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ENSINO DA GRAMÁTICA. OPRESSÃO? LIBERDADE?: Análise Sobre O Campo De Ensino/aprendizagem De língua.

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Por:   •  7/11/2014  •  2.963 Palavras (12 Páginas)  •  519 Visualizações

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A respeito da ideia expressa nos capítulos do livro,

A obra O ensino da gramática. Opressão? Liberdade? é geralmente designada por ser uma análise que evoca a crise da escola e o coloquialismo o qual caracteriza as formas de comunicação contemporânea.

Ana Clara Gonçalves

Evanildo Bechara inicia o primeiro capítulo de seu livro – Ensino da Gramática. Opressão? Liberdade?, intitulado como: “A escola e a chamada crise do idioma”, dissertando a cerca de uma crise que se subdivide em três ordens, nomeadas respectivamente como: ordem institucional, na universidade e na escola. E essa crise é desencadeada pelo fato de receber um aluno “já possuidor de um saber linguístico prévio limitado à oralidade” (grifo do autor), ou seja, um conhecimento linguístico que o indivíduo acarreta pelo seu envolvimento e desenvolvimento sócio-histórico e ideológico da língua, e a escola não usufrui dessa noção, fazendo com o que aperfeiçoe e some com este conhecimento, mas 'desconstrói' portando de uma visão prescritivista de ensino/aprendizagem de língua, para ensiná-lo.

Possuímos, então, uma crise substanciada pela escola vs ensino-aprendizado de língua, onde a escola não acompanha o consentimento de língua que acompanha o aluno desde a sua chegada na escola.

Ao detalharmos as ordens dessa crise, percebe-se que a crise institucional é funcional a própria sociedade, pois, como a língua fluida teve de sua repercussão uma significância plausível, distanciou ainda mais essa ideia aplicada de ensino-aprendizagem de língua. A esse movimento, descrito pelo autor como “expansão vitoriosa”, foi a influência de um gênero textual como crônica que alargou os conhecimentos de escrita como: escrever fatos do cotidiano, ser objetivo, poder usufruir de uma linguagem coloquial – creio que a última característica, seja a de maior impacto.

E segundo o autor, o resultado desse interesse, resulta em alunos acostumados com o nível linguístico de cronicas e outros gêneros literários expressos por uma língua superficial, e assim sendo se acomodam com esse nível, se esquecendo de textos clássicos, isto é, de um nível linguístico mais rebuscado.

Contextualizando tal momento, sócio-históricamente, podemos relatar um período literário chamado Modernismo. Ocorreu no século XX, e ficou conhecimento pela Semana de Arte Moderna de 22 (1922). Dentre as suas inúmeras manifestações literárias, teve como forma primeira a comparação dos – clowns (palhaços) de Shakespeare, porque usar de uma língua regida pela norma, se poderia ser livre para expor o que pensa? Questionavam. O poeta Manuel Bandeira aponta para este questionamento:

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente

protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o

cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais

Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção

Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador

Político

Raquítico

Sifilítico

De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora

de si mesmo

De resto não é lirismo

Será contabilidade tabela de co-senos secretário

do amante exemplar com cem modelos de cartas

e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbados

O lirismo difícil e pungente dos bêbedos

O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

(Manuel Bandeira, Poética)

A segunda ordem ocorre na universidade, o autor concerne em dizer que, como a Linguística ainda não se constitui como corpo doutrinário, cumpre a existência de funcionalidade na questão didática da língua ora paralela, ora conflitante. E este comportamento explicita a terceira ordem dessa crise, a ordem da crise na escola.

E neste lugar, a medida que não é feita distinções entre gramáticas, o professor se volta para o ensino da gramática geral- elaborada por Noam Chomsky - apresenta em sua gramática uma teoria que discute aspectos linguísticos como a criatividade do falante e a sua capacidade de emitir e de compreender frases inéditas. Sendo assim, a gramática seria considerada um sistema finito que permite gerar um conjunto infinitos de frases gramaticais – Princípio da Economia Linguística; gramática descritiva – sua função é descrever como a língua é falada, esta aí a diferença entre gramática descritiva e a normativa. E essa atenção que exclui a gramática normativa, faz com que o aluno perca uma educação necessária para o uso efetivo do seu potencial idiomático.

Portanto, vieram pela porta da própria linguística e se instalaram nas salas de aula de língua portuguesa esse privilegiamento do código oral em relação ao escrito e certa desatenção a normas estabelecidas pela tradição e conservadas ou normas estabelecidas pela tradição e conservadas ou recomendadas no uso do código escrito padrão. (BECHARA, 2002, p. 10)

Bechara também disserta em respeito da importância da Língua Portuguesa, não só como uma disciplina, mas como um dos fatores decisivos para o desenvolvimento do indivíduo. Neste livro, estão presentes datas importantes para o reconhecimento do processo de educação brasileira, são elas: a década de 60 e 70. A década de 60 representa o poderio da gramática normativa; década de 70 é marcada pelo primeiro encontro entre Linguística e Gramática Normativa – informações

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