Desidratação no Serviço de Bombeiros
Por: ade193 • 10/6/2026 • Artigo • 4.926 Palavras (20 Páginas) • 9 Visualizações
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EFEITOS DA DESIDRATAÇÃO DO BOMBEIRO MILITAR EM OPERAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIO E A IMPORTANCIA DE UMA ADEQUADA HIDRATAÇÃO
EFFECTS OF DEHYDRATION IN MILITARY FIREFIGHTERS IN FIREFIGHTING OPERATIONS AND THE IMPORTANCE OF ADEQUATE HYDRATION
Ademir Viapiana[1]
viapianabm@hotmail.com
Marcos Francisco Borba Cordeiro[2]
marcosbm2@yahoo.com.br
Resumo: O combate a incêndios compreende uma atividade operacional de alta exigência física, térmica e psicológica, notadamente quando realizada com uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Equipamentos de Proteção Respiratória Autônoma (EPRA). Nesse contexto, a desidratação surge como um fator crítico que compromete o desempenho, a segurança e a saúde dos Bombeiros Militares. O presente artigo tem como objetivo analisar os efeitos da desidratação em bombeiros do Estado do Paraná durante o simulado realizado em container, e em situações reais, bem como discutir a importância da hidratação estratégica no contexto operacional. Ademais, no que tange à metodologia, fora adotada uma pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, com aplicação de questionário estruturado via “Google Forms”, respondido pelos militares. Assim, constata-se que os dados foram analisados à luz de artigos científicos que abordam aspectos fisiológicos, ergonômicos e logísticos da hidratação em ambientes de calor extremo. Por certo, nota-se que os resultados indicaram sintomas recorrentes de desidratação, como sede intensa, boca seca, tontura e fadiga muscular, além da percepção de perda significativa de suor durante a atividade, de maneira que a maioria dos respondentes relatou não utilizar táticas adequadas de hidratação antes e durante o simulado. No mais, a literatura científica revelou a necessidade urgente de implementação de protocolos institucionais de hidratação, reabilitação térmica e educação continuada sobre saúde ocupacional. Assim sendo, a hidratação não deve ser tratada como responsabilidade individual, mas como parte integrante da doutrina operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Paraná.
Palavras-chave: bombeiros militares. combate a incêndios. desidratação. hidratação.
INTRODUÇÃO
Com teor introdutório, há de se observar que o combate a incêndios diz respeito a uma das atividades operacionais mais exigentes do ponto de vista físico, térmico e psicológico dentro das corporações militares. Nesse contexto, destaca-se que a exposição prolongada a altas temperaturas, o uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Equipamentos de Proteção Respiratória Autônoma (EPRA), somados ao esforço físico intenso, impõem aos bombeiros uma sobrecarga fisiológica significativa.(MOREIRA, et al., 2005). Nesse cenário, a desidratação se apresenta como um fator crítico, capaz de comprometer o desempenho, a segurança e a integridade física dos profissionais envolvidos.
Diante disso, constata-se que os estudos nacionais e internacionais têm demonstrado que a perda hídrica durante o combate a incêndios pode ultrapassar 2% (dois por cento) da massa corporal em menos de uma hora de atividade, o que já configura um quadro de desidratação leve a moderada (PEREIRA, 2025). Tal condição, por sua vez, afeta diretamente a termorregulação, a função cardiovascular, a capacidade cognitiva e a resistência muscular, elevando o risco de exaustão térmica, hiponatremia e até colapso fisiológico. Apesar disso, corrobora-se o entendimento de que ainda são escassos os protocolos institucionais voltados à hidratação estratégica no contexto operacional dos Corpos de Bombeiros Militares no Brasil.
Continuamente, no âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), a ausência de diretrizes formais sobre hidratação durante operações e treinamentos motivou a realização deste estudo, de maneira que a pesquisa teve como objetivo analisar os efeitos da desidratação em bombeiros militares durante simulado em container e discutir a relevância da hidratação como ferramenta de preservação da saúde ocupacional e de otimização do desempenho operacional. Para isso, foram utilizados dados obtidos por meio de questionário aplicado a militares do CBMPR, complementados por uma revisão integrativa de 17 (dezessete) artigos científicos sobre o tema.
Certamente, argumenta-se que o presente artigo está estruturado em cinco seções, a saber, a fundamentação teórica, que apresenta os principais conceitos fisiológicos e operacionais relacionados à hidratação; os procedimentos metodológicos que descrevem o delineamento da pesquisa; os resultados e discussão que analisam os dados empíricos à luz da literatura; e, por fim, as considerações finais que sintetizam as informações e propõem recomendações práticas para a corporação.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Fisiologia da hidratação e termorregulação
Adentrando-se à fundamentação teórica, insta salientar que a água corresponde ao principal componente do organismo humano, representando cerca de 60% (sessenta por cento) da massa corporal total em adultos, participando de praticamente todos os processos fisiológicos, incluindo transporte de nutrientes, regulação da temperatura, lubrificação de articulações, remoção de resíduos metabólicos e manutenção do volume plasmático. Nesse contexto, no esforço físico intenso, como o que ocorre durante o combate a incêndios, a água assume função ainda mais relevante, pois se pauta como o principal meio pelo qual o corpo dissipa o calor gerado pela atividade muscular e pelo ambiente externo (BRITO, VITOR e ALVES, 2018).
Desse modo, tem-se a percepção de que a termorregulação seja o processo pelo qual o organismo mantém sua temperatura interna dentro de limites fisiológicos seguros, mesmo diante de variações ambientais extremas, e tal equilíbrio térmico se mostra alcançado por meio de mecanismos como a condução, convecção, radiação e, principalmente, evaporação do suor. Logo, durante o exercício físico em ambientes quentes, a sudorese se torna o principal mecanismo de dissipação de calor. Todavia, destaca-se que a produção de suor implica em perda significativa de água e eletrólitos, direcionando rapidamente à desidratação se não houver reposição adequada (FILHO e COUTINHO, 2024).
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