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DICIONÁRIO DE OBRAS POLÍTICAS Santo Agostinho E São Tomás De Aquino - Fichamento

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Por:   •  7/10/2014  •  2.899 Palavras (12 Páginas)  •  449 Visualizações

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AGOSTINHO, Santo, 354-430

“A cidade de Deus exerceu sobre a história das doutrinas uma das mais diversas e duráveis influências. Ela fascinou a Idade Média Cristã. (...) a obra agostiniana, que, se aborda temas políticos, os insere também numa visão ampla da história e do mundo. Além disso, muitas obras acompanham a De Civitate Dei: das Confessions à De Trinitate, dos tratados exegéticos aos numerosos Sermões, o bispo de Hipona move-se nos horizontes que lhe abriram sua experiência pessoal, sua reflexão filosófica, seu conhecimento das Escrituras, sua compreensão do mistério cristão. É sobre esse fundo que convém interrogar a doutrina política de A Cidade de Deus.” (p. 19 - 20).

“Essa doutrina não se insere apenas dentro de um tempo; ela se constitui por meio dos debates e dos acontecimentos mais marcantes.” (p. 20).

“Mas se insistirá aqui no acontecimento que foi, em 24 de agosto de 410, o saque de Roma pelas tropas de Alarico. Dois anos mais tarde. Agostinho empreenderia a redação de De Civitate Dei, cujo eu intermédio, o problema da violência e da guerra, a questão da morte, a situação dos cristãos nessa experiência.” (p. 20).

“(...) ele se sentia na obrigação de defender os cristãos – acusados de ter, por sua própria religião, concorrido para a derrota do Estado romano.” (p. 20).

“Como que anunciado pelas primeiras invasões bárbaras, o acontecimento de 410 é mais importante do que qualquer outro. Ele não consiste apenas no saque de Roma (onde as tropas de Alarico ficaram, aliás, apenas três dias). Esse fracasso da cidade, fundada por Rômulo na Antiguidade, simboliza, principalmente, o fim de um império e de uma civilização.” (p.20).

“Estando na África, onde a notícia o alcançou, Agostinho voltou seu olhar na direção da “Cidade de Deus” para compreender, à sua luz, o destino trágico de uma cidade terrestre.” (p.20).

“Enredado em um tempo de crise, seu pensamento político forja-se no encontro de duas tradições: a de cultura greco-romana e a das Escrituras judaico-cristãs. Da Antiguidade grega, Agostinho retém, entre outras, a figura de Platão” (p.20).

“Pelo menos parece que, no caso de Agostinho, a interpretação política da história se constitui em uma parte dentro da história política. Roma oferece, sob esse aspecto, um terreno privilegiado não apenas pela diversidade de seus governos, mas também pela importância que dispensa à res publica. Seu gênio é político, ao mesmo tempo que jurídico e militar. E é assim, frequentemente, pelo pior, mas a própria severidade de Agostinho não o impede de prestar homenagem à “Cidade” que, até nos tempos de crise, conheceu homens virtuosos e heróis. O bispo de Hipona não lhe pede para renunciar àquilo em que ela foi grande, mas para acolher finalmente os dons do verdadeiro Deus.” (p.21).

“Potência política, Roma teve seus teóricos da res publica. (...) ao lado das próprias obras literárias e filosóficas, a língua latina fez grande uso do vocabulário político. O autor de A Cidade de Deus toma isso em consideração, a ponto de sua atenção às realidades políticas favorecer uma certa politização da linguagem teórica.” (p. 21).

“Ora, o termo civitas, tão caro à tradição política da Urbs, não é menos encontrado nas traduções latinas da Bíblia.” (p.21).

“A tradição bíblica não lhe forneceu apenas uma linguagem que significa a experiência da sociedade humano e de seu governo (...), por meio dessa própria linguagem, ela indica que a dimensão política não lhe é estranha. Ela atesta à existência do povo hebreu, o papel particular de seu Estado, as peripécias de sua história. Principalmente, convida a relativizar os sucessos passados da política romana; em primeiro lugar, não por causa dos grandes impérios que precederam o desenvolvimento da “Cidade” (...), mas porque ela se pronuncia sobre o sentido primeiro e último de todas as coisas humanas (...).” (p. 21-22).

“A obra De Civitate Dei apresenta-se ainda como a exposição de um percurso que, partindo da crise recente de 410, quer levar o mundo romano a reconsiderar sua história política (...), a descobrir a futilidade de sua “teologia civil”, a confessar sua necessidade de um mediador entre Deus e os homens (...); irá a cidade terrestre abrir-se a esse caminho da salvação? Ela se abrirá, de uma só vez, a uma certa compreensão da história que poderá esclarecer o destino político de Roma e permitirá, segundo o livro XIX, recomeçar o trabalho sobre os problemas da dominação e da servidão, da ordem e da desordem, da guerra e da paz – até que seja enfim desvendado, nos últimos livros da obra, o mistério do destino último dos indivíduos e dos povos.” (p.22).

“Assim, o movimento de De Civitate Dei conta, ele próprio, esse encontro de duas tradições, em um tempo de crise, suscita e fecunda o pensamento político de Agostinho.” (p.22).

“Ele gravita antes em torno de um ponto focal, em que se devem articular a reflexão política e a reflexão teológica – à sombra de uma outra articulação, mais fundamental, entre a experiência da “cidade terrestre” e a peregrinação à “cidade de Deus”. (p.22).

“Para Agostinho, os indivíduos pertencem sempre a um grupo – família, cidade, reino ou império.” (p.22).

“Mas a palavra civitas não significa apenas “cidade”: significa também o Estado Imperial. Sua própria extensão faz dela um conceito-chave da vida política.” (p.22).

“Logo, a existência de um grupo supõe, para Agostinho, um acordo de base – qualquer que seja o objeto – e revela, por isso mesmo, uma disposição fundamento do ser humano.” (p.22).

“(...) civitas (...) não é definida segundo um modelo ideal (...), mas segundo a realidade de uma tendência que, concretamente, orientará para o bem ou para o mal. Assim, ‘para compreender o que é cada povo, é preciso considerar o objeto de sua predileção’; e o povo é ‘tanto melhor quanto ele se incline para as coisas melhores e tanto mais execrável quanto se incline paras as coisas mais abomináveis’.” (p. 22 – 23).

“(...) a noção de justiça não é apenas uma retomada dela na tradição latina, mas sua transformação pela interpretação cristã.” (p.23).

“(...) Agostinho distingue em todas as coisas o atrativo fundamental da ‘paz’: o corpo humano a reclama, assim como o corpo social, que encontra seu equilíbrio no repouso harmonioso de seus elementos”. (p.23).

“E certamente a paz pode ser injusta: do mesmo modo, Agostinho admite a legitimidade de certas guerras, mesmo quando

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