275 Palavras (6 Páginas) • 34 Visualizações
Clarificação de óleo vegetal: argilas e carvão ativado
Na etapa de clarificação (ou branqueamento) de óleos vegetais, argilas adsorventes e carvão ativado são usados com o mesmo objetivo geral — remover impurezas e melhorar a qualidade do óleo —, mas atuam de formas diferentes, têm seletividades distintas e impactos tecnológicos e econômicos próprios.
Abaixo faço uma comparação técnica, no nível usado em relatórios, dissertações ou processos industriais.
1. Natureza e mecanismo de adsorção
🔹 Argilas adsorventes
- Normalmente argilas ativadas (bentonitas, montmorilonitas, atapulgitas).
- Ativadas com ácido para aumentar área superficial e sítios ativos.
- Mecanismo principal:
- Adsorção físico-química
- Troca iônica
- Interações eletrostáticas
São altamente polares, o que favorece a remoção de compostos também polares.
🔹 Carvão ativado
- Material carbonáceo poroso, obtido de fontes vegetais ou minerais.
- Altíssima área superficial específica (500–2000 m²/g).
- Mecanismo principal:
- Adsorção física por forças de Van der Waals
- Interações π–π (especialmente com compostos aromáticos)
É menos seletivo, mas extremamente eficiente para compostos orgânicos complexos.
Tabela 1. Tipos de impurezas removidas.
Tipo de impureza | Argilas | Carvão ativado |
Pigmentos (clorofila, carotenoides) | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐ |
Sabões residuais | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐ |
Fosfolipídios | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐ |
Metais traço (Fe, Cu) | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐ |
Compostos oxidados | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ |
PAHs/contaminantes orgânicos | ⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
Odores e sabores indesejáveis | ⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ |
2. Impacto sobre a qualidade do óleo
🟤 Argilas
Vantagens
- Boa retenção de fosfolipídios e sabões
- Alta eficiência na remoção de cor
- Processo consolidado e previsível
Desvantagens
- Pode adsorver tocoferóis e outros antioxidantes naturais
- Pode aumentar perdas de óleo por retenção física
- Resíduos sólidos mais volumosos
⚫ Carvão ativado
Vantagens
- Excelente para remoção de contaminantes tóxicos (ex.: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos)
- Menor impacto na cor quando usado em baixas dosagens
- Ótimo para controle de odor
Desvantagens
- Pouco eficiente para fosfolipídios
- Pode escurecer o óleo se mal dosado
- Custo mais elevado
Tabela 2. Dosagem e condições operacionais
Parâmetro | Argilas | Carvão ativado |
Dosagem típica | 0,5 – 2,0% (m/m) | 0,05 – 0,5% |
Temperatura | 90–110 °C | 80–100 °C |
Tempo de contato | 20–40 min | 10–30 min |
Ambiente | Vácuo ou N₂ | Vácuo ou N₂ |
3. Aspectos econômicos e ambientais
- Argilas:
- Mais baratas
- Maior geração de resíduos
- Difícil regeneração
- Carvão ativado:
- Mais caro
- Menor volume de resíduo
- Pode ser regenerado (em alguns casos)
4. Uso combinado (prática industrial comum)
Na prática, muitas refinarias usam argila + carvão ativado, explorando a sinergia:
- Argila → remoção de cor, sabões e fosfolipídios
- Carvão → remoção de contaminantes orgânicos e compostos de odor
OBS: Essa estratégia é comum em óleos sensíveis, não convencionais (como buriti, tucumã e palma) ou quando há exigência regulatória rigorosa.
5. Síntese comparativa
- Argilas → clarificação clássica, alta eficiência para impurezas polares e pigmentos
- Carvão ativado → refino fino, focado em contaminantes orgânicos e compostos oxidados
Tabela 3. Comparação entre argilas adsorventes e carvão ativado na etapa de clarificação do óleo de buriti (Mauritia flexuosa L.).
Parâmetro | Argilas adsorventes | Carvão ativado |
Natureza do material | Argilas minerais ativadas (bentonita, montmorilonita, atapulgita), geralmente tratadas com ácido | Material carbonáceo altamente poroso, obtido de fontes vegetais ou minerais |
Área superficial específica | Moderada (100–300 m²·g⁻¹) | Muito elevada (500–2000 m²·g⁻¹) |
Mecanismo de adsorção | Adsorção físico-química, troca iônica e interações eletrostáticas | Adsorção física por forças de Van der Waals e interações π–π |
Seletividade | Alta para compostos polares | Baixa seletividade, alta afinidade por compostos orgânicos complexos |
Remoção de carotenoides (β-caroteno) | Alta eficiência, podendo reduzir significativamente a coloração característica do óleo de buriti | Moderada; pode ser ajustada por dosagem |
Remoção de clorofilas | Alta | Moderada |
Remoção de fosfolipídios e sabões | Muito eficiente | Pouco eficiente |
Remoção de metais traço (Fe, Cu) | Alta eficiência | Moderada |
Remoção de compostos oxidados | Moderada | Alta eficiência |
Remoção de contaminantes orgânicos (PAHs, pesticidas) | Baixa eficiência | Muito alta eficiência |
Controle de odor e sabor | Limitado | Elevado |
Impacto sobre compostos bioativos (carotenoides, tocoferóis) | Pode causar perdas significativas se mal controlada | Menor impacto quando usado em baixas concentrações |
Dosagem típica no óleo de buriti | 0,5–2,0% (m/m) | 0,05–0,5% (m/m) |
Temperatura de operação | 90–110 °C | 80–100 °C |
Tempo de contato | 20–40 min | 10–30 min |
Perdas de óleo associadas | Moderadas a elevadas (retenção física na torta) | Baixas |
Custo operacional | Baixo | Médio a alto |
Geração de resíduos sólidos | Elevada | Baixa |
Aplicação recomendada no óleo de buriti | Clarificação primária e ajuste de cor | Refino complementar para redução de contaminantes e odo |
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