Simbolismo do Avental e Sua História
Por: EduardoPerlin • 28/6/2026 • Projeto de pesquisa • 1.145 Palavras (5 Páginas) • 8 Visualizações
Simbolismo do Avental e sua história.
O Avental é símbolo fundamental para o Maçom, independente do grau e/ou momento que está a sua trajetória dentro da loja, deve ser utilizado desde a sua iniciação (sendo uso obrigatório durante os trabalhos segundo o R.E.A.A.). Segundo D´Elia Junior, também pode ser chamado de vestido e sempre que um Maçom estiver em loja estará revestido com ele e, como símbolo do trabalho deve sempre usá-lo e honrá-lo, pois o avental jamais o desonrará.
Ademais, segundo a história, o Apr∴ utiliza-o na cor branca, muitas vezes confeccionado com pele de cordeiro ou material similar, de formato retangular, possuindo uma abeta triangular no mesmo material e cor, a qual deve ser usada levantada. O avental é afixado na cintura por cadarço de algodão ou elástico branco com fivela. A cor branca provém do sábio preceito de Salomão: “Que o teu vestuário seja sempre branco...”, o uso remonta em variadas regiões e religiões.
Incialmente foram cópias dos aventais usados pelas antigas corporações, também usados por sacerdotes das grandes religiões antigas. Assim sendo, o próprio rei Salomão é mostrado usando essa peça já na edificação de seu templo. Neste tempo eram feitos em couro e no caso dos AApr∴ eram grandes e protegiam do peito aos joelhos por conta do trabalho desbastando pedras e cortando madeiras, o que gerava muitas lascas.
As guildas medievais eram corporações de trabalhadores qualificados que tiveram forte influência na origem da maçonaria inglesa e principalmente no que diz respeito ao emprego do avental como o seu principal símbolo. Primeiramente, o Avental era confeccionado por cada loja, não atendendo a padrões de tamanho, cor, decoração e até de formato e decoração o que causou muitas polêmicas e discórdias. Entretanto, na grande maioria eram feitos de pele de carneiro curtido ao Sol, contendo uma grande abeta que chegava ao pescoço, presas por tiras do mesmo couro, por vezes, usada abaixada e o avental preso à cintura por outras tiras de mesmo material.
No Século XIV aventais foram confeccionados em couro de boi, em alguns casos o couro não era raspado e o pelo do animal tornava mais espessa a vestimenta, oferecendo maior proteção. Em 1725 a maçonaria especulativa que começava a se estruturar, e instituiu, dentro dos parâmetros maçônicos, o uso de aventais para os três primeiros graus, e, em 1747 para os altos graus.
Com a dificuldade de um consenso, em 1875 foi convocada uma reunião dos supremos conselhos, que se realizou em Lausanne, na Suíça. Nesta reunião ficou decidida a obrigatoriedade do uso dos aventais e foram dadas formas e dimensões apropriadas, quase as padronizando. Lá ficou decidido que os aventais podiam variar de 30/35 e 40/45 centímetros, o aprendiz deveria usar branco feito de pele de carneiro, com abeta levantada em forma de triângulo sem nenhum enfeite. O avental de Comp∴ também seria branco, com abeta pra baixo (opcionalmente orlado de vermelho) enquanto o de M∴ seria branco com a abeta abaixada, orlado e forrado de vermelho. Porém, atualmente, as determinações dos supremos conselhos de 1875 não são mais observadas, pois os aventais variam de acordo com os ritos, obediências e países onde se encontram.
Boucher, citando François Ménard, relata que o avental serve para proteger, cobrir e afastar influências nocivas. Demonstrando assim, a capacidade de isolar os órgãos do corpo onde a tradição coloca-os como núcleos das paixões, significando que uma única parte, a superior do corpo, sede das faculdades da razão e do espírito, deve participar do trabalho. Portanto, a abeta levantada do avental do Apr∴ protege o epigástrio (região superior e média do abdómen, situada a cima do estômago) que está ligado aos sentimentos e as emoções contra as quais o Apr∴ deve se proteger e isolar para não prejudicar a energia de paz do Templo no qual ele é admitido.
Segundo Costa, a grandiosa função do avental é a de destacar uma divisão figurada do corpo humano em duas partes distintas; separando a parte nobre, onde estão a cabeça e o coração, onde estão a afeição e o amor, das partes corporais mais básicas, que são meramente aplicadas à realização das funções carnais da natureza.
Conforme o Ritual do R.E.A.A, a maçonaria não impõe nenhum limite à livre investigação da verdade. Assim sendo, com base nessa premissa, Robinson cita em seu livro Nascidos do Sangue, que após a criação da Grande Loja de Londres em 1717, momento em que a maçonaria veio a público, vários autores maçônicos buscaram ligar os princípios da Ordem às atividades dos pedreiros das guildas medievais, correlacionando a atividade de construção do edifício social e da moralidade do homem com a construção de prédios grandiosos ao longo da história, principalmente catedrais. No entanto em suas pesquisas e exames de desenhos, pinturas e xilogravuras que mostram pedreiros no trabalho não encontrou confirmações do uso de aventais com pele de cordeiro. Inclusive salienta que as guildas não eram associações de trabalhadores e sim de empreiteiros que operavam por uma patente, um monopólio de algum ofício, acabando com a competição e ajustando o nível de produção à demanda garantido bons lucros.
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