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A Alegoria do Patrimônio - Choay

Por:   •  6/12/2016  •  Relatório de pesquisa  •  1.123 Palavras (5 Páginas)  •  862 Visualizações

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No capítulo “A Invenção Do Patrimônio Urbano” Choay procura esclarecer o contexto de Patrimônio Histórico. Segundo ela, a preocupação com o patrimônio urbano, que consiste em preservar a identidade de uma cidade e suas características como malha, tipologia, arquitetura, contiguidade, morfologia, diversidade, começou no século XIX sendo motivada pela transformação do espaço urbano após a revolução industrial. Antes disso o monumento era visto e considerado pontualmente, não levando em consideração o espaço e o contexto em que se inseria.

“Por que essa distância de quatrocentos anos entre a invenção do monumento histórico e a da cidade histórica? [...] Numerosos fatores contribuíram para retardar de uma só vez a objetivação e a inserção do espaço urbano numa perspectiva histórica: de um lado, sua escala, sua complexidade, a longa duração de uma mentalidade que identificava a cidade à um nome, a uma comunidade, a uma genealogia, a uma história de certo modo pessoal, mas que era indiferente a seu espaço; de outro, a ausência, antes do início do século XIX, de cadastros e documentos cartográficos confiáveis, a dificuldade de descobrir arquivos relativos ao modo de produção e às transformações do espaço urbano ao longo do tempo. ” (CHOAY, pág. 178)

Para exemplificar essa mudança de pensamento em relação ao urbano, Choay cita o plano de reforma de Haussmann para Paris, que foi um ponto de partida para essa discussão, pois se trata de uma intervenção que modifica e desconsidera o tecido existente em função de melhorias na estética, higiene e das novas necessidades de circulação das cidades da era industrial. Críticos da época rebatiam essa postura, não pela demolição de patrimônios, mas pelo fato de ao abrir largas avenidas e destruir quarteirões inteiros, a fim de combater a insalubridade da cidade pós-industrial, com um sentido militar de impedir manifestações e barricadas nas antigas ruas estreitas, Haussmann, que se defendia em relação às críticas afirmando que não houve a demolição de nenhum monumento considerável de interesse, acaba por exterminar o contexto onde esses patrimônios históricos estavam situados, fazendo com que perdessem suas identidades, abalando a memória da cidade como espaço urbano.

A partir daí é notório o contraste entre cidade nova e cidade antiga, o que acaba por provocar a curiosidade pela investigação. A cidade passa a ser considerada objeto de estudo histórico, e assim, é fundada uma nova disciplina sendo batizada por Cerdá de Urbanismo.

E então, a autora apresenta três linhas de pensamento que abordam a forma como eram vistas e tratadas as cidades antigas, denominando-as como “figuras”. Figura memorial, histórica e historial.

A figura memorial aparece na Inglaterra por volta de 1860 e é atrelada a John Ruskin que se manifesta na escrita com uma visão extremista, apontando a cidade como memória do passado. Vincula-se ao nacionalismo prezando uma cidade anterior a Revolução Industrial, desejando manter a condição da cidade antiga, criando um congelamento no período pré-industrial. Ruskin não aceita a transformação da cidade que visa dar suporte à industrialização e assim tenta alertar a população contra as intervenções que lesam a malha urbana, seu traçado, suas construções, sua contiguidade, pois estas fazem perder a essência da cidade histórica, que deve ser protegida incondicionalmente, seria esta uma preservação radical.

Ruskin defende que a cidade antiga é a da identidade pessoal, local nacional e humana, sendo sua conservação a garantia da memória.

A figura histórica é subdividida por Choay em dois papéis, o propedêutico e o museal.

No papel propedêutico é discutido o ponto de vista de Camillo Sitte, que expõe sua ideia de usar a cidade antiga como modelo de ensinamento, como uma lição de arquitetura, no entanto, sustenta que a cidade precisa evoluir e se adequar às necessidades da época. Sitte constata a necessidade de transformação espacial para o desenvolvimento da nova cidade industrial e das dimensões técnicas, econômicas e sociais que essas implicam, mas, acredita que se deva encontrar a escala apropriada para as transformações, que se tornaram extremamente técnicas e deixaram a arte de lado. Defende a investigação histórica e se preocupa com a preservação

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