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Material De Apoio

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Por:   •  8/5/2013  •  7.430 Palavras (30 Páginas)  •  584 Visualizações

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MATERIAL DE APOIO – AULA 1 – ANÁLISE TEXTUAL

A LINGUAGEM

A linguagem é uma faculdade muito antiga da espécie humana e, segundo os estudiosos, deve ter precedido os elementos mais rudimentares da cultura material (confecção de ferramentas, armas, vestuário, etc.).

Pode-se, pois, com base nas considerações feitas até agora, definir Linguagem como um sistema de signos capaz de representar, através de alguma substância significante (som, cor, imagem, gesto), significados que resultam de uma interpretação da realidade e da categorização mental dos resultados dessa interpretação.

As chamadas Línguas Naturais, a pintura, a Música, a Dança, os Sistemas Gestuais, bem como sistemas particulares de signos tais como o Código Morse, os Mitos, os Logotipos, os Quadrinhos, são exemplos de diferentes linguagens utilizadas pelo ser humano. Algumas dessas linguagens são universais (como as Línguas Naturais e a Música, presentes em todas as culturas do mundo); outras desenvolveram-se nas chamadas culturas letradas, após o desenvolvimento e a especialização dos usos da escrita. Quando entram em jogo signos como as cores, os desenhos e as imagens de modo geral, fala-se em Linguagem Visual, em oposição a Linguagem Verbal.

Cabe observar que o que se costuma designar como “linguagem” animal (das formigas, das abelhas) não passa de um sistema de comunicação entre os membros de uma espécie. Embora muito sofisticados, tais sistemas não chegam a constituir linguagem no sentido aqui definido, uma vez que falta aos animais a consciência de que usam um sistema de signos para comunicar-se com seus semelhantes. Por essa razão, tais sistemas não podem ser vinculados a atividades cognitivas como a interpretação e representação da realidade.

Dentre os exemplos de linguagem citados, cabe destacar as Línguas Naturais (Inglês, Chinês, Francês, Português, Russo, Guarani, etc), que são sistemas de signos linguísticos.

Dado que a linguagem decorre das práticas sociais de uma cultura humana e as representa e modifica, o exercício da linguagem é atividade predominantemente social: a faculdade de representar e de interferir na realidade através do uso da linguagem é compartilhada por todos os membros de uma comunidade humana. É por isso que as linguagens desenvolvidas pelo homem pressupõem conhecimento, por parte de seus usuários, do valor simbólico dos seus signos. Se não houvesse acordo com relação a esse valor (ou seja, se não fosse possível, para todos os usuários de uma mesma forma de linguagem, identificar no mundo aquilo a que determinado signo faz referência ― por exemplo, relacionar a cor verde, nos sinais de trânsito, à autorização para prosseguir; identificar o sentido pretendido pelo ator ao atribuir uma interpretação aos elementos de um texto), qualquer interação através da atividade da linguagem estaria por definição prejudicada, uma vez que não haveria comunicação possível.

Variação e norma

Como falante do Português, você já deve ter percebido que há situações em que a língua se apresenta sob uma forma bastante diferente daquela que você se habituou a ouvir em seu ambiente doméstico ou através dos meios de comunicação. Essa diferença pode manifestar-se tanto em termos do vocabulário utilizado como em termos da pronúncia, da morfologia e da sintaxe. Essa diferenciação no interior de uma mesma língua perfeitamente natural e decorre do fato de que as línguas naturais não são sistemas monolíticos, invariáveis e imutáveis no espaço e no tempo. Muito pelo contrário, as línguas são sistemas dinâmicos e extremamente sensíveis a fatores como (dentre outros) a região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do contexto.

As variedades regionais e sociais

Um dos aspectos mais conhecidos da variação linguística é a diferenciação que caracteriza os chamados dialetos ou variedades regionais. Com relação à Língua Portuguesa falada no Brasil, sabe-se, por exemplo, que as variedades faladas nos estados do Nordeste são diferentes daquelas faladas nos estados do Sul e que, no interior dessas regiões geográficas, podem também ser observadas diferenças entre os estados e mesmo entre regiões e cidades dos estados.

Outra importante dimensão da variação linguística é a social. As chamadas variedades populares são aquelas faladas pelas classes sociais menos favorecidas, enquanto as variedades cultas são normalmente associadas às classes de maior prestígio social, constituindo a referência para a norma escrita. Na dinâmica relação que se estabelece entre as modalidades oral e escrita, verifica-se, ao longo do tempo, uma influência recíproca entre as variedades orais cultas e a norma escrita, de tal maneira que a escrita passa a incorporar determinados traços da oralidade culta e essa vai também adquirindo traços da escrita.

A variação de natureza social costuma apresentar diferenças significativas em termos fonológicos (“craro” por “claro”, “muié” por “mulher”, etc.) e morfossintáticos (“nós fumu” por “nós fomos”, “os menino” por “os meninos”, etc.). São essas, na verdade, as diferenças linguísticas que costumam entrar em conflito com a norma oral e com a norma escrita ditas cultas.

As variedades estilísticas: registros

Por registro linguístico ou variações de estilo entende-se variações nos enunciados linguísticos que estão relacionados aos diferentes graus de formalidade do contexto de interlocução, o qual se explica, por sua vez, em termos do maior ou menor conhecimento e proximidade entre os falantes. Em um dos extremos do que se pode tomar como um eixo contínuo de formalidade a linguagem (uso coloquial, em situações familiares). No outro extremo desse mesmo eixo, temos as situações formais de uso da linguagem (por exemplo, as escolhas linguísticas que caracterizam uma palestra feita para uma platéia desconhecida, sobre matéria científica). Assim, um bilhete escrito para um amigo exemplifica o contexto de uso da escrita coloquial, ao passo que um ensaio acadêmico exemplifica o contexto de uso formal da escrita. Existem, naturalmente, diversos pontos intermediários no eixo de graus de formalidade, tanto em termos da oralidade como da escrita.

Aula 2 – Material de Apoio – Profª Rossana – Análise Textual

A construção de sentidos: COESÃO TEXTUAL

“É preciso saber alinhavar as idéias de um texto, para que haja harmonia e clareza no todo.” (Marina Ferreira)

A coesão textual

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